INOVAÇÃO

CRÔNICA

Inovação do outro mundo
por Mario Persona

Peter Druker: "Um negócio tem duas funções básicas: marketing e inovação. Marketing e inovação produzem resultados, o resto é custo". De marketing eu e você já estamos carecas de escutar, mas e de inovação? O assunto é novidade pra muita gente. E nem poderia ser diferente.

Quando foi a última vez que você inovou? Pode dar um exemplo? Demorou? Então é bom correr inovar. Não se preocupe — ou se preocupe –, isso é comum à maioria das pessoas, negócios, empresas e até palestrantes. Falta tanta inovação que outro dia, acertando os detalhes de minha palestra com o diretor de uma empresa, ele suplicou:

— Por favor, prometa que você não vai falar da TAM. Não aguento mais! Todo palestrante brasileiro só fala da TAM. Será que ninguém mais inovou no Brasil?

Concordo. Não é comprando um Airbus ou colocando um tapete vermelho na porta que a empresa vai inovar. Mas o valor do exemplo está no conceito, não na coisa em si. Porque se alguém tentar copiar o que o inovador fez deixa de ser inovação, concorda?

Inovar não é copiar. Inovar é sair fora do círculo de ação da competição e criar seu próprio mercado, seus próprios clientes, seu próprio futuro e seus próximos concorrentes. Inovar é desbravar novos territórios como faziam os Bandeirantes no Novo Mundo.

O problema é que inovar fica difícil se você achar que pode continuar fazendo o que faz, do modo que faz e para quem faz sem prazo para terminar. A falta de visão e previsão é o que leva a vaca pro brejo. O jeito é puxar as rédeas e mudar de rumo. Vaca não tem rédeas? Bem, então inove e coloque rédeas nela. Se você não guiar a Mimosa, quem vai guiar?

É aí que vem a confusão. Há dois tipos de inovadores: o que desbrava, como faziam os Bandeirantes, e o que vem atrás colonizando. O primeiro é aventureiro, sonhador, idealista. O segundo é pé no chão, racional, realista. Um precisa do outro e ambos criam o novo realizável. Se deixar só para o primeiro, no máximo vai sair uma obra de ficção. Se deixar para o segundo, ele vai achar que vender cigarros é um negócio de futuro.

E foi justamente o exemplo de uma tabacaria que a jornalista deu, quando me entrevistou sobre negócios que estão virando fumaça. O que um dono de tabacaria deveria fazer? Na minha opinião, apagar o cigarro, porque daqui a pouco vai ser social, ecológica e politicamente incorreto fumar até em incêndio.

Alguns ainda acreditam poder sobreviver vendendo jogos de tabuleiro, canetas tinteiro e canivetes suíços. Oras, cigarro é venda de volume e ainda que produtos assim pareçam preservar o clima de tabacaria, o negócio é completamente diferente. Salvo algumas lojas de elite, que sobreviverão, o resto já viu dias melhores. Sabe o que eu faria se fosse dono de tabacaria? Foi também o que a jornalista perguntou e quis saber.

Eu abriria uma loja de alimentos naturais, um restaurante vegetariano, uma farmácia de fitoterápicos — qualquer coisa diametralmente oposta à mensagem que hoje é lei em qualquer ponto de venda de tabaco: O último que fumou… foice!

Ok, foi mal. Agora sério: uma tabacaria que muda para virar um templo de saúde vira notícia. Uma tabacaria que muda só para vender jogos de gamão vai ficar na mão. Ai! Outro trocadilho infame!

Mas fica aí a idéia, se você pretende inovar faça algo para ser notado, vá "explorar novos mundos, pesquisar novas vidas, novas civilizações, audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais esteve".

Tá, eu confesso. Acabei de copiar a abertura da série Star Trek – Jornada nas Estrelas. Nem eu fui capaz de inovar aqui, nem o Capitão Kirk ali. Por que? Oras, mesmo com uma declaração de missão tão bonitinha, reparou que sempre que eles iam a algum lugar — "onde nenhum homem jamais esteve" — já tinha alguém lá?

Mario Persona é consultor, escritor e palestrante. Veja emwww.mariopersona.com.br