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PRÊMIO "EMPREENDEDOR"
2000
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MARIO PERSONA RECEBE PRÊMIO
"EMPREENDEDOR" 2000
A redação da
Empreendedor (www.empreendedor.com.br) escolheu
Mario Persona em 2000 como um dos 10 "Empreendedores
do Ano", uma premiação dada todos os anos,
na edição de dezembro, a empresários que se
destacaram em seus setores da economia. (Editorial
da revista)
Segundo os editores da revista, a premiação
dele decorre da estratégia de marketing que
adotou criando a comunidade WideBiz de relacionamentos e negócios,
quando atuava como Diretor de Comunicação da Widesoft.
Na galeria dos "Empreendedores do Ano",
Mario Persona figura ao lado de outros nove nomes
de peso, como: Nizan Guanaes (iG), Bob Wollheim (Idéia.com),
Marcel Malczewski (Bematech), Jaime de Paula e
Gerson Shmitt (Paradigma), Luiza Helena (Magazine
Luiza), Adelino Colombo (Lojas Colombo), Alberto
Saraiva (Habib's), Renato Ticoulat (Jani King) e
Ernesto Heinzelmann (Embraco).
SOBRE
a WIDEBIZ
por Mário
Persona
O surgimento da comunidade WideBiz tinha muito a
ver com a própria filosofia da Widesoft, a
empresa onde atuei por alguns anos como Diretor
de Comunicação. Acreditávamos que a Internet
seria o instrumento que está dando hoje, a
pequenas empresas, com grandes idéias e
intrepidez para implementá-las, o poder de se
transformarem em grandes empresas. Já vimos isso
acontecer quando surgiram os micro computadores.
A onda se repetiu com a Internet. Como a Widesoft
desenvolve produtos e serviços que se disseminam
via rede, nada mais natural que acabasse
incubando uma experiência como a WideBiz.
Enquanto muitas empresas na Internet tentavam
criar uma comunidade, tivemos uma espécie de
geração espontânea, não totalmente planejada,
mas acompanhada passo a passo. A estratégia de
criar uma comunidade estava em conformidade com a
área de atuação da empresa, de criar sistemas
B2B de relacionamento entre empresas,
fornecedores e clientes.
Como esses sistemas funcionam na Web, e tem um
crescimento exponencial, era preciso aprender
como funciona a proliferação em rede, quais as
técnicas de marketing viral, como deve ser um
trabalho colaborativo em um ambiente virtual.
Todo esse know-how foi criando a base para uma
atividade periférica que mais tarde iria tomando
a forma da WideBiz. Uma espécie de "cultura
biológica" onde estudávamos o crescimento
para depois aplicarmos o conceito em produtos B2B
e B2C.
Mas estar à frente em qualquer tecnologia é
algo complicado. Você deve estar lembrado dos
primeiros fornos de microondas e da relutância
de muita gente em adquiri-los. O mesmo aconteceu
com o telefone, o rádio, a TV ou o celular. É
preciso que a pessoa esteja culturamente
preparada para as novidades.
Foi aí que decidimos compartilhar a cultura de
negócios em rede e fomentar discussões sobre o
tema. Criamos uma lista de discussão por e-mail,
a WideBiz List, que passou de 1200 inscritos,
estabilizando-se depois em torno de 700. Todos
profissionais respirando negócios, discutindo
negócios, criando negócios. Paralelamento, uma
newsletter semanal ampliava para quase 6 mil
assinantes a comunidade.
A lista de discussões por e-mail trouxe
desdobramentos. Algumas pessoas escreviam tão
bem que eu as convidava para publicar suas idéias
no próprio site institucional da Widesoft. No
começo foi bom. Logo passou a ser um problema. O
conteúdo de qualidade começou a interferir na
imagem da empresa, e alguns pensavam que o site
da Widesoft era algum tipo de revista virtual.
Havíamos criado um monstro!
A solução foi criar um site só para a
comunidade WideBiz. Foi aí que nasceu o www.widebiz.com.br,
que passou a ter mais de 130 colaboradores,
algumas centenas de páginas e um tráfego muito
grande. O pessoal que escrevia ganhava cada um
uma página própria, com seu currículo, endereços
da empresa e contatos. Tudo com direito a foto,
porque a filosofia da comunidade WideBiz foi
sempre de fomentar o relacionamento colaborativo
entre pessoas, não entre máquinas.
As sugestões iam chegando e criamos uma área
para entrevistas, outra para resenhas de livros e
mais uma para download de e-books,
disponibilizados no site por seus autores ou
editores. Todo o relacionamento foi calcado na idéia
de que se eu promover você, e fizer com que você
ganhe com isso, você irá me promover. Duas
pernas subindo uma escada. Uma não pode subir
sozinha, então puxa a outra.
Uma das razões do sucesso da WideBiz esteve, em
parte, na sua falta de planejamento a longo prazo.
Quando não existe a preocupação de se
transformar algo em um grande negócio, tudo se
resume ao prazer de se fazer aquilo cada vez
melhor. Tom Petzinger, em seu livro "The New
Pioneers", sugere que a inovação costuma
ocorrer na periferia de um sistema, onde as
pessoas têm mais espaço para explorar as
possibilidades. A inovação precisa de liberdade
para criar. Ali você está à vontade para
testar todas as possibilidades, até encontrar
uma que funcione. Por ser uma ocupação periférica
à atividade principal, e não exigir o
cumprimento de compromissos ou metas, a
criatividade corre solta.
Pensando nisto e nas bactérias que crescem na
periferia das culturas, foi dada grande liberdade
dentro da comunidade. Até a minha atuação na
lista de discussão era tão ínfima, que me
denominava "PM", ou "Pretenso
Moderador". A única intervenção que fazia
era na qualidade dos artigos enviados pelos novos
colaboradores. Para manter o nível de qualidade
dos artigos, decidimos não fazer um site de
publicação automática. Mas os participantes da
comunidade sabiam usar o potencial criado para
transformar isso em valor. Por isso passaram a
promover espontaneamente eventos, palestras e
happy hours, e criar o networking ao vivo. Talvez
isto também ajude a explicar o sucesso da
comunidade.
Uma outra característica era o fato de não ser
uma comunidade para discutir pelo prazer de impor
suas idéias. Tudo ali tinha uma segunda intenção,
que era a de fechar algum negócio. O melhor
argumento para encerrar qualquer discussão mais
acalorada era que ali todos eram fornecedores e
todos são clientes. Alguém briga com clientes
ou tenta impor suas idéias? De certo modo sim,
mas faz isto com técnicas elaboradas de
marketing. O que passou a ser um exercício a
mais para os participantes da comunidade. O
resultado disso foi que muitas pessoas formaram
parcerias, fecharam negócios, contrataram e
foram contratadas dentro da própria comunidade.
Essa comunidade de ilustres desconhecidos mútuos
acabou criando relacionamentos também no mundo
real. Vez ou outra acabamos cruzando com algum
"widebizer" em eventos ou feiras pelo
país e criando vínculos mais fortes, comerciais
ou de amizade. Outra coisa que vimos foi o poder
de formadores de opinião que a comunidade
conquistou. Ali foram congregadas pessoas de altíssimo
nível, e muitos com uma visão de marketing que
criou valor para a comunidade.
A coisa funciona assim. Se a comunidade já tem
algum valor, eu posso usá-lo para agregar valor
ao meu trabalho ou às minhas idéias. Posso
invocar o valor coletivo (como se usasse uma citação
de uma autoridade em algum assunto) para dar peso
às minhas próprias idéias. Por outro lado, se
consigo fazer algo que fortaleça ainda mais essa
comunidade, que aumente o seu valor (divulgando-a,
disseminando conhecimento para fazer com que os
outros cresçam, etc.) maior o valor com o qual
poderei contar. É uma bola de neve.
O site WideBiz se transformou em uma vitrine para
muitos profissionais mostrarem ali seu
conhecimento, serem vistos e contratados por
clientes. Um sistema de promoção dos autores
mais lidos, a Dança das Cabeças, acionado todo
final de mês, criava uma competição saudável.
Quem gera mais visitas aparece em posição mais
privilegiada. Isso gera competição e cada um
passou a usar de criatividade para escrever cada
vez mais e melhor. Os "widebizers" que
alcançavam algum sucesso, profissionalmente, na
mídia, etc., também eram promovidos e
divulgados dentro da comunidade. Como há sempre
uma recíproca em tudo, se você não quebra a
corrente (êpa! nada daquelas correntes
convencionais), ou melhor dizendo, não quebra o
networking, a coisa só tende a crescer em
amplitude e valor.
Neste ponto você provavelmente fará a famosa
pergunta: Mas onde é que o site faturava. Bem, a
WideBiz sempre foi sinônimo de despesa. Ou de
investimento, se quisermos usar um palavreado
mais bonito. Diretamente, o site, a lista ou a
newsletter semanal, boletim oficial da
comunidade, não gerava receita. Mas servia como
plataforma de marketing para a própria WideSoft,
além da função que já mencionei, de ser um
laboratório de disseminação de produtos e
serviços em rede. Cada "widebizer"
satisfeito era um divulgador da marca Widesoft,
pois ele sabia que se a comunidade fosse um
sucesso, a empresa continuaria a investir nisso e
gerar mais valor para a comunidade, que acabaria
emprestando esse valor a cada participante dela.
Com o crescimento da WideBiz, aumentou o número
de colaboradores (e o trabalho de revisão de
textos, seleção, criação de páginas),
aumentou também a demanda grande por esse mesmo
conhecimento que pretendíamos disseminar. Como
eu era o "palhaço de porta de loja" da
Widesoft, aquele que faz barulho para atrair
clientes, acabei sendo muito solicitado para
palestras, cursos e consultorias nas empresas.
Por isso resolvi fundar meu próprio negócio de
Comunicação e Marketing para comercializar esse
know-how.
Já que me acharam com cara de produto, ou pelo
menos com cara de embalagem para um conhecimento
que é corporativo, criei o site www.mariopersona.com.br
para comercializar serviços de planejamento de
comunicação e marketing, palestras, cursos,
seminários, artigos e meus livros. Além, é
claro, do conhecimento de como criar comunidades
de sucesso.
Acho que já escrevi demais. Mas sinto-me muito
à vontade quando o assunto é Internet ou negócios.
Creio que ajuda muito o fato de minha formação
ter sido em arquitetura e urbanismo. A Internet
tem muito a ver com uma cidade, suas vias de
acesso interligando tudo, suas casas e
estabelecimentos comerciais. Ao arquiteto e
urbanista cabe ter uma visão macro de todo esse
sistema, otimizando e facilitando o intercâmbio
de mercadorias. Só que no mundo virtual a
mercadoria maior é a informação, e ajuda muito
o fato de eu gostar de escrever.
Mario Persona
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