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Vocação
empreendedora
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Fui
entrevistado pela revista Empreendedor
para uma matéria sobre o tema Vocação
Empreendedora. A íntegra do que falei
você encontra aqui: |
Revista
Empreendedor - Vocação empreendedora, ter
aptidão para um determinado tipo de negócio, é
uma qualidade imprescindível para levar um
empreendimento ao sucesso? Pode ser comparada uma
paixão transformadora capaz, no início, de se
manifestar apenas como um hobby e depois, nutrido
com informações e planejamento, virar negócios
bem sucedidos?
Mario Persona - Não creio que a
vocação empreendedora para um determinado tipo
de negócio seja tão importante quanto a
vocação para negócios de um modo geral. Existe
uma necessidade grande de talento para algumas
atividades, mas até mesmo a pessoa mais
talentosa do mundo em seu segmento pode ser um
péssimo empreendedor se faltar capacidade
administrativa.
É comum vermos grandes idéias serem
transformadas em negócios de grande potencial
que depois acabam em desastre por falta de
experiência ou tino comercial e empresarial de
seus criadores. O melhor dos mundos é o
profissional que, além de talento nato para sua
atividade, tem também capacidade comercial e
administrativa. Infelizmente nem sempre somos
assim, daí a necessidade de reconhecermos nossas
deficiências e apelarmos para parcerias,
sociedades e terceirizações na hora de colocar
em prática um empreendimento.
A paixão por um negócio ou idéia é elemento
essencial em seu pontapé inicial, mas acaba
sendo apenas um balão de ar se não conseguir
obter sustentação por meio de uma capacidade
administrativa e comercial. É comum vermos
negócios começarem com uma idéia apaixonada,
passarem pelo estágio empreendedor, onde se
investe tempo e dinheiro no processo, para
morrerem na praia da mesmice administrativa.
É preciso entender que a pessoa que possui um
perfil empreendedor funciona como um bandeirante,
um desbravador de novas fronteiras. Os
bandeirantes eram ótimos desbravadores, mas
péssimos em dar continuidade à exploração dos
territórios explorados. Atrás do perfil
empreendedor, do desbravador, deve vir o perfil
de quem executa o trabalho na monotonia do dia-a-dia
e do administrador, que controla tudo. A empresa
ideal deve agregar perfis empreendedores além de
pessoas com perfil de execução e
administração.
Revista Empreendedor - Na sua opinião,
existe uma relação entre vocação e
empreendedorismo? Qual importância de aliar
empresa com o que se gosta de fazer (ter amor
pelo que faz - que proporciona realização
profissional e pessoal)?
Mario Persona - É importante que a
empresa aprenda a proporcionar uma certa
elasticidade para seus colaboradores poderem
demonstrar seu perfil empreendedor. Uma pessoa
que trabalhe em uma atividade repetitiva em uma
linha de produção pode ter um perfil
empreendedor latente que talvez traga economia
aos processos daquela empresa se tão somente
deixarem que expresse suas opiniões e coloque em
prática suas idéias.
Para isso há programas de incentivo e
premiação a idéias que, além de abrirem novas
perspectivas para a empresa, cria naqueles que
têm espírito empreendedor uma válvula de
escape e incentivo para sua criatividade. Um
empreendedor que seja obrigado a fazer uma
atividade repetitiva viverá descontente ou
acabará deixando sua função, caso não exista
alternativa. A realização profissional pode
ocorrer em qualquer posto e função onde a
pessoa se sinta importante por aquilo que faz e
pelas contribuições que conseguiu trazer ao
trabalho.
Revista Empreendedor - Essa pode ser uma
boa fórmula para iniciar um novo empreendimento?
Mario Persona - Geralmente grandes
empreendimentos surgiram por meio de pessoas que
estavam descontentes em sua função ou atividade
anterior e eram como uma panela de pressão
pronta para explodir novas idéias. Na falta de
um ambiente propício ao empreendedorismo,
acabaram saindo e criando suas próprias empresas,
às vezes até concorrentes e melhores do que
aquelas de onde saíram. Daí a necessidade de se
proporcionar oportunidades de expressão para as
equipes de uma empresa, não importa quais sejam
suas funções.
Revista Empreendedor - Vocação se
adquire ou apenas se descobre se tem ou não?
Mario Persona - Acho que as duas coisas
acontecem, é uma espécie de processo. De nada
adianta alguém ter vocação, por exemplo, para
ser um grande escritor se nunca for alfabetizado.
Ou ter vocação para medicina e ir cursar
engenharia. O problema é que a maioria das
pessoas não sabem exatamente qual o seu papel ou
se possuem algum tipo de vocação.
Acredito que exista realmente aquele que não se
interessa em fazer coisa alguma além de tomar
sua cerveja no final de semana e ver o futebol,
preferindo que seu trabalho seja repetitivo e
maçante, desde que garanta o suficiente para seu
final de semana. Pessoas assim não procuram
descobrir uma vocação pois têm até pavor de
acabarem descobrindo que têm uma e isso
represente trabalho.
Mas aqueles que se preocupam ou almejam sempre
descobrir algo mais acabam descobrindo uma
vocação ou pelo menos sendo mais inclinados a
uma do que a outra. O prazer e a prontidão pela
busca de conhecimento na área vocacionada irá
definir seu perfil, se é um empreendedor ou não.
Alguns podem precisar que outros cuidem desse
parto para que a vocação realmente venha à
tona, dando à pessoa uma oportunidade de
desenvolver algum talento inato.
5. Quais as vantagens e riscos gerados da paixão
pelos negócios?
Mario Persona - A vantagem é a adrenalina que
pessoas apaixonadas têm para começar a partir
do zero, desbravar territórios, arar terras
jamais cultivadas. O risco do apaixonado demais
é sempre deixar seus empreendimentos inacabados
e saírem em busca das novas sensações
existentes em novos empreendimentos.
Muita gente é criticada por ser assim, começar
e nunca terminar, mas creio que seja uma falta de
complementação, de trabalharem com pessoas que
tenham o segundo perfil, de cultivar a terra e
esperar pacientemente pelos frutos, ou de fazer o
planejamento deste e dos próximos anos. A
maravilha da atividade empresarial está
justamente nisso, em sua necessidade de
diferentes talentos e vocações para poder
crescer.
Um dos grandes trunfos do sistema de franquias é
justamente descobrir empreendedores, que nunca
teriam passado do estágio inicial de um negócio,
e assessorá-los com o know-how para as outras
práticas do negócio. Como John Donne escreveu,
"nenhum homem é uma ilha, isolado em si
mesmo"*. Nem mesmo aqueles com vocação e
talento para empreender.
[Se achar que este texto pode ajudar
alguém, use o formulário abaixo para enviar.
Nem sempre as entrevistas são publicadas na
íntegra pelos veículos, por isso tomei a
iniciativa de gravá-las ou anotá-las para
compartilhar minhas idéias com um número maior
de leitores.]
Mario
Persona é consultor, escritor e palestrante.
Veja em www.mariopersona.com.br
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