Blook
por Mario Persona



Fui visitá-la, mesmo sabendo que ela estava em estado terminal. A experiência não seria lá muito agradável e acabou trazendo à tona recordações de dias melhores. Mas se não a visitasse naquela manhã fria, poderia não ter outra chance.


Quando entrei, senti um misto de reverência e tristeza. Era como se entrasse no mausoléu de um faraó. Nas paredes, grandes hieróglifos gritavam sua agonia: “GOING OUT OF BUSINESS!”. Eu estava em uma das lojas da rede Towers Records nos EUA.

Quando adolescente, ir a uma loja de discos era um acontecimento. E um sofrimento, pois alguns proprietários tinham o sádico costume de fazer de conta que não entendiam o nome da música em inglês errado e pediam para a gente cantar um pedacinho. Eu odiava aquilo, mas gostava de dar uma passadinha lá só para ouvir outro otário cantar.

Agora acabou. Se ainda existir uma loja de discos — hoje chamados CDs — em sua cidade, corra lá e leve seus filhos. No futuro eles poderão contar que já estiveram numa loja assim, como hoje eu conto que já andei de bonde.

As lojas de CDs partem, mas não vão sozinhas. Morrem de mãos dadas com as lojas de fotos. Ficou tudo digital. A foto você tira com o celular e revela na Internet. A música, você baixa e não revela. E o vídeo da locadora? Esse já foi desenganado e só aguarda a chegada da banda para tocar no funeral. A banda larga.

Curiosamente aquele que parecia estar com seus dias contados continua firme e forte. Irmão mais velho — bem mais velho — das outras mídias de expressão artística, o livro tem driblado o bico do corvo e vai fazendo seus “gols de letra”, nome do gol feito com as pernas cruzadas em “X”. Uma incógnita, como a data da morte do livro.

Quando surgiu o primeiro computador pessoal todo mundo achou que seria a pá de cal do livro. Ninguém pensou no som e na imagem, porque as primeiras máquinas só sabiam cantar “bip!” e imprimir fotos feitas com letras. Mas estas morreram antes, qual marido saudável que prepara o funeral da esposa doente e acaba usando o caixão.

Todas as tentativas de divorciar as letras da mídia de papel não receberam o aval do juiz, o mercado. O livro é um fetiche. As pessoas querem apalpar sua capa, deslizar os dedos por suas páginas, deixar marcas e desfilar sua lombada a caminho do trabalho ou expor seu dorso na estante para todo mundo ver. Tem até livraria que vende livro por metro, só para decoração!

Até aí tudo bem. O problema é o número de pessoas que escrevem querendo saber como publicar um livro. Pensam que só é escritor quem publica. Não é. Escritor é quem escreve, assim como escultor é quem esculpe e pintor quem pinta. Se a obra será ou não vista pelo mundo, não é a preocupação primeira do escritor. Para ele ou ela, escrever é uma necessidade fisiológica, visceral. Escrever é o vômito de abelha ébria, o mel.

O engano está em pensar que publicar é sinônimo de ficar rico e famoso. Quem pensa assim não quer ser escritor, quer ser rico e famoso. A grande maioria dos escritores não passa nem perto disso. Para ser escritor é preciso gostar de ler. Você odeia ler? Então esqueça escrever. Você gosta de escrever? Então comece escrevendo um Blook.

Blook? É Blog + Book, livro impresso com uma compilação de textos publicados inicialmente em um blog. Tem uma porção de gente escrevendo assim, inclusive eu. Meus livros são coletâneas de textos que vou publicando na Web à medida que as idéias vão brotando. Depois é só selecionar, compilar, incrementar aqui, expandir ali, atualizar acolá e… Presto! Tenho um livro.

Publicar pode ser bom para o ego, mas escrever é bálsamo para a alma do escritor. Sei que isto não é lá um grande estímulo para você que sempre sonhou ser lido por multidões. Não desanime. Encontrei na Internet a história de alguém que chegou lá. Quem sabe amanhã é sua vez?

“Havia um jovem que queria ser escritor. Queria escrever coisas que fossem lidas por gente de todo o mundo e em todos os idiomas. Dramático, queria que seus textos levassem as pessoas às lágrimas e as fizessem arrancar os cabelos, gritar, chorar e gemer de desalento e raiva. Hoje ele escreve mensagens de erro”.

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Blog Corporativo
FABIO CIPRIANI

Vivemos em uma nova era. Uma nova era em que o mercado e as pessoas passaram a gostar de interagir, opinar, participar e ajudar.
Uma nova era de constante formação de opinião, reforçada pelo lançamento de websites que potencializam ainda mais a voz das pessoas. A era dos Blogs. Nessa nova era, onde se situará a sua empresa ou seus negócios? No grupo das que blogam ou no grupo das que ignoram a blogosfera?

O livro explora os ganhos e as armadilhas que o uso de blogs para comunicação interna ou com clientes traz para empresas e negócios. Esta obra discute também como os blogs já existentes podem servir como base para os planejamentos estratégicos de produtos e serviços. O principal objetivo deste livro é ser um guia prático para orientar empresários e gestores de pequenas, médias ou grandes empresas na maneira de planejar e introduzir o uso de blogs na companhia, ativa ou passivamente, com o intuito de aumentar e fortalecer o relacionamento com seus clientes.

“Faça barulho” na internet e aumente o valor da sua marca
Melhore a comunicação interna da sua companhia e otimize os processos
Aproxime-se mais dos clientes e entenda os pontos de vista deles
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