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EMPRESAS
NA ZONA DE CONFORTO Como uma empresa
pode diagnosticar que está numa zona de
conforto? Quais são os indicadores que revelam
isso, já que a tendência nesses momentos é
achar que está tudo bem?
Mario Persona - Saber quando se está
numa zona de conforto é tão difícil quanto
saber quando algo se tornou um vício: o viciado
sempre acha que está no total controle da
situação. Portanto se existirem numa empresa
áreas, pessoas, produtos, metas ou qualquer
coisa que esteja indo muito bem, mas que traga a
etiqueta Intocável, é bastante
provável que tenhamos diante de nós uma área
ou toda uma empresa perigosamente confortável.
O fato de tudo estar bem pode ou não ser uma
indicação de perigo, pois muitas empresas vivem
situações assim, mas são capazes de mudar
rapidamente o que precisa ser mudado ao mais leve
sopro de que aquela acomodação seja o caminho
da estagnação, cuja etapa final é a morte por
degradação. Portanto eu me preocuparia mais com
os feudos de conforto, os Intocáveis,
pois isso sim é um impedimento a uma mudança
saneadora, esteja a empresa passando por tempos
confortáveis ou não.
Para a empresa, estar na zona de conforto
é bom ou ruim? Por quê?
Mario Persona - Depende muito do ramo de
atividade e também das circunstâncias. Por
exemplo, uma empresa que não tenha concorrentes
ou cuja concorrência seja insignificante por
operar em um segmento muito específico pode não
precisar se preocupar tanto quanto uma empresa
mais genérica. Sua zona de conforto pode até
ser bastante conveniente se não existir muito
espaço para onde crescer ou inovar.
Quando existe uma competitividade normal entre as
empresas, mas a demanda do mercado é tão grande
que os concorrentes são incapazes até de
concorrer, essa é uma zona de conforto que pode
significar perigo para empresas que acreditam que
as condições de mercado sejam imutáveis.
Empresas de um único cliente grande, como
aquelas que fornecem para o estado, também
correm o risco de terem uma surpresa em uma
mudança de regime.
Se uma empresa sabe o que é uma zona de
conforto, conhece seus riscos, e se encontra em
uma situação assim eu poderia até dizer que é
algo benigno, desde que saiba administrar isso.
Talvez seja hora de se investir para que outras
áreas também atinjam essa zona de conforto
antes de pensar em mexer no time que está
ganhando. Mas é importante ressaltar que tudo
depende de empresa para empresa, de situação
para situação, de mercado para mercado. É
impossível criar uma lista de coisas a serem
feitas em situações assim sem todo um trabalho
de consultoria específica para conhecer as
particularidades da empresa, de sua equipe e do
mercado onde atua.
Entrevista concedida ao Site
Cimento Itambé em 16/11/2009.
Entrevistas como esta costumam ser feitas para a
elaboração de matérias, portanto nem tudo
acaba sendo publicado. Eventualmente são
aproveitadas apenas algumas frases a título de
declarações do entrevistado. Para não perder o
que eu disse na hora da entrevista, costumo
gravar ou dar entrevistas por escrito. A íntegra
do que foi falado você encontra aqui. Se achar
que este texto pode ajudar alguém, use o
formulário abaixo para compartilhar.
Mario
Persona é consultor, escritor e palestrante.
Veja em www.mariopersona.com.br
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