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Tradução
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Marketing
Internacional - Cateora & Graham - 13a. Ed. 668 pg.
Tradução
Mario Persona
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ENTREVISTA
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Planejamento
de carreira
Dei uma entrevista para o
Informativo Rodobens para uma matéria sobre
planejamento de carreira. A íntegra do que falei
você encontra aqui.
Informativo Rodobens - Por que planejar a
carreira? Qual deve ser o objetivo estratégico
de carreira?
Mario Persona - Uma carreira deve ser
vista como um negócio. Existe um objetivo de
lucratividade, há um mercado onde se pretende
atuar, há clientes para serem atendidos e toda
uma estrutura de habilidades e competências que
precisam ser desenvolvidas e atualizadas
constantemente para evitar a obsolescência. Este
é seu produto.
No final, há também aquele desejo de "profissionalizar
a direção da empresa", isto é, criar um
patrimônio que outros possam administrar e
garantir que tenhamos um rendimento suficiente,
ou garantir que a "empresa" possa ter
mais tempo para se dedicar a atividades com
objetivos menos financeiros e de maior
significado social. Antigamente isso era chamado
de aposentadoria.
Em meu último livro "Marketing de Gente"
mostro como o profissional deve agir em relação
à sua carreira, principalmente aqueles que hoje
saem de uma faculdade sem ter uma idéia clara
daquilo que espera por eles no mercado. O livro
abre com o exemplo do porquinho que, quando
questionado sobre o que gostaria de ser quando
crescer, respondia alegremente: "Salsicha!".
Embora salsicha fosse algo útil, ele nem
imaginava que iria precisar morrer para que sua
carreira se tornasse realidade. E, de certo modo,
é assim que o profissional deve se preparar:
morrendo para velhos hábitos, vícios e idéias
equivocadas do que seja uma profissão, e se
transformando em algo de utilidade.
Informativo Rodobens - Como desenvolver a
carreira profissional e ganhar visibilidade?
Mario Persona - O primeiro passo é
buscar juntar continuamente capital intelectual.
Todo profissional deveria começar perguntando: O
que tenho para oferecer que alguém teria
interesse em comprar? Se ele não tiver coisa
alguma, nenhuma habilidade, nenhum conhecimento,
nenhuma competência, então é bom começar a
procurar.
Poucas pessoas raciocinam em termos de produto e
mercado quando pensam numa carreira. Estão
procurando um emprego nos moldes antigos, uma
mãe que garanta seu leite por tempo
indeterminado, sem ficar muito claro o que a
criança oferece em troca além de reclamar por
mais leite. Hoje não é mais assim. O
profissional deve enxergar seu empregador, seja
ele permanente ou temporário, como um cliente
que deseja comprar algo de útil.
A visibilidade é conquistada menos com
exposição inconveniente e mais com os
resultados de um trabalho bem feito. Se eu disser
que sei fazer bem isto ou aquilo, minha voz tem
pouco poder para convencer, mas se várias
pessoas falarem a mesma coisa porque tiveram uma
experiência de satisfação com meus serviços,
o impacto será muito maior. O segredo, portanto,
não é falar de si, mas criar condições para
que os outros comentem. Com a tecnologia da
informação isso ficou mais fácil, porque as
pessoas podem se comunicar instantaneamente com
milhares de amigos.
Publico em meu blog várias crônicas que, no
final, têm um convite para que o leitor envie o
endereço para um amigo. É grande o número de
pessoas que fazem isso, não porque convidei, mas
porque realmente gostaram do que leram. Quando
trazemos algum benefício a alguém, essa pessoa
irá divulgar e acabamos ganhando visibilidade.
Evidentemente, em meu caso, precisei criar um
blog e escrever os textos, porque nada acontece
sem trabalho.
Informativo Rodobens - Por que algumas
pessoas passam um bom tempo na empresa e não
conseguem o reconhecimento. Muitas vezes nos
empenhamos e os louros da conquista ficam para a
equipe. Como obter evolução em uma empresa?
Mario Persona - A principal razão é
que a maioria nem sempre merece um reconhecimento
porque estão fazendo apenas o que a empresa
esperava que fizesse. Quando falamos em
reconhecimento, falamos em recompensa, seja na
forma de aumento, seja na forma de prestígio ou
até de um tapinha nas costas.
Se faço apenas o que se espera que faça, não
faço mais do que minha obrigação, portanto
não devo me surpreender se não ouvir qualquer
menção pelo meu trabalho. Se errar, posso
esperar ouvir, mas não é disso que estamos
falando. Porém, se exceder as expectativas,
aumento a probabilidade de ser mencionado, de ser
lembrado e, talvez, de receber algum tipo de
reconhecimento mais palpável. É como quando
compramos um produto.
Se compro geléia de morango e encontro
exatamente isso dentro do vidro, não aconteceu
nada de mais. Porém, se ao abrir o vidro
descubro que a geléia é formada por enormes
morangos suculentos, completamente diferente
daquelas massas coloridas e açucaradas que vemos
por aí, é provável que continue a comprar
aquela marca mesmo que aumente de preço e ainda
vou fazer um favor ao fabricante, divulgando
entre as pessoas que conheço.
Funciona igual no trabalho. Dentre dezenas de
marcas expostas na gôndola do supermercado, esta
irá se sobressair para mim e para as pessoas que
já experimentaram. Ainda que alguém diga que
naquele supermercado há boas marcas de geléia,
todos saberemos qual é a melhor. É preciso ter
um algo mais para se destacar em meio à massa de
uma equipe e, ainda que nosso trabalho faça
parte de um todo, de um esforço conjunto, se
tenho uma marca pessoal de distinção, qualidade,
atitude, reputação e outras qualidades, vou ser
notado.
Informativo Rodobens - O marketing
pessoal poderia ajudar neste caso? Como fazê-lo
sem parecer pretensioso?
Mario Persona - Existe muita confusão
com a palavra "marketing". Muita gente
acha que é sinônimo de propaganda, mas não é.
Marketing é toda uma estratégia de se
identificar, analisar e atender necessidades e
desejos de um determinado mercado, obtendo lucro
e reconhecimento no processo. Portanto o
marketing pessoal começa não na pessoa, mas no
mercado ou ambiente de trabalho que ela pretende
atingir. O profissional que pergunta "Como
será que posso ser de ajuda neste ambiente de
trabalho?" deu o passo mais importante para
seu marketing pessoal.
Veja que como profissionais, o que "vendemos"
para nosso cliente empregador é o nosso serviço.
A palavra serviço vem de servir, e quem serve é
servo. Infelizmente nem todo profissional gosta
de se enxergar numa posição de servo por achar
que é um posto humilhante, porém não é quando
se trata de uma ação voluntária. Um líder que
está seguro de sua capacidade jamais irá achar
que está perdendo algo por se colocar como
exemplo de serviço.
Informativo Rodobens - O que é uma
pessoa bem sucedida?
Mario Persona - Não é alguém que
ganha muito dinheiro, embora tudo neste mundo
tente nos dizer que é. Conheço pessoas
riquíssimas que não tem nem um átomo da
alegria e paz de outras que têm apenas o
suficiente para suas necessidades. Portanto, sua
pergunta, se for no sentido de bem sucedido como
pessoa, tem um sentido muito mais amplo do que
aquele que é limitado apenas por sua carreira.
Uma vez li um diálogo de um idoso com um jovem
recém formado. Ele perguntava ao rapaz quais
eram seus planos para o futuro e o rapaz
respondeu que queria buscar um emprego. O idoso
perguntou se era só isso. O jovem continuou,
explicando que queria subir no emprego, fazer
carreira. O idoso continuava perguntando se era
só isso e o jovem ia acrescentando metas: uma
boa casa, um bom carro, esposa, filhos, casa de
campo, barco, amigos, esportes, ser dono de seu
próprio negócio etc. O velho não se contentava
e perguntava o que mais. Dar uma boa faculdade
para os filhos, conseguir uma aposentadoria
confortável, viajar pelo mundo.
A conversa vai até não sobrar mais tempo de
vida e o jovem acaba concluindo que aí ele iria
morrer. É então que o idoso lhe diz: "Se a
sua perspectiva de sucesso só dura uma vida,
devo dizer que é muito pequena". O que ele
queria dizer era que um plano visando o sucesso
nunca deve se limitar ao trabalho, família ou
às coisas que duram apenas alguns anos, mas
ampliar essa perspectiva para durar uma
eternidade. No meu caso, fiz isso quando ainda
tinha 24 anos e me tornei cristão.
Informativo Rodobens - Quais as
conseqüências para a falta de planejamento de
carreira?
Mario Persona - Acredito que a principal
seja uma falta de direção bem definida. Se não
temos um objetivo na vida, e isso inclui um
objetivo na carreira, vamos ficar pulando de um
lado para o outro, mudando de rumo a cada brisa e
nunca chegaremos a lugar nenhum. Porém isso não
significa também se agarrar a uma carreira ou
profissão e ficar dando socos em ponta de faca
quando vemos que já não existe mercado para o
que fazemos.
Profissionalmente devemos estar sempre prontos a
mudar, porém devemos ter um alvo que seja
significativo o suficiente para mantermos a vista
fixa nele. Daí a necessidade de não limitar
esse planejamento apenas à carreira, mas ampliá-lo
para a vida. É como velejar. Temos um ponto bem
claro onde queremos chegar, mas às vezes será
preciso fazer um zigue-zag para atingi-lo.
Todavia, nessa viagem há princípios que são
imutáveis, como nossas crenças e valores, desde
que sejam as crenças e valores corretos. Porque
se o sucesso na carreira fosse medido apenas em
cifrões, todo mundo iria querer ser traficante
de drogas ou ladrão de bancos, atividades
altamente lucrativas.
Informativo Rodobens - O planejamento de
carreira deve ser veiculado à empresa que
trabalhamos? Ou deve ser independente?
Mario Persona - O planejamento deve ser
independente, pois ninguém mais acredita em
estabilidade no trabalho. Quem se ilude buscando
construir uma carreira que fique limitada à
empresa, pode ver tudo ir por água abaixo se
aquela empresa for vendida ou sair do mercado.
Vou dar um exemplo bem radical para você
entender. Faça de conta que trabalho em uma
empresa fabricante de máquinas de escrever e vou
estudando, fazendo cursos, treinamentos e tudo
mais sempre voltado para a área de atuação da
empresa onde trabalho, que é a fabricação e
venda de máquinas de escrever. Nem preciso dizer
a você o que acontecerá com minha carreira,
não é mesmo? Então, um belo dia me encontro na
meia-idade indo procurar no mercado uma
colocação para toda aquela experiência que
tenho em máquinas de escrever e descubro que já
não existe mercado para isso.
Portanto, o profissional deve sempre olhar mais
além do que o pequeno horizonte traçado pela
empresa onde trabalha. É claro que deve se
aperfeiçoar dentro de sua atividade atual,
porém ciente de que amanhã ela poderá não
servir mais. Hoje aconselho que a pessoa se
prepare profissionalmente para sair da empresa.
Não que sair esteja no seu plano, mas deve estar
preparado para o que fazer se sair.
Como fazem as comissárias de bordo antes da
decolagem. Elas explicam a todos como proceder,caso
o avião caia na terra ou no mar. Não que
alguém esteja ali esperando que o avião vá
cair ou até colaborando para isso. Porém seria
uma insensatez achar que o avião é capaz de
voar para sempre sem acidentes.
Informativo Rodobens - Dentro de uma
carreira profissional quais os fatores que
garantem sucesso ao colaborador? Qual a
porcentagem que o fator sorte pode ajudar neste
caso?
Mario Persona - Não diria que a sorte
seja o fator importante, mas a oportunidade. E
oportunidades podem ser chamadas de sorte porque
alguém as enxergou, se preparou e agarrou. Aí
os que não viram ou não estavam preparados
dirão que aquela pessoa teve sorte. Não é bem
assim. Pode surgir em uma empresa uma vaga de
gerente e, obviamente, aquele que teve a "sorte"
de falar mais de um idioma acabar agarrando a
posição. O melhor mesmo é estar equipado para
toda "sorte" de coisas. Aí sim, a
sorte vai ser importante.
Mario
Persona é consultor, escritor e palestrante.
Veja em www.mariopersona.com.br
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