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10/11/2009
Dever comprido
por Mario Persona
Não, eu não errei o título. É "comprido" mesmo, de longo dia de trabalho e da sensação de ter cumprido com seu dever comprido. É dessa armadilha de quem trabalha por conta própria que quero falar. Mas antes um pouco de minha história para você compreender.
Ainda estudante, fui estagiário trabalhando de graça ou com participação em projetos. Formado em arquitetura, idealismo e macrobiótica, decidi mudar o mundo começando por Alto Paraíso de Goiás. Lá ensinava no ginásio local, enquanto aprendia a fazer partos, socorrer picados de cobra e criar galinhas. Isso quando não estava rachando lenha, plantando verdura ou pilotando carroça. Aquela experiência iria me ajudar a ter uma carreira eclética, eclética e eclética. Três anos depois voltava à minha cidade para trabalhar de arquiteto em meu próprio escritório. Parece chique e seguro ser arquiteto com escritório próprio, mas aos 27 anos e com dois filhos pequenos para criar, minha experiência com galinhas ensinou-me a não colocar todos os ovos no mesmo cesto. Enquanto arquiteto (odeio quando alguém diz "enquanto isso" e "enquanto aquilo, mas escrevi aqui só para odiar), eu representava uma empresa de portas e janelas e outra de aquecedores solares. Na década de 80 as pessoas sabiam o que eram portas e janelas, mas falar em aquecedor solar era falar Klingon, a língua alienígena de Jornada nas Estrelas. Mas espere, tem mais! Sim, este "Espere, tem mais!", típico dos canais que vendem inutilidades domésticas, é bem a cara de minha outra atividade: vender autoclaves caríssimas em chás de madames, popularmente conhecidas por panelas. Não os chás de madames, as autoclaves. À noite e nos finais de semana eu fazia traduções para indústrias. A ideia de nunca colocar todos os ovos numa mesma cesta é evitar que você acabe jantando omelete. Isto serve também para quem tem emprego fixo com aposentadoria garantida... na Enterprise, trabalhando para o Comandante Kirk. Sim, porque garantia de emprego também é ficção. Você não imagina quantos quarentões me escrevem pedindo dicas de carreira. Perderam o posto de gerente, diretor e até presidente da Enterprise quando Mr. Spock indicou um sobrinho alienígena mais jovem e barato para a posição. Quando você trabalha por conta própria é importante manter ligado o medidor de viabilidade do negócio, para descobrir qual a taxa de sucesso que seu segmento oferece na prática. Tipo assim: para tantas visitas ou contatos, você consegue fechar tantos negócios e ter um rendimento de tanto. Se esse rendimento não for suficiente, é bom arranjar outras cestas. Agora vem o conselho mais importante: Quando você trabalha de empregado, suar a camisa e viver ocupado pode até valer pontos, pois o salário está garantido. Mas quando trabalha por conta própria, o excesso de ocupação - seu "dever comprido" - faz você voltar para casa no fim do dia com a falsa sensação de dever cumprido. Se esteve o dia todo ocupado e voltou com nenhum ou menos dinheiro do que saiu, é melhor analisar sua atividade. Por exemplo, se você vende sorvete a granel, o trabalho para conquistar um único cliente pode resultar na venda de uma tonelada. Mas, se vender sorvete de palito em carrinho, vai precisar trabalhar uma tonelada de clientes para ganhar a mesma coisa. O ideal é sempre descobrir como fazer mais com menos, e principalmente no lugar certo, pois você pode morar na Groenlândia e lá meu exemplo não funcionar. Quando pequeno, meu filho não morava na Groenlândia, mas sua professora tratou com extrema frieza sua técnica de gastar menos para fazer mais, transformando um "dever comprido" em um dever mais curto. Acostumado a brincar em um computador com sistema operacional DOS, daqueles em que você usava um asterisco como "coringa" para procurar nomes de arquivos, o garoto levou a maior bronca quando a professora descobriu que as anotações em seu caderno eram mais ou menos assim: "Em 22 de Abr* de 15*, Ped* Alv* Cab* desc* o Br*". 
 |  | Será Mesmo Que Você Nasceu Para Ser Empregado? Maria Giuliese
É no trabalho que investimos o que temos de melhor: tempo, energia, afeto, conhecimento, experiência e esperança de crescimento. Em troca, ele nos oferece um lugar na realidade e na comunidade em que vivemos, bem como um espaço especial para nos expressarmos e evoluirmos. O trabalho, portanto, deveria ser fonte de realização e prazer.No entanto, nos últimos anos, muitas pessoas têm se sentido infelizes no trabalho que realizam nas empresas. Por que será? Será que o sofrimento está associado apenas a fatores internos de cada ser humano? Ou será que o mundo corporativo está doente? Qual a importância e o espaço que o trabalho vem ocupando em nossas vidas? Mariá Giuliese, neste livro, compartilha com o leitor suas descobertas e respostas, provenientes de estudos, pesquisas e anos de experiência com profissionais em transição de carreira,e oferece, uma oportunidade única para revisar caminhos e valores, promovendo mudanças e transformações em sua vida pessoal e profissional. Editora: Gente Autor: MARIA GIULIESE ISBN: 9788573124330 Origem: Nacional Ano: 2009 Edição: 1 Número de páginas: 232 Acabamento: Brochura Formato: Médio |

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De fato, pensar no trabalho e seu significado tem me tirado o sono por alguns dias. Acordar cedo. Chegar sorrindo e motivado. Motivar pessoas. Orientar, cobrar. Pra que? Pra quem? Até quando? De vendedor para gestor de loja, tenho tido essa sensação do dever "comprido", e não aquela deliciosa sensação, saudável e alegre do dever cumprido: "bati a meta mais uma vez". A sensação de acumular pequenas vitórias nos dá a sensação de ser um grande campeão. E o re-trabalho então? Depender de pessoas para alcançar seus resultados? É meu amigo Mario, se ja como executivo estou escrevendo um texto assim reclamando... imagina quando dono for? Nesse caso, já que serei o dono, o problema será todo meu! Viva a mudança de mundo, de paradigmas, a quebra das certezas e do "concurso público"! Também é muito bom sentir que estamos voando longe da zona de conforto! Há vida na zona de risco! Vale tentar! Forte abraço aos empreendedores e criativos de plantão!
Enviado por Leandro Escobar em 08/12/2009
Mário, ótima colocação com os termos e um belo trabalho. Estou ancioso para participar de sua palestra na empresa que trabalho durante a Sipat 2009, pois com suas publicações e conhecimento só tenho a agregar valores. Abraços!
Enviado por Fábio Pelissari Barbosa em 23/11/2009
Ei,mario...e amigo!e comprido mesmo...mas tbm e gratificante,ao findar o dia e vc ver os resultados,sejam eles positivos ou negativos,temos a obrigaçao de cresermos com eles,temos que saber fazer um pouco de cada coisa sim,e ja vi pessoas passar por mal pedaços,por nao entender isto.Mas tbm ja ouvi prof.universitarios dizer em alto e bom som:"Quem diz que faz tudo nao e nada".Somos tabulados por usarmos os variados dons,(minha nossa..quanto tempo eu nao usava esta palavra..),Eu sei que sou Responsavel por quem depende de mim,e espera por mim no final de cada dia de dever cumprido.Temos que ser grato a Deus por ter trablho,esta plavra e comentada tantas vezes no livro sagrado...deve ser que Jesus e o Pai dele sao pessoas de muito trabalho,num e mesmo!!!como gosto muito do exemplo deles,eu amo trabalhar.Parabens por sua mente. Deus o proteja,e a mim tbm... Debora-vitoria-ES
Enviado por Debora lauriano em 14/11/2009
Olá Mário, bom dia!! Sou um profundo admirador de seu trabalho. Suas crônicas, seus textos e suas ideias são ótimas. Parabéns. Também adorei o texto acima, muito bom. Realmente, em um mundo competitivo onde estamos em uma verdadeira selva, depositar toda as "fichas" em um único emprego é um tanto quanto arriscado. Ademais, aproveito também o ensejo para convidar-lhe a entrar em meu blog: http://torrezanefelipe.wordpress.com/ Abraços, Lucas.
Enviado por Lucas Peres Torrezan em 13/11/2009
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