Little Brother is Watching You!

Little Brother is Watching You!
por Mario Persona



Quando Eric Arthur Blair, que nunca foi primeiro ministro, escreveu “1984” sob o pseudônimo de George Orwell, ele não imaginou que o “Big Brother” acabaria virando reality show.


No livro, o bordão “Big Brother is Watching You” oprimia o povo através das onipresentes teletelas bidirecionais do regime totalitário. Em 1949, quando o livro saiu, a TV já existia, mas a ideia de vir com câmera era novidade e causava pavor. Hoje ficaríamos apavorados por saber que ela vinha sem controle remoto.

Se você me perguntar se tenho medo de um regime totalitário vigiando seus cidadãos, minha resposta é não. O que me apavora é um regime totalitário cujos cidadãos vigiem uns aos outros. Se George tivesse conhecido a Internet, a frase do terror teria sido “Little Brother is Watching You!”.

Governos totalitários surgem com o apoio do povo. Foi assim com Stalin, Hitler, Mussolini, Salazar, Tito, Saddam, Fidel… Enquanto o povo estiver unido, o ditador jamais será vencido. O ditador é apenas a personificação de anseios coletivos.

Quando o Rei Davi cometeu um pecado e Deus deixou que ele escolhesse seu castigo, sua resposta foi: “Prefiro cair nas mãos do Senhor, pois é grande a sua misericórdia, e não nas mãos dos homens”. O povo é sempre mais implacável.

Na mesma Bíblia o profeta Daniel sonha com uma estátua de diferentes metais. Do mais macio ao mais resistente – ouro, prata, bronze e ferro – eles representam sucessivamente cinco reinos históricos. O quinto, e mais terrível, é uma mistura de ferro e barro – poder e humanidade.

A Internet deu poder ao povo, que agora está equipado para massacrar. Se você duvida, veja o que aconteceu com Boris Casoy. Na última noite do ano ele fez um comentário ofensivo aos garis em “off”, sem saber que estava em “on”. Horas depois o vídeo batia recordes de audiência no Youtube, enquanto milhares de blogs preparavam a corda para o âncora do telejornal.

Ninguém nunca pensou em boicotar o programa do Chaves ou pedir a demissão do Kiko por gritar “Gentalha! Gentalha!”. Mas com o Boris é diferente. Ele não é um mero apresentador de telejornal. Ele é um juiz da notícia, armado do bordão “Isto é uma vergonha!”. No gramado há 22 jogadores que cometem toda sorte de erros, mas é a cabeça do juiz que o povo quer.

Há um certo prazer ao flagrarmos um delito, pois isso oblitera nossas próprias faltas. Quando esse prazer vem em uníssono ocorre o linchamento, que tanto pode ser de uma estudante de saia curta, como de um jornalista numa saia justa. É o efeito “estouro da boiada”, conhecido até dos investidores. Empresas inteiras já foram linchadas assim.

Em um mundo de 6 bilhões de “Little Brothers”, sem nenhuma ideia na cabeça e com uma Internet na mão, a intifada moderna agora apedreja via Twitter. O cenário está perfeito para a ascensão do ditador que souber manipular uma turba de consciências mortas.

Aliás, “Consciências Mortas” é o título do filme que marcou demais minha mente adolescente e me ensinou a ficar longe das turbas. Estrelado por Henry Fonda, conta a história real de um linchamento injusto. Não vou contar mais, pois a Cristine Martin faz isso muito bem em seu blog “Rato de Biblioteca”.

Voltando ao Boris, que atire o primeiro Twitter quem nunca fez um comentário ofensivo contra sexo, etnia ou condição social. Se fez em “off”, saiba que na era do celular e da Internet seus comentários são sempre em “on”.

No primeiro dia do ano, enquanto o Boris amargava a ressaca de seu comentário, eu saboreava a deliciosa paelha que meu cunhado preparou. Quebrando o silêncio que sempre acompanha a primeira garfada de uma iguaria, minha irmã comentou:

– Parece que o polvo precisava cozinhar mais.

– O importante é que o polvo esteja unido – comentei eu.

O mais distraído dos comensais fez a pergunta-escada que eu esperava, e eu, o mais infame dos humoristas, expliquei:

– Porque o polvo unido jamais será vencido.

Todos olharam para mim e pude sentir o que sente um condenado antes de ser linchado.

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DVD Consciências Mortas
Henry Fonda * William A. Wellman

Quando um rancheiro é dado como morto por ladrões de gado, o povo de Ox-Bow decide fazer justiça com as próprias mãos e linchar os supostos assassinos. Henry Fonda interpreta um andarilho que tenta defendê-los nesse provocativo filme, considerado por muitos como o melhor western de Henry Fonda.

Dirigido por William Wellman e co-estrelado por Dana Andrews, Mary Beth Hughes e Anthony Quinn, Consciências Mortas é uma incessante busca por justiça, um filme que venceu a barreira do tempo e é aclamado como um dos melhores momentos de Hollywood.

Estúdio: Classic Line (Fox)
Título Original: The Ox-Bow Incident
Elenco: HENRY FONDA
Direção: WILLIAM A. WELLMAN
Região do DVD: Região 4
Legendas: Inglês, Espanhol, Português
Idiomas / Sistema de som: Inglês – Mono
Formato de tela: FullScreen



Feliz infância

Feliz infância
por Mario Persona

Quer saber o que desejo para você no ano novo? Que você não cresça, não evolua e nem progrida. Desejo, mais do que tudo, que você regrida.

Desejo que, no ano que se inicia, ao invés de prometer que vai perder peso, você prometa que vai perder anos de vida. Quero que volte a ser criança.

Pode parecer frase feita, tipo especial de Natal na TV, mas não é. Também não estou desejando que você se infecte da síndrome de Peter Pan ou Cinderela para fugir das responsabilidades da vida adulta. Quero apenas que deixe de ser um adulto chato, azedo e racional.

Já imaginou que droga seria um mundo sem crianças? O problema é que esta é a tendência do mundo moderno. Duvida? É só ver as estatísticas. Nos países considerados mais evoluídos, onde vivem as pessoas que se acham as mais inteligentes, cultas e sofisticadas, as taxas de natalidade estão caindo assustadoramente.

Em países assim nem todo casal moderninho quer ter filhos, pois o barato é cada um garantir a sua individualidade e não criar vínculos duradouros. Você já viu algum comercial de perfume chique com um bebê berrando no “loft” do casalzinho apaixonado? Sorte dos poodles.

Enquanto muitos não têm filhos para se sentirem livres, outros preferem se livrar deles. À meia noite do dia 31, quando abortarmos o ano velho e engendrarmos o novo, nosso inventário trará 50 milhões de crianças deliberadamente findadas no ano que finda. Então, com o contador zerado, voltaremos a produzir descartáveis à média de cinco mil por minuto.

Mas, o que dizer dos abortos justificados, como nos casos de estupro? Não sei o que dizer, pois nunca estive na pele de uma mulher sob a tortura de uma situação assim. Mas, por descender de italianos e portugueses, sei que não tenho DNA 100% europeu.

Quando os exércitos mouros invadiram o sul da Itália e a Península Ibérica, você acredita mesmo que aqueles soldados se divertiram jogando dominó após meses cavalgando ao lado de colegas barbados?

E se você for judeu, de olhos azuis e cabelos vermelhos, devo avisá-lo que sua tatataravó não bebeu tintura e nem engoliu lentes de contato para você nascer assim. Ela pode ter sido estuprada pelos bárbaros nórdicos que assolavam as aldeias de refugiados da diáspora. Se você for nordestino, moreno e de olhos verdes, já deve ter ouvido falar da invasão holandesa.

É, meu caro, eu e você temos grandes chances de sermos descendentes de um estupro. Agora tente se colocar na pele da criança descartada. Uma vez embarcado no bonde da gestação, será que você gostaria que outra pessoa o obrigasse a descer antes do ponto final?

Mas não pense que eu queira transformar esta mensagem de “Feliz Ano Novo” em algo tétrico. Não quero. Desejo apenas que no ano que se inicia você olhe as crianças com outros olhos e queira ser desencucado como elas para ser feliz.

Crianças acreditam em todas as possibilidades, riem com facilidade e não gostam de coisas azedas. Jesus deu às crianças livre acesso a ele, e ainda sugeriu que devíamos ser como elas. Você não vai querer discutir com ele, vai?

As crianças se tornam ainda mais especiais quando nos tornamos avós. Alguém disse que quando somos jovens temos filhos, mas depois de velhos ganhamos cúmplices.

Tenho um neto de dois anos que volta e meia me surpreende com alguma pérola do comportamento infantil. Há menos de três meses eu o visitei nos Estados Unidos, onde costumava levá-lo todas as manhãs para brincar no playground do condomínio onde mora.

Ontem, quando ele me viu na tela do Skype conversando em áudio e vídeo com minha filha, os milhares de quilômetros que nos separam não pareciam representar problema. O garoto simplesmente correu pegar seu casaco e pediu para eu levá-lo ao playground.

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O Livro Perigoso para Garotos
Conn Iggulden
 

O LIVRO PERIGOSO PARA GAROTOS, de Conn e Hal Iggulden, resgata brincadeiras antigas, truques, jogos, revela curiosidades sobre o sistema solar, batalhas famosas e histórias de personagens que são exemplos de coragem e bravura.

Com mais de 1 milhão de exemplares vendidos, é um best seller na Inglaterra e nos Estados Unidos e teve seus direitos para o cinema adquiridos pela Disney depois de uma acirrada disputada entre quatro grandes produtoras.

Editora: Galera
Autor: CONN IGGULDEN & HAL IGGULDEN
ISBN: 9788501078001
Origem: Nacional
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 320
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

 

De volta para o futuro

De volta para o futuro
por Mario Persona



Dependendo do modo como você procura por uma palavra no Google, o sistema pode abrir um menu “drop down” com sugestões de busca. Quando digitei “France Telecom” o resultado foi macabro.


Dentre as possibilidades sugeridas estavam “france telecom suicídio”, “france telecom suicídios”, “france telecom suicides” e “france telecom sob pressão com onda de suicídios”.

Clicando num link qualquer, descobri que mais de 20 pessoas se suicidaram naquela empresa em um ano, uma fatia considerável das estatísticas francesas para suicídios em ambiente de trabalho. Quem escolhe a empresa como palco para seu ato desesperado acredita que o trabalho seja mais importante do que a própria vida.

Em uma ação inédita, a Renault francesa foi responsabilizada pelo suicídio de um funcionário. A empresa foi condenada a pagar uma indenização simbólica à família, além de garantir uma pensão privilegiada. Isso pode virar jurisprudência, como já ocorre no Brasil com questões envolvendo o assédio moral. Empresas que causam constrangimento a um funcionário podem pagar caro por isso. E suicídio?

A família do funcionário pleiteava que o caso fosse tratado como acidente de trabalho. Dependendo do tipo de atividade ou da insalubridade do ambiente, o trabalho pode efetivamente representar um risco de vida. No caso ocorrido na França, pressão e estresse foram os fatores de risco.

Qualquer um sabe que chefe ruim causa úlcera, mas nenhum chefe, por pior que seja, imagina ver seu funcionário encerrar uma discussão saindo pela janela do quinto andar. Foi o que aconteceu com o chefe do homem que se suicidou. Eu não gostaria de estar na pele de nenhum dos dois.

A onda de suicídios na França pode ser consequência da globalização. Técnicas gerenciais importadas dos disciplinados japoneses podem causar rejeição quando transplantadas em outras culturas. Cada povo reage de maneira diferente à pressão. Em que país você acha que surgiu a expressão “bon vivant”?

Além disso, ao importar uma filosofia gerencial do Japão, existe o risco de se importar também o suicídio. Afinal, o Japão é quase um inventor do suicídio associado a uma causa. Muito antes dos radicais muçulmanos saírem se explodindo por aí você já tinha ouvido falar em Kamikaze e Hara-kiri.

Uma grande parcela dos suicídios no Japão tem mais a ver com a falta de trabalho do que com o excesso deste. Para um japonês é uma desonra ficar desempregado, e não raro o pai de família continua saindo e voltando para casa no horário habitual só para esconder que foi mandado embora. Isso quando volta.

Morrer do trabalho não é exatamente uma forma inteligente de resolver o problema. Se eu trabalho para viver, como posso deixar meu meio de vida se transformar em meio de morte?

Pessoas que se matam por causa do trabalho, ou por qualquer outro motivo presente, se esquecem de que o problema, que hoje parece uma bomba atômica, no futuro pode não passar de um traque. Winston Churchill disse: “Se arranjarmos briga entre o passado e o presente, descobriremos que perdemos o futuro”. Se você ler o livro de Jó, ícone do sofrimento humano, verá que muitas vezes ele quis morrer, mas nunca cogitou tirar a própria vida. Essa decisão – ele sabia – cabia a Deus.

Não há nada melhor do que o tempo para nos dar uma perspectiva real das coisas. Eu não acredito que Romeu e Julieta teriam se matado cinquenta anos depois. Uma Julieta flácida e um Romeu careca e barrigudo não seriam um motivo forte o suficiente para alguém tomar veneno.

Não são apenas as circunstâncias que mudam com o tempo. Nós mudamos e nossa maneira de encarar as coisas também. Às vezes tento imaginar o que aconteceria se eu viajasse numa máquina do tempo para me encontrar comigo no passado. Só de pensar me vem à memória uma cena do filme “A dona da história”, na qual o cinquentão Antonio Fagundes diz a Marieta Severo algo mais ou menos assim:

“Você quer mesmo que eu me divorcie de você e arranje uma menina de vinte anos que vai me deixar louco em um mês?”

O mesmo aconteceria se eu me encontrasse comigo no passado. Eu me deixaria louco. Das duas, uma: ou eu acabaria comigo, ou viajaria imediatamente de volta para o futuro. Fico com a segunda opção. O futuro é sempre um lugar melhor.

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Quando a Vida nos Machuca
Philip Yancey


O seu coração grita por Deus, por causa da agonia da perda. Você cai de joelhos sob o peso da dor insuportável. O seu sofrimento rouba a beleza e o prazer da vida, deixando a tristeza, a decepção e a dúvida.

Ó Deus, como tu permites que isso aconteça? És, de fato, tão poderoso? Será que tu te preocupas, realmente, com a minha dor? Onde estás quando mais preciso de ti?
Philip Yancey conhece bem essas perguntas. Ele as têm feito a si mesmo. Tem também experimentado que o abraço de Deus pode ser mais forte nos momentos de dor.

Você está enfrentando a dor emocional ou física? As suas dúvidas podem ser um convite à esperança – uma porta para os generosos dons divinos.


Editora: United Press
Autor: PHILIP YANCEY
ISBN: 8524302607
Origem: Nacional
Ano: 2003
Edição: 1
Número de páginas: 58
Acabamento: Capa Dura
Formato: Médio



E a gorjeta, doutor?


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Comentário

O seio da questão

O seio da questão
por Mario Persona



Uma jovem leitora escreveu dizendo que admira meu trabalho. Emocionei-me, pois não é todo dia que 30% de meus leitores escrevem para expressar tal admiração. No email ela dizia: “Quero ser como você, só que com seios”. O que respondi?


Prezada M.,

Recebi seu email dizendo que quer aprender comigo e ser igual a mim, só que com seios. Neste caso tenho uma boa notícia: em minha atual pouca forma física e excesso de gordura sob a pele, considere que parte de sua meta já foi alcançada.

Todavia, se você quiser ser também uma profissional do conhecimento, sua verdadeira meta deve estar bem acima dos seios. Não, um pouco mais. Aí ainda são os seios nasais.

Mas, deixando os seios de lado, não sou lá tudo isso que você imagina. Vi que ficou impressionada com meus textos, e eles realmente se impõem pelo volume de conhecimento. Mas devo confessar que ele é, em grande parte, postiço. Por falar nisso, o Google aqui ao meu lado pediu para lhe enviar um abraço.

Eu não seria o que sou sem as empresas implantadas no Silicon Valley, que já vi erroneamente traduzido como “Vale do Silicone”. Antes da era Internet eu era apenas um aspirante a escritor catando milho numa máquina de escrever portátil. Se quisesse buscar alguma informação era preciso achar o livro e a página, o que às vezes podia levar horas.

Agora pense em você, que já nasceu no regaço do videogame, cresceu nos braços do computador pessoal e foi amamentada pela Web. Na sua idade eu só via videogame nos fliperamas e usava a rede para dormir. Distração em casa era ler, jogar palito, ou fazer palavras cruzadas, passatempo que conservo até hoje. Eu sei que os médicos indicam palavras cruzadas para quem já passou dos cinquenta, mas eu faço assim mesmo.

É claro que a formação eclética que tive e as diferentes atividades que exerci foram de grande utilidade para minha carreira atual. Se na época elas não ajudaram a ganhar dinheiro, ao menos contribuíram para a coleção de histórias que conto em minhas palestras. E você disse que é exatamente este o seu sonho: ser palestrante.

A maioria dos palestrantes que você vê por aí jamais sonhou com isso, mesmo porque há alguns anos fazer palestras não era profissão. Hoje vivo praticamente de minhas palestras e treinamentos, mas nem nos meus sonhos mais pirados eu teria pensado numa profissão assim. Agora imagine as atividades que ainda poderão surgir, com as quais você nem sonhou!

É importante você ficar atenta às possibilidades e oportunidades e, a partir daí, estabelecer um foco e se apegar a ele. Nelson Mandela me disse que deve ser assim. Não que ele tenha dito isso a mim, com quem nunca falou, mas foi basicamente a idéia que o susteve ao longo dos 27 anos em que esteve preso.

Durante todo aquele tempo ele nunca perdeu seu foco, fazendo da prisão uma universidade que ele e seus amigos chamavam de “Robben Island University”. Nos livros, ele escrutinava o conhecimento; no contato com os guardas brancos, o comportamento. Foi essa soma que o deixou afiado no modo de pensar do adversário, para mais tarde negociar com seus opositores.

Além disso Mandela não só mantinha o foco e seguia à risca seu propósito de transformar suas circunstâncias em tempo de aprendizagem, como também insistia com cada prisioneiro que chegava à ilha: “Um dia teremos de dirigir este país. Vamos aproveitar o tempo aqui para nos prepararmos”.

O que ele não esperava era que, no intervalo entre sua saída da “universidade-prisão” em 1990, e sua eleição como presidente da África do Sul em 1994, Mandela ainda teria de fazer um curso de pós-graduação em “Decepções Domésticas”. Sua esposa Winnie, antes companheira de uma mesma causa, havia perdido o foco. E foi com profunda tristeza que Mandela descobriu que o seio de sua esposa tinha sido dado a outro.

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Mandela: Retrato Autorizado
Mac Maharaj

Mandela: Retrato Autorizado – é a mais recente biografia realmente autorizada de Nelson Mandela, Com prefácio de Kofi Annan, ex-secretário geral da ONU, e introdução do Arcebispo Anglicano Emérito da Cidade do Cabo, Desmond Tutu, o livro conta com 60 entrevistados em todo o mundo. São, portanto, 60 pontos de vista diferentes sobre Mandela, além de destacar as mais variadas facetas de um dos grandes homens do século 20, que promoveu a reconexão entre a justiça e a política. Mac Maharaj e Ahmed Kathrada localizaram todas essas fontes e realizaram uma pesquisa de conteúdo e fotográfica intensa que resultou em uma coletânea de imagens raras e algumas inéditas.

Amigos, familiares e pessoas que tiveram alguma ligação com Mandela no âmbito político e religioso, como Bono, vocalista da banda U2, o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton e Tony Blair, primeiro-ministro inglês, deram seus depoimentos. Porém, segundo Mac Maharaj, “o que tornou este livro tão especial foi que ele não mencionou apenas os grandes nomes, permitindo que Mandela seja visto de diferentes perspectivas e experiências, sentidas particularmente”.

Mandela: Retrato Autorizado se tornou um complemento da autobiografia de Nelson Mandela, “Longo Caminho para a Liberdade” (Companhia das Letras), feita com escritos produzidos durante o tempo em que ficou preso. Mac Maharaj, que passou 12 anos preso em Robben Island, lendária ilha-prisão de segurança máxima ao largo da Cidade do Cabo, com Mandela, comenta que “o livro reuniu um conteúdo tão concreto que materializou a constatação de que os fatos passados durante a transição da África democrata são exatos”.

Editora: Alles Trade
Autor: MAC MAHARAJ & AHMED KATHRADA
ISBN: 9788589854153
Origem: Nacional
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 355
Acabamento: Capa Dura
Formato: Grande



Bom humor, mau colesterol

Bom humor, mau colesterol
por Mario Persona



Ela sorriu para mim, por isso decidi levá-la para jantar. Não é sempre que a gente encontra um sorriso assim, muito menos em um supermercado. Tive sorte. Se ela não tivesse sorrido, aquele jantar não teria acontecido.


Um sorriso faz toda a diferença, especialmente no atendimento ao cliente. Ficam excluídos desta obrigação coveiros, carcereiros e proctologistas. Porém, na grande maioria dos casos, o sorriso sempre será bem-vindo e até obrigatório.

Mas como sorrir quando é obrigação? Com a atitude mental adequada, o que você obtém quando aprende a rir de si mesmo e das circunstâncias. Sim, porque o sorrir é um gentil subproduto do rir de si mesmo, uma das técnicas utilizadas para se fazer humor.

Humor é como colesterol: tem do bom e do ruim. O pior humor, e também o mais fácil de se produzir, é o que apela para a linguagem chula, muito usada nos tempos da ditadura e da censura. O pessoal pagava para ir ao teatro rir de palavrão e chamava aquilo de cultura.

Uma variação moderna é a dos programas humorísticos de TV para a terceira idade, ricos em sexo, malícia e colesterol, mas pobres em cenários: quando não é na praça, é na sala de aula.

O humor chulo também é comum entre compositores de funk, pagode ou axé, sei lá, que gostam de brincar com cacófatos. Geralmente quem faz esse tipo de humor, e o público que o aprecia, não sabe o que é cacófato.

Subindo na escala encontramos o “humor às custas do outro”, que escolhe uma vítima para debochar. Como acabo de fazer com os compositores de funk, pagode ou axé, sei lá. Esta técnica faz o humorista e sua plateia se sentirem superiores, o que pode ser muito engraçado ou não passar de um patético deboche infundado para chamar a atenção.

Foi o caso do ator Robin Williams na entrevista que deu ao David Letterman. De uma tacada só ele debochou da Oprah, da Michelle Obama e da Pátria Amada, ao comentar a vitória do Brasil para hospedar as Olimpíadas:

“Chicago enviou a Oprah e a Michelle. O Brasil mandou 50 strippers e meio quilo de pó. Não foi uma competição justa”, insinuou Robin Williams enquanto a plateia obedecia ao sinal luminoso que dizia “LAUGH”.

O humor seguinte na escala é aquele que faz do próprio humorista a vítima. Quando rio de mim mesmo, eu me fragilizo e me torno deliberadamente vulnerável. É por isso que costumo abrir minhas palestras sorrindo de forma ampla, geral e irrestrita. O público que acha graça, logo entra na minha. O público que não acha, pensa que eu sou bobo e me olha com um olhar caridoso de quem diz: “Ok, vamos dar uma chance a ele”.

É esse o humor das pessoas de bom humor, que não têm medo de se expor ao ridículo ou de rir de circunstâncias que, para outras, teria o efeito de uma TPM das bravas. Como diz o ditado, “quem ri de si seus males espanta”. Tudo bem, esta é a versão para quem nem cantar sabe.

Finalmente, a forma mais inteligente, nobre e saudável de se fazer humor é quando o humorista transforma a si mesmo e a toda a plateia em vítimas. São as situações nas quais todos, sem exceção, se enxergam ridículos e acabam rindo um riso companheiro e solidário. É como se todos andassem na rua distraídos e batessem a cabeça no mesmo poste ao mesmo tempo.

Este é o humor que desopila o fígado, alivia as tensões e une as pessoas, ao invés de separá-las. É o humor que se transforma em um sorriso duradouro e contagiante, como o sorriso com que ela sorriu para mim na seção de frios do supermercado.

Seus olhos negros como azeitonas, sua pele de um branco que lembrava mussarela, seus cabelos dourados como queijo cheddar e lábios carnudos e vermelhos como uma fatia de salame me fizeram salivar.

A balconista me observava sorridente, enquanto eu a parabenizava por sua criatividade. Coloquei no carrinho a pizza com cara de moça que a balconista criara, e fui para casa jantar bom humor e mau colesterol.


Última foto da pizza feliz minutos antes de meu jantar.

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Comédia Corporativa
Max Gehringer


Coletânea de textos e artigos publicados nos últimos anos pelo escritor Max Gehringer em revistas dirigidas ao público corporativo. Num tom sempre bem humorado, Gehringer ironiza as situações em que tudo dá errado para diretores, gerentes e funcionários das empresas.

Editora: Campus
Autor: MAX GEHRINGER
ISBN: 8535205810
Origem: Nacional
Ano: 2000
Edição: 4
Número de páginas: 220
Acabamento: Brochura
Formato: Médio


Dever comprido

Dever comprido
por Mario Persona



Não, eu não errei o título. É “comprido” mesmo, de longo dia de trabalho e da sensação de ter cumprido com seu dever comprido. É dessa armadilha de quem trabalha por conta própria que quero falar. Mas antes um pouco de minha história para você compreender.


Ainda estudante, fui estagiário trabalhando de graça ou com participação em projetos. Formado em arquitetura, idealismo e macrobiótica, decidi mudar o mundo começando por Alto Paraíso de Goiás. Lá ensinava no ginásio local, enquanto aprendia a fazer partos, socorrer picados de cobra e criar galinhas. Isso quando não estava rachando lenha, plantando verdura ou pilotando carroça. Aquela experiência iria me ajudar a ter uma carreira eclética, eclética e eclética.

Três anos depois voltava à minha cidade para trabalhar de arquiteto em meu próprio escritório. Parece chique e seguro ser arquiteto com escritório próprio, mas aos 27 anos e com dois filhos pequenos para criar, minha experiência com galinhas ensinou-me a não colocar todos os ovos no mesmo cesto.

Enquanto arquiteto (odeio quando alguém diz “enquanto isso” e “enquanto aquilo, mas escrevi aqui só para odiar), eu representava uma empresa de portas e janelas e outra de aquecedores solares. Na década de 80 as pessoas sabiam o que eram portas e janelas, mas falar em aquecedor solar era falar Klingon, a língua alienígena de Jornada nas Estrelas.

Mas espere, tem mais! Sim, este “Espere, tem mais!”, típico dos canais que vendem inutilidades domésticas, é bem a cara de minha outra atividade: vender autoclaves caríssimas em chás de madames, popularmente conhecidas por panelas. Não os chás de madames, as autoclaves. À noite e nos finais de semana eu fazia traduções para indústrias.

A ideia de nunca colocar todos os ovos numa mesma cesta é evitar que você acabe jantando omelete. Isto serve também para quem tem emprego fixo com aposentadoria garantida… na Enterprise, trabalhando para o Comandante Kirk. Sim, porque garantia de emprego também é ficção. Você não imagina quantos quarentões me escrevem pedindo dicas de carreira. Perderam o posto de gerente, diretor e até presidente da Enterprise quando Mr. Spock indicou um sobrinho alienígena mais jovem e barato para a posição.

Quando você trabalha por conta própria é importante manter ligado o medidor de viabilidade do negócio, para descobrir qual a taxa de sucesso que seu segmento oferece na prática. Tipo assim: para tantas visitas ou contatos, você consegue fechar tantos negócios e ter um rendimento de tanto. Se esse rendimento não for suficiente, é bom arranjar outras cestas.

Agora vem o conselho mais importante: Quando você trabalha de empregado, suar a camisa e viver ocupado pode até valer pontos, pois o salário está garantido. Mas quando trabalha por conta própria, o excesso de ocupação – seu “dever comprido” – faz você voltar para casa no fim do dia com a falsa sensação de dever cumprido. Se esteve o dia todo ocupado e voltou com nenhum ou menos dinheiro do que saiu, é melhor analisar sua atividade.

Por exemplo, se você vende sorvete a granel, o trabalho para conquistar um único cliente pode resultar na venda de uma tonelada. Mas, se vender sorvete de palito em carrinho, vai precisar trabalhar uma tonelada de clientes para ganhar a mesma coisa. O ideal é sempre descobrir como fazer mais com menos, e principalmente no lugar certo, pois você pode morar na Groenlândia e lá meu exemplo não funcionar.

Quando pequeno, meu filho não morava na Groenlândia, mas sua professora tratou com extrema frieza sua técnica de gastar menos para fazer mais, transformando um “dever comprido” em um dever mais curto. Acostumado a brincar em um computador com sistema operacional DOS, daqueles em que você usava um asterisco como “coringa” para procurar nomes de arquivos, o garoto levou a maior bronca quando a professora descobriu que as anotações em seu caderno eram mais ou menos assim:

“Em 22 de Abr* de 15*, Ped* Alv* Cab* desc* o Br*”.

Lucas Persona

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Será Mesmo Que Você Nasceu Para Ser Empregado?
Maria Giuliese

É no trabalho que investimos o que temos de melhor: tempo, energia, afeto, conhecimento, experiência e esperança de crescimento. Em troca, ele nos oferece um lugar na realidade e na comunidade em que vivemos, bem como um espaço especial para nos expressarmos e evoluirmos. O trabalho, portanto, deveria ser fonte de realização e prazer.

No entanto, nos últimos anos, muitas pessoas têm se sentido infelizes no trabalho que realizam nas empresas. Por que será? Será que o sofrimento está associado apenas a fatores internos de cada ser humano? Ou será que o mundo corporativo está doente? Qual a importância e o espaço que o trabalho vem ocupando em nossas vidas?
Mariá Giuliese, neste livro, compartilha com o leitor suas descobertas e respostas, provenientes de estudos, pesquisas e anos de experiência com profissionais em transição de carreira,e oferece, uma oportunidade única para revisar caminhos e valores, promovendo mudanças e transformações em sua vida pessoal e profissional.

Editora: Gente
Autor: MARIA GIULIESE
ISBN: 9788573124330
Origem: Nacional
Ano: 2009
Edição: 1
Número de páginas: 232
Acabamento: Brochura
Formato: Médio



Detesto Olimpíadas

Detesto Olimpíadas
por Mario Persona



Nunca gostei de Olimpíadas. Mas não vá atrás de minha conversa porque quando criança eu também não gostava de palmito, jiló e quiabo. Mas cresci, e hoje adoro estas coisas, menos língua com quiabo, porque a baba me faz pensar no boi moribundo.


Se eu detesto Olimpíadas, por que me emocionei tanto quando vi na TV do restaurante o anúncio da escolha do Rio para 2016? Chorei. Pouquinho, disfarçadinho, mas chorei. Não tanto quanto o Lula, e nem enxuguei as lágrimas com aquela toalhinha de hotel estrangeiro que não tem bidê. Usei o guardanapo.

Acho que foi uma conjunção de fatores que umedeceu meus olhos, começando pela garçonete. Quando perguntou que molho eu queria na salada, indaguei das opções e ela enrubesceu. Pediu desculpas por ser nova e ainda não ter decorado os nomes. E como poderia? O cardápio era em inglês e rico em gírias australianas, além de calorias, muitas calorias.

Então ela tirou a cola do bolso e foi gaguejando os nomes escritos em letras trêmulas. Achei lindo ser atendido por uma garçonete que ainda não tinha sido transformada em um script ambulante com um sorriso de plástico grudado no rosto. Pedi que ela escolhesse qual molho eu devia escolher. Ela enrubesceu de novo. De repente sentiu-se cliente.

Na hora da sobremesa arregalei os olhos, impressionado com o tamanho do doce. Os olhos dela, tão arregalados quanto os meus, pareciam dizer: “Também estou impressionada! Não é incrível?”. A menina saboreava cada momento; ela vivia na pele o prazer dos primeiros dias, do primeiro emprego e, quiçá, do primeiro atendimento. Um prazer que milhares de jovens terão quando os Jogos Olímpicos chegarem à nossa raia.

Sim, porque as Olimpíadas, que eu nunca assisto, geram empregos aos montes e movimentam milhões na construção, indústria, transportes e turismo. Não que eu goste de turismo, também odeio viajar. Mas o mundo não é movido pelas coisas que eu gosto, e eu não sou burro para remar contra essa maré. Se é que burro rema.

Ouvi dizer que quando o Guga acertou no tênis o número de praticantes do esporte no Brasil dobrou. A venda de bolinhas cresceu 142%, e a de raquetes 133%. Tente imaginar o que virá atrelado aos Jogos Olímpicos do Rio. Vai estar assim de gringo que não vem só para ver o Rio. Os que não perderem o passaporte num assalto, vão querer visitar também a floresta amazônica antes que acabe. Mais negócios e empregos para as outras regiões.

Mas não é preciso esperar 2016 para medir os efeitos das Olimpíadas nos negócios. A venda de cerveja aumentou nos bares e restaurantes frequentados pelos filósofos de botequim. Eles andavam meio sem assunto com a mesmice da invasão da embaixada brasileira em Honduras, e de repente as Olimpíadas caíram de bandeja. O tempo médio de permanência da “Irmandade do Contra” nos botequins aumentou, estimulando toda a cadeia de negócios, da cerveja ao amendoim, passando pelo salaminho e pelos garçons e garçonetes, que viram suas gorjetas engordarem.

Os botequins nunca estiveram tão animados. Quer coisa melhor do que criticar os investimentos que serão feitos no Rio? Vai ter politicagem, vai ter corrupção, vai ter poluição… Nossa! A lista é interminável! Tantos problemas graves para o país resolver e o governo pensando em Olimpíadas! Por que não gastar na educação e no combate à fome os bilhões que serão gastos com gente fazendo piruetas?

Quase sinto vontade de engrossar as fileiras dos filósofos de botequim. Se ainda fosse universitário e reacionário eu com certeza estaria ali, falando mal das Olimpíadas, do palmito, do jiló e do quiabo. Mas cresci.

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Inteligência Mercadológica
Jose Augusto Minarelli

O livro Inteligência Mercadológica nasceu da constatação de que o atual mercado de trabalho está em rápido processo de transformação, apresentando menor quantidade de empregos formais e maiores oportunidades de prestação de serviços de forma autoempresariada.

Na atividade de consultoria, como um dos pioneiros e mais requisitados profissionais em outplacement e aconselhamento de carreira, José Augusto Minarelli observa a grande dificuldade dos milhares de executivos que passam pelos escritórios de sua empresa (Lens & Minarelli Associados) em se posicionar diante dessa nova realidade.

O autor desenvolve a aplicação do conceito de Inteligência Mercadológica (I.M.) como um dos tipos de inteligência na linha dos trabalhos de Howard Gardner e Daniel Goleman (Inteligência Emocional). A Inteligência Mercadológica é a habilidade de estar atento e perceber as necessidades das pessoas, fonte inesgotável de geração de trabalho e renda, e, a partir disso, identificar oportunidades que permitam desenvolver serviços e vendas.

O livro se baseia em experiências e situações extraídas da atividade diária do escritório, trazendo inúmeros casos ilustrativos. Em seus capítulos, desenvolve o conceito do ciclo mercadológico em seis etapas, desde a pesquisa de oportunidades até a verificação de resultados, além de apresentar o exclusivo teste do Quociente de Inteligência Mercadológica (QI.M.) para avaliar o seu grau de preparo para enfrentar o mercado de trabalho atual.

O livro é dirigido a:

– profissionais em busca de trabalho ou de mudanças na carreira
– prestadores de serviços, pessoas físicas, profissionais independentes, autônomos e profissionais liberais;
– jovens profissionais recém-formados, que acabam de entrar no mercado de trabalho.

Ao concluir a leitura desta obra, sem dúvida, os profissionais estarão mais preparados para enfrentar o desafio proposto pelo economista irlandês Charles Handy ao seu filho, que estava se formando: “Procure clientes, não empregos!”.

Editora: Gente
Autor: JOSE AUGUSTO MINARELLI
ISBN: 9788573125689
Origem: Nacional
Ano: 2009
Edição: 1
Número de páginas: 200
Acabamento: Brochura
Formato: Médio



A biblioteca subiu no telhado

A biblioteca subiu no telhado
por Mario Persona



A piada é velha. Um sujeito é repreendido pelo amigo por ter enviado um email avisando da morte do gato. O dono do gato não gosta da notícia abrupta e instrui o outro a primeiro dizer que o gato subiu no telhado, depois que caiu, está passando mal etc. até morrer. Um mês depois chega um novo email: “Sua mãe subiu no telhado”.


No caso da biblioteca, porém, não é piada. E também não é qualquer biblioteca que subiu no telhado. Trata-se da biblioteca pública de Filadélfia, que Benjamin Franklin ajudou a criar. A notícia de que suas 53 instalações fechariam as portas teve, nos bibliófilos, o efeito de um incêndio de Alexandria.

Em 2006 estive em Filadélfia, mas não na biblioteca. Vi uma das lojas da Tower Records que estava liquidando para fechar. Já reparou quantas lojas de discos fecharam? E livrarias? Quando criança, minha cidade tinha 5 cinemas, hoje só tem um. A maioria das lojas de revelação de fotos morreu. Mesmo assim continuamos ouvindo música, lendo livros, vendo filmes e colecionando fotos.

O que mudou foi o modo de acessar essas coisas. A música é vendida online, as lojas de revelação vivem de fotos em camisetas, canecas e banners, as livrarias foram para a Web e o cinema agora é home theater. E a biblioteca?

Numa época quando o bibliotecário já devia ter se transformado em cibertecário, 3 mil empregos em Filadélfia estão por um fio. Na última hora uma verba estadual deu à biblioteca fôlego para permanecer mais algum tempo no telhado.

Quando no inverno da crise de 2008-2009 as bibliotecas norte-americanas ficaram cheias, muita gente achou que o interesse tivesse retornado. Engano. Profissionais liberais passaram a trabalhar nelas para economizar Internet e aquecimento em casa. Um estudo revela que mais de 71% das bibliotecas nos EUA são o único provedor de computadores e Internet grátis em suas comunidades. E 44% do interesse de seus usuários está em acessar sites de empregos.

Mas o fato de algumas bibliotecas terem subido no telhado não significa que irão cair dele. A Google não estaria investindo milhões escaneando os acervos das principais bibliotecas do mundo se o negócio estivesse morto. É preciso entender para onde caminha a humanidade.

Em 1998 eu escrevia sobre Internet, mas quando vi que a novidade ia acabar passei a escrever sobre comunicação, marketing e desenvolvimento pessoal, assuntos sem data de validade. Em 2006 inaugurei meu canal no Youtube, a TV Barbante. Hoje meu site de 900 páginas de texto gera 2,5 mil page-views diários, enquanto meus 120 vídeos geram 2,1 mil video-views. Faça as contas e você verá que vídeo atrai muito mais do que texto. A nova geração é visual e a velha está morrendo.

A princípio pensei em alugar um servidor para meus vídeos não saírem de meu domínio, mas o pipoqueiro me convenceu do contrário. Ele não fica com o carrinho no quintal, mas vai para a porta do estádio. Então fui para o estádio do Youtube. As bibliotecas que se aliaram à Google em seu projeto estão de olho no estádio.

A biblioteca tradicional oferece informações e acesso como fazia nos tempos de Benjamin Franklin. Mas lá fora o mundo vive um processo caótico de conhecimento baseado na interatividade e nos relacionamentos. Você já ouviu falar em redes sociais?

O problema é que o conceito das redes sociais é inadmissível na antiga biblioteca convencional. Pense na biblioteca de sua infância e você pensará na tia mandando calar a boca. A menos que essa cultura seja mudada, mais bibliotecas continuarão a subir no telhado. As bibliotecas precisam mesmo é de percepção.

Foi a falta de percepção que levou uma garota a entrar numa biblioteca e pedir fritas, hambúrguer e milkshake em alto e bom som. (Ok, eu sei que é outra piada velha, mas esta virou até comercial da Mercedes Benz). A bibliotecária imediatamente avisa a garota que ali é uma biblioteca. Envergonhada, a menina chega mais perto e cochicha baixinho:

– Eu quero fritas, hambúrguer e milkshake




POSFÁCIO

Muito já foi falado de como as novas tecnologias têm afetado lojas de discos, livrarias, cinemas e negócios de revelação de fotos. Mas e as bibliotecas, como ficam os seus acervos quando todo o acervo do conhecimento humano está a um clique de distância de qualquer cidadão? Será que aquelas que foram as guardiãs das enciclopédias terão o mesmo fim das próprias enciclopédias?

É claro que algumas bibliotecas já deixaram para trás a fase de depositárias estáticas de livros e passaram a desenvolver programas educativos, oferecer aulas e até assessorias a pequenas e grandes empresas. É este o segredo, fornecer valor e não apenas guardar livros. Mas a maioria ainda não acordou, principalmente as que continuam deitadas eternamente em berço esplêndido por não serem geridas como um negócio e nem terem visão de marketing.

Aproveito para avistar que 4 de meus primeiros livros já estão disponíveis para download grátis ou na versão sob demanda (veja abaixo). E meu último livro “Dia de Mudança” continua à venda nas melhores livrarias.

Marketing de Gente
Marketing
de Gente
Marketing Tutti Frutti
Marketing
Tutti Frutti
Gestão de Mudanças em Tempos de Oportunidades - Mario Persona
Gestão de
Mudanças
Receitas de Grandes Negócios - Mario Persona
Receitas
de Grandes
Negócios

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O Negócio dos Livros
Andre Schiffrin
O livro discute os bastidores da biblioindústria. Publicado em 21 países e agora no Brasil, O Negócio dos Livros analisa o mercado da produção editorial no mundo e trata de questões como: quem decide o que está nas prateleiras das livrarias? Como são negociados grandes acordos internacionais de compra e venda de livros e editoras?
Há quase 50 anos no mercado, Schiffrin esclarece com análises polêmicas essas e outras questões sobre os bastidores do universo editorial. O autor chama atenção para o papel que deve desempenhar o editor e alerta como é perigoso viver em uma cultura limitada de idéias e alternativas e como é fundamental manter um amplo debate em torno do que é publicado.

O AUTOR:
André Schiffrin nasceu na França, em 1935, e vive nos Estados Unidos desde 1941. Durante 30 anos foi editor da Pantheon, por onde publicou importantes autores norte-americanos, europeus e latino-americanos. Desde 1990, dirige a editora independente sem fins lucrativos The New Press, localizada em Nova York e subsidiada por diversas fundações.

Editora: Casa da Palavra
Autor: ANDRE SCHIFFRIN
ISBN: 8577340236
Origem: Nacional
Ano: 2006
Edição: 1
Número de páginas: 178
Acabamento: Brochura
Formato: Médio



A quinta letra

A quinta letra
por Mario Persona



“Sou gerente de comunicação do YouTube e estamos organizando um bate-papo com poucos internautas brasileiros para saber o que pensam do site, o que mais usam, e como a experiência poderia ser melhorada. Seu nome foi selecionado entre milhões de usuários…”


Minha primeira reação foi verificar se o email era verdadeiro. Afinal, ele chegou na mesma caixa postal que recebe todos os dias convites para sacar milhões de dólares de uma conta na Nigéria. O do YouTube era genuíno.

O convite era uma verdadeira aula do conceito AIDA de comunicação: Attention, Interest, Desire and Action. Ok, o acrônimo também dá certo em português, mas achei que no original ficaria mais chique.

Ao se apresentar como gerente de comunicação do YouTube, ele chamou minha ATENÇÃO, o “A” do AIDA. Ao pedir minha opinião, acertou em cheio o “I” de meu INTERESSE. Quem é que não gosta de dar opinião, falar de suas vitórias ou cicatrizes? Todo bom vendedor sabe que não vende se ficar falando de si, de seu produto ou serviço, mas interessando-se pela opinião do cliente, suas necessidades, DESEJOS… Epa! Olha o “D” aí!

Babei saliva. Afinal, meu nome tinha sido escolhido dentre milhões de usuários. MILHÕES, grande assim! Bem, até que fazia sentido, já que só meus vídeos da “TV Barbante” são vistos 2 mil vezes por dia e passaram de 1 milhão desde 2006. “O Evangelho em 3 minutos”, com mil views diários, está batendo nos 300 mil com apenas 14 meses de vida.

Faltava a última letra do AIDA, que foi logo cravada com a frase: “O número de vagas é extremamente limitado e é necessário confirmar presença”. Urgir por uma resposta funciona até para quem nunca viu tal verbo. O “A” de AÇÃO que faltava para eu tomar uma decisão estava bem ali. O que você teria feito em meu lugar?

Pois é, eu também não estava disposto a viajar 150 quilômetros até São Paulo só para contar o que penso do YouTube. Minha opinião podia muito bem ir por email ou vídeo, só para ficar no contexto. Antes que eu me decidisse por não ir, minha ATENÇÃO, INTERESSE, DESEJO e AÇÃO foram adrenalizados (não adianta procurar, o verbo não existe) pela quinta letra de AIDA. Também não adianta procurar.

Em comunicação, aquilo que você não diz pode ser mais potente do que toda a sua verborragia (que lembra hemorragia) ou verborréia (…). O silêncio aturde. Se você duvida é porque sua esposa nunca fez greve de palavras. Devia ter algo mais. A quinta letra, a letra que faltava, criou ansiedade em mim. As reticências eram tão instigadoras que respondi imediatamente confirmando presença. Eu teria de viajar a São Paulo de qualquer maneira para pegar um vôo para a Bahia.

No dia seguinte, vinte e poucos youtubers, jornalistas e funcionários da Google ocupavam a sala, e a soma de suas idades não chegava à minha. Quase podia adivinhar seus pensamentos quando me fitavam: “Será que já existia Internet no tempo desse dinossauro?!”.

Minha suspeita se confirmou: havia sim algo mais. O bate-papo era com o próprio Chad Hurley, um dos criadores do YouTube. A reunião foi uma verdadeira Babel que ia do inglês ao portunhol, passando pelo “the book is on the table”. Quando chegou a minha vez, vi que faltavam dois segundos para o encontro terminar. Dada a escassez de tempo, decidi começar pelo “A” de AIDA e chamar a atenção:

– Meu nome é Mario Persona, sou palestrante, escritor e consultor, e uso o YouTube para ganhar dinheiro.

Como eu previa, o burburinho foi geral. “Show us the money!”, gritou alguém. Então, com toda a atenção cravada em mim, contei ao Chad Hurley e aos youtubers como ganho dinheiro com o YouTube.


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Você é Jovem, Velho ou Dinossauro?
Ignacio De Loyola Brandao
Como cronista do jornal O Estado de S. Paulo, Ignácio de Loyola Brandão algumas vezes usou seu espaço para provocar o leitor, questionando-o sobre coisas do passado. Você chegou a tomar Grapette? Lembra do dropes Dulcora? Sua mãe usava cera Parquetina ou Dominó? Toda essa brincadeira com coisas do passado – distante para uns e próximas para outros – é o que nós habituamos a chamar de “cultura de almanaque”.
Cada vez que Loyola publicava sua coluna nesses moldes, recebia de amigos e de leitores uma infinidade de mensagens, lembrando fatos, jingles, imagens que dariam para montar tantas outras colunas com curiosidades e brincadeiras para mexer com a memória do leitor.

Como é costume do autor, todo esse material foi guardado e transformado no Você é jovem, velho ou dinossauro?, livro que a Global Editora acaba de levar às livrarias e que traz uma programação visual bem parecida ao dos antigos almanaques, publicados, no Brasil, desde o início do século passado.

O título do livro não engana: a proposta dos testes é saber se o leitor é jovem, velho ou dinossauro. O autor convida: “Descubra com este livro. Testes para saber se sua memória é uma coisa, mas suas lembranças podem ser outras, mostrando que você é mais jovem, mas também pode ser mais velho do que imagina”. Ainda, segundo Loyola, “a memória tem mecanismos próprios e age segundo sua própria vontade. Lembro-me de uma coisa de uma maneira, você de outra, o terceiro de uma versão diferente. Pensamos que nos conhecemos, pensamos que temos certa idade. Este livro mostra que podemos ser mais jovens. Fatos que pareciam distantes estão perto”.

Você é jovem, velho ou dinossauro? é um almanaque de pequenas recordações guardadas no fundo da nossa memória e que, de repente, com muita alegria nos deparamos com elas.

Daqui a algum tempo, a geração que está nascendo agora irá dizer que iPod, MP3, laptop, link, webcam, câmera digital, celular com internet, palmtop são coisas do passado e quando eles estiverem fazendo essa afirmação outros almanaques estarão aparecendo – ou não -, mas terão sempre a intenção dos almanaques de hoje que é de divertir e ter muito assunto para não deixar a conversa acabar.

Editora: Global
Autor: IGNACIO DE LOYOLA BRANDAO
ISBN: 9788526012905
Origem: Nacional
Ano: 2009
Edição: 1
Número de páginas: 176
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

Sou tecnobrega

Sou tecnobrega
por Mario Persona



Veja você, eu era tecnobrega e não sabia! Não sabe o que é tecnobrega? Trata-se de uma grande sacada para a produção, promoção, venda e distribuição de conteúdo artístico e intelectual. Coisa de Brazil com “z” na literatura lá fora.


Junte tecnologia, pirataria, mau gosto e criatividade, bata com muito ritmo, e o tecnobrega está pronto pra inglês ver. O modelo de negócio é citado no livro “Free – O futuro dos preços”, por Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired e também autor de “A Cauda Longa”. A versão em áudio do livro “Free” é… FREE!

A idéia não é nova. Há dez anos escrevi sobre o que aprendi com Kevin Kelly, co-fundador da Wired, que também entrevistei na época. Funciona assim: quanto mais rara a coisa é, mais cara. Por outro lado, quanto mais abundante, mais o seu preço tende a zero. ZERO! Respire fundo e você vai entender.

Quando alguns artistas paraenses perceberam que o atual modelo de distribuição de música estava no bico do corvo, decidiram inovar. No passado o artista só ganhava quando tirava a viola do saco, porém a tecnologia permitiu que ele e a viola ficassem em casa, enquanto a música viajava e faturava no som gravado.

E foi nesse céu de brigadeiro que a indústria fonográfica voou enquanto a tecnologia de gravação e distribuição estava restrita a quem podia pagar por ela. Mas alegria de rico também dura pouco, e a abundância tecnológica fez esse custo tender para… ZERO!

Isso mesmo, não custa nada para o carinha copiar a música e passar para trocentos amigos na Internet. A mesma tecnologia que mandou o artista enfiar a viola no saco e ficar em casa, avisou que agora é hora de cair na estrada, como no tempo dos menestréis. É mudar ou morrer.

Tecnobrega é a alternativa viável para os novos tempos. O músico grava seu som num estúdio caseiro ou alugado e entrega o CD para o camelô piratear à vontade. Ok, foi resolvida a questão da gravação e distribuição a preço de banana, mas o que o artista ganha com isso? Nada, mas fica conhecido.

O dinheiro vem das apresentações ao vivo, que também são gravadas em DVDs e CDs e entregues… isso mesmo, ao camelô. A cada volta da roda o artista é mais valorizado e mais solicitado, e pode cobrar mais pelo show. Alguém gravou um vídeo e colocou no Youtube? Maravilha! Tem carinha pirateando o som adoidado na rede? Melhor ainda para o artista tecnobrega!

Sem querer querendo, descobri que também sou tecnobrega. Não toco e nem canto, mas escrevo, e há mais de dez anos incentivo a cópia livre e descarada de minhas crônicas. Meus textos também viram locuções caseiras em vídeo e áudio, além de alguns de meus livros já estarem disponíveis para download. FREE! Onde eu ganho? Na venda de meu trabalho ao vivo e em cores em palestras e treinamentos.

– Alô? Mario Persona? Recebi de um amigo um [texto, vídeo, áudio] de sua autoria. Você pode vir à minha empresa falar sobre aquele assunto?

É claro que vou. Só em 2008 enviei 535 propostas a solicitações assim sem fazer um único “cold call”, que é quando o vendedor toma a iniciativa de ligar ou visitar um possível comprador. Este número não inclui solicitações de curiosos, mas só de empresas realmente interessadas, e equivale a enviar uma proposta e meia por dia. Obviamente só envio as propostas inteiras.

Se fechei todas? Nem em sonho. Mas se considerar que não gastei um centavo com propaganda e a promoção foi feita no camelódromo web, posso me considerar um tecnobrega de carteirinha. Porém as semelhanças terminam aí. No mais, que me perdoem os amantes do gênero, eu ainda acho a música tecnobrega cara.


Para saber mais:
“Tecnobrega: O Pará reiventando o negócio da música” – Livro grátis para download.
“Free – The radical future of prices” – Audiobook grátis em inglês do livro de mesmo nome (veja no “Criado Mudo” abaixo a versão vendida).

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Free: Grátis – O Futuro dos Preços
Chris Anderson
Com a maestria que lhe é peculiar, Anderson volta à cena com este livro único e inspirador, onde o leitor encontrará em texto embasado a tendência de zerar custos trazida pela era digital.
Anderson afirma com veemência que estamos entrando numa era em que a economia pode ser construída em torno do conceito de “gratuito” e como isso afetará a vida das pessoas. Segundo ele, a ideia partiu de um dos capítulos de A Cauda Longa, que trata da economia da abundância. Ele acabou percebendo que nunca havia acontecido de toda uma economia ser construída em torno do gratuito e resolveu, então, mostrar como as pessoas fazem dinheiro e quais são as implicações disso.
O futuro, segundo ele, reserva surpresas inimagináveis até bem pouco tempo para os negócios.

Autor do best seller A Cauda Longa, sucesso de crítica e de público, Anderson é conhecido e reconhecido pela mídia brasileira e um nome de grande representatividade no campo do pensamento futurista, da gestão e da inovação.

Editora: Campus
Autor: CHRIS ANDERSON
ISBN: 9788535230680
Origem: Nacional
Ano: 2009
Edição: 1
Número de páginas: 288
Acabamento: Brochura
Formato: Médio