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05/11/2008
Um presidente negro na Casa Branca
por Mario Persona
Achei estranho, muito estranho. Aquilo não era para estar acontecendo. Na minha opinião os Estados Unidos cometiam um grande erro ao enterrar seus cidadãos daquele jeito.
Coloquei mais força nos pedais da bicicleta para deixar para trás a rua que dividia os mortos. Eu tinha acabado de descobrir, no cemitério perto de casa, em Carthage, Missouri, que de um lado da rua enterravam os brancos e do outro os negros. Em 1972, aos 16 anos, segregação assim era novidade para mim. Eu sei que no Brasil existia, só que não amparada por lei ou religião. Nos EUA a segregação tinha sido abolida no papel dois anos antes, mas continuava na prática. Na McAuley High School, escola particular católica onde eu estudava, não encontrei um aluno negro. A supremacia branca, defendida por alguns cristãos norte-americanos, teve sua origem na mitologia pagã anglo-saxônica e influenciou o pensamento de personalidades tão diferentes quanto Hitler, Monteiro Lobato e Allan Kardec. Mas na Roma de Constantino a mistura de elementos cristãos e pagãos já era incentivada, visando homogeneizar a religião no império. Quem visita o Vaticano encontra imagens que nada mais são do que representações ou estátuas recicladas de deuses pagãos, como a de Júpiter, que ocupa o lugar de São Pedro. A segregação também tem o respaldo de interpretações equivocadas da Bíblia, em especial da história dos filhos de Noé. Séculos antes de católicos e protestantes usarem seu texto para endossar práticas escravagistas, judeus e muçulmanos já interpretavam o Antigo Testamento assim. Os árabes foram os primeiros a escravizar negros etíopes, criando um precedente para a escravidão ditada pela cor da pele. A própria Bíblia coloca em xeque essas interpretações, quando descobrimos que a esposa de Moisés era negra. O bebê Moisés foi salvo das águas por uma princesa egípcia, cuja aparência estava mais para a da irmã de Barack Obama do que para a holandesa Nina Foch, que interpretou a princesa no hollywoodiano "Os Dez Mandamentos" de Cecil B. DeMille. E não podemos nos esquecer de que José, Maria e o bebê Jesus encontraram abrigo entre os habitantes do norte da África. Mas o maior embaraço para qualquer caucasiano que pretenda usar a Bíblia para justificar a supremacia branca está na história da conversão do eunuco, oficial da rainha da Etiópia, no livro de Atos. O primeiro não-judeu a se converter à fé cristã e a propagar o cristianismo na África foi um negro. Numa época quando os bárbaros brancos da Europa ainda ofereciam sacrifícios humanos aos seus deuses, muitos africanos já falavam de Jesus. A eleição de Barack Hussein Obama à presidência da maior potência do planeta muda muita coisa. Para começar, será preciso rever alguns conceitos de marca e pesquisas de opinião. Há alguns anos qualquer pesquisa daria como zero a probabilidade de um negro ser presidente dos EUA. Depois do 11 de setembro, então, alguém chamado Hussein ou Obama tinha mais chances de ir parar em Guantánamo do que na Casa Branca. Ora, os norte-americanos chegaram até a boicotar a mostarda French's, só porque os franceses não apoiaram a invasão do Iraque. A questão é que "French" não vem de "francês", mas é o sobrenome do criador da marca norte-americana de temperos. O primeiro desafio de Obama foi vencer a segregação dos brancos. Agora vai precisar vencer a decepção de alguns negros que esperam uma reversão no tratamento preferencial. Ralph Nader, o perdedor independente, já insinuou que Obama está mais para "Uncle Tom" do que para "Uncle Sam". Lá a expressão "Uncle Tom" é pejorativa, e significa um negro subserviente ao domínio do branco. Venha o que vier, acho que Abraham Lincoln teria gostado de viver estes dias. Ele, que combatia a escravidão, um dia encontrou um político que reclamou de suas idéias. Lincoln argumentou mais ou menos assim: "Se você diz que o de pele mais clara pode escravizar o de pele mais escura, é melhor tomar cuidado. Você pode acabar escravo do primeiro que encontrar que tiver a pele mais clara do que a sua. Se não for apenas uma questão de cor, mas de superioridade intelectual, que você acredita ser característica dos brancos, então você pode acabar escravizado por alguém mais inteligente do que você."  |  | A Audácia da Esperança - Barack Obama O senador democrata Barack Obama, eleito no final de 2008 presidente dos Estados Unidos analisa o governo Bush, a vida política atual no seu país, a atuação do Congresso, as tensões religiosas e raciais, a intervenção norte-americana no Iraque e também outras questões mundiais, como o terrorismo e as pandemias nas páginas desta magnífica obra. Apesar de não ser exatamente uma autobiografia, a trajetória e experiência do senador também é exposta. Conheça um pouco mais sobre as idéias deste homem que em 2009 será o presidente do país mais podereso do mundo. |

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Gostei muito do texto do Mário, fechando perfeitamente com o dizer de Abraham Lincoln. Agora precisamos nos convencer que muito mais que carisma e empolgação, o atual presidente americano Barack Obama foi beneficiado pelo direito do povo de mudar para o lado que quiser. Assim como aconteceu quando elegeu-se Lula por aqui. O povo simplesmente estava cansado dos mesmos e resolveu agir. Ora! Se não conseguimos ir para lado nenhum ou se cada vez mais perto do abismo estamos, está mais do que na hora de mudar. Acredito que neste quesito agimos antes que os americanos, talvez seja por isso que estamos mais tranquilos com relação à crise.
Enviado por Rogério Sander em 28/01/2009
qostei do explanação efectuada, e apenas respondo porque achei-me equadrado. pois estudei em Santo António Texas e em Little rock uma vez passei em Eudora e não queria acreditar um cemitério para brancos (um jardim muito bem cuidado ) um cemitério para negros ( fora da cidade no meio do mato sem qualauer delimitação. fique bastante incomudado que ainda hoje apenas falo via net não consigo explicar pessoalmente, aquilo que vi no País mais democrata do mundo. peço desculpa de não me ter apresentado sou portugues e vivo em Lisboa
Enviado por Joao rico em 23/11/2008
nao há duvida q um presidente nos EUA muda o conceito de que o povo americano é racista , que a cultura americana apregoa isso, obviamente há grupos organizados q sao racistas, mas nao podemos confundir isso com a conduta mediana do americano, seria como dizer q o povo brasileiro é a favor da violencia só pelo fato dele esta rodeado de bandidos. O que é terrivel e perigoso é acusar aqueles q nao votariam no obama de racista! o que é vergonhoso, pois se fosse assim, chamar de racista seria a explicaçao pra tudo, como fazem hoje em dia, se eu sou contra cotas pra negro,"aaaa entao tu é racista!!", que argumento mais infantil. Eu nao votaria no Obama, n pq sou racista mas pq há centenas de motivos pra isso. Negro por negro eu votaria em outro candidato americano, um negro de verdade alan key, cadidato republicano que tem uma historia integra , aberta ao publico, e nao um mulato ou mesmo branco, com uma historia de vida duvidosa, como barack obama. ser negro nao pode ser o criterio nem de escolha e nem criterio de merecimento.
Enviado por rodrigo em 11/11/2008
Gostei muito da explicação sobre a história que envolve esses fatos. Eu particularmente já deixei de enxergar as pessoas como "negros" ou "brancos". Minhas retinas só enxergam "seres humanos"; mas realmente a eleição de um presidente "negro" de nome Hussein Obama realmente faz a gente pensar, e aponta pra algo de diferente que está acontecendo na sociedade americana... Gosto muito das suas crônicas, parabéns pelo trabalho!
Enviado por Adriano O. Gonçalves em 06/11/2008
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