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Internacional - Cateora & Graham - 13a. Ed. 668 pg.
Tradução
Mario Persona
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ENTREVISTA
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Marketing
viral
O que é marketing viral e ele vem sendo
utilizado desde quando?
Mario Persona - O marketing viral é
tão antigo quanto a linguagem. Sempre que
alguém conta algo para outra pessoa, e isso é
tão interessante e contagiante que não pára
aí, isso é marketing viral. Obviamente nem toda
mensagem transmitida por um emissor irá causar
um contágio em seu receptor e criar virulência.
É preciso que existam alguns elementos que
estimulem no receptor o desejo de passar aquela
mensagem adiante, e geralmente as pessoas fazem
isso porque a mensagem cria nelas uma sensação
de prestígio.
Por exemplo, ao encontrar um vídeo muito
engraçado ou criativo no Youtube eu posso querer
contar para meus amigos e ter, lá no fundo,
aquela sensação gostosa de que fui eu quem
encontrou o vídeo. Esse é um dos elementos do
marketing viral que poucas pessoas percebem, mas
não movemos uma palha se isso não nos trouxer
algum tipo de recompensa, e geralmente essa
recompensa se traduz em prazer e prestígio.
O que muda com o advento da Internet?
Mario Persona - A Internet facilitou a
comunicação e expandiu as fronteiras a um custo
praticamente nulo. Eu preciso gastar para ligar
para um amigo ou enviar uma carta falando da
última fofoca, da receita de pudim que descobri
ou do preço incrível daquele calçado que
comprei. Com a Internet eu não só faço isso a
custo zero, como potencializo minha mensagem
fazendo com que ela atinja um número ilimitado
de contatos. Se for contagiosa, essas pessoas
terão igualmente o mesmo poder de propagá-la
dentro de suas redes de relacionamentos.
Qual a diferença entre marketing viral e
SPAM?
Mario Persona - SPAM é propaganda não
solicitada. Ela já existia antes com a mala
direta via correio e também com a invenção do
fax. Era comum empresas precisarem desligar seus
aparelhos de fax à noite para evitarem descobrir
de manhã que a bobina de papel tinha sido gasta
inteirinha com propaganda não solicitada enviada
via fax.
No caso do SPAM via correio, o custo era de quem
enviava, e quem recebia tinha apenas o custo do
tempo perdido para abrir a correspondência e
jogá-la no lixo. Já com o SPAM via fax, o custo
era praticamente dividido, ficando o custo do
tempo gasto e da ligação telefônica para quem
enviava, mas o custo da bobina de papel de fax
para quem recebia. Com a Internet o que envia tem
apenas o custo da preparação do material, já
que o envio tem um custo praticamente nulo. Quem
recebe perde tempo com a demora em baixar dezenas
ou centenas de e-mails de SPAM.
É claro que um SPAM pode virar uma mensagem
viral, mas para isso ele precisará não apenas
ser muito criativo e interessante, mas precisará
também romper o bloqueio psicológico de quem
recebe, que logo de cara considerará aquilo uma
invasão de sua privacidade. É diferente você
receber uma mensagem de uma empresa impessoal e
receber de um amigo, daí a eficácia do viral
ser maior quando são pessoas comuns que
voluntariamente criam a virulência da mensagem.
Tecnicamente falando, portanto, fazer SPAM não
é fazer marketing viral e pode até funcionar ao
contrário, já que hoje temos sistemas de
bloqueio que impedirão que novas mensagens do
mesmo remetente cheguem à nossa caixa postal.
Além disso o efeito negativo do SPAM, este sim,
pode acabar virando um marketing viral contrário
quando o número de pessoas incomodadas pelo SPAM
de uma determinada empresa passarem a conversar
entre si sobre o assunto.
O marketing viral realmente é uma boa
arma para vendas?
Mario Persona - Sim, se existir uma
consciência de que a melhor divulgação é
aquela obtida pelo boca-a-boca e que pessoas não
conversam sobre propaganda, mas sobre grandes
idéias, humor e coisas pitorescas. Uma mensagem
do tipo "temos os melhores preços" ou
"nossos produtos são feitos com matéria
prima selecionada" jamais se transformam em
mensagens virais.
O empresário corre o risco de não dar
certo a estratégia e a empresa acabar com o seu
nome "queimado" no mercado?
Mario Persona - Sim, o marketing viral
pode causar isso como efeito colateral. Mas isso
é mais comum acontecer com a propaganda
convencional, que se transforma em viral por
alguma característica, geralmente negativa.
Quando uma banda norte-americana lançou anunciou
o CD que seria lançado algum tempo depois, isso
ocorreu antes dos ataques ao World Trade Center.
A capa do CD mostrava as torres gêmeas
explodindo. A capa foi alterada antes do
lançamento, mas aí a banda tinha conquistado
notoriedade porque a notícia e a imagem da capa
original se espalharam pela Internet.
Empresas que cometem alguma gafe na sua
propaganda convencional também têm grandes
chances de entrar para o circuito viral, porque
são coisas assim que despertam nas pessoas o
desejo de passar a mensagem adiante.
Quais os prós e contras?
Mario Persona - Os prós do marketing
viral geralmente estão no seu baixo custo de
produção e principalmente na capilaridade que
obtém. Ele também ajuda a medir o interesse do
público e a detectar também qual o perfil do
público que mais se interessou pela mensagem.
Nem sempre a mensagem acaba indo parar no
público para o qual ela foi produzida.
O que pode ser contra geralmente é a própria
característica de disseminação impossível de
ser contida. Uma empresa que divulgue uma
mensagem com características virais pode
precisar continuar respondendo a pedidos anos
depois daquele produto ou serviço ter sido
descontinuado. Existem até hoje na Internet
mensagens de pedidos de oração por pessoas
enfermas ou desaparecidas que ou já foram
curadas ou encontradas, mas as famílias acabam
sendo obrigadas a trocar de número de telefone
para evitar as ligações de solidariedade que
continuam chegando mais de dez anos após a
mensagem ter sido divulgada.
Como o setor coureiro-calçadista pode se
utilizar desta ferramenta para alavancar suas
vendas?
Mario Persona - Qualquer setor precisa,
para fazer isso, contratar uma assessoria que
entenda de Internet e de marketing viral. Não
basta entender de propaganda, porque Internet tem
suas leis e comportamentos próprios. Como o
marketing viral apela para a característica de
rede e relacionamentos, é preciso conhecer
também a psicologia do comportamento humano para
saber como abordar esse universo. Não existe uma
fórmula pronta para este ou aquele setor, mas
existe sim a necessidade de tentar descobrir o
que em seu produto ou serviço poderá encontrar
um eco na mente de seu público e motivá-lo a
levar a mensagem adiante.
Entrevista concedida para a revista Lançamentos
em 08/12/2008.
Entrevistas como esta costumam ser feitas para a
elaboração de matérias, portanto nem tudo
acaba sendo publicado. Eventualmente são
aproveitadas apenas algumas frases a título de
declarações do entrevistado. Para não perder o
que eu disse na hora, costumo gravar ou dar
entrevistas por escrito. A íntegra do que foi
falado você encontra aqui. Se achar que este
texto pode ajudar alguém, use o formulário
abaixo para enviar.
Mario
Persona é consultor, escritor e palestrante.
Veja em www.mariopersona.com.br
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