O que é sucesso para você? E para seus filhos?
por Mario Persona



O que é sucesso para você? E para seus filhos?

Já falei aqui de como é gratificante ser professor. Ontem recebi o convite para a formatura da turma do curso de Administração de Empresas do ISCA Faculdades e me emocionei, quando vi as fotos dos quase 150 jovens com os quais convivi um tempo, tentando fazer alguma diferença em suas vidas. Será que fiz?


Não sei, só o tempo dirá. Às vezes recebo um aperitivo para dar um empurrãozinho nos ânimos e me motivar a seguir. Um veio no e-mail de um rapaz que lê minhas crônicas e escreveu: “Quero agradecer muito os conselhos, já que não tive um pai para me dar. Na verdade tenho, mas ele está preso.” Outro veio no comentário que uma estudante deixou em meu blog:

“São esses pequenos detalhes que nos fazem encher o peito e mostrar coragem de correr atrás dos nossos sonhos. Em 2002 assisti a uma palestra sua em Campina Grande que me fez mudar o meu modo de pensar. Talvez você nem mesmo lembre da sua passagem por aqui, mas garanto que na minha vida fez muita diferença.” Nem sei o que dizer. É melhor você ler minha crônica de hoje:

O que é sucesso para você? E para seus filhos?

Há seis anos meu pai foi para o céu. Era ele o Mario Persona original, sem os nomes do meio que dividem minha cédula de identidade. Curiosamente foi quando ele estava aposentado demais para ensinar que me incutiu as mais fundamentais lições. Seus últimos quatro anos de vida foram passados numa cadeira de rodas, vítima de derrame.

Um idoso inválido e dependente não é exatamente o que chamaríamos de padrão de sucesso em nossa sociedade. Na mídia que amamenta nossa mente os homens de sucesso são atléticos, não inválidos. Vestem Armani, não pijamas, e não são calvos como meu pai, mas esvoaçam cabelos abundantes em carros conversíveis. Sempre acompanhados de mulheres siliconadas e deslumbrantes, nada parecidas com minha mãe, que fez proezas para cuidar do homem que amava.

A imagem de homem de sucesso que tentam nos vender só vale para quem se chama James e tem Bond por sobrenome. Na vida real não há muitos assim. Do lado de cá de Hollywood, somos todos iguais. A barriga atrapalha, vestimos liquidação, o carro está longe de ser o do ano e não existe uma versão do PhotoShop que alise estrias e celulites em coxas de carne, como fazem com as fotos digitalizadas das revistas. Mesmo assim, no mundo das pessoas de verdade há quem persiga um sucesso de mentira.

O que é ser bem sucedido? A resposta depende dos padrões que adotamos. John D. Rockefeller respondeu “mais um pouco”, quando lhe perguntaram quanto dinheiro é suficiente para ser feliz. Para os padrões ocidentais de beleza, ser magra, alta e caminhar como a Gisele Bündchen é o padrão. Adotamos as modelos como modelo e tentamos nos modelar por elas. Mas o que nos falta em dinheiro de Rockefeller nos sobra quando vestidos em roupa manequim Bündchen.

Antes de buscar o sucesso a qualquer custo, é bom definir o que é sucesso para você. Vivemos cercados de ilusões intocáveis: carros que nunca teremos, cruzeiros que nunca navegaremos e mulheres que jamais beijaremos. O melhor é ter os pés no chão quando a questão é sucesso e fazer um planejamento de longo prazo. Sugiro, até, de eterno prazo. Ou você levará uma vida movida a inveja e desalento. Sonhe seus próprios sonhos, não os que lhe mandarem sonhar.

A definição de alvos consistentes é pré-requisito para uma carreira de sucesso. Ajuda a evitar que você seja apenas mais um inseto voando rumo ao que dizem ser um sol de oportunidades que não passa de um anúncio de néon. Para meu pai, sucesso não era ficar rico ou ser astro em alguma área, mas apenas trabalhar, cuidar da família e fazer a vontade de Deus. Ele atingiu sua meta.

Uma meta medíocre, diriam alguns. Mas é uma meta muito parecida com a de milhares de mães, pais, professores, garis, operários, funcionários públicos, motoristas, bombeiros, mecânicos, enfermeiras e tantos outros anônimos, cujo sucesso está depositado no peito, não na conta bancária. O sucesso não está na quantidade do que você faz, mas no valor daquilo que permanece. Não se preocupe se achar que o que faz é apenas um grão de areia no oceano. As mais belas praias são aquelas formadas pelos menores grãos.

O sucesso monetário pode não ser um sucesso feliz. “Ganhei muitos milhões, mas eles não me trouxeram felicidade”, disse John D. Rockefeller. Outro milionário, John Jacob Astor, confessou: “Sou o homem mais miserável na face da Terra”. Se nunca ouviu falar dele, não se preocupe. Apesar de ter sido um bem-sucedido milionário em sua época, só me lembrei dele por causa do sucesso de dois filmes. “Titanic”, em cujo naufrágio Astor morreu, depois de construir o famoso Waldorf-Astoria, o hotel de “Esqueceram de Mim 2”.

Fui visitar meu pai com minha cabeça cheia de problemas que pareciam ser os mais importantes do mundo.

– Olá, papai, tudo bem? – cumprimentei em modo automático.
– Tudo ótimo, não poderia ser melhor – foi a resposta que me socou, vinda do que restou de seu corpo encurvado e disforme.

A lembrança que carrego de meu pai é a de um homem de sucesso. Ele trazia aquela tranqüilidade de quem cumpriu sua missão, enquanto eu o observava em sua cadeira de rodas, folheando as páginas amareladas de sua Bíblia, o seu “Manual do Sucesso”, com a única mão que funcionava e fingindo ler o que a vista já não enxergava. Não sei se meus filhos irão se lembrar de mim como um homem de sucesso. E os seus, como se lembrarão de você?

O SEGREDO DE LUÍSA
FERNANDO DOLABELA

Como ainda não comecei a ler — o livro chegou hoje e logo foi seqüestrado por minha filha que quis ler antes de mim — vou colar o comentário que está no Submarino. Luísa quer montar uma empresa, mas não sabe por onde começar. Seu amigo Pedro então passa a lhe ensinar muitas coisas sobre administração, até que ela consegue montar uma fábrica de goiabada. É através desta história que Fernando Dolabela dá aos seus leitores muitas lições de empreendedorismo. O livro se enquadra no Projeto Softex e REUNE, iniciativas voltadas para a formação de empreendedores a partir do ensino de criação de empresas. Este esforço vem ajudando a criar 120 novas empresas por ano em todo o país. Quam são os donos delas? Jovens que aprenderam e continuam aprendendo, na prática, o Segredo de Luísa.