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IMAGEM
E MARKETING PESSOAL Fui entrevistado pelo
"Guia Prático para Fazer Currículo"
para uma matéria sobre os cuidados que o
profissional deve ter com sua imagem e marketing
pessoal. A íntegra da entrevista você encontra
aqui.
P. Em
que consiste o marketing pessoal?
Mario Persona - As pessoas
confundem marketing pessoal com propaganda ou
autopromoção, mas o marketing pessoal é todo
um conjunto de atividades que vai desde a
detecção de um mercado com suas necessidades e
desejos, até o desenvolvimento e fornecimento de
um serviço dirigido a esse mercado. No marketing
pessoal o "mercado" é formado pelo
público que se pretende alcançar, seja ele
formado por amigos para o fim de relacionamento,
clientes em geral de seus serviços ou até mesmo
uma empresa e seus funcionários, caso o
profissional atue como contratado.
No conjunto de atividades envolvidas no marketing
pessoal você pode até ter a propaganda ou
promoção desse "produto", que é a
pessoa, suas características e capacidades, mas
essa parcela é muito pequena ou até
desaconselhável quando comparado com outros
produtos, pois no caso da pessoa nós não
estamos falando de cerveja ou sabão em pó.
Aliás, o excesso de propaganda no marketing
pessoal pode ser interpretado como
autopromoção, algo que nem todo mundo gosta de
ver numa pessoa.
P. O que fazer para ser eficaz nessa
estratégia?
Mario Persona - Geralmente um
profissional gosta do que faz, e investe boa
parte de sua vida no aperfeiçoamento de suas
habilidades e capacidades, saindo depois a
propagar suas virtudes profissionais. O que ele
não percebe é que isso que é tão importante
para ele pode não ter qualquer importância para
o seu público. Então ele acaba tentando
apresentar para o seu público aquilo que
ninguém está interessado em comprar.
Dou um exemplo: um chef de cozinha não deve
tentar vender suas receitas, que é sua
especialidade, mas criar pratos que sejam
traduzidos em sensações para seus clientes.
Quem vai a um restaurante não está interessado
em como o prato é feito, mas no prazer que ele
gera. Do mesmo modo, um profissional de saúde
que se concentre em vender sua capacidade de
curar doenças está aquém do que o mercado
procura, que é a possibilidade de ter uma vida
prazerosa ou voltar a fazer as atividades que a
doença impediu. Não é o que o profissional faz
que importa, mas o benefício que ele produz aos
olhos do cliente.
P. Qual é a importância dessa
habilidade em um processo seletivo no mercado de
trabalho atual?
Mario Persona - Empresas compram
máquinas, mas não comprariam se pudessem ganhar
dinheiro sem elas. Então o que as empresas
querem mesmo é ganhar dinheiro, conquistar
clientes, ganhar destaque para sua marca e coisas
assim. Um profissional deve saber criar um
currículo apetitoso para o paladar de cada
empresa para onde este for enviado. Não preciso
nem dizer que um mesmo currículo poderá não
servir para diferentes empresas.
Além de aprender a adotar a ótica de quem irá
contratá-lo, é importante o profissional
desenvolver habilidades de comunicação, pois a
única forma de vender suas capacidades é
comunicá-las. Ler livros de marketing e vendas
ajuda muito neste sentido, pois passamos a
enxergar nossas capacidades como benefícios para
quem nos contrata, ao invés de ficarmos
entretidos com suas particularidades e acharmos
que as pessoas gostam tanto disso quanto nós
mesmos.
Não raro você encontra profissionais de
informática que são técnicos demais na hora de
explicar o que sabem fazer e não cativam um
empregador sequer. Isto porque o empregador não
está interessado em TI, ele apenas quer saber de
que modo aquele cérebro o ajudará no segmento
onde atua.
P. Como despertar o desejo dos
empregadores pela contratação do profissional?
Mario Persona - Digamos que um
profissional em design envia um currículo para
uma indústria de móveis e outro para uma
agência de propaganda. São dois segmentos
completamente diferentes, porém ambos contratam
designers porque querem ganhar dinheiro,
respectivamente, com móveis e propaganda. Se o
currículo disser apenas que ele é designer,
não atenderá as expectativas das empresas, que
não buscam por designers, mas por uma forma de
ganhar dinheiro.
Então, para a indústria de móveis, o
currículo deve fazer menção à capacidade que
o profissional terá, com seu design, de
conquistar mais clientes para a empresa. O
discurso deverá ser adaptado para o currículo
que enviará à agência de propaganda, à
tecelagem, à editora etc. Cada empresa precisa
receber o currículo e enxergar nele um
profissional capaz de agregar valor àquele
segmento específico, e não um genérico.
P. Para você, o que é vender bem a
imagem?
Mario Persona - Entendo que,
guardados os devidos cuidados para não perder a
individualidade e a personalidade, vender bem a
imagem é apresentar ao seu público aquilo que
você acredita que ele espera de você. Sempre
que você parece familiar a alguém existe uma
possibilidade muito maior de ser
"comprado", pois não oferece riscos.
Por isso é tão importante aprender a estar
sempre analisando seu público para saber o que
ele busca.
As empresas fazem isso na hora de lançar carros,
roupas ou calçados, e qualquer profissional
deveria aprender a ter essa visão de fora,
tentar enxergar a si mesmo como os outros
enxergam. Então poderá conformar sua imagem
para que esta seja mais palatável ao público
que pretende alcançar.
P. Qual o lugar do autoconhecimento
na carreira dos profissionais de sucesso?
Mario Persona - O autoconhecimento
pode se transformar em uma grande bobagem quando
leva a pessoa a admirar o próprio umbigo.
Devemos nos conhecer, não com a intenção de
nos colocarmos em um pedestal, mas visando
encontrar falhas que possam ser corrigidas, ou
pontos fortes que possam ser usados em nosso
marketing pessoal.
O profissional que acredita estar pronto e
perfeito está a um passo da ruína. Imagine se a
indústria de celulares tivesse ficado satisfeita
com seu primeiro produto! Estaríamos hoje
carregando celulares de um quilo e meio. O
autoconhecimento deve gerar inquietação e, ao
invés do mantra "Oh! Como sou
fantástico!", a ladainha "Preciso
melhorar... Preciso melhorar... Preciso
melhorar...".
P. Quais medidas podem ser tomadas
para melhorar a aparência e mostrar o conteúdo
interior.
Mario Persona - A aparência deve
ser uma consequência do ambiente no qual o
profissional irá atuar. Alguém que pretenda
abrir uma loja de moda para surfistas não irá
andar por aí de terno e gravata, e quem quer que
almeje trabalhar no mercado financeiro não irá
comparecer a uma entrevista de bermudas e
chinelos. Para cada situação e ocasião deve
existir o bom senso de saber como se apresentar.
Recentemente um jovem que conheço apareceu em
seu trabalho com o cabelo cortado em estilo
moicano. Impressionou tanto o patrão que este
ordenou que fosse imediatamente cortar aquilo de
modo a não espantar os clientes. Para não
perder o emprego, ele decidiu completar o
serviço e ficou careca. Nem sempre a aparência
que dá certo para aquele rapper que você admira
irá servir no hospital onde você trabalha de
recepcionista.
P. O marketing pessoal por si só
basta ou é necessário combiná-lo com
competências e virtudes?
Mario Persona - Como qualquer
produto, o marketing pessoal começa no
desenvolvimento do produto, no caso o caráter e
competências do ser humano. Uma pessoa com boa
qualificação, porém com um caráter duvidoso,
é como um belo carro que gasta muito
combustível e pode quebrar quando você menos
espera. O bom só é bom se for confiável,
portanto é essencial que caráter e competência
caminhem juntos.
Entrevista concedida ao "Guia
Prático para Fazer Currículo" em 09/10/2010.
Entrevistas
como esta costumam ser feitas para a elaboração
de matérias, portanto nem tudo acaba sendo
publicado. Eventualmente são aproveitadas apenas
algumas frases a título de declarações do
entrevistado. Para não perder o que eu disse na
hora da entrevista, costumo gravar ou dar
entrevistas por escrito. A íntegra do que foi
falado você encontra aqui.
Mario
Persona é consultor, escritor e palestrante.
Veja em www.mariopersona.com.br
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