Todos os dias eu descubro no Google uma informação nova sobre a Brasiltec 2003, a maior feira de tecnologia da América Latina organizada pela Lemos Britto. Agora descobri um novo vizinho.

É que o Google leva alguns dias até renovar seu banco de páginas e incluir o que já foi publicado a respeito. O que achei agora foi o blog Divã do Theo assinado por Jota Theófilo. Ele foi meu vizinho e eu não sabia.

Theo morou no Prédio Inteligente, a poucas quadras de onde eu morei, a casa dos teletrabalhadores, que estavam mais para teleentrevistados, tamanho foi o assédio da imprensa. Enquanto o Prédio Inteligente tinha o objetivo de mostrar o que há de mais novo em tecnologia comercial e residencial, a Casa Inteligente Inclusiva mostrava a viabilidade de uma vida mais digna de se viver e trabalhar para quem sofre de alguma deficiência física.

A proposta da casa onde morei foi de valorizar o Teletrabalho, tema de matéria da Computerworld enviada por Adrien Bisson (meu aluno do MBA de Gestão de Empresas de TI e Internet da Uninove), que prevê um crescimento significativo do número de empresas que adotam o teletrabalho.

O evento todo reunia ainda o Fórum de Inovação Tecnológica, o Congresso Habitar e o 12º Salão de Novos Negócios. Mas vamos ler as impressões de meu vizinho Theo, que ainda não conheço pessoalmente, sobre a experiência.

Antes de entrar em seu Prédio do Futuro, ele escreveu: “Estou como jornalista (que chique !!!) responsável pelo o Mini-Estúdio de TV no Prédio Inteligente, na BRASILTEC, feira organizada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em parceria com a Lemos Britto. Vou (literalmente) dormir nesse projeto (funcionará num estilo Reality Show apenas com jornalistas) de 29 de julho à 2 de agosto.”

Foi de sua expressão “dormir nesse projeto” de construções futuristas que tirei o título “dormindo no futuro”. Depois de passar pela experiência, Theo a descreve assim:

“Nesta semana, participei da Brasiltec – Maior feira de ciência e Tecnologia da América Latina. Entrevistei os ministros: Roberto Amaral, Miro Teixeira, Marina Silva. Fiz muitas matérias que irão ao ar pelo CNU (Canal 15 net , canal 71 tva) durante o segundo semestre. Foi um tempo legal. Porém , fiquei todos esses dias indoor. Trabalhei, durmi, fiz amigos, sem sair do complexo do expo center norte em sp. Isso mesmo, não saí para nada !!! Desfrutei de tecnologias de pontas. Tomei banho em banheiros modernos; Me entreti com telas de vídeo digital; dormi em colchões maravilhosos; utilizei elevadores de sucção – sim, isso mesmo, igual ao dos Jacksons…, fiz exercícios em academias modernas; MAS NÃO VI O CÉU, NÃO SENTI O SOL; NÃO VI MINHA FAMÍLIA; NÃO ENCONTREI O POVÃO, só modelinhos bonitinhas. O que salvou, foram os jornalistas do Brasil todo e Mercosul que ficaram comigo e dividiram minha angústia.”

Enquanto isso, vamos ver como estavam meus vizinhos mais próximos, teletrabalhando com afinco…

A jornalista Fernanda Do Coutto S. Riberti da ImprensaWeb tenta disfarçar a saudade do filho enquanto trabalha. Só depois que saiu da casa Fernanda soube que tinha conseguido um caminhão de açúcar para o Fome Zero, que não chegou a tempo de ser entregue na feira mas será encaminhado a uma instituição. Perdeu a oportunidade de ganhar a viagem (é, o tal do almoço com o presidente não saiu), que ficou com a estilista de moda Amanda Bricoli Ao fundo, a arquiteta Eliane Adesse. Enquanto isso, na suite ao lado, a designer Beatriz “Teca” Arantes criava seus belíssimos convites, observada por um jornalista.

O empresário Peterson Serra Lopes continuou administrando virtualmente sua LanHouse RoxPlanetGame confortavelmente instalado em sua suíte, antes que o pessoal todo se reunisse para o almoço do último dia. De camisa amarela, o publicitário Antonio Novaes, da agência LatitudeCom, celebrava ter sido o que morou mais tempo na casa: entrou com 35 anos de idade e saiu com 36. É que apagou velinhas por lá.

Só agora, do lado de fora, estou vendo a repercussão que o evento teve na mídia. A Folha de São Paulo publicou um especial sobre todos os ângulos do evento. A jornalista Nathalia Barboza mostra que entendeu perfeitamente a proposta, quando escreve que a casa visa “demonstrar a eficácia do sistema de trabalho em casa, com o suporte das novas tecnologias, mostrando ser viável manter uma relação de trabalho entre as mais diversas profissões sem que o profissional esteja presente fisicamente na empresa“.

Mais abaixo você encontra outros veículos que descobri que já publicaram na Web. Mas deve ter mais por aí. Passada a experiência que agora parece ter sido um sonho distante e exótico, fica a certeza de poder contar aos meus netos que um dia eu dormi no futuro.