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Mostre
aquilo que os outros querem ver e não o que
você quer que eles vejam
Para o
consultor Mário Persona (foto), investir em
marketing pessoal não é uma tarefa tão
difícil. Afinal, como ele mesmo diz, a primeira
ação de qualquer um ao nascer - o choro - é
marketing puro
A maioria das
pessoas tem dificuldade para falar de sua
capacidade profissional. Para elas, estar em
evidência não é uma prática saudável, muito
menos profissional. Vivem feito ostras, achando
que cabem aos outros o esforço de encontrar as
pérolas que existem no interior de suas cascas.
Mal elas sabem que, diante do mundo extremamente
competitivo, esse tipo de comportamento não tem
mais lugar. Ou elas assumem a postura de que para
sobreviver profissionalmente precisam fazer com
que todos saibam quem elas são, ou, então
acabarão vendo suas carreiras irem por água
abaixo. Essa é a tônica da conversa que o
consultor Mário Persona, especialista em
comunicação e marketing, utiliza em suas
apresentações sobre o poder do marketing
pessoal e de relacionamento.
Segundo ele,
de nada adianta uma pessoa ter um bom currículo
e um conhecimento acima da média se não souber
como vendê-los.
Para vencer
essa barreira, é preciso investir em marketing
pessoal, uma tarefa que, de acordo com Persona,
não é tão difícil assim. Afinal, como ele
mesmo diz, a primeira ação de qualquer um ao
nascer - o choro - é marketing puro. "Além
de deixar claro que tem gente nova no pedaço, o
choro é uma forma de chamar a atenção",
justifica. E é nisso que se fundamenta o
marketing pessoal: criar mecanismos que façam
com que as pessoas despertem a atenção para
aquilo que elas têm de melhor para ser mostrado.
Para que isso
dê certo, é fundamental uma boa rede de
relacionamento. A história do pedreiro que foi
indicado pelo encanador, que foi indicado pelo
eletricista, que foi.... nunca teve tanto valor.
Diante da eliminação das distâncias e
barreiras proporcionadas pelo mundo moderno,
indicar e ser indicado passou a ser uma realidade.
Mas lembre-se.
O bom relacionamento não garante resultados
positivos se o profissional deixar de lado
ingredientes como criatividade, versatilidade,
atualização constante e, principalmente,
competência. Mesmo porque com a crescente
valorização do conhecimento por parte do
mercado de trabalho, esse é o conjunto que faz a
diferença.
As pessoas
devem ser cativadas pela emoção
Qual é a
mensagem que transmite a publicidade de um
automóvel andando por uma estrada maravilhosa? A
de que o veículo é um excelente produto? Claro
que sim, mas seu objetivo maior é dizer que uma
vez dentro daquele automóvel, o motorista irá
encontrar emoção, aventuras. Em bom português,
o prazer de dirigir.
O expediente
utilizado pela publicidade é o da venda de um
produto intangível. Em nenhum instante, ela
destaca a qualidade do veículo ou faz qualquer
menção de como ele é produzido. Embora
fundamentais, são dados secundários, que podem
ou não ganhar a importância do consumidor à
medida que vier a crescer o seu interesse pela
aquisição do bem. Na verdade, o elemento que
irá "fisgá-lo" chama-se emoção.
A mesma regra,
de acordo com Persona, se aplica à
apresentação pessoal. "Devemos cativar
nossos clientes com emoção, prazer, sensação,
apresentando-lhe sempre algo que chame sua
atenção e interesse. A experiência, a lista
extensa de cursos realizados, a família são
dados que, em um primeiro momento, não têm o
menor valor".
Ele lembra
que isso é muito comum em currículos. Neles, o
que é mais importante deve estar sempre em
primeiro plano. "Afinal, currículo não é
documento, é uma peça publicitária. Procure
mostrar o que os outros querem ver e não aquilo
que você quer que eles vejam".
Ninguém
precisa de desempregados
O
avanço da informática e a
proliferação da Internet estão
contribuindo para alterar a forma do
trabalho. Controles e sistemas que antes
eram gerenciados por várias pessoas
passaram a ser controlados por poucos
computadores. Na área bancária, por
exemplo, todos os serviços estão
automatizados, uma realidade da qual
outras áreas não tem como escapar.
"A robotização está acontecendo e
não adianta ficarmos chorando, falando
por aí que estamos fora do mercado.
Sempre haverá alguma coisa que sabemos
fazer melhor que o robô", afirma
Persona.
Por
conta disso, ele enfatiza que a pior
tática a ser adotada por quem perdeu o
emprego é se apresentar como
desempregado. "Ninguém presisa de
desempregados, mas de pessoas com
capacidade e que tenham alguma coisa para
oferecer", diz. E ele justifica:
"quando um profissional sai de uma
empresa, leva consigo o conhecimento
adquirido".
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Criatividade
transforma sonhos em realidade
Você não
precisa ter a criatividade da Matshusita, a
gigante japonesa que controla a Panasonic, que
gera 6,5 milhões de idéias por ano -, para
alcançar o sucesso profissional ou, então, para
se diferenciar em um mercado cada vez mais
competitivo. Mas se os seus objetivos são
exatamente esses, é bom saber que uma boa dose
dela poderá ajudá-lo a transformar sonhos em
realidade.
Mas o que é
ser criativo, afinal? Nada mais é do que
desenvolver o raciocínio lógico exigido para
determinadas situações, ou seja, a capacidade
de realizar. Logo, é fácil imaginar que todas
as pessoas são criativas. A diferença está no
uso que cada uma delas dá à criatividade.
A ousadia é
tida como um bom exemplo. Sem cometer exageros,
experimente introduzir um assunto novo em uma
conversa - ou até mesmo em uma entrevista. A
situação inusitada surpreenderá quem estiver
ouvindo, pois ele será obrigado a fazer uma
análise daquilo que foi dito para poder emitir a
sua opinião.
Aliás, esse
é um recurso que vem sendo utilizado cada vez
mais por recrutadores de pessoal para buscar
profissionais versáteis, capazes de adicionar
valor às companhias. Através de perguntas
descabidas, do tipo "quantas padarias
existem em São Paulo?", eles verificam como
o candidato conduz seu raciocínio diante de
situações inesperadas e se é capaz de aplicar
essa lógica nas questões do dia-a-dia.
Respostas
para perguntas dessa natureza podem ser qualquer
uma, menos dizer "não sei" ou "não
faço a menor idéia". Isso é tudo o que o
entrevistador não quer ouvir. Portanto, seja
criativo nesta hora. Use a analogia. Imagine que
uma pequena cidade, de 10 mil habitantes, tenha
quatro padarias. Logo, São Paulo, com uma
população mil vezes maior terá 4 mil.
Saber se esse
número é correto, somente consultando as
associações e os sindicatos da categoria. De
qualquer forma, ele não tem a menor utilidade
para o entrevistador que apenas quer medir sua
criatividade e a sua capacidade de buscar
soluções diante de um problema apresentado.
Marca
pessoal
De acordo com
Persona, ser diferente em um mercado competitivo
é também criar uma marca pessoal. "Cada
profissional deve ter a sua, que pode ser sua
maneira de falar (sotaque), o modo de se vestir
ou a forma de como tratar as pessoas",
explica.
Ele cita o
caso de um publicitário que detestava gravata,
mas foi obrigado a usá-la. "Como não
falaram nada sobre o nó, visitava os clientes
com a gravata apenas pendurada no pescoço. Virou
sua marca pessoal. Era dele que os clientes se
lembravam quando precisa de alguma visita"
Diploma
não é tudo
Foi-se o
tempo em que o diploma era a garantia do sucesso
profissional. Hoje, conforme define Persona, não
passa de um atestado de incapacidade. "Não
devemos nos vangloriar do diploma porque não
existe parada na coleta do conhecimento",
justifica. "A atualização deve ser
constante", completa.
Além de
saber trabalhar em equipe, o profissional deve
estar preparado para mudanças. Sua atuação
deve ser como a de um ator. "Se ele for
fazer o papel de engenheiro, precisa se passar
por engenheiro; se for fazer o papel de bandido,
terá que agir como bandido. O profissional deve
ser assim, trabalhar de acordo com os projetos,
conforme o filme vai andando" diz o
consultor.
A
resistência à tecnologia, segundo ele, é um
dos maiores problemas enfrentados por parte dos
profissionais. "Agem assim porque entendem
que o emprego é a sepultura do progresso
profissional, quando deveriam dizer "eu sou
um lixo, por isso vou me reciclar", todas as
vezes em que se olhassem no espelho pela manhã".
Neste sentido,
segundo ele, as mulheres são multimídias.
"Jogam em todas as posições e têm mais
facilidade para se adaptar às mudanças.
Aprenda
com os políticos
De
acordo com Persona, poucos sabem fazer
marketing como os políticos. "Falam
bem, sabem criar redes de relacionamento,
encantar parceiros e influenciar
influenciadores". Dessa forma, ele
diz: "podemos aprender com eles, se
soubermos identificar o que é técnica e
o que não passa de demagogia".
Estar
pronto para responder frases relâmpagos
do tipo "será que vai chover?"
é outro artifício que pode render bons
frutos, segundo o consultor. A resposta
pode estar associada ao seu tipo de
negócio: "se chover não vou
conseguir entregar o notebook encomendado
pelo meu cliente". Assim, se quem
fez a pergunta está interessado em
adquirir um notebook, teve seu interesse
despertado.
Nas
conversas do dia-a-dia, surpreenda com
frases insólitas. Diga o que ninguém
diz. Chavões e frases feitas causam mais
prejuízo do que benefício para o
marketing pessoal.
Seja
também solidário com quem sempre te
ajudou. É importante fazer aos outros o
que gostaria que fizessem a você.
Indique-os para trabalhos, divulgue seus
nomes, valorize-os como profissionais.
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Mario
Persona é consultor, escritor e palestrante.
Veja em www.mariopersona.com.br
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