E o streaming levou…

E o streaming levou…
por Mario Persona



“Lost” é uma ilha cercada de piratas por todos os lados, e seus produtores sabem disso. Para evitar que o episódio final da série caísse na mídia paralela, decidiram transmitir o programa para outros países, além dos EUA. Não adiantou.


Na noite da despedida era possível encontrar vários canais retransmitindo em tempo real e informal no Justin.tv, site de streaming. Amarrados a mil contratos e interesses, os produtores ainda não conseguem evitar as retransmissões.

Ao contrário do vídeo baixado ou vendido no camelô, no streaming nada é baixado ou comprado. Você vê enquanto passa – como acontece no Ustream, Stickam, Livestream e Justin.tv. Nestes sites, não apenas qualquer um pode ter seu canal de TV, como também até as rádios mudaram sua natureza. Viraram TVs, transmitindo em tempo real seus DJs no estúdio.

Eu não sei como será a Copa de 2010, mas para 2014 pode apostar que vai ter torcedor transmitindo jogo em streaming com comentário personalizado para a namorada, direto da arquibancada. Enquanto isso as redes legais de TV terão pago milhões por contratos com uma exclusividade só de papel.

Para evitar isso, cinema e TV apostam em tecnologias como HD e 3D. Eu já vi esse filme, quando os disquetes de software vinham encriptados, as caixas traziam etiqueta holográfica e os CDs e DVDs eram travados com tecnologia alienígena para jamais serem copiados.

O que os produtores não entendem é que não estão combatendo a Máfia, mas uma legião de vídeo-grafiteiros de viadutos virtuais. São adolescentes que viram a noite ripando, traduzindo, legendando e retransmitindo o último episódio da série só pela adrenalina do desafio e a consagração no underground.

Algumas redes de TV colocam fiscais escovando sites streaming para bloquear seus programas. Mas isso é como chutar cogumelos: você destrói um e na manhã seguinte há centenas nascidos de seus esporos.

Se os estúdios procurassem entender e explorar isso, poderiam lucrar justamente por meio daqueles que querem erradicar. Porém a letargia do parque de dinossauros do cinema segue o mesmo caminho da indústria da música, ignorando que as novas tecnologias irão fossilizar os velhos modelos. É nisso que dá deixar o jurídico cuidar do marketing.

Mas já tem gente ganhando quieto com o streaming on demand de sites como o Youtube. Você já viu o vídeo JK Wedding, dos padrinhos dançando no casamento? Será que os noivos pediram permissão ao Chris Brown para usarem sua música “Forever”? Never!

Como fazem milhões de Youtubers, que brincam de karaokê ou usam música de fundo no vídeo do bebê, o casal tocou e Chris Brown não dançou, mas lucrou. Com os mais de 50 milhões de views só no Youtube, esse estranho amasio da pirataria com o estúdio fez as vendas da música dispararem para o quarto lugar no iTunes e terceiro na Amazon.

Na tentativa de ver se acabo com minha TV a cabo, que vive reprisando “Identidade Bourne” ad infinitum, tenho pesquisado uma alternativa Web para embalar meu sono no sofá. Hulu e Netflix ainda não funcionam no Brasil, mas já existem opções legais que passam em meu notebook conectado à TV.

O TerraTV oferece um grande acervo de séries em streaming on demand, inclusive “Lost”. Diferente do site Justin, você pode parar os filmes para ir ao banheiro, como faz no Youtube, que já tem filmes grátis e filmes novos alugados (só nos EUA). Outras redes, como MundoFox, também embarcaram no modelo, e a EnterPlay saiu na frente alugando filmes para iPad e smartphone.

Na NetMovies há um acervo de clássicos que me agradou. Estou vendo filmes que meus pais viram no cinema quando eram namorados. O problema é que mergulhar numa sessão corrida de clássicos dos anos 40 e 50 começou a exercer uma influência negativa em mim. Pode ser impressão, mas senti uma vontade louca de começar a fumar.

Para evitar o vício, avancei alguns anos e ingressei nos saudosos clássicos de faroeste, cuja fumaça de locomotivas, Colts e Winchesters não poderão me influenciar. Mesmo assim, se souber de alguém que queira vender um cavalo, me avise.

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Redes Sociais
Rob Cross

Redes Sociais revela aos empresarios e executivos como obter excelencia em inovacao e atingir os resultados com mais facilidade por meio do uso inteligente das redes sociais nos seus negocios.

Rob Cross e Robert J. Thomas trabalharam ao lado de executivos de mais de cem empresas de alto nivel e entidades governamentais e, neste livro pioneiro, eles descrevem em detalhes como esses lideres utilizam as redes para incrementar as receitas, reduzir os custos e acelerar a inovacao.

Redes Sociais nos negocios apresenta diversos cases de empresas bem-sucedidas, como Procter & Gamble, Microsoft e Novartis, os quais tambem ajudarao o leitor a implementar em suas empresas as ideias, estrategias e acoes expostas no livro.

Gênero: Negócios
Formato: 16×23
Número de Páginas 256
Origem: Estrangeiro
Ano de Publicação: Set / 2009
Código de Barras: 9788573125672
ISBN: 978-85-7312-567-2


Minha historia no Youtube

Minha historia no Youtube
por Mario Persona



Você confiaria sua empresa nas mãos de uma adolescente de 15 anos? Você a usaria para atender seus clientes, trabalhando 24×7 sem direito a férias? E um menino de 5 anos, você usaria para promover seus serviços? Eu uso um menino. E uma adolescente também.


Espere! Não me denuncie por exploração de trabalho infantil e escravo. A adolescente, que acaba de completar 15 anos no Brasil, chama-se Internet. E o menino, que ajuda a promover meus serviços, chama-se Youtube. Ele tem só 5 anos.

Sem a Internet eu não poderia trabalhar como trabalho: em home-office, sem visitar prospects para vender, sem impressos, catálogos ou DVDs para mostrar o que faço, e até sem meu fax, agora aposentado.

Em 1995 eu já usava a Internet. Naquele tempo, conseguir acesso era como fazer interurbano via telefonista. O Youtube veio dez anos depois, aparecendo para o público no final de 2005. Eu só iria criar um canal ali no dia 22 de março de 2006.

Quando pensei em criar um podcast para publicar mensagens em áudio, meu filho sugeriu que eu partisse logo para o vídeo, prevendo a popularização da banda larga. Inspirado por aqueles telefones infantis de lata e barbante, batizei meu canal de TV Barbante. Ele seria literal e deliberadamente “amarrado com barbante”.

Depois de meu primeiro vídeo ir ao ar, um colega consultor me alertou: aquilo iria prejudicar minha imagem profissional. Na sua opinião, eu deveria contratar um estúdio e produzir vídeos de qualidade, mas expliquei que minha intenção não era tentar ser uma TV convencional.

Não demorou um mês, e vi que estava no rumo certo: um jornalista do Estado de São Paulo me ligou pedindo uma entrevista. A matéria era sobre a nova tendência do vídeo na Internet e minha TV Barbante acabou ganhando destaque em um box de um quarto de página. Sabe quanto custa um quarto de página no Estadão? Eu também não.

Venho usando o Youtube por quase cinco anos. Com ele experimentei diversas formas de me comunicar com minha audiência. Publico vídeos de minhas palestras, entrevisto a mim mesmo, falo com um irmão gêmeo que não existe ou bato papo com cachorros. Ali eu já fui desde astronauta até alienígena, quando achei que poderia me comunicar melhor vestido assim.

Hoje meus vídeos ajudam a conquistar novos clientes. Recentemente uma pessoa que viu um vídeo em um curso de inteligência estratégica entrou em contato e acabei contratado por sua organização. A história é sempre de alguém que viu, recebeu um link ou ganhou uma cópia informal. Sim, meus vídeos podem ser copiados, emprestados e distribuídos à vontade e de graça. Não ganho com eles, mas eles me ajudam a ganhar.

Os únicos vídeos com restrições são os de um canal não profissional, “O Evangelho em 3 Minutos”, que mantenho nas horas vagas. É vedado seu uso em igrejas, organizações religiosas, rádios e TVs, para evitar que algum pregador picareta ganhe dinheiro às minhas custas. Mas se ele for picareta, será que vai respeitar minhas restrições?

Hoje vejo que meu colega consultor estava enganado. Minha carreira não foi prejudicada, muito pelo contrário. Mas se o Youtube não representou um risco para minha carreira, o mesmo eu não posso dizer em relação à minha vida.

Numa visita aos meus filhos nos Estados Unidos, decidi fazer um vídeo de mim mesmo enquanto falava e caminhava numa praça em Filadélfia, perto do City Hall. De repente, do nada, apareceu um sujeito que achou que eu estava apontando a câmera para ele. O cara começou a gritar dizendo que ia atirar em mim se eu continuasse gravando. Ele estava vestido com uma capa longa, dessas de agente secreto. Fiquei apavorado.

O que aconteceu depois? Bem, eu estou aqui, não estou? Mas, se não tivesse baixado minha câmera, talvez tivesse conquistado uma notoriedade maior do que a TV Barbante consegue me dar com mais de 1,6 milhão de views desde 2006. Na comemoração dos 5 anos do Youtube eu estaria sendo homenageado como sua primeira vítima fatal.



O agente anti-Youtube


Para assistir vídeos comemorativos dos 5 anos do Youtube, clique aqui. O vídeo abaixo eu enviei para lá, mas não sei se vão incluir na página por estar em português. Nele você vê a cena do misterioso agente secreto que me ameaçou de morte.


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Viral Loop: Como o Crescimento Viral Transformou Youtube, Facebook e Twitter em Gigantes e Converteu Audiência em Receita
ADAM PENENBERG

Neste livro o autor explora a máquina que move o crescimento dos novos negócios na web 2.0 como Twitter, YouTube e ebay: o viral loop. Ele é alcançado quando o caráter viral é incorporado à funcionalidade de um produto. Em termos mais simples, isso significa que uma empresa cresce porque cada novo usuário gera mais usuários, sucessivamente. As estratégias virais não são restritas ao mundo corporativo, à medida que começam também a entrar em outras áreas, como a política. Um bom exemplo é a campanha presidencial de Barack Obama. Este livro é recomendado, portanto, a qualquer pessoa que queira conhecer e explorar as possibilidades de negócios na Web 2.0, convertendo audiência em receita.

O conceito de viral loop vem se disseminando conforme cresce o papel da chamada Web 2.0. Adam Penenberg é respeitado no meio em que atua e seus artigos geram grande repercussão. Este livro vem sendo esperado por uma grande comunidade ligada às mídias digitais.

Sumário

Um esquema insanamente viral
Como os rapazes do Hot or Not transformaram uma ideia simples em fortuna
Presidente viral
Loop de feedback positivo, conceitos propagáveis e as três categorias do loop de expansão viral
Tupperware e esquemas Ponzi – os modelos virais originais
Planos de festa, redes de indicação e a habilidade de vender
O primeiro loop de expansão viral on-line
Mosaic, Netscape, efeitos de rede e a faísca que desencadeou a explosão da internet
O produto propagável como novo paradigma de negócios
Planície viral, o viral loop duplo da Ning, o eu digital e o irresistível CrushLink
O anúncio viral perpétuo
Tag viral: P.S. I Love You. Get Your Free Email at Hotmail
Quando o público decide o que é bom
Curadoria coletiva; sucessos, fracassos e além, e o reality show viral de sua vida
Vídeo viral como marketing de estratégia (Psiu! Passe adiante…)
Afrouxando o controle sobre uma marca, loops de piadas e não agir como alguns caras em seus quarenta e poucos anos que tentam parecer modernos
eBay e o enigma do crescimento viral
A saga do escalonamento do escalonamento do escalonamento
PayPal: a primeira rede empilhável
Sinergia viral, persuasões gananciosas, fraude escalonável e batalha da rede de todos os astros
Flickr, YouTube, MySpace
Viral loops propagáveis e empilháveis e o ponto de não deslocamento
Ajustando o coeficiente viral
Bebo, padrões na viralidade e massa crítica
Agrupamentos virais
Facebook, gráficos sociais e componentes de software
A procura de uma nova unidade de anúncios
Morte do anúncio de banner tradicional, a batalha entre profissionais de marketing e consumidores, e o tempo (não cliques)
Criaturas virais no planeta Terra viral
Idioma, religião, dinheiro e outros fenômenos virais

Editora: Campus
Autor: ADAM PENENBERG
ISBN: 9788535231809
Origem: Nacional
Ano: 2010
Edição: 1
Número de páginas: 256
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

Alterego virtual

Alterego virtual
por Mario Persona



A família inteira correu para o computador, quando uma voz nada familiar invadiu o mezanino da casa onde morávamos. Estávamos em 1997 e eu acabara de fazer minha primeira conexão de voz usando um programinha paleolítico que veio num disquete de revista. Naquele tempo os programas de Internet eram baixados das bancas.


A conexão estava por um fio e qualquer solavanco era capaz de derrubá-la. Quando caía, era preciso ficar discando para o provedor de Internet até conseguir linha e ouvir o teré-té-té do modem, cuja embalagem dizia ser “High Speed”.

– Hello? – arrisquei, sem saber com que língua o outro teclava.

– Hi, how are you? – respondeu a voz alienígena dando início a um papo furado que iria durar mais de uma hora.

Dez anos depois interagir online com pessoas de outros lugares tinha virado lugar comum. Então alguém inventou uma mescla de game “Wolfenstein 3D” com shopping, clube de campo e danceteria e batizou aquilo de O “Second Life”. O serviço prometia a possibilidade de você ser uma pessoa diferente em um outro mundo, enquanto interagia com pessoas que não eram o que diziam ser neste mundo. Em 2007 decidi experimentar a tal da segunda vida.

Digitei www.secondlife.com e tentei criar meu Avatar – era assim que chamavam o bonequinho mal acabado que devia ser a segunda via de mim. Logo descobri que não podia ser eu mesmo. Podia ser “Mario”, mas não “Persona”, já que era obrigado a escolher o sobrenome de uma lista que não tinha o meu. Tinha “Pessoa”, então decidi ser “Mario Pessoa”. Num mundo virtual em inglês eu virei português!

Mesmo assim fui barrado. Alguém tinha escolhido ser eu antes de mim. Voltei para as opções de sobrenome e encontrei um muito estranho: “Falta”. Na falta da opção de usar meu próprio nome e sobrenome, digitei “Achei” no campo do nome e escolhi “Falta” por sobrenome. Beleza, no “Second Life” eu sou o “Achei Falta”. Nem preciso dizer que o nome estava disponível.

Clica aqui, clica ali, e no campo da data de nascimento, o exemplo dado era “1980”. Será que nascidos em 1955 eram velhos demais para brincarem ali? Fiz de conta que não entendi e escolhi um Avatar nada parecido comigo, por absoluta falta de modelos velhos e barrigudos. Eram todos jovens e sarados.

Cliquei que li o contrato que não li, e baixei 30Mb de programa… só para receber um aviso de que minha placa de vídeo era incompatível! Para quem nasceu em 1955 e tem uma placa de vídeo igual à minha, pelo jeito a opção é assistir desenho animado em parede de caverna. Depois dos sem-terra e sem-teto, descobri que havia os sem-second-life. Eu era um deles.

Achei que não valia a pena investir numa segunda placa só para ter uma segunda vida, então comecei a pesquisar sobre como seria viver naquele mundo do faz-de-conta. Seus mais de cinco milhões de habitantes na época podiam comprar, vender, dançar e viver lá como nunca conseguiram aqui. Seria uma opção para os frustrados? Os mais empolgados podiam até pagar aqui, em dinheiro real, por terrenos virtuais comprados lá, onde não existe IPTU.

Considerando que consegui criar meu Avatar, mas não consegui entrar naquele mundo virtual, uma coisa me preocupa: Onde andará meu segundo eu? E mais: Como posso ser eu se não posso estar onde estou? Será que virei uma alma penada num limbo virtual? Agora vem a notícia de que o “Second Life” demitiu 30% de sua equipe. Talvez fosse a chance de eu me encontrar comigo aqui fora, mas descobri que só demitiram personagens reais, nenhum virtual. Três anos depois o “Achei Falta” deve sentir muita falta de mim. Ou não.

Para matar a fome de interatividade virtual vou quebrando o galho com o Skype, tataraneto daquele programinha que fez a família inteira ficar grudada no micro numa noite qualquer de 1997. Naquela experiência eletrizante, eu e meu interlocutor não passávamos de nicknames, mas o papo rolou legal. A coisa só perdeu a graça quando fiz a pergunta que deveria ter feito logo de início, antes de passar mais de uma hora conversando em inglês:

– Where are you from?

– São José dos Campos – respondeu ele.

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Personal Branding: Construindo sua Marca Pessoal
Arthur Bender


A última vez que você fez uma visita ao supermercado, parou para observar a quantidade de produtos que são ofertados para cada categoria? Com quantas marcas de refrigerante você se deparou? E pastas de dente, quantos tipos diferentes estavam presentes na gôndola?

No mundo profissional o cenário é muito parecido. Milhares de pessoas disputam cargos e posições interessantes em empresas, e a maioria oferece os mesmos atributos: formação superior, duas línguas, especialização, experiência etc. Como se diferenciar nesse cenário tão competitivo?

Em Personal Branding: Construindo sua Marca Pessoal, o premiado publicitário Arthur Bender propõe uma discussão importante sobre a criação da sua marca pessoal. Com comparações práticas às regras do marketing, mostra que é possível a qualquer pessoa criar e fortalecer a sua marca pessoal, e tornar-se único em um mercado tão competitivo. Basta saber onde você quer chegar.

A carreira mais importante do mundo

A carreira mais importante do mundo
por Mario Persona



De vez em quando algum jovem me pergunta sobre qual carreira seguir. É uma preocupação importante, mas como avaliar uma carreira?


Se pudesse voltar no tempo, eu escolheria a carreira mais importante do mundo. Para começar, a escolha não seria baseada em salário. Antes de discordar, pegue uma lista de milionários e verá que a maioria continua trabalhando, apesar de suas fortunas. Eles teriam se aposentado há muito tempo, se trabalhassem apenas por dinheiro.

Se estamos falando da profissão mais importante do mundo, então ela não poderia estar entre mais recentes. Ainda que você ache sua profissão o máximo, se a humanidade sobreviveu sem ela até há pouco, não deve ser tão importante assim. A população do planeta conseguiria superar sua falta.

Estou falando de uma carreira milenar. Se acha retrógrado pensar assim, olhe ao redor e você encontrará profissões que têm servido a humanidade há milhares de anos. Agricultor, arquiteto, médico, carpinteiro, músico, metalúrgico… a lista é imensa.

Elas fornecem produtos e serviços sem os quais seria impossível a civilização tal qual a conhecemos. Então, a profissão mais importante do mundo precisaria também fornecer um produto, serviço, ou ambos.

Então eu gostaria de estar envolvido da produção ao aperfeiçoamento do produto. Mesmo que eu terceirizasse a produção e ficasse só com o aperfeiçoamento, nem por isso ela deixaria de ser a profissão mais importante do mundo.

Com ela a minha marca pessoal ficaria estampada em cada produto, e no futuro as pessoas se lembrariam de mim como responsável por seus benefícios. Já pensou ter uma carreira que perpetue seu nome por muitas gerações?

Pense numa profissão com o poder de influenciar os grandes líderes mundiais, ou que estimule a indústria, o comércio e a geração de empregos. É essa a profissão que eu gostaria de ter. Com ela, eu chegaria ao fim da vida na certeza de que minha carreira não foi em vão, e que de algum modo contribuí para o benefício da humanidade.

Minha carreira deveria permitir que eu continuasse nela mesmo quando perdesse a saúde ou a força física para as tarefas mais pesadas. Eu abriria mão da produção e da administração para ficar no conselho da empresa. Conselheiro! Sim, esta seria uma bela posição para coroar minha carreira.

Das pessoas que conheço atuando nessa profissão, algumas são felizes por poderem se dedicar a ela em tempo integral. Outras são obrigadas a acumular uma ou duas carreiras adicionais, porém isso não diminui o brilho da profissão mais importante do mundo.

Eu poderia trabalhar só ou em equipe, mas ainda assim minha participação individual seria lembrada e as pessoas saberiam que foi comigo que tudo começou. Não pense que eu esteja divagando; a profissão mais importante do mundo realmente existe, e se não fosse por ela eu e você não estaríamos aqui.

Infelizmente não é a minha profissão. Eu bem que gostaria de tê-la escolhido, mas não estava qualificado. Então, como uma espécie de prêmio de consolação, eu me contentei em seguir a segunda carreira mais importante do mundo. Ser pai.

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O Fascinante Império de Steve Jobs: Como um dos Líderes mais Criativos do Mundo Transformou um Negócio de Garagem em uma Empresa que Vale Bilhões
MICHAEL MORITZ

No início dos anos 1980, Michael Moritz, era um jovem jornalista da revista Time, e obteve acesso irrestrito aos bastidores da Apple Computer, uma até então, conhecida empresa de tecnologia de ponta. Sua tarefa era realizar uma crônica sobre a primeira década da Apple. O resultado está neste livro e leva os leitores à infância de Steve Jobs e Stephen Wozniak e mostra como eles saíram do colégio e fundaram a Apple, em 1976. De um hobbie de garagem para a Fortune 500. O fascinante império de Steve Jobs é o livro definitivo sobre a Apple, um retrato fascinante sobre as brigas e intrigas que rodeiam a criação de qualquer grande empresa.

O autor oferece suas perspectivas contemporâneas sobre as realizações de Jobs e seu retorno à Apple, neste livro que se tornou um clássico. Siga os passos de Steve Jobs na ocasião da sua demissão sem cerimônias da Apple, sua longa luta para erguer a empresa de computadores NeXT e a aquisição do então obscuro estúdio Pixar, em 1986. Finalmente saiba como Jobs reemergiu na Apple no final dos anos 1990 e trouxe novos ares para uma empresa em decadência que foi transformada em objeto de desejo para todos.

Leitura obrigatória para empreendedores, executivos, profissionais de administração que pretendem conhecer o modelo de gestão da empresa e a formação da personalidade do CEO que mudou o mundo dos negócios, duas vezes.



O seio da questão

O seio da questão
por Mario Persona



Uma jovem leitora escreveu dizendo que admira meu trabalho. Emocionei-me, pois não é todo dia que 30% de meus leitores escrevem para expressar tal admiração. No email ela dizia: “Quero ser como você, só que com seios”. O que respondi?


Prezada M.,

Recebi seu email dizendo que quer aprender comigo e ser igual a mim, só que com seios. Neste caso tenho uma boa notícia: em minha atual pouca forma física e excesso de gordura sob a pele, considere que parte de sua meta já foi alcançada.

Todavia, se você quiser ser também uma profissional do conhecimento, sua verdadeira meta deve estar bem acima dos seios. Não, um pouco mais. Aí ainda são os seios nasais.

Mas, deixando os seios de lado, não sou lá tudo isso que você imagina. Vi que ficou impressionada com meus textos, e eles realmente se impõem pelo volume de conhecimento. Mas devo confessar que ele é, em grande parte, postiço. Por falar nisso, o Google aqui ao meu lado pediu para lhe enviar um abraço.

Eu não seria o que sou sem as empresas implantadas no Silicon Valley, que já vi erroneamente traduzido como “Vale do Silicone”. Antes da era Internet eu era apenas um aspirante a escritor catando milho numa máquina de escrever portátil. Se quisesse buscar alguma informação era preciso achar o livro e a página, o que às vezes podia levar horas.

Agora pense em você, que já nasceu no regaço do videogame, cresceu nos braços do computador pessoal e foi amamentada pela Web. Na sua idade eu só via videogame nos fliperamas e usava a rede para dormir. Distração em casa era ler, jogar palito, ou fazer palavras cruzadas, passatempo que conservo até hoje. Eu sei que os médicos indicam palavras cruzadas para quem já passou dos cinquenta, mas eu faço assim mesmo.

É claro que a formação eclética que tive e as diferentes atividades que exerci foram de grande utilidade para minha carreira atual. Se na época elas não ajudaram a ganhar dinheiro, ao menos contribuíram para a coleção de histórias que conto em minhas palestras. E você disse que é exatamente este o seu sonho: ser palestrante.

A maioria dos palestrantes que você vê por aí jamais sonhou com isso, mesmo porque há alguns anos fazer palestras não era profissão. Hoje vivo praticamente de minhas palestras e treinamentos, mas nem nos meus sonhos mais pirados eu teria pensado numa profissão assim. Agora imagine as atividades que ainda poderão surgir, com as quais você nem sonhou!

É importante você ficar atenta às possibilidades e oportunidades e, a partir daí, estabelecer um foco e se apegar a ele. Nelson Mandela me disse que deve ser assim. Não que ele tenha dito isso a mim, com quem nunca falou, mas foi basicamente a idéia que o susteve ao longo dos 27 anos em que esteve preso.

Durante todo aquele tempo ele nunca perdeu seu foco, fazendo da prisão uma universidade que ele e seus amigos chamavam de “Robben Island University”. Nos livros, ele escrutinava o conhecimento; no contato com os guardas brancos, o comportamento. Foi essa soma que o deixou afiado no modo de pensar do adversário, para mais tarde negociar com seus opositores.

Além disso Mandela não só mantinha o foco e seguia à risca seu propósito de transformar suas circunstâncias em tempo de aprendizagem, como também insistia com cada prisioneiro que chegava à ilha: “Um dia teremos de dirigir este país. Vamos aproveitar o tempo aqui para nos prepararmos”.

O que ele não esperava era que, no intervalo entre sua saída da “universidade-prisão” em 1990, e sua eleição como presidente da África do Sul em 1994, Mandela ainda teria de fazer um curso de pós-graduação em “Decepções Domésticas”. Sua esposa Winnie, antes companheira de uma mesma causa, havia perdido o foco. E foi com profunda tristeza que Mandela descobriu que o seio de sua esposa tinha sido dado a outro.

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Mandela: Retrato Autorizado
Mac Maharaj

Mandela: Retrato Autorizado – é a mais recente biografia realmente autorizada de Nelson Mandela, Com prefácio de Kofi Annan, ex-secretário geral da ONU, e introdução do Arcebispo Anglicano Emérito da Cidade do Cabo, Desmond Tutu, o livro conta com 60 entrevistados em todo o mundo. São, portanto, 60 pontos de vista diferentes sobre Mandela, além de destacar as mais variadas facetas de um dos grandes homens do século 20, que promoveu a reconexão entre a justiça e a política. Mac Maharaj e Ahmed Kathrada localizaram todas essas fontes e realizaram uma pesquisa de conteúdo e fotográfica intensa que resultou em uma coletânea de imagens raras e algumas inéditas.

Amigos, familiares e pessoas que tiveram alguma ligação com Mandela no âmbito político e religioso, como Bono, vocalista da banda U2, o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton e Tony Blair, primeiro-ministro inglês, deram seus depoimentos. Porém, segundo Mac Maharaj, “o que tornou este livro tão especial foi que ele não mencionou apenas os grandes nomes, permitindo que Mandela seja visto de diferentes perspectivas e experiências, sentidas particularmente”.

Mandela: Retrato Autorizado se tornou um complemento da autobiografia de Nelson Mandela, “Longo Caminho para a Liberdade” (Companhia das Letras), feita com escritos produzidos durante o tempo em que ficou preso. Mac Maharaj, que passou 12 anos preso em Robben Island, lendária ilha-prisão de segurança máxima ao largo da Cidade do Cabo, com Mandela, comenta que “o livro reuniu um conteúdo tão concreto que materializou a constatação de que os fatos passados durante a transição da África democrata são exatos”.

Editora: Alles Trade
Autor: MAC MAHARAJ & AHMED KATHRADA
ISBN: 9788589854153
Origem: Nacional
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 355
Acabamento: Capa Dura
Formato: Grande



De volta para o futuro

De volta para o futuro
por Mario Persona



Dependendo do modo como você procura por uma palavra no Google, o sistema pode abrir um menu “drop down” com sugestões de busca. Quando digitei “France Telecom” o resultado foi macabro.


Dentre as possibilidades sugeridas estavam “france telecom suicídio”, “france telecom suicídios”, “france telecom suicides” e “france telecom sob pressão com onda de suicídios”.

Clicando num link qualquer, descobri que mais de 20 pessoas se suicidaram naquela empresa em um ano, uma fatia considerável das estatísticas francesas para suicídios em ambiente de trabalho. Quem escolhe a empresa como palco para seu ato desesperado acredita que o trabalho seja mais importante do que a própria vida.

Em uma ação inédita, a Renault francesa foi responsabilizada pelo suicídio de um funcionário. A empresa foi condenada a pagar uma indenização simbólica à família, além de garantir uma pensão privilegiada. Isso pode virar jurisprudência, como já ocorre no Brasil com questões envolvendo o assédio moral. Empresas que causam constrangimento a um funcionário podem pagar caro por isso. E suicídio?

A família do funcionário pleiteava que o caso fosse tratado como acidente de trabalho. Dependendo do tipo de atividade ou da insalubridade do ambiente, o trabalho pode efetivamente representar um risco de vida. No caso ocorrido na França, pressão e estresse foram os fatores de risco.

Qualquer um sabe que chefe ruim causa úlcera, mas nenhum chefe, por pior que seja, imagina ver seu funcionário encerrar uma discussão saindo pela janela do quinto andar. Foi o que aconteceu com o chefe do homem que se suicidou. Eu não gostaria de estar na pele de nenhum dos dois.

A onda de suicídios na França pode ser consequência da globalização. Técnicas gerenciais importadas dos disciplinados japoneses podem causar rejeição quando transplantadas em outras culturas. Cada povo reage de maneira diferente à pressão. Em que país você acha que surgiu a expressão “bon vivant”?

Além disso, ao importar uma filosofia gerencial do Japão, existe o risco de se importar também o suicídio. Afinal, o Japão é quase um inventor do suicídio associado a uma causa. Muito antes dos radicais muçulmanos saírem se explodindo por aí você já tinha ouvido falar em Kamikaze e Hara-kiri.

Uma grande parcela dos suicídios no Japão tem mais a ver com a falta de trabalho do que com o excesso deste. Para um japonês é uma desonra ficar desempregado, e não raro o pai de família continua saindo e voltando para casa no horário habitual só para esconder que foi mandado embora. Isso quando volta.

Morrer do trabalho não é exatamente uma forma inteligente de resolver o problema. Se eu trabalho para viver, como posso deixar meu meio de vida se transformar em meio de morte?

Pessoas que se matam por causa do trabalho, ou por qualquer outro motivo presente, se esquecem de que o problema, que hoje parece uma bomba atômica, no futuro pode não passar de um traque. Winston Churchill disse: “Se arranjarmos briga entre o passado e o presente, descobriremos que perdemos o futuro”. Se você ler o livro de Jó, ícone do sofrimento humano, verá que muitas vezes ele quis morrer, mas nunca cogitou tirar a própria vida. Essa decisão – ele sabia – cabia a Deus.

Não há nada melhor do que o tempo para nos dar uma perspectiva real das coisas. Eu não acredito que Romeu e Julieta teriam se matado cinquenta anos depois. Uma Julieta flácida e um Romeu careca e barrigudo não seriam um motivo forte o suficiente para alguém tomar veneno.

Não são apenas as circunstâncias que mudam com o tempo. Nós mudamos e nossa maneira de encarar as coisas também. Às vezes tento imaginar o que aconteceria se eu viajasse numa máquina do tempo para me encontrar comigo no passado. Só de pensar me vem à memória uma cena do filme “A dona da história”, na qual o cinquentão Antonio Fagundes diz a Marieta Severo algo mais ou menos assim:

“Você quer mesmo que eu me divorcie de você e arranje uma menina de vinte anos que vai me deixar louco em um mês?”

O mesmo aconteceria se eu me encontrasse comigo no passado. Eu me deixaria louco. Das duas, uma: ou eu acabaria comigo, ou viajaria imediatamente de volta para o futuro. Fico com a segunda opção. O futuro é sempre um lugar melhor.

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Quando a Vida nos Machuca
Philip Yancey


O seu coração grita por Deus, por causa da agonia da perda. Você cai de joelhos sob o peso da dor insuportável. O seu sofrimento rouba a beleza e o prazer da vida, deixando a tristeza, a decepção e a dúvida.

Ó Deus, como tu permites que isso aconteça? És, de fato, tão poderoso? Será que tu te preocupas, realmente, com a minha dor? Onde estás quando mais preciso de ti?
Philip Yancey conhece bem essas perguntas. Ele as têm feito a si mesmo. Tem também experimentado que o abraço de Deus pode ser mais forte nos momentos de dor.

Você está enfrentando a dor emocional ou física? As suas dúvidas podem ser um convite à esperança – uma porta para os generosos dons divinos.


Editora: United Press
Autor: PHILIP YANCEY
ISBN: 8524302607
Origem: Nacional
Ano: 2003
Edição: 1
Número de páginas: 58
Acabamento: Capa Dura
Formato: Médio



E a gorjeta, doutor?


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Feliz infância

Feliz infância
por Mario Persona

Quer saber o que desejo para você no ano novo? Que você não cresça, não evolua e nem progrida. Desejo, mais do que tudo, que você regrida.

Desejo que, no ano que se inicia, ao invés de prometer que vai perder peso, você prometa que vai perder anos de vida. Quero que volte a ser criança.

Pode parecer frase feita, tipo especial de Natal na TV, mas não é. Também não estou desejando que você se infecte da síndrome de Peter Pan ou Cinderela para fugir das responsabilidades da vida adulta. Quero apenas que deixe de ser um adulto chato, azedo e racional.

Já imaginou que droga seria um mundo sem crianças? O problema é que esta é a tendência do mundo moderno. Duvida? É só ver as estatísticas. Nos países considerados mais evoluídos, onde vivem as pessoas que se acham as mais inteligentes, cultas e sofisticadas, as taxas de natalidade estão caindo assustadoramente.

Em países assim nem todo casal moderninho quer ter filhos, pois o barato é cada um garantir a sua individualidade e não criar vínculos duradouros. Você já viu algum comercial de perfume chique com um bebê berrando no “loft” do casalzinho apaixonado? Sorte dos poodles.

Enquanto muitos não têm filhos para se sentirem livres, outros preferem se livrar deles. À meia noite do dia 31, quando abortarmos o ano velho e engendrarmos o novo, nosso inventário trará 50 milhões de crianças deliberadamente findadas no ano que finda. Então, com o contador zerado, voltaremos a produzir descartáveis à média de cinco mil por minuto.

Mas, o que dizer dos abortos justificados, como nos casos de estupro? Não sei o que dizer, pois nunca estive na pele de uma mulher sob a tortura de uma situação assim. Mas, por descender de italianos e portugueses, sei que não tenho DNA 100% europeu.

Quando os exércitos mouros invadiram o sul da Itália e a Península Ibérica, você acredita mesmo que aqueles soldados se divertiram jogando dominó após meses cavalgando ao lado de colegas barbados?

E se você for judeu, de olhos azuis e cabelos vermelhos, devo avisá-lo que sua tatataravó não bebeu tintura e nem engoliu lentes de contato para você nascer assim. Ela pode ter sido estuprada pelos bárbaros nórdicos que assolavam as aldeias de refugiados da diáspora. Se você for nordestino, moreno e de olhos verdes, já deve ter ouvido falar da invasão holandesa.

É, meu caro, eu e você temos grandes chances de sermos descendentes de um estupro. Agora tente se colocar na pele da criança descartada. Uma vez embarcado no bonde da gestação, será que você gostaria que outra pessoa o obrigasse a descer antes do ponto final?

Mas não pense que eu queira transformar esta mensagem de “Feliz Ano Novo” em algo tétrico. Não quero. Desejo apenas que no ano que se inicia você olhe as crianças com outros olhos e queira ser desencucado como elas para ser feliz.

Crianças acreditam em todas as possibilidades, riem com facilidade e não gostam de coisas azedas. Jesus deu às crianças livre acesso a ele, e ainda sugeriu que devíamos ser como elas. Você não vai querer discutir com ele, vai?

As crianças se tornam ainda mais especiais quando nos tornamos avós. Alguém disse que quando somos jovens temos filhos, mas depois de velhos ganhamos cúmplices.

Tenho um neto de dois anos que volta e meia me surpreende com alguma pérola do comportamento infantil. Há menos de três meses eu o visitei nos Estados Unidos, onde costumava levá-lo todas as manhãs para brincar no playground do condomínio onde mora.

Ontem, quando ele me viu na tela do Skype conversando em áudio e vídeo com minha filha, os milhares de quilômetros que nos separam não pareciam representar problema. O garoto simplesmente correu pegar seu casaco e pediu para eu levá-lo ao playground.

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O Livro Perigoso para Garotos
Conn Iggulden
 

O LIVRO PERIGOSO PARA GAROTOS, de Conn e Hal Iggulden, resgata brincadeiras antigas, truques, jogos, revela curiosidades sobre o sistema solar, batalhas famosas e histórias de personagens que são exemplos de coragem e bravura.

Com mais de 1 milhão de exemplares vendidos, é um best seller na Inglaterra e nos Estados Unidos e teve seus direitos para o cinema adquiridos pela Disney depois de uma acirrada disputada entre quatro grandes produtoras.

Editora: Galera
Autor: CONN IGGULDEN & HAL IGGULDEN
ISBN: 9788501078001
Origem: Nacional
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 320
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

 

Little Brother is Watching You!

Little Brother is Watching You!
por Mario Persona



Quando Eric Arthur Blair, que nunca foi primeiro ministro, escreveu “1984” sob o pseudônimo de George Orwell, ele não imaginou que o “Big Brother” acabaria virando reality show.


No livro, o bordão “Big Brother is Watching You” oprimia o povo através das onipresentes teletelas bidirecionais do regime totalitário. Em 1949, quando o livro saiu, a TV já existia, mas a ideia de vir com câmera era novidade e causava pavor. Hoje ficaríamos apavorados por saber que ela vinha sem controle remoto.

Se você me perguntar se tenho medo de um regime totalitário vigiando seus cidadãos, minha resposta é não. O que me apavora é um regime totalitário cujos cidadãos vigiem uns aos outros. Se George tivesse conhecido a Internet, a frase do terror teria sido “Little Brother is Watching You!”.

Governos totalitários surgem com o apoio do povo. Foi assim com Stalin, Hitler, Mussolini, Salazar, Tito, Saddam, Fidel… Enquanto o povo estiver unido, o ditador jamais será vencido. O ditador é apenas a personificação de anseios coletivos.

Quando o Rei Davi cometeu um pecado e Deus deixou que ele escolhesse seu castigo, sua resposta foi: “Prefiro cair nas mãos do Senhor, pois é grande a sua misericórdia, e não nas mãos dos homens”. O povo é sempre mais implacável.

Na mesma Bíblia o profeta Daniel sonha com uma estátua de diferentes metais. Do mais macio ao mais resistente – ouro, prata, bronze e ferro – eles representam sucessivamente cinco reinos históricos. O quinto, e mais terrível, é uma mistura de ferro e barro – poder e humanidade.

A Internet deu poder ao povo, que agora está equipado para massacrar. Se você duvida, veja o que aconteceu com Boris Casoy. Na última noite do ano ele fez um comentário ofensivo aos garis em “off”, sem saber que estava em “on”. Horas depois o vídeo batia recordes de audiência no Youtube, enquanto milhares de blogs preparavam a corda para o âncora do telejornal.

Ninguém nunca pensou em boicotar o programa do Chaves ou pedir a demissão do Kiko por gritar “Gentalha! Gentalha!”. Mas com o Boris é diferente. Ele não é um mero apresentador de telejornal. Ele é um juiz da notícia, armado do bordão “Isto é uma vergonha!”. No gramado há 22 jogadores que cometem toda sorte de erros, mas é a cabeça do juiz que o povo quer.

Há um certo prazer ao flagrarmos um delito, pois isso oblitera nossas próprias faltas. Quando esse prazer vem em uníssono ocorre o linchamento, que tanto pode ser de uma estudante de saia curta, como de um jornalista numa saia justa. É o efeito “estouro da boiada”, conhecido até dos investidores. Empresas inteiras já foram linchadas assim.

Em um mundo de 6 bilhões de “Little Brothers”, sem nenhuma ideia na cabeça e com uma Internet na mão, a intifada moderna agora apedreja via Twitter. O cenário está perfeito para a ascensão do ditador que souber manipular uma turba de consciências mortas.

Aliás, “Consciências Mortas” é o título do filme que marcou demais minha mente adolescente e me ensinou a ficar longe das turbas. Estrelado por Henry Fonda, conta a história real de um linchamento injusto. Não vou contar mais, pois a Cristine Martin faz isso muito bem em seu blog “Rato de Biblioteca”.

Voltando ao Boris, que atire o primeiro Twitter quem nunca fez um comentário ofensivo contra sexo, etnia ou condição social. Se fez em “off”, saiba que na era do celular e da Internet seus comentários são sempre em “on”.

No primeiro dia do ano, enquanto o Boris amargava a ressaca de seu comentário, eu saboreava a deliciosa paelha que meu cunhado preparou. Quebrando o silêncio que sempre acompanha a primeira garfada de uma iguaria, minha irmã comentou:

– Parece que o polvo precisava cozinhar mais.

– O importante é que o polvo esteja unido – comentei eu.

O mais distraído dos comensais fez a pergunta-escada que eu esperava, e eu, o mais infame dos humoristas, expliquei:

– Porque o polvo unido jamais será vencido.

Todos olharam para mim e pude sentir o que sente um condenado antes de ser linchado.

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DVD Consciências Mortas
Henry Fonda * William A. Wellman

Quando um rancheiro é dado como morto por ladrões de gado, o povo de Ox-Bow decide fazer justiça com as próprias mãos e linchar os supostos assassinos. Henry Fonda interpreta um andarilho que tenta defendê-los nesse provocativo filme, considerado por muitos como o melhor western de Henry Fonda.

Dirigido por William Wellman e co-estrelado por Dana Andrews, Mary Beth Hughes e Anthony Quinn, Consciências Mortas é uma incessante busca por justiça, um filme que venceu a barreira do tempo e é aclamado como um dos melhores momentos de Hollywood.

Estúdio: Classic Line (Fox)
Título Original: The Ox-Bow Incident
Elenco: HENRY FONDA
Direção: WILLIAM A. WELLMAN
Região do DVD: Região 4
Legendas: Inglês, Espanhol, Português
Idiomas / Sistema de som: Inglês – Mono
Formato de tela: FullScreen



Leu o livro? Vi.

Leu o livro? Vi.
por Mario Persona



Assim como o disco há muito não gira na vitrola, o livro convencional pode virar página virada. No atual andar da carruagem eletrônica, logo deixaremos de ler em papel para ler e-papel. Mas não se preocupe. O livro impresso, que você gosta de tocar, folhear e cheirar, continuará existindo. Como aconteceu com o disco de vinil.


Ele continuou girando mesmo depois da invenção da fita cassete. E esta ainda girou um bocado com o CD ao lado. Agora o CD convive com os iPods e iPobres de MP3. Exceto no meu carro. Troquei o tocador de CDs por um tocador de cartões de memória.

No Natal de 2009 o e-reader Kindle foi o presente mais presenteado do site da Amazon. No mesmo período a empresa vendeu mais e-books para serem lidos no mesmo Kindle, do que livros impressos no mesmo papel. A coisa está mudando mesmo.

Talvez você não esteja entre os mais saudosistas, que gostam de cheirar cola, tinta e papel. Seu argumento é mais racional, tipo “o Kindle é caro”. Sim, ele custa hoje nos EUA o mesmo que uns 25 livros de papel, e a Amazon vende o livro digital por quase o preço do impresso.

Mas, apesar de eu e você não sabermos ler o chinês, o chinês sabe ler essa tendência e não vai demorar para você encontrar um e-reader na caixa de sucrilhos. De graça, contanto que você não se importe de ter uma animação do personagem da marca virando a página para você.

O e-reader tem um imenso potencial como plataforma promocional. Os e-books poderão ser baixados a preço irrisório ou até de graça, patrocinados por alguma marca. É claro que entre um capítulo e outro o fabricante irá inserir um comercial em texto, áudio ou vídeo.

Quer mais? Que tal ler um romance ambientado na Itália enquanto escuta o Andrea Bocelli? Já pensou se a página que descreve os apaixonados na praia vier com som de ondas e gaivotas? O autor poderia economizar toda a tinta que gasta para descrever os sons de cada cenário.

Agora aguente, pois quando começo a viajar na maionese, tentar me impedir é debalde. Feche os olhos e deixe que o e-reader leia para você na voz de seu artista predileto. O futuro do livro é voltar à sua essência de contador de histórias. Aperte o botão “Fast-Forward” e seu e-reader do futuro irá interpretar o texto como o seu cérebro hoje faz.

Quando você pensa no livro que leu, não é do texto que você se lembra, mas das imagens e sensações que o seu cérebro criou em sua tela mental. Acaso não é a mesma coisa que o seu videogame faz? Ele lê um texto – a linguagem de programação – e cria as cenas. O e-reader de amanhã transformará um mero texto em uma história visual tão realista quanto “Avatar”.

Impossível? Não creio. O problema é que avaliamos as coisas por nossos paradigmas atuais. As novas gerações podem pensar de um modo muito diferente. Imagine a Dona Escolástica, com as mãos ressecadas de giz, tentando ler para seus alunos no Kindle que ganhou do bisneto.

Péssimo! – comenta ela. – Muito pior do que o livro impresso!

Aí o aluno todo emo, que nunca leu um livro impresso na vida, lê algumas linhas através de uma fresta de seu cabelo, e exclama:

Meu! Que maneiro! Muito melhor que a tela de meu notebook!

A velha geração compara com o papel, a nova com a tela. O que é interessante para a Dona Escolástica pode não interessar meu neto de dois anos, e vice-versa.

Outro dia, em um zoológico dos EUA, o garoto esteve frente a frente com dois ursos enormes. Apenas alguns milímetros de vidro à prova de balas separavam a criança das garras dos animais, em um ambiente que custou milhares de dólares para entreter grandes e pequenos.

Ao contrário dos adultos, meu neto ficou o tempo todo olhando para um ventilador que girava preguiçosamente no teto do lugar.

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Kindle

. Livros em apenas 60 segundos
. Wireless: 3G wireless permite que você baixe livros direto para seu Kindle sem custo mensal ou aquisição de planos de acesso.
. Mais de 340 mil livros em inglês, além de jornais norte-americanos e internacionais. Títulos em outros idiomas continuam sendo acrescentados.
. Os best-sellers custam US$ 11,99, mas você encontra mais de 125 mil títulos por menos de US$ 5,99 cada

Velho e bom atendimento

Velho e bom atendimento
por Mario Persona

O PROCON na Babilônia tratava com rigor os oftalmologistas que falhassem no atendimento ao cliente. Aparentemente o código de defesa do consumidor vigente lá não era na base do “olho por olho”, e sim do “olho por mão”.

“Se um médico trata alguém de uma grave ferida com a lanceta de bronze e o mata ou lhe abre uma incisão com a lanceta de bronze e o olho fica perdido, se lhe deverão cortar as mãos”, escreveu Hamurabi há 3.700 anos.

Todo oftalmologista sabe que não deve cobrar o olho da cara, pois na melhor das hipóteses só ganhará duas vezes. O deus nórdico Odin foi quem inventou a expressão, ao pagar um olho por um gole de sabedoria do poço de Mimir. A partir daí ele passou a perguntar de antemão o preço das consultas.

Mas o que nem todo oftalmologista sabe é que talvez precise procurar uma fonoaudióloga. Você sabia que o tom de voz de um cirurgião durante as consultas de rotina pode determinar se ele será processado ou não em caso de erro médico? Esta é a conclusão de um estudo denominado “Surgeons’ tone of voice: A clue to malpractice history”, publicado em 2002 na revista “Surgery”.

E não é só a entonação que pode entornar um atendimento. Ao ministrar um treinamento para profissionais de saúde descobri que havia quase um consenso entre os participantes daquilo que gostamos e odiamos em um atendimento ao cliente. A coisa é tão antiga que até Hamurabi já sabia.

A genial crônica de Max Gehringer em um de seus programas na Rádio CBN revela que muita novidade tem milênios de idade. Max começa dando dicas supostamente de um guru moderno e termina revelando que elas foram tiradas do livro de Eclesiastes, na Bíblia. O mesmo que diz que “o que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol. Haverá algo de que se possa dizer: ‘Veja! Isto é novo!’? Não! Já existiu há muito tempo; bem antes da nossa época” (Ec 1:9, 10).

Até o iPad? Sim, mesmo o iPad. Quero dizer, pelo menos o conceito do tablete já era usado na antiga Babilônia. A diferença é que os tabletes de então eram de argila, a escrita era cuneiforme e para salvar o que escreveu você precisava levar ao forno. Mas não precisava de bateria. O que Steve Jobs fez foi transformar isso numa experiência moderna de satisfação.

Hoje, sem saber que eu viajaria no tempo, decidi pesquisar um bom filtro de água para minha cozinha. Fui parar no www.metaefficient.com, um site que se intitula “Guia Para Coisas Altamente Eficientes”. Seus autores fazem testes para determinar os produtos mais eficientes em termos de energia, toxidez, custo-benefício e durabilidade.

Qual você acha que foi o filtro eficiente que o site sugeriu? Um filtro de argila da marca “Stefani” fabricado no Brasil.

Fui excepcionalmente atendido numa loja onde fui comprar o filtro. Em questão de segundos a vendedora digitou meus dados, emitiu o pedido e indicou para eu pagar no caixa. Enquanto ela me atendia, os outros vendedores pareciam passar em câmera lenta. Mas depois de um bom atendimento veio o gargalo no pagamento para mostrar que não basta um elo ser eficiente. O que importa é toda a corrente.

A fila que tinha só uma senhora aguardando era para aposentados e gestantes, e a senhora estava mais para a primeira categoria do que para a segunda, enquanto eu não me qualificava em nenhuma delas. Num sincronismo perfeito, um dos cantores da dupla “Victor e Léo” – não me pergunte qual – que cantava em um mega-show na TV de 42 polegadas ao lado, adivinhou meus pensamentos.

O Victor – ou o Léo, não me pergunte – fez uma pausa e, olhando para a platéia, exclamou: “Nossa! Quanta gente!” Parecia até que ele podia enxergar a fila que eu estava para pegar.

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Uma luta pela vida
Lia Persona

Em uma “Luta pela Vida” Lia Persona compartilha suas emoções e memórias como irmã e enfermeira de seu irmão adotivo portador de paralisia cerebral. A autora intercala seu passado com seu presente; história com realidade; a luta de seu irmão pela vida, com a luta de seus pacientes por suas vidas.

Concorrendo com mais de 650 obras inscritas, esse romance baseado em fatos reais, foi vencedor do Concurso Literário Anjos de Branco e escolhido por uma comissão formada pelos escritores Antonio Olinto, José Louzeiro e Arnaldo Niskier da Academia Brasileira de Letras. A primeira edição de “Uma Luta pela Vida” foi publicada como parte da Coleção Anjos de Branco que inclui os autores Antonio Olinto, José Louzeiro, Helena Parente Cunha, Carlos Nejar, Arnaldo Niskier, Marcos Santarrita, Patch Adams e Maureen Mylander.

Lia persona é enfermeira formada pela Unicamp e atualmente reside com seu marido e seu filho nos Estados Unidos.

Editoras: Clube de Autores, Createspace e AGBook
Ano: 2010
Edição: 2
Número de páginas: 220
Acabamento: Brochura
Formato: Médio