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Palanque ProfissionalNo minúsculo povoado pouca gente
sabia que o governador acabara de chegar. Época de eleição,
o prefeito não iria deixar a oportunidade escapar.
Improvisou uma comitiva e arrastou o dignitário para a
praça. Praça é modo de dizer. Uma ilha de mato.
Cercada de ruas de terra por todos os lados.
Um caminhão estacionado ganhou seus quinze minutos de
fama ao virar palanque. Enquanto mãos generosas ajudavam
a alçar quase cem quilos de governador até a
carroceria, meninos descalços, seguidos por seus cães,
corriam chamar a elite latifundiária. Que, naquela hora
da manhã, se debruçava sobre as mesas de sinuca nos
bares das poucas esquinas.
Para alegria dos carrapichos, barras de calças e saias
logo acariciavam o mato da praça. Alegria que durou
pouco, pois o prefeito parecia querer testar a suspensão
do caminhão. Quem era importante tinha de estar no
palanque. Quem não era, ficava importante na hora.
Agricultor virava fazendeiro e costureira empresária.
Valorizar o eleitorado garantia votos.
Políticos sabem fazer marketing. Sabem falar, sabem
criar redes de relacionamento, encantar parceiros e
influenciar influenciadores. Podemos aprender com eles,
se soubermos identificar o que é técnica e o que não
passa daquela baba demagógica com a qual alguns molham a
gravata.
O discurso relâmpago é algo que você pode usar. Um
mero "Será que chove?" escutado no elevador
pode abrir caminho para um script do tipo "Se chover
não vou poder entregar o notebook que meu cliente
encomendou". "Você vende notebook...?"
Desça no mesmo andar de quem perguntou.
Enquanto políticos gastam milhões com papel, você pode
criar seu próprio jornal na Internet. E promover seu
nome, atividade, empresa ou produto, sem gastar. Criando
um site e boletins enviados por e-mail a assinantes. De
graça, é claro. A menos que você escreva mal. Aí, de
graça é caro.
Ainda que comece com meia dúzia de assinantes, pode
chegar a dez mil, o total das duas newsletters que
publico. Com direito a retransmissão. Os leitores viram
seus aliados quando enviam o boletim aos amigos. Eu os
incentivo com uma mensagem no início: "Informação
livre. Copie, imprima, distribua, envie por e-mail,
carta, fax, rádio, TV ou pombo correio."
É possível que sites, jornais e revistas acabem
publicando seus artigos. Alguns publicam até crônicas
como esta! Foi assim que ganhei espaço em quase uma
centena de veículos. Mas isto não funciona para textos
publicitários. É preciso compartilhar conhecimento,
como faço aqui. Ou melhor. A publicidade fica por conta
de seu nome atrelado ao que escreve.
Palestras e eventos são excelentes para seu marketing
pessoal. Além do networking e troca de cartões nos
intervalos, o espaço para perguntas forma um palanque à
parte. Formule uma pergunta inteligente, peça o
microfone, respire fundo e anucie, com voz clara e muito
charme, o seu nome e empresa. Não se esqueça de fazer a
pergunta.
Como palestrante, posso garantir que perguntas não
incomodam. Até ajudam o palestrante, principalmente se
você perguntar quais serviços ele presta e como contratá-los.
Mas evite a todo custo criar polêmica ou desmoralizar o
preletor. Principalmente se ele for eu.
Tenha sua marca pessoal. Pode ser um sotaque, como o meu.
Era caipira, mas hoje é chamado country. O modo de
vestir, a gravata ou a falta dela, ou uma caneta
diferenciada ajudam. Um publicitário que detestava
gravata foi obrigado a usá-la. Como não falaram nada
sobre o nó, visitava os clientes com a gravata apenas
pendurada no pescoço. Virou sua marca pessoal. Era dele
que os clientes se lembravam quando pediam uma visita.
À medida que seu círculo de relacionamentos for
crescendo, será importante fazer aos outros o que
gostaria que fizessem a você. Por exemplo, indicá-los
para trabalhos, divulgar seus nomes, valorizá-los como
profissionais. E se foi com a ajuda deles que você
chegou ao palanque profissional que hoje ocupa, convide-os
a subir.
Mas não exagere, como o prefeito. Em seu afã de colocar
cada habitante no caminhão-palanque, deixou com
torcicolo o governador. Que precisou discursar, olhando
por cima dos ombros, para uma carroceria apinhada de
gente. Pois na praça só ficaram os meninos e os cães.
Além dos carrapichos.
Mario
Persona é consultor, escritor e palestrante.
Esta crônica faz parte dos temas apresentados em
suas palestras. Veja em www.mariopersona.com.br
Esta crônica de Mario Persona
pode ser publicada gratuitamente como
colaboração em seu site, jornal, revista ou
boletim, desde que mantidas na íntegra as
referências acima.
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