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ENTREVISTA
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Marketing
pessoal
O que é marketing pessoal?
Mario Persona - Marketing pessoal é
marketing na sua essência. A diferença entre
marketing pessoal e de produtos ou serviços é
que no caso do marketing pessoal a pessoa é a
empresa e sua capacidade é seu produto. Uma boa
estratégia de marketing pessoal inclui o
profissional fazer um apanhado de suas
habilidades e procurar descobrir como essas
habilidades podem ser transformadas em valor para
o seu público ou mercado. Quando digo
"mercado" estou falando de qualquer
meio onde a pessoa atue, seja ela um profissional
liberal ou alguém trabalhando como funcionário
de uma empresa. Em qualquer um dos casos existe
um fornecedor e existe um cliente.
Uma vez identificadas essas habilidades e
detectado um mercado para se atuar, o
profissional passa a analisar esse mercado e suas
necessidades, além dos pontos fortes e fracos de
si mesmo e de seus concorrentes. Com base nessa
análise ele irá procurar se aperfeiçoar para
ser competitivo no ambiente onde pretende atuar.
Mesmo em casos onde não um objetivo de ganho
financeiro, o marketing pessoal continua sendo
importante para se criar relacionamentos. Uma
rede de relacionamentos nada mais é do que uma
rede de trocas, que pode ser de informações,
favores ou mera companhia. Assim como acontece no
marketing pessoal que visa lucro, também nos
relacionamentos é importante que a pessoa
procure descobrir em como poderá criar algum
valor para as pessoas com as quais pretende se
relacionar.
Muitos se tornam chatos acreditando que
estão fazendo marketing pessoal? Por quê?
Mario Persona - Esse é um problema não
só do marketing pessoal, mas da confusão que se
faz de marketing com propaganda. Quem pensa que
marketing é propaganda acaba se tornando
inconveniente, intrusivo e cai na armadilha da
auto promoção. Isso acontece também com
empresas naquelas propagandas nas quais se
intitulam "a melhor", "a
maior", "a mais eficiente".
Qualquer publicitário hoje sabe que a melhor
estratégia não é se declarar isso ou aquilo,
mas criar meios para seu público fazer esse
reconhecimento e propagar essa mensagem.
A propaganda é apenas uma das ferramentas do
marketing, é o meio de promover o que quer que
seja. No caso de produtos e serviços, tanto a
propaganda, que é a promoção paga, como a
publicidade, que é a promoção que acontece
naturalmente, podem funcionar lado a lado, mas no
marketing pessoal é a publicidade que funciona
melhor. Entenda por publicidade tornar algo
público. No marketing pessoal é melhor que isso
seja feito pelos outros, pelas pessoas ou
empresas que se sentem beneficiadas por nossas
atitudes, habilidades ou serviços.
Portanto, marketing pessoal não é sinônimo de
auto promoção, mas um posicionamento de
utilidade tal para com sua rede de
relacionamentos que as pessoas passam a ter
prazer de falar bem de você. É claro que o
profissional deve criar meios para que isso
aconteça, para ficar conhecido, mas nunca no
sentido de se anunciar como a última bolacha do
pacote.
Como não cometer esse erro?
Mario Persona - Tudo começa com uma
atitude de dádiva, com a pergunta "o que
posso fazer para esta ou aquela pessoa, para esta
ou aquela empresa". Quando tentamos
investigar o que temos de valor para agregar à
vida e aos negócios de nossa rede de
relacionamentos, mudamos de atitude. Passamos a
valorizar mais o dar do que o receber, o que irá
acontecer automaticamente como consequência de
minha disponibilidade em fazer algum bem para as
pessoas com as quais me relaciono.
Pense num médico extremamente empático, que
além de conhecer bem sua atividade, dá um banho
de simpatia e cordialidade em seus clientes todas
as vezes que estes entram em seu consultório.
Esse médico será a primeira referência que
essas pessoas darão quando algum amigo perguntar
de um médico. No melhor dos mundos, esses
clientes nem irão esperar por uma pergunta, vão
trazer de forma espontânea o assunto em sua roda
de amigos só para contar de como foram
surpreendidos pelo atendimento espetacular que
esse médico dá aos clientes, de como seu
consultório é moderno e organizado, da
qualidade do atendimento de sua secretária etc.
Tudo isso, que pode ser considerado como um bom
marketing pessoal, começou quando esse médico
perguntou a si mesmo o que poderia fazer por seus
clientes que os deixasse, não apenas bem
tratados do ponto de vista médico, mas também
encantados.
Todos são capazes de fazer o seu
marketing pessoal?
Mario Persona - Eu diria que há pessoas
que já tem uma habilidade natural para se
tornarem referência, tanto como personalidade
como por suas habilidades. Outras podem precisar
de ajuda profissional, e geralmente isso acontece
com pessoas extremamente técnicas ou com
dificuldade de comunicação ou de expressar suas
capacidades de uma forma que um público leigo
possa entender.
Continuando no exemplo do médico, um marketing
pessoal ruim seria o médico manter distância
dos clientes, usar apenas termos técnicos nas
conversas, e achar que uma máquina de café ou
chá, revistas ou ar condicionado na sala de
espera é um luxo desnecessário. Como aves de
igual plumagem voam juntas, é provável que um
médico assim tenha uma atendente que também
considere o cliente um mal necessário para a
prática da profissão. Embora pudesse funcionar
no passado, quando a concorrência era pouca e o
cliente não tinha alternativa, hoje não
funciona mais.
Que dicas você daria para que o
profissional consiga usar essa ferramenta a seu
favor?
Mario Persona - Além de tudo o que já
mencionei, ele deve aproveitar a tecnologia que
existe hoje para manter um bom relacionamento com
clientes ou não. Hoje todo profissional deveria
ter uma página na Web, mesmo que seja apenas
para publicar seu currículo. Dar um cartão a
alguém é uma coisa, mas dar um cartão onde
exista um endereço Web para essa pessoa conhecer
melhor você é uma possibilidade maior de
continuidade no relacionamento, principalmente
quando o objetivo é profissional.
Uma boa forma de ampliar sua rede de
relacionamentos é dar algo, e isso não é tão
difícil quando se trata de um trabalhador do
conhecimento. Sempre é possível criar um blog
para falar alguma coisa de suas habilidades e é
impressionante o número de profissionais que já
fazem isso. Em algumas classes do curso de
administração meus alunos tiveram que criar um
blog com suas opiniões sobre os assuntos que
tratávamos em aula, e pelo menos dois alunos
vieram me contar que foram chamados para
entrevistas de emprego por empresas que
encontraram seus blogs na Web.
Outra dica é para quem pretende uma vaga em uma
empresa, e aí vale a mesma pergunta: O que eu
posso fazer por essa empresa? O que posso agregar
de valor? Quando o profissional faz essa pergunta
ele não vai criar um currículo padrão para
enviar para cem empresas, mas vai visitar o site
de cada uma e analisar suas necessidades para
redigir um currículo que tenha pontos de
referência ou palavras-chave que possam chamar a
atenção de quem vai analisar o currículo. Se
eu sou engenheiro mecânico minhas capacidades
devem ser descritas de modo condizente com a
atividade de cada empresa para a qual envio meu
currículo. Um candidato que não apenas tenha
competência, mas que também sabe se comunicar
com o vocabulário da empresa onde pretende
ingressar terá maiores chances do que alguém
com um discurso genérico.
Entrevista concedida para o site UOL
em 05/01/2009
Entrevistas como esta costumam ser feitas para a
elaboração de matérias, portanto nem tudo
acaba sendo publicado. Eventualmente são
aproveitadas apenas algumas frases a título de
declarações do entrevistado. Para não perder o
que eu disse na hora, costumo gravar ou dar
entrevistas por escrito. A íntegra do que foi
falado você encontra aqui. Se achar que este
texto pode ajudar alguém, use o formulário
abaixo para enviar.
Mario
Persona é consultor, escritor e palestrante.
Veja em www.mariopersona.com.br
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