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Mario
Persona é entrevistado pelo Jornal O
Popular de Goiânia
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O Jornal O
Popular, de Goiânia,
publicou uma matéria sobre Propaganda
na Rede. A jornalista Tacilda
Aquino entrevistou profissionais de
diversas áreas para escrever a matéria,
e eu fui um deles. Como falei além do
escopo pretendido para publicação,
apenas alguns trechos da entrevista foram
aproveitados. A íntegra pode ser vista
abaixo.
Mario
Persona
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Tacilda
Aquino: Você costuma clicar
nos banners que aparecem quando você acessa uma
página?
Mario Persona: Não.
Eventualmente um banner inserido em um software
shareware, como é o Babylon ou ICQ, pode chamar
minha atenção. De uma maneira geral o cérebro
do navegante acabou cauterizando as áreas dos
banners e concentrando-se no conteúdo da página.
Ao contrário de um outdoor, que com o
engarrafamento do trânsito, pode chamar a atenção,
em um site não há engarrafamento. Um clique e
você está fora.
Tacilda Aquino: O
que acha deste tipo de publicidade.
Mario Persona: Não é eficiente
para quem já navega há algum tempo. Para quem
acaba de entrar, pode chamar a atenção. Mas o
que atrai os olhos de quem navega é mesmo o
texto. É atrás de informação que as pessoas vão.
A publicidade em e-mails, não o spam, mas o
boletim recebido mediante assinatura, é mais
eficiente. Mas ainda considero o contexto a
publicidade mais eficiente que existe.
Eu explico. Já viu aquelas cenas de novela onde
aparece uma garrafa de um refrigerante da marca
tal, ou o ator usa o caixa eletrônico de um
determinado banco, ou dirige um carro de uma
certa marca? Pois é esse o grande pulo do gato
da propaganda. Existe uma razão para isso.
Nosso cérebro trata as informações de maneira
diferenciada. Se for algo técnico, racional,
passa pelo crivo do lado esquerdo do cérebro,
que julga tudo nos mínimos detalhes, e só deixa
entrar o que faz sentido.
Se for algo que apele para a emoção, para o
sentimento, como uma novela, música, poesia,
fica aos cuidados do lado direito do cérebro,
que é mais liberal. Ele deixa passar muita coisa
que o lado esquerdo, de sã consciência, jamais
deixaria.
Quando você insere algo em uma mensagem que
apela para a emoção e os sentimentos, sua
mensagem pega carona em uma bagagem que não
passa pela alfândega do cérebro. É luz verde
na certa. Passa sem detector de metais, por assim
dizer.
Eu trabalho também com contextualização
de mensagens institucionais, que é a inserção da
história de uma marca ou produto em minhas crônicas.
Obviamente é um trabalho muito meticuloso e só
me permito fazê-lo quando a história da empresa
é realmente interessante e não exista apelo
comercial.
Assim a crônica, que é essencialmente poética
e artística, acaba levando na garupa uma marca
ou o nome de um produto, que é imediatamente
recebido na memória do leitor sem impacto, mas
naturalmente.
Tacilda Aquino: Você
acha que o banner é uma propaganda negativa?
Mario Persona: Pode ser
visualmente inconveniente, se for mal utilizado.
Eu uso um banner de meu último livro no final de
todas as páginas de meu site www.mariopersona.com.br. É um banner estático,
como seria uma foto de capa. Assim considero mais
um link colorido do que uma propaganda intrusiva.
Vou dar um exemplo de banner que pode ter efeito
negativo. Aquele que traz um som pode surpreender
o navegante pela inconveniência de uma caixa de
som ligada em volume alto. Certa vez entrei em um
site onde havia um banner que fazia um ruído
parecido com o que meu notebook faz quando lê um
disquete. Demorei a perceber que meu micro não
estava fazendo um ruído estranho no drive de
disquete, mas que o som vinha do banner.
Outro problema é colocar banners animados em páginas
com textos para leitura. Ninguém gosta de ler
algo com uma luz piscando nas margens. Os banners
animados mais eficientes são aqueles que de vez
em quando fazem um movimento quase imperceptível,
como uma tremida, um pulinho. Você está lendo
um texto e percebe que algo se moveu na página,
e vai lá verificar, curioso.
Tacilda Aquino:
Existem banners que proporcionam maior
interatividade do que um simples clique. Por
exemplo, existem anúncios que estimulam o
visitante a digitar alguma palavra dentro de um
espaço em branco disponível, e que o conduzem
para um outro banner ou para a home de algum site.
O que você acha deste tipo de publicidade.
Mario Persona: Para quem já
navega há algum tempo, isso tem cheiro de
pegadinha. Depois de algumas frustrações, onde
você preencheu e não ganhou nada com isso,
apenas foi atraído a um site que não lhe
interessava, você cria uma aversão a tudo o que
exige seu trabalho sem dar nada em troca. Por
isso ainda acho a contextualização como uma
troca justa. Você dá ao leitor o prazer de uma
leitura, mais conhecimentos, etc e ele não criam
nenhuma barreira para que a insinuação de uma
marca alcance seu cérebro.
Faltou eu dizer algo sobre o pop-up, que é
extremamente intrusivo, mas que na prática dá
melhores resultados que o banner comum. Eu uso um
pop-pop em minha página principal, que deve sair
de lá em breve para dar lugar a outro, como uma
forma de avisar que fiz algo de novo. Hoje ele
anuncia meu livro. Logo será trocado por outro
anunciando um serviço inédito. Como ele só
aparece na página de abertura de meu site, e se
trata de um site profissional e não, por
exemplo, de um jornal ou revista, poucos irão
sentir com freqüência o inconveniente de fechá-lo.
De uma maneira geral, o bom senso manda investir
em banner quando se percebe que dá resultado.
Mas não é nenhum remédio milagroso e nem de
longe chega na eficácia de uma mensagem
contextualizada. Se banner fosse eficiente, não
veríamos esse declínio na demanda por espaço
publicitário nos sites.
Mario
Persona
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