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MARKETING
VIRAL
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Fui
entrevistado pela Revista Recall para uma
matéria sobre Marketing Viral. A
íntegra da entrevista você encontra
aqui. |
Revista
Recall: O marketing viral funciona como veículo
de venda?
Mario Persona: O conceito viral é
antigo: passar adiante uma mensagem que "contamine"
o receptor e o faça simplesmente passar a mesma
mensagem adiante ou fazer isso em conjunto com
outras ações, como comprar algo ou se inscrever
em algum serviço. As famosas correntes, as
antigas cartas com orações promessas de
bênção ou ameaças de maldição, já traziam
em si o aspecto viral. Com a Internet o conceito
cresceu e se potencializou. Agora cada pessoa
envolvida pode "contaminar" centenas ou
milhares de correspondentes.
Uma das primeiras ações de marketing viral na
Internet foi usada pelo Hotmail, que incluía um
convite para assinar o serviço no final de cada
e-mail enviado por alguém que já era assinante.
O serviço de mensagens instantâneas ICQ também
promoveu ações de marketing viral levando cada
novo usuário a convidar a baixar o software
qualquer pessoa com quem ele quisesse conversar.
Outros serviços fizeram o mesmo. Porém o que
existe de comum nesses serviços é que todos
são gratuitos e a venda ocorre em outro nível,
geralmente para patrocinadores que queiram se
comunicar com o imenso público que esses
serviços geram.
Revista Recall: O marketing viral estaria
trazendo publicitários e empresas de volta aos
tempos do boca-a-boca?
Mario Persona: De certo modo sim. A
técnica do marketing viral é contaminar as
redes de relacionamento atingindo pessoas com
interesses comuns e depois se concentrar em
vender algo com base no perfil demográfico desse
grupo.
Porém o marketing viral não fica apenas na
propagação voluntária, como nos convite para
um amigo participar de um site de relacionamento,
ou compulsória, como propaganda acrescentada no
final de mensagens de e-mail. Em alguns casos o
que se busca é criar rumor sobre algum produto
ou serviço com algo tão atraente que as pessoas
se sintam motivadas a compartilhar isso com
amigos.
Um caso clássico foi a forma como os produtores
do filme "A Bruxa de Blair" utilizaram
para divulgar o filme com um orçamento limitado.
A princípio contrataram alguns estudantes para
fazer um trabalho de panfletagem em portas de
escola. A mensagem dos impressos geravam
curiosidade e levavam os adolescentes a visitarem
o site do filme na Internet. Criado para parecer
um caso real de desaparecimento de adolescentes,
cada visitante ficava logo eletrizado pelo que
via e sentia necessidade de enviar o link para
amigos. Milhões de pessoas foram atingidas dessa
maneira, divulgando o filme a custo zero para os
produtores.
Mas a estratégia não parou aí. Criado o rumor
e o interesse, o próximo passo foi limitar o
lançamento a poucas salas de cinema espalhadas
pelos Estados Unidos. Com um interesse maior que
o número de lugares disponíveis, logo se
formaram filas intermináveis nas portas dos
cinemas, o que obviamente causou tumultos e
atraiu a mídia. Neste estágio o contágio viral
chegou até os meios de comunicação que
divulgaram o filme na forma de notícia das
aglomerações. Esta é também uma das variantes
ou conseqüências do marketing viral depois de
criar rumor: conseguir publicidade grátis na
mídia convencional.
Revista Recall: Existe um retorno comprovado do
marketing viral?
Mario Persona: Fica difícil medir, mas
é fácil perceber quando uma ação de marketing
viral contamina. Grandes empresas têm feito
experiências nessa área, criando rumor em torno
de uma mensagem, imagem ou vídeo e levando as
pessoas a cuidarem da divulgação. O vídeo
aparentemente amador plantado no YouTube
mostrando o Ronaldinho chutando bolas na trave
foi uma excelente forma da Nike promover sua
marca e a chuteira que o jogador experimenta na
cena.
Parece que quanto menos oficial ou comercial for,
maior a probabilidade da mensagem virar "buzz"
ou rumor e adquirir um caráter viral. Isso ficou
provado pela novelinha criada por uma atriz
profissional que se fazia passar por adolescente
com o apelido de lonelygirl15 em uma série de
vídeos no YouTube. Após a revelação do que
havia por trás da história, sua popularidade
despencou e os vídeos deixaram de ser tão
assistidos como eram antes, embora a atriz tenha
conseguido vender sua imagem, dando o pontapé
inicial em sua carreira. Isso está obrigando as
agências a repensarem a forma de atingir seus
públicos.
Revista Recall: Por que as pessoas
tendem a se sensibilizar mais com uma publicidade
indireta, como acontece no marketing viral, do
que com uma campanha descarada feita com
propósitos claros e definidos, como é o caso
das tradicionais campanhas publicitárias?
Mario Persona: As novas gerações ficarão cada
vez mais "vacinadas" contra propagandas
no formato convencional e cada vez mais
vulneráveis àquilo que sai do convencional, que
surpreende até por sua precariedade e caráter
pessoal. Muitos profissionais, sem verba para se
lançarem no mercado pelas caras vias normais,
estão fazendo bom uso dos novos canais para
criarem "buzz" e distribuição viral.
Blogs, podcasts e videocasts têm deixado
evidente o poder da comunicação individual,
alguns atraindo um número muito maior de
leitores, ouvintes e espectadores do que muitos
jornais, rádios e TVs.
O www.drudgereport.com atrai em média dez
milhões de visitantes ávidos pelas últimas
notícias reunidas por seu criador, Matt Drudge,
enquanto o The Wall Street Journal, um dos
maiores jornais americanos, tem uma tiragem
diária igual a um quinto desse número. Cerca de
300 mil pessoas assistem diariamente o programa
www.rocketboom.com, um número que muitas redes
locais de televisão não conseguem atingir. E
veja que estamos falando de uma ou duas pessoas
gerando, graças ao boca-a-boca de sua audiência,
um público muito maior do que aquele conseguido
por empresas com dezenas de pessoas trabalhando
nos moldes da propaganda formal para seus jornais
ou programas.
Para ter uma idéia do poder do "buzz"
e do marketing viral, pense no Cirque du Soleil,
uma companhia com mais de 3 mil pessoas que teve
seu espetáculo visto por 50 milhões de pessoas
ao longo de seus 20 anos de vida. Enquanto isso,
um palestrante motivacional e dançarino, Judson
Laipply, ficou mundialmente famoso em questão de
semanas graças aos quase 35 milhões de
espectadores que recebeu apenas no YouTube e ao
boca-a-boca que essas pessoas geraram. É
evidente que o Cirque du Soleil é também um
grande gerador de boca-a-boca, mas creio que a
diferença principal com Judson Laipply e seu
número "Evolution of Dance" esteja no
acesso imediato aos benefícios. Enquanto a ida
ao Cirque du Soleil seja algo que você
precisará fazer depois de receber a mensagem,
assistir Judson Laipply é imediato, basta um
clique.
O mesmo pode ser dito da mídia impressa em
relação aos blogs: eles estão ali,
imediatamente disponíveis assim que você recebe
a mensagem que cria o impulso para uma ação e
é imediatamente seguido da realização do
desejo de contar para alguém. As empresas que
souberem transformar essa equação "mensagem
recebida = compra + divulgação" em algo
imediato conseguirão explorar toda a
potencialidade do marketing viral.
[Se achar que este texto pode ajudar
alguém, use o formulário abaixo para enviar.]
Mario
Persona é consultor, escritor e palestrante.
Veja em www.mariopersona.com.br
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