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03/04/2009
Parem as máquinas!
por Mario Persona
Quando eu era criança, se alguém me perguntasse qual seria o futuro do jornal eu saberia responder: o açougue. É que na época eu achava que jornal eram aquelas folhas enormes que entravam em nossa casa de duas maneiras: para meu pai ler ou embrulhando a carne.
Hoje sei que jornal não é a plataforma que ora transporta as letras, ora a carne. Ainda que o jornal de papel desapareça, o papel do jornal não vai desaparecer, pois o jornal é o blog da História. É nele que dona História registra diariamente aquilo que depois será estudado na academia. Há alguns anos um grande jornal pediu uma proposta para uma palestra. Os diretores queriam conhecer minha opinião sobre o impacto das novas tecnologias em seu negócio. Enviei a eles uma proposta contendo os tópicos abaixo, que podem servir de axiomas para o futuro do jornal impresso. Fique avisado de que escrevi mais nas entrelinhas do que nas linhas. - NEGÓCIOS - O negócio do jornal não é imprimir papel, mas causar impressões com sua investigação, análise e interpretação dos fatos. - VEÍCULOS - O fabricante do Cadillac não conseguia entender a razão da queda nas vendas, até perceber que os donos de Cadillac estavam morrendo. - HORÓSCOPO - As expressões "the future of the radio", "the future of the television" e "the future of the newspaper" aparecem, respectivamente, 30 mil, 90 mil e 990 mil vezes numa busca no Google. Quando tem muita gente olhando para o telhado é porque sua gata deve ter subido lá. - POLÍCIA - É difícil competir com a lesão ao vivo e em cores dos meios multimídia. Finalmente o jornal conseguiu se livrar do estigma da máxima que diz que "se não sangrar, não tem audiência". Pior para ele. - TEEN - A geração atual aprendeu a ler no videogame, mas quando a pesquisa pergunta ao jovem se ele lê jornal de papel ele diz que sim com pinta de intelectual. Pesquisados são mentirosos e pesquisas são ingênuas. - ECONOMIA - A verba de propaganda foi tão pulverizada que agora a briga por ela é entre o conglomerado com 10 mil funcionários e o blog do Zezinho, aquele seu sobrinho. - ESPORTES - O consumo de banda e computação móvel cresce. É covardia deixar seus caracteres de tinta correrem na mesma raia dos pixels multimídia. - CLASSIFICADOS - Os classificados foram desclassificados e reclassificados pelo Google e pelo eBay. O balcão de anúncios foi colocado à venda lá. - TURISMO - Insistir que a informação continue limitada ao papel é obrigar os aviões a viajarem em trilhos. Questão de bom senso na logística de distribuição. - CULTURA - Na era do RSS (Real Simple Syndication) e da remixagem digital, a tecnologia desbanca a autoria individual, quando genérica e sem sal, e cria colchas de retalhos de informação em cores mais vibrantes. - OBITUÁRIO - Vale para o jornal impresso o que vale para o rei: "O jornal morreu. Viva o jornal!" Você deve estar curioso para saber se aquele jornal gostou da proposta. Provavelmente não, porque não me contratou. Às vezes você precisa dizer aquilo que seu cliente quer ouvir, às vezes não. Existe uma tendência perigosa no ser humano de buscar por opiniões que não dêem trombada em sua opinião formada. Perguntado sobre a razão do desinteresse da nova geração em comprar jornais, um especialista que presta serviços para grandes conglomerados respondeu: "Deve ser porque os jovens estão lendo o jornal comprado pelos pais". Ingenuidade ou conveniência? Não, eu não sei informar se foi esse que o jornal contratou para a palestra.
Será que a solução para os jornais está no novo Kindle DX com página tamanho grande? 
 |  | O Destino do Jornal - Lourival Sant´anna
Resultado de uma excelente combinação de rigor jornalístico e metodologia acadêmica na análise de um dos fenômenos mais fascinantes da comunicação social. Lourival Sant´Anna registra a situação dos grandes jornais brasileiros num momento histórico para o meio, que sofre uma crise sem precedentes em várias partes do mundo devido à presença da internet. Do site "Master em Jornalismo": "A obra contribui sobremaneira para o entendimento do cenário por que passam os grandes jornais brasileiros em mais um momento de transição, profundamente afetado com a massificação da internet. Mais do que oferecer uma “crônica da morte anunciada” dos jornais, Lourival procura analisar a questão a partir de três fatos estruturais: a concorrência cada vez mais acirrada do meio digital; a mudança nos hábitos de leitura, o que explica o consumo de informação dos jovens ser bem maior diante da tela do computador; e a inovação tecnológica, que permite uma interatividade a uma velocidade e custo absolutamente impossíveis no impresso." Continua aqui Editora: Record Autor: LOURIVAL SANT´ANNA ISBN: 9788501081506 Origem: Nacional Ano: 2008 Edição: 1 Número de páginas: 272 Acabamento: Brochura Formato: Médio
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Respostas: 4 Pessoas comentaram. E você, qual é sua opinião?
MARIO Acessei hoje o10509 domingo às 16h45 pela primeira e inesquecivel vez teu SITE: Li o assunto: Parem às Máquinas. Que pena, honrado autor do texto,que são poucos os dotados de coragem e da sabedoria de expor o que "nem sempre outros desejam ouvir". Mas é assim que, alguns mesmo não desejando ouvir o que ouviu,vai saber que ouviu o que de fato e de direiro precisava ter ouvido. É vero. Vou aprender muito com teu geito de expor a verdade verdadeira. JRP Com fiel respeito
Enviado por JOÃO RIBEIRO PADILHA em 01/05/2009
Meus parabéns pelo artigo. Adoro seus vídeos e textos... sempre muito interessantes e diretos. Abraços e tudo de bom!
Enviado por Fernando Guedes em 17/04/2009
As árvores agradecem!
Enviado por Daniel em 09/04/2009
Prezado Mario Persona, primeiramente, gostaria de parabenizá-lo pelo seu artigo. Achei-o bem atual e pertinente. Trabalho com a web faz um bom tempo e ministro aulas sobre o assunto numa faculdade aqui em Nova Friburgo no curso de Computação. No ano passado o jornal O Globo fez um anuncio de uma página falando sobre as discussões que levaram a empresa a fazer uma adaptação no jornal integrando as duas mídias: papel e web. Acredito que o jornal em papel não acabe, apenas diminua (por enquanto!). Afinal quem já experimentou ler algum livro através da tela de um computador sabe que o meio (monitor) não é muito agradável de se ler e que nada substitui a comodidade e o prazer de se folhear um livro. Por outro lado, as diversas técnicas de desenvolvimento para a web(web-writing, web-deseign, etc)tem ajudado bastante a despertar a leitura no computador. Além disso, a possibilidade de participação cada vez mais ativa dos leitores (web 2.0) e as abordagens multimídias sobre um mesmo assunto têm transformado a leitura na tela em uma experiência rica: ao mesmo tempo que se lê a matéria, vê-se um vídeo, envia-se um comentário, extende-se o assunto através de outros link, faz-se referência a matérias antigas associadas, etc. Acredito mais em uma integração entre as mídias do que simplesmente na extinção de uma delas em detrimento da outra. É claro que a tecnologia pode mudar os hábitos, os costumes e os meios, senão estaríamos escrevendo ainda em pedras. O surgimento da tinta virtual (e-ink) e do papel virtual (e-paper) são tecnologia ainda emergentes mas que podem mudar o atual cenário e modificar de vez o que conhecemos hoje como jornal.
Enviado por Dalmo Stutz em 07/04/2009
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