29/11/2008
Youtube, widescreen e pensamento bi-hemisférico
por Mario Persona
Tá todo mundo atrás de uma solução milagrosa para a crise. Quer uma idéia? Veja o Youtube. Reparou que ele esticou? Virou widescreen.
Se já era preciso ser criativo para encher de tutano aquela telinha 4:3 copiada da TV antiga, imagine encher a linguiça 16:9. Para enfrentar a crise o jeito é pensar widescreen, igual ao Youtube, colocar os dois hemisférios para trabalhar.
Já viu como todo mundo está cortando tudo? Custos, pessoal, material, cafezinho. Ok, não ia dar mesmo para continuar com toda aquela gordura. Mas onde você acha que isso vai chegar? Quando todos cortam custos, todos ficam de custos cortados. Iguais, idênticos, sem qualquer diferencial competitivo. Sim, isso já é uma big mudança, mas é uma mudança commodity, compulsória e global, que não diferencia ninguém.
A mudança que faz a diferença não é a imposta pelas circunstâncias, mas a desencadeada pela criatividade e inovação. Criatividade é a geração de novas idéias, e inovação é colocá-las em prática. O resultado é a mudança que tira você da tela estreita da mesmice e o coloca numa faixa do espectro de idéias que ninguém ainda ocupou.
Para isso você vai precisar usar o resto da tela de seu cérebro, despertar sua lateral direita, entorpecida, e pensar de modo bi hemisférico. Mono hemisféricos nós já somos, treinados que fomos por escolas que mataram a criatividade e nos transformaram em maquininhas de pensamento lógico, racional e analítico.
É na escola que a professora interrompe o vôo da nave espacial que nossa mão faz dar piruetas no ar, para explicar que aquilo não passa de uma caneta. A escola joga uma pá de cal cartesiana na fantasia colorida da infância, e somos catapultados sem piedade para o mundo cinzento dos adultos.
Na escola quem acerta na prova se dá bem. Na vida, quem erra, aprende e tenta mil vezes se dá melhor. A menos que você comece a desenvolver alguma atividade criativa nas profundezas do hemisfério direito de seu cérebro, seu destino é virar mais um Smith do Matrix, aquele com óculos de camelô e gravata do avô. São poucos os neolíderes da verdadeira revolução, a criativa.
O líder da mudança criativa é otimista, vive em busca de oportunidades. É também tolerante para com o erro porque aprende com ele. É bem humorado porque se diverte fazendo o que faz. É curioso, indagador, e não tem medo de dizer que não sabe e quer aprender. É apaixonado e se entusiasma com a facilidade de uma criança.
Esse líder adora procurar sarna pra se coçar, enfiar o nariz onde não foi chamado e grudar num problema que ninguém quis resolver. É contagiante. Você não consegue passar perto dele sem ser abordado, agarrado e persuadido pela paixão com que ele tenta vender suas idéias.
Mas você não será criativo se continuar pensando do jeito mono hemisférico que treinou na escola. E nem se cair no equívoco dessa forma de trabalho em equipe que encontra em algumas empresas.
Nas empresas quadradinhas, trabalho em equipe é tudo aquilo que visa chegar a um resultado de consenso. Tá bom, você conhece alguma obra de arte pintada por uma comissão? Arte verdadeira é aquela que a genialidade de um artista pintou e foi reconhecida como tal por um grupo de pessoas. A equipe.
Dê a lista de autores de "Senhor dos Anéis", toque uma sinfonia composta pela equipe da qual Beethoven fazia parte, ou sugira ao Hamilton tentar ser campeão outra vez levando no cockpit o pessoal do box. Entendeu agora que equipe é uma soma de talentos individuais e não a sua diluição? Que equipe é um terreno que produz ouro, não amálgama?
Infelizmente muitos líderes não vêem assim. Eles estão mais para carpinteiros que enxergam seus subordinados como pregos numa tábua. É só perceber uma cabeça saliente e ele martela até ficarem todas iguais.
Posfácio: Tive um trabalho doido para colocar meus vídeos lado a lado e, principalmente, para sincronizar as falas, pois não uso nada sofisticado: Windows Movie Maker (para edição de vídeos) e Audacity (para edição de áudio) e um pouquinho de criatividade. Mas criativo mesmo é esse cara, mesmo que as vozes não sejam dele (é dublagem):
Do autor do vídeo: All the 4 beautiful voices belong to the men from Moosebutter. They are a professional a cappella comedy group from Utah, and were kind enough to assist me in the making of this video. Check them out and hear more hilariously awesome songs at www.mosebutter.com
O que torna algumas pessoas capazes de atingir um sucesso tão extraordinário e peculiar a ponto de serem chamadas de "fora de série"?
Costumamos acreditar que trajetórias excepcionais, como a dos gênios que revolucionam o mundo dos negócios, das artes, das ciências e dos esportes, devem-se unicamente ao talento. Mas neste livro você verá que o universo das personalidades brilhantes esconde uma lógica muito mais fascinante e complexa do que aparenta. Baseando-se na história de celebridades como Bill Gates, os Beatles e Mozart, Malcolm Gladwell mostra que ninguém "se faz sozinho". Todos os que se destacam por uma atuação fenomenal são, invariavelmente, pessoas que se beneficiaram de oportunidades incríveis, vantagens ocultas e heranças culturais. Tiveram a chance de aprender, trabalhar duro e interagir com o mundo de uma forma singular. Esses são os indivíduos fora de série - os outliers.
Para Gladwell, mais importante do que entender como são essas pessoas é saber qual é sua cultura, a época em que nasceram, quem são seus amigos, sua família e o local de origem de seus antepassados, pois tudo isso exerce um impacto fundamental no padrão de qualidade das realizações humanas. E ele menciona a história de sua própria família como exemplo. Além disso, para se alcançar o nível de excelência em qualquer atividade são necessárias nada menos do que 10 mil horas de prática - o equivalente a três horas por dia (ou 20 horas por semana) de treinamento durante 10 anos. Aqui você saberá também de que maneira os legados culturais explicam questões interessantes, como o domínio que os asiáticos têm da matemática e o fato de o número de acidentes aéreos ser mais alto nos países onde as pessoas se encontram a uma distância muito grande do poder.
Editora: Sextante Autor: MALCOLM GLADWELL ISBN: 9788575424483 Origem: Nacional Ano: 2008 Edição: 1 Número de páginas: 288 Acabamento: Brochura Formato: Médio
Respostas: 7 Pessoas comentaram. E você, qual é sua opinião?
Durante uma aula de Educação Brasileira (profº Regina Duarte) fiquei conhecendo um pouco sobre seu trabalho, e me apaixonei..sua criatividade , suas idéias..são inspiradoras..sou sua mais nova fã
E sempre bom termos textos e reflexiões a esse nível a nossa disposição. E uma honra poder paartilhar da genealidade do Srº Mario Persona. Obrigado pelos momentos agradaveis e e divertidos que passo a ler e assisitir vossos artigos.
Mário, muito bom o vídeo, muito estimulante para desenvolver a criatividade, o detalhe da camisa preta no fundo, só com a cabeça, e se aproveitando do novo tamanho do Youtube foi muito bem sacado, parabéns, do seu permanente seguidor, Nepomuceno.
"Ser
alguém é ter uma história para contar."
Isak Dinesen
Curioso para
saber quem sou? Ok, você pediu. Para
poupá-lo, vou começar nos anos 70.
Após a fase mauricinho, virei hippie.
Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em
festivais, vivi 3 anos só de
macrobiótica e vesti bata de algodão de
saco de farinha. Despojamento exterior de
um Gandhi, mas vivendo como a rainha da
Inglaterra, PAItrocinado
no conforto de um apê só meu no
Guarujá e faculdade particular em Santos.
Fim dos anos 70, desenhista, designer de
ambientes e cartunista, recém formado
arquiteto, metido em movimentos de
contracultura e volta à natureza, fui
morar no mato. Comprei um sítio após
uma tentativa frustrada de morar numa
comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram
3 anos cantando "Refazenda",
criando carrapatos, plantando mato e
comendo arroz integral com gersal.
Foi também no fim dos 70 que nasci de
novo, após três anos errando à procura
de um sentido para a vida em filosofias
do extremo oriente. Minha procura
terminou no oriente médio e os anjos
ficaram alegres.
Voltei à civilização para continuar a
carreira de arquiteto. Tive escritório
de arquitetura, fui vendedor de materiais
de acabamento, negociador no Banco Itaú
e Cia do Metrô, editor de publicações
cristãs da Verdades Vivas, tradutor
técnico e diretor de comunicação e
marketing da Widesoft.
Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996
criei meu primeiro site, o bilíngüe True Stories,
seguido do trilíngüe Chapter-A-Day.
Trabalhando na Widesoft, criei a
comunidade Widebiz
e ultimamente mantenho alguns blogs, como
este CAFE,
o biográfico Quero Contar
e o devocional O Pintor em Minha
Janela.
Descobri o ócio criativo e faço que
gosto trabalhando em casa. Meus clientes
nunca iam ao meu escritório nem
eu por isso decidi assumir o
modelo home-office, conectado a um
atendimento profissional, empresas
parceiras, ao meu filho Lucas Persona
e aos meus clientes.
Adotei o modelo futuro no presente.
Ao lado de minha mesa fica a poltrona de
meu filho Pedro, que passa o dia
escutando música. Quem é Pedro? Esta é
uma outra história que você encontra no
livro "Uma Luta
pela Vida",
de minha filha Lia
Persona, ou acompanhando
o blog Quero Contar
.