Planejamento de carreira
por Mario Persona



Planejamento de carreira

😛 Em entrevista para o Informativo Rodobens falo sobre a importância do planejamento de carreira para qualquer profissional. Bem, falo mais de planejar para sair da carreira e mudar, do que para ficar na mesma. Porque numa época de tanta velocidade não é sensato estacionar no meio da pista. A íntegra da entrevista você encontra aqui.


P: Por que planejar a carreira? Qual deve ser o objetivo estratégico de carreira?

R: Uma carreira deve ser vista como um negócio. Existe um objetivo de lucratividade, existe um mercado onde se pretende atuar, existem clientes para serem atendidos e toda uma estrutura de habilidades e competências que precisam ser desenvolvidas e atualizadas constantemente para evitar a obsolescência. Este é seu produto.

No final, há também aquele desejo de “profissionalizar a direção da empresa”, isto é, criar um patrimônio que outros possam administrar e garantir que tenhamos um rendimento suficiente, ou garantir que a “empresa” possa ter mais tempo para se dedicar a atividades com objetivos menos financeiros e de maior significado social. Antigamente isso era chamado de aposentadoria.

Em meu último livro “Marketing de Gente” mostro como o profissional deve agir em relação à sua carreira, principalmente aqueles que hoje saem de uma faculdade sem ter uma idéia clara daquilo que espera por eles no mercado. O livro abre com o exemplo do porquinho que, quando questionado sobre o que gostaria de ser quando crescer, respondia alegremente: “Salsicha!”.

Embora salsicha fosse algo útil, ele nem imaginava que iria precisar morrer para que sua carreira se tornasse realidade. E, de certo modo, é assim que o profissional deve se preparar: morrendo para velhos hábitos, vícios e idéias equivocadas do que seja uma profissão, e se transformando em algo de utilidade.

P: Como desenvolver a carreira profissional e ganhar visibilidade?

R: O primeiro passo é buscar juntar continuamente capital intelectual. Todo profissional deveria começar perguntando: O que tenho para oferecer que alguém teria interesse em comprar? Se ele não tiver coisa alguma, nenhuma habilidade, nenhum conhecimento, nenhuma competência, então é bom começar a procurar.

Poucas pessoas raciocinam em termos de produto e mercado quando pensam numa carreira. Estão procurando um emprego nos moldes antigos, uma mãe que garanta seu leite por tempo indeterminado, sem ficar muito claro o que a criança oferece em troca além de reclamar por mais leite. Hoje não é mais assim. O profissional deve enxergar seu empregador, seja ele permanente ou temporário, como um cliente que deseja comprar algo de útil.

A visibilidade é conquistada menos com exposição inconveniente e mais com os resultados de um trabalho bem feito. Se eu disser que sei fazer bem isto ou aquilo, minha voz tem pouco poder para convencer, mas se várias pessoas falarem a mesma coisa porque tiveram uma experiência de satisfação com meus serviços, o impacto será muito maior. O segredo, portanto, não é falar de si, mas criar condições para que os outros comentem. Com a tecnologia da informação isso ficou mais fácil, porque as pessoas podem se comunicar instantaneamente com milhares de amigos.

Publico em meu blog várias crônicas que, no final, têm um convite para que o leitor envie o endereço para um amigo. É grande o número de pessoas que fazem isso, não porque convidei, mas porque realmente gostaram do que leram. Quando trazemos algum benefício a alguém, essa pessoa irá divulgar e acabamos ganhando visibilidade. Evidentemente, em meu caso, precisei criar um blog e escrever os textos, porque nada acontece sem trabalho.

P: Por que algumas pessoas passam um bom tempo na empresa e não conseguem o reconhecimento. Muitas vezes nos empenhamos e os louros da conquista ficam para a equipe. Como obter evolução em uma empresa?

R: A principal razão é que a maioria nem sempre merece um reconhecimento porque estão fazendo apenas o que a empresa esperava que fizesse. Quando falamos em reconhecimento, falamos em recompensa, seja na forma de aumento, seja na forma de prestígio ou até de um tapinha nas costas.

Se faço apenas o que se espera que faça, não faço mais do que minha obrigação, portanto não devo me surpreender se não ouvir qualquer menção pelo meu trabalho. Se errar, posso esperar ouvir, mas não é disso que estamos falando. Porém, se exceder as expectativas, aumento a probabilidade de ser mencionado, de ser lembrado e, talvez, de receber algum tipo de reconhecimento mais palpável. É como quando compramos um produto.

Se compro geléia de morango e encontro exatamente isso dentro do vidro, não aconteceu nada de mais. Porém, se ao abrir o vidro descubro que a geléia é formada por enormes morangos suculentos, completamente diferente daquelas massas coloridas e açucaradas que vemos por aí, é provável que continue a comprar aquela marca mesmo que aumente de preço e ainda vou fazer um favor ao fabricante, divulgando entre as pessoas que conheço.

Funciona igual no trabalho. Dentre dezenas de marcas expostas na gôndola do supermercado, esta irá se sobressair para mim e para as pessoas que já experimentaram. Ainda que alguém diga que naquele supermercado há boas marcas de geléia, todos saberemos qual é a melhor. É preciso ter um algo mais para se destacar em meio à massa de uma equipe e, ainda que nosso trabalho faça parte de um todo, de um esforço conjunto, se tenho uma marca pessoal de distinção, qualidade, atitude, reputação e outras qualidades, vou ser notado.

P: O marketing pessoal poderia ajudar neste caso? Como fazê-lo sem parecer pretensioso?

R: Existe muita confusão com a palavra “marketing”. Muita gente acha que é sinônimo de propaganda, mas não é. Marketing é toda uma estratégia de se identificar, analisar e atender necessidades e desejos de um determinado mercado, obtendo lucro e reconhecimento no processo. Portanto o marketing pessoal começa não na pessoa, mas no mercado ou ambiente de trabalho que ela pretende atingir. O profissional que pergunta “Como será que posso ser de ajuda neste ambiente de trabalho?” deu o passo mais importante para seu marketing pessoal.

Veja que como profissionais, o que “vendemos” para nosso cliente empregador é o nosso serviço. A palavra serviço vem de servir, e quem serve é servo. Infelizmente nem todo profissional gosta de se enxergar numa posição de servo por achar que é um posto humilhante, porém não é quando se trata de uma ação voluntária. Um líder que está seguro de sua capacidade jamais irá achar que está perdendo algo por se colocar como exemplo de serviço.

P: O que é uma pessoa bem sucedida?

R: Não é alguém que ganhe muito dinheiro, embora tudo neste mundo tente nos dizer que é. Conheço pessoas riquíssimas que não têm nem um átomo da alegria e paz de outras que têm apenas o suficiente para suas necessidades e vivem felizes. São riquíssimas em riquezas intangíveis. Portanto, sua pergunta, se for no sentido de bem sucedido como pessoa, tem um sentido muito mais amplo do que aquele que é limitado apenas por sua carreira.

Uma vez li um diálogo de um ancião com um jovem recém formado. Ele perguntava ao rapaz quais eram seus planos para o futuro e o rapaz respondeu que queria buscar um emprego. O ancião perguntou se era só isso. O jovem continuou, explicando que queria subir no emprego, fazer carreira. O ancião continuava perguntando se era só isso e o jovem ia acrescentando metas: uma boa casa, um bom carro, esposa, filhos, casa de campo, barco, amigos, esportes, ser dono de seu próprio negócio etc. O velho não se contentava e perguntava o que mais. Dar uma boa faculdade para os filhos, conseguir uma aposentadoria confortável, viajar pelo mundo.

A conversa vai até não sobrar mais tempo de vida e o jovem acaba concluindo que aí ele iria morrer. É então que o ancião lhe diz: “Se a sua perspectiva de sucesso só dura uma vida, devo dizer que é muito pequena”. O que ele queria dizer era que um plano visando o sucesso nunca deve se limitar ao trabalho, família ou às coisas que duram apenas alguns anos, mas ampliar essa perspectiva para durar uma eternidade. No meu caso, fiz isso quando ainda tinha 24 anos e me tornei cristão.

P: Quais as conseqüências para a falta de planejamento de carreira?

R: Acredito que a principal seja uma falta de direção bem definida. Se não temos um objetivo na vida, e isso inclui um objetivo na carreira, vamos ficar pulando de um lado para o outro, mudando de rumo a cada brisa e nunca chegaremos a lugar nenhum. Porém isso não significa também se agarrar a uma carreira ou profissão e ficar dando socos em ponta de faca quando vemos que já não existe mercado para o que fazemos.

Profissionalmente devemos estar sempre prontos a mudar, porém devemos ter um alvo que seja significativo o suficiente para mantermos a vista fixa nele. Daí a necessidade de não limitar esse planejamento apenas à carreira, mas ampliá-lo para a vida. É como velejar. Temos um ponto bem claro onde queremos chegar, mas às vezes será preciso fazer um zigue-zague para atingi-lo. Todavia, nessa viagem há princípios que são imutáveis, como nossas crenças e valores, desde que sejam as crenças e valores corretos. Porque se o sucesso na carreira fosse medido apenas em cifrões, todo mundo iria querer ser traficante de drogas ou ladrão de bancos, atividades altamente lucrativas.

P: O planejamento de carreira deve ser veiculado à empresa que trabalhamos? Ou deve ser independente?

R: O planejamento da carreira – também chamado de gestão de carreira ou gerenciamento de carreira – deve ser independente, pois ninguém mais acredita em estabilidade no trabalho. Quem se ilude buscando construir uma carreira que fique limitada à empresa, pode ver tudo ir por água abaixo se aquela empresa for vendida ou sair do mercado.

Vou dar um exemplo bem radical para você entender. Faça de conta que trabalho em uma empresa fabricante de máquinas de escrever e vou estudando, fazendo cursos, treinamentos e tudo mais sempre voltado para a área de atuação da empresa onde trabalho, que é a fabricação e venda de máquinas de escrever. Nem preciso dizer a você o que acontecerá com minha carreira, não é mesmo? Então, um belo dia me encontro na meia-idade indo procurar no mercado uma colocação para toda aquela experiência que tenho em máquinas de escrever e descubro que já não existe mercado para isso.

Portanto, o profissional deve sempre olhar mais além do que o pequeno horizonte traçado pela empresa onde trabalha. É claro que deve se aperfeiçoar dentro de sua atividade atual, porém ciente de que amanhã ela poderá não servir mais. Hoje aconselho que a pessoa se prepare profissionalmente para sair da empresa. Não que sair esteja no seu plano, mas deve estar preparado para o que fazer se sair.

Como fazem as comissárias de bordo antes da decolagem. Elas explicam a todos como proceder,caso o avião caia na terra ou no mar. Não que alguém esteja ali esperando que o avião vá cair ou até colaborando para isso. Porém seria uma insensatez achar que o avião é capaz de voar para sempre sem acidentes.

P: Dentro de uma carreira profissional quais os fatores que garantem sucesso ao colaborador? Qual a porcentagem que o fator sorte pode ajudar neste caso?

R: Não diria que a sorte seja o fator importante, mas a oportunidade. E oportunidades podem ser chamadas de sorte porque alguém as enxergou, se preparou e agarrou. Aí os que não viram ou não estavam preparados dirão que aquela pessoa teve sorte. Não é bem assim. Pode surgir em uma empresa uma vaga de gerente e, obviamente, aquele que teve a “sorte” de falar mais de um idioma vai acabar agarrando a posição. O melhor mesmo é estar equipado para toda “sorte” de coisas. Aí sim, a sorte vai ser importante. [>> Envie a um amigo >>]

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O evangelho maltrapilho
Brennan Manning

Normalmente você vê aqui livros de negócios, comunicação e marketing, a maioria dos quais nunca li mas ouvi falar e copio o comentário do site da editora. Hoje vou abrir uma exceção para um livro cristão que li de um só gole. O autor é um ex-frade católico e alcoólico em recuperação. Pois é, um fracassado segundo os padrões de alguns. Mas é justamente disso que ele fala, que o céu é um lugar cheio de fracassados. Se está atrás de um livro motivacional para inflar seu ego, esqueça este.

Numa época de jactância, quando tanta gente quer ser “poderoso”; quando igrejas ficam cheias de gente atrás de milagres, dinheiro e poder; quando fiéis são contados em milhões e dízimos carregados em malões; quando fica essa rasgação de seda, de “reverendo” pra cá e “doutor em divindade” pra lá, alguém precisa lembrar que “graça” é favor imerecido, dado a quem não tem e não pode coisa alguma.

O livro é um banho de kryptonita, aquela pedra verde que drenava os poderes do Super-Homem, no ego e orgulho daqueles que pensam que vão conseguir o favor de Deus porque fizeram algo de bom. Pessoas que se esquecem de que o céu vai ficar cheio de pessoas vazias; que vai ser um sucesso porque vai estar cheio de fracassados. Como milhões de “madalenas prostitutas”, “pedros negadores”, “mateus publicanos”, “ladrões da cruz ao lado” e “paulos guarda-objetos de apedrejadores de estêvãos” que já se mudaram para lá.

O livro lembra que não são crianças boazinhas que vão para o céu, mas crianças más que serão arrastadas para lá. Como o filho pródigo, que só voltou porque o estomago não agüentou, ou a mulher flagrada em adultério (já percebeu que, do flagrante, só levaram a mulher?), que só foi absolvida porque foi arrastada até a presença de Jesus por seus acusadores. E você, vai querer chegar lá por algo que fez ou vai se deixar arrastar pela graça de Deus? Ser pecador é a única condição exigível para a viagem e no passaporte o carimbo diz “Salvo por Graça”, marcado com tinta-sangue do Cordeiro de Deus.

Mas, voltando ao livro, cabe um P.S. aqui na forma como a editora apresenta o autor: “o aclamado filósofo e teólogo cristão Brennan Manning”. Pelo jeito quem escreveu o comentário não captou a mensagem do livro…