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ENTREVISTA
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A
importância da estratégia
É mais fácil ser palestrante, consultor ou
escritor? O que proporciona mais prazer, e uma
atividade é conseqüência da outra?
Mario Persona - Sem dúvida alguma, a
atividade que maior satisfação traz no longo
prazo é ensinar, seja isso feito no meio
acadêmico, através de livros ou em palestras.
Gerar conhecimento é como fazer uma semeadura;
sempre encontraremos frutos, e frutos dos frutos,
ao longo de nossa vida. Sinto um prazer muito
grande quando recebo algum e-mail de um aluno, de
um leitor ou de alguém que esteve em uma
palestra agradecendo pelo que aprendeu.
Particularmente considero a consultoria a
atividade mais difícil, pois o consultor sempre
acaba batendo de frente com o cliente ao apontar
os problemas em sua empresa e as soluções que
nem sempre são de fácil implementação. Todas
essas atividades acabam se relacionando em
vários aspectos, pois em todas elas o produto é
o conhecimento e a experiência.
Estratégia não é um conceito simples
de ser assimilado, porém, quando bem elaborada,
geralmente é a salvação de muitas empresas.
Existe uma maneira fácil de defini-la e
aplicá-la?
Mario Persona - A maneira mais simples
de se enxergar estratégia é pensar que a
empresa está em um ponto "A" e precisa
atingir um ponto "B". Estratégia é o
que deve ser feito para se chegar lá, o que nem
sempre é uma linha reta. Aí entra a
inteligência do estrategista em analisar as
muitas variáveis envolvidas no processo e
escolher aquela que melhor se aplica à
situação. Quem costuma velejar sabe que para ir
do ponto "A" ao "B" às vezes
é preciso viajar em zigue-zague para aproveitar
melhor os ventos. Porém, a idéia de pontos
"A" e "B" é apenas uma
ilustração simples, mas nem sempre reflete a
realidade. Há situações em que a melhor
estratégia é não ir ao ponto "B" ou,
talvez, até mesmo sair do segmento ou do
mercado. Uma boa estratégia não pode partir de
premissas imutáveis e deve levar em conta as
possibilidades. Infelizmente muitas empresas
procuram uma estratégia para negócios do tipo
"Queremos vender areia no Saara" e até
acabam encontrando um consultor que faça um
bonito trabalho neste sentido. Sem resultado,
porém.
Existe diferença entre a estratégia
utilizada pelas empresas e a estratégia
utilizada por profissionais liberais ou pessoas
físicas?
Mario Persona - Os princípios são os
mesmos, embora os objetivos possam variar. O que
está acontecendo com maior freqüência, tanto
para profissionais como para empresas, é que
hoje somos obrigados a dirigir com um pára-brisa
convexo, como uma lente que permita enxergar em
360 graus. Um olho fica no destino, mas o outro
fica atento a mudanças repentinas no mercado.
Antigamente fazíamos planos para vinte anos,
depois para dez, depois para cinco, para três...
Hoje um terrorista qualquer assume o controle de
um avião e muda o mundo em questão de minutos.
A melhor estratégia hoje é a estratégia da
mudança contínua, ou melhor, da prontidão para
a mudança.
Bom relacionamento interpessoal é
sinônimo de marketing pessoal?
Mario Persona - O relacionamento
interpessoal é apenas uma das facetas do
marketing pessoal. O marketing pessoal tem por
objetivo criar uma marca positiva por onde quer
que passemos, portanto é um trabalho de
"marcar" pessoas com nossas qualidades
para que elas multipliquem essa percepção. O
bom marketing pessoal é como um perfume, que
deixamos por onde quer que passemos, quer criemos
um relacionamento mais estreito com as pessoas
que encontramos, quer não.
Por que muitas empresas continuam errando
na estratégia, apesar de contar com os melhores
profissionais do mercado?
Mario Persona - Acho que o gesso é
sempre um problema para qualquer negócio.
Empresas engessadas demoram a perceber que estão
no caminho errado ou que demoraram demais para
adotar uma nova rota. Mesmo que uma empresa apele
para um bom profissional, devemos nos lembrar de
que esses profissionais também são seres
humanos, sujeitos a erros, a teimosias e a uma
visão equivocada do mercado. Como fazemos com a
saúde, nunca é demais buscar uma segunda
opinião.
Por experiência própria, noto que a
maioria das empresas não se preocupa com os
conceitos do planejamento estratégico, missão,
visão, valores, políticas e outras coisas
básicas da administração moderna? A que você
atribui esse ceticismo?
Mario Persona - Creio que nem sempre é
uma falta de preocupação, mas uma falta de
tempo para se preocupar. As empresas hoje vivem
em um ritmo tão acelerado que mal podem parar
para planejar. Mas é aí que muitas acabam se
dando mal, pois sem planejamento fica difícil
crescer ou até mesmo sobreviver nos dias de
hoje. O que às vezes é preciso é um
planejamento mais enxuto, mais de guerrilha, de
campo de batalha, sem muitas delongas em seguir o
figurino e preencher todas as etapas.
Sob o ponto de vista do marketing, que
conselhos você daria aos iniciantes no mundo dos
negócios para encurtar o caminho da
prosperidade?
Mario Persona - Não existe prosperidade
sem trabalho, sem planejamento, sem uma visão
clara e inteligente dos objetivos da empresa ou
do profissional. Em marketing, entendo que essa
visão clara está em ter bem definido quem é
nosso cliente e sua capacidade de compra. Nem
sempre um bom produto ou serviço garante que
minha empresa vá prosperar. Eu posso vender
Ferraris, mas se quiser fazer isso para uma
comunidade pobre em um país subdesenvolvido,
não vou conseguir. Deve haver inteligência em
qualquer negócio para avaliar todas as
possibilidades.
Apesar das dificuldades para se
empreender no Brasil, da falta de seriedade com
as leis e da falta de apoio para os pequenos e
médios empreendedores, muitos ainda prosperam. A
estratégia de marketing pode contribuir para a
redução da mortalidade das empresas no país?
Mario Persona - Sim, e o primeiro passo
é deixar claro para o empreendedor que marketing
não é propaganda, mas todo um conjunto de
ações que envolvem detectar, analisar e atender
de forma lucrativa as necessidades e desejos de
um mercado. O que muitas vezes acontece é um
problema de comunicação. Se você perguntar, a
maioria das empresas dirá que está investindo
em marketing porque colocou um anúncio no
jornal. Quando nada acontece, o empresário acaba
concluindo que nem mesmo uma estratégia de
marketing foi capaz de fazer algo por sua
empresa.
Se o Mario Persona tivesse o poder de
mudar a estratégia de atuação do Brasil
perante a comunidade internacional, qual seria a
primeira providencia a ser tomada?
Mario Persona - Investir em educação e
infra-estrutura, privatizar o maior número
possível de empresas e explorar muito bem as
áreas e os acordos de livre mercado. Outra
providência seria evitar a todo custo uma
atitude paternalista de proteção de mercado e
barreiras contra a livre concorrência. Estamos
assistindo ao nascimento de várias nações
nesta virada de século. Os países da ex-União
Soviética, a China, os países da região
Ásia-Pacífico, todos eles são como
recém-nascidos tentando se livrar da placenta e
cortar o cordão umbilical com o passado. Os que
estão sendo rápidos na adoção de práticas de
livre iniciativa, livre concorrência e livre
mercado estão se saindo melhor. O caminho é
esse.
Qual é o diferencial competitivo do
Mario Persona?
Mario Persona Creio que meu
diferencial competitivo está naquilo que o
mercado pensa de mim. Por isso procuro ouvir
bastante para tentar detectar as arestas que
devem ser eliminadas, porque todos nós as temos.
Outra coisa é saber que o diferencial
competitivo muda rapidamente, acompanhando os
tempos e a percepção do mercado. Por isso seria
temerário afirmar que meu diferencial hoje é
isso ou aquilo, sabendo que amanhã pode ser
outro. Gosto de me lembrar que há dez anos eu
era procurado por ser entendido em Internet, nas
possibilidades do comércio eletrônico, na
revolução que estava por acontecer. Se eu
tivesse parado nisso depois que a revolução
aconteceu estaria a ver navios. A maioria de meus
clientes atuais nem sequer imagina que um dia meu
conhecimento de Internet foi meu diferencial.
Como estrategista e palestrante, você
acredita no futuro no Brasil?
Mario Persona Creio que sim, por
causa da índole de nosso povo. O mundo inteiro
sabe que o brasileiro é um povo criativo, amigo
e empreendedor, por isso creio que temos tudo
para vencer é nisso que está nossa força como
povo. Estamos vendo um mundo que muda o tempo
todo e onde a prosperidade cresce mais pelo
diálogo do que pela força, e o brasileiro é
bom no diálogo, no relacionamento e na
facilidade de se adaptar às mudanças.
Entrevista concedida ao site Jeronimos em 28/11/2007
sobre a importância da estratégia.
Entrevistas como esta costumam ser feitas para a
elaboração de matérias, portanto nem tudo
acaba publicado. Eventualmente são aproveitadas
apenas algumas frases a título de declarações
do entrevistado. Para não perder o que disse na
hora e posso nunca mais conseguir dizer, costumo
gravar ou dar entrevistas por escrito. A íntegra
do que foi falado você encontra aqui.
Mario
Persona é consultor, escritor e palestrante.
Veja em www.mariopersona.com.br
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