Medroso! Medroso! Medroso!…
por Mario Persona



Medroso! Medroso! Medroso!…

Escrevo num domingo e não quero falar de negócios. Na verdade, nem escrever eu vou. Deixo a tarefa para meu filho. Bem… modo de dizer. Para quem não sabe, mantenho um blog, “Quero contar…”, voltado para portadores de necessidades especiais. Lá eu escrevo como se fosse meu filho, para dizer o que acho que ele gostaria de contar se pudesse. Tá bom, pode parecer até coisa de alter ego, mas serve de terapia.


Agora, se quiser mesmo ler uma crônica de negócios hoje , então meu convite é para que que visite a “WEG em Revista” e leia “Se Oriente Rapaz”. Esta é exclusiva para a revista e não estará em meu site ou blog. Como o site é dinâmico, para chegar lá você vai precisar clicar no link da empresa acima, clicar em “WEG em Revista” na coluna da esquerda do site, escolher a edição 32 e minha crônica com o título “Se Oriente Rapaz”. Presto!


Medroso! Medroso! Medroso!…

Meu pai é um medroso. Só pode ser. Perder uma oportunidade dessas?! Ah, eu conto, sim, vou contar, quero contar! Sabe o que? Que meu pai foi dar uma palestra em Foz do Iguaçu e encontrou lá o Osmar Santos expondo seus quadros. Encontrou é modo de dizer. Sabe o que aconteceu? Nada.

Isso mesmo, nada! Meu pai viu o cara, viu os quadros e ficou nisso. Você sabe, o Osmar Santos, aquele que era um super radialista até um caminhão bêbado atravessar o seu caminho. Ah, se eu pudesse falar! Sabe o que faria agora mesmo? Conversaria com meu pai para saber tim-tim por tim-tim a razão de nem chegar perto do Osmar.

Minha conversa com meu pai seria algo assim, tenho certeza:

— Pai, não me diga que você foi até lá, viu o Osmar e nem o cumprimentou.

— Fui, vi, não…

— Chegou perto, pelo menos.

— Bem, sim e não. Na volta ele ficou quase ao lado no avião, do outro lado do corredor.

— E…?

— E o que?

— Pelo menos falou um oi, disse que gostava dos quadros, que você também já pintou…

— Não.

— Eu não acredito! Uma foto, pai, uma foto! Todo mundo quando encontra um famoso corre lá tirar uma foto ao lado dele… Pensou? Botava no seu site, fazia o maior farol…

— Também não… sei lá, fiquei sem jeito…

— Você, sem jeito?! Sobe num palco, faz gato e sapato, fala pelos cotovelos… com essa cara de sério deixa a turma surpresa ao descobrir que existe um palhaço debaixo do terno… Sem jeito?!

— É, Pedro, fico sem jeito quando encontro gente assim. Tem gente que tá com tudo em cima e vive reclamando. Outros, como você, nascem com deficiências e fazem um bocado, se desenvolvem, aprendem, tudo bem, mas nunca souberam o que é ter tudo funcionando… Já um cara como o Osmar…

— O que tem um cara como o Osmar?

— Oras, ele estava por cima e de repente viu o tapete ser puxado. Perdeu o que tinha de melhor, a voz, a locução. Tipo João do Pulo, o campeão olímpico, que perdeu a perna; tipo João Carlos Martins, o pianista que perdeu o movimento dos dedos… Gente que está no topo, desce no fundo e se supera, entende? Ou pessoas comuns, donas de casa, profissionais, estudantes como meu amigo Cristóvão de Barros, que levou um tiro na coluna, ficou paraplégico e hoje toca seu próprio negócio… Nossa! Tem tantos outros heróis assim por aí… Gente que dá a volta por cima, começa de novo, se reinventa, serve de exemplo…

— Só por isso você ficou sem jeito de ir lá falar com ele…

— Só por isso. Lá tinha tanta gente achando que eu era alguma coisa só porque sou palestrante, e a grande atração estava bem ali, sentado naquela cadeira de rodas e rodeado de quadros em cores vibrantes. O cara é a cara dos quadros que pinta, sabia? Vibrante, alegre, parece que está o tempo todo dizendo pra gente, “Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha”. E tem gente se lamuriando por aí só porque quebrou a unha, perdeu o cabelo, ganhou umas estrias, engordou…

— Já entendi.

— Entendeu o que?

— Você, não ter dado a mão pra ele, não ter tirado uma palhinha de prosa, não ter ficado ao lado pra uma foto… Você é um medroso, pai! Medroso! Medroso! Medroso!

— Pedro, olha o respeito!

— Medroso sim, pai! Você tem medo de gigantes.

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Osmar Santos: o Milagre da Vida
PAULO MATTIUSSI

A voz inconfundível de “Osmar Santos” ainda pulsa na memória de milhões de pessoas. Finalmente, uma biografia compreende totalmente este fenômeno da comunicação. A partir de uma ampla pesquisa em arquivos de imprensa, pessoais e familiares, o jornalista Paulo Matttiussi revive em um texto emocionante a trajetória de glória e sucesso do maior nome da comunicação esportiva, interrompida repentinamente por um acidente que silenciaria para sempre as locuções inesquecíveis do “pai da matéria”. Esta passagem é narrada com riqueza de detalhes, como uma verdadeira seqüência cinematográfica que prende a atenção do principio ao fim. Imperdível.