Não consigo dormir. E quem consegue? Culpa do efeito borboleta. Aquele que diz que o bater de asas de uma borboleta no Brasil pode causar um tornado no Texas. Se os terroristas ouvirem isso vão querer se mudar para cá e criar borboletas.
Mas faz sentido, principalmente se você pensar que os gases liberados na atmosfera pelo seu carro podem derreter o gelo do Ártico por causa do tal efeito estufa. E é por isso que não consigo dormir. Estou me sentindo estufado e temo causar uma catástrofe em algum ponto do planeta.
Está tudo interligado, tudo interconectado. Vivo num imenso condomínio mundial. Se seguro o elevador, meu vizinho de cima pode perder o emprego. Se compro tênis no camelô, estimulo o trabalho escravo no oriente. Se compro diamante, patrocino o genocídio na África Central. Sou mais um responsável por todos e todos por um, num planeta com mais de 6 bilhões de mosqueteiros.
Sofro ao saber que alguém na Rússia vai ficar sem hamburger porque alguém no Brasil se esqueceu de vacinar a vaca. Preocupo-me quando um frango espirra no Vietnã e uma andorinha sozinha vai fazer verão na Romênia levando o vírus.
Será que é o excesso de informação que faz isso comigo? Deve ser. Antigamente eu só sabia do que acontecia com meus primos e minha tia. Meu mundo cresceu com a abundância de informação e eu também. No meu caso é o efeito estufa, como já disse. Esse excesso de informação que me bombardeia diuturnamente tem lá o seu lado bom para um cronista como eu. Dependo de fragmentos do cotidiano para escrever e meu e-mail traz todos os dias um caminhão de matéria prima.
É claro que junto vem muito lixo, mas também recebo casos que posso reciclar, como o de dona Gertrudes - o nome eu inventei - que pode ser real, lenda ou trote, não sei. O que sei é que, se existir, ela é tão ou mais preocupada do que eu. Por isso decidi escrever minha versão reciclada da história de autor desconhecido que circula na Internet, para dar a ela um sentido mais educacional.
Politicamente correta, socialmente correta, ecologicamente correta, seja-lá-o-que-for correta, assim é dona Gertrudes. Só para você ter uma idéia, em sua cozinha há 4 cestinhos de lixo para materiais recicláveis, um de cada cor: Vermelho para plásticos, amarelo para metais, azul para papel e verde para vidro.
E na garagem tem mais: preto para madeira, laranja para resíduos perigosos, branco para materiais hospitalares, marrom para orgânicos e cinza para não-recicláveis. Você acredita que a mulher tem até um cesto de lixo roxo? É para as velhas radiografias, que ela acha que são radioativas.
Quando não está caminhando ou usando sua bicicleta ou o transporte público, seu carro queima álcool, cinco vezes menos poluente que a gasolina. Sua impressora até aprendeu a ler, de tanto ela imprimir do outro lado, e quando vai ao supermercado, leva sua própria sacola para reduzir o consumo de sacos plásticos. A menina do caixa, boba, acha graça.
Refrigerante em garrafa PET? Nem pensar. Só suco de fruta. As lâmpadas da casa ela já trocou pelas econômicas, só toma banho frio e rapidinho, e ai do filho que deixar algum eletrodoméstico ligado na tomada com aquela luzinha em estado de espera. Será que preciso dizer que ela escova os dentes com a torneira da pia fechada e usa a água suja da máquina de lavar roupa para lavar o quintal?
Carne de vaca não come mais, por causa dos 25% do efeito estufa causados pelo escapamento do animal. Sua dieta de alimentos orgânicos e integrais só abre a porteira para peixes e aves. E quando a mulher viaja para o campo, leva um saco de sementes de árvores e arbustos para espalhar. Mais verde do que dona Gertrudes, só o seu Garcez, o marido, que sofre um pouco do fígado. Até parou de fumar para ver se resolve.
Toda essa preocupação deu aos filhos a idéia de aprontarem com o peru da ceia de Ano Novo. Justo com o peru, que Dona Gertrudes criou só com alimentação natural, massageou usando técnicas de Do-In e tentou, sem sucesso, fazer a ave aprender Yoga. Até homeopatia ela usou quando o peru andou esquisito.
Dizem - mas não acreditei - que antes da execução ela usou acupuntura para anestesiar o peru e amaciar a carne. Na minha opinião o que ela usou mesmo foi a velha cachaça, como se fazia antigamente, despejada em um funil goela abaixo. Depois, temperou naturalmente com sal não-refinado, vinagre de maçã e ervas orgânicas, e colocou a ave no forno.
Foi só virar as costas e os filhos tiraram o peru do forno, esvaziaram a ave de seu recheio e enfiaram no lugar um franguinho, o menor que encontraram no supermercado. Tapado o orifício com farofa para disfarçar, devolveram o peru ao forno.
À noite, cercada pela família, a orgulhosa dona Gertrudes meteu a faca na ave e foi destrinchando, enquanto se gabava de suas preocupações ecológicas e sociais no preparo. Ao descobrir o franguinho assado no interior da ave, gritou de comoção e horror antes de desmaiar:
Em Liderança sustentável, Andy Hargreaves e Dean Fink abordam um dos aspectos mais importantes e freqüentemente negligenciados da liderança: a sustentabilidade. Escrito prioritariamente para gestores escolares, mas de interesse para todas as áreas de gestão, este livro propõe de forma original e convincente sete princípios para liderança sustentável, caracterizados pela Profundidade da aprendizagem; Durabilidade do impacto a longo prazo, através de boa administração da sucessão; Amplitude de influência, onde a liderança se torna uma responsabilidade distribuída; Justiça, garantindo benefícios a todos os alunos; Diversidade, que substitui a padronização; Engenhosidade, que conserva e renova a energia dos líderes sem esgotá-los; e Conservação, que se baseia no melhor do passado para criar um futuro ainda melhor.
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Mário, sentimos o peso da avalanche de informação que recai sobre nós. Bacana qdo vc menciona: "(...) Antigamente eu só sabia do que acontecia com meus primos e minha tia.(...)" Também tenho essa sensação. Ao mesmo tempo em que saber transforma, saber demais algumas coisas pode sufocar.
oi mário gostaria de parabenizar voçê pela pessoa que é,pois voçêstá sendo uma espiração para mim estou cursando faculdade de venda e pretendo metornar palestrante leio seus artigos ,vejo teus videos adoro pois voçê eé uma pessoa dinamica e alegre espero aprender para por em pratica desde já te agradeço pelo seu sucesso continui sempre assim. abraços douglas.
"Ser
alguém é ter uma história para contar."
Isak Dinesen
Curioso para
saber quem sou? Ok, você pediu. Para
poupá-lo, vou começar nos anos 70.
Após a fase mauricinho, virei hippie.
Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em
festivais, vivi 3 anos só de
macrobiótica e vesti bata de algodão de
saco de farinha. Despojamento exterior de
um Gandhi, mas vivendo como a rainha da
Inglaterra, PAItrocinado
no conforto de um apê só meu no
Guarujá e faculdade particular em Santos.
Fim dos anos 70, desenhista, designer de
ambientes e cartunista, recém formado
arquiteto, metido em movimentos de
contracultura e volta à natureza, fui
morar no mato. Comprei um sítio após
uma tentativa frustrada de morar numa
comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram
3 anos cantando "Refazenda",
criando carrapatos, plantando mato e
comendo arroz integral com gersal.
Foi também no fim dos 70 que nasci de
novo, após três anos errando à procura
de um sentido para a vida em filosofias
do extremo oriente. Minha procura
terminou no oriente médio e os anjos
ficaram alegres.
Voltei à civilização para continuar a
carreira de arquiteto. Tive escritório
de arquitetura, fui vendedor de materiais
de acabamento, negociador no Banco Itaú
e Cia do Metrô, editor de publicações
cristãs da Verdades Vivas, tradutor
técnico e diretor de comunicação e
marketing da Widesoft.
Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996
criei meu primeiro site, o bilíngüe True Stories,
seguido do trilíngüe Chapter-A-Day.
Trabalhando na Widesoft, criei a
comunidade Widebiz
e ultimamente mantenho alguns blogs, como
este CAFE,
o biográfico Quero Contar
e o devocional O Pintor em Minha
Janela.
Descobri o ócio criativo e faço que
gosto trabalhando em casa. Meus clientes
nunca iam ao meu escritório nem
eu por isso decidi assumir o
modelo home-office, conectado a um
atendimento profissional, empresas
parceiras, ao meu filho Lucas Persona
e aos meus clientes.
Adotei o modelo futuro no presente.
Ao lado de minha mesa fica a poltrona de
meu filho Pedro, que passa o dia
escutando música. Quem é Pedro? Esta é
uma outra história que você encontra no
livro "Uma Luta
pela Vida",
de minha filha Lia
Persona, ou acompanhando
o blog Quero Contar
.