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04/11/2007
Ingratidão
por Mario Persona
A cena ontem era de cortar o coração. Era meia-noite e chovia. Encolhida, dormindo no parapeito do terraço de meu apartamento, havia uma pombinha. A princípio fiquei preocupado. Teria sido o seu vôo também cancelado?
Mas logo pensei no pior e imediatamente rabisquei num quadro mental as probabilidades de contágio: Gripe aviária, dermatite, criptococose, histoplasmose, ornitose, salmonelose... Estava a ponto de enxotá-la, mas, como não sou o Dr. House, apaguei o quadro mental e decidi deixá-la dormir em paz. Receber guarida na noite fria e chuvosa do desemprego é uma experiência que ninguém esquece. Ou não deveria esquecer. Mas para alguns é fácil esquecer as portas em que bateu ou levou, as solas que gastou e os currículos que enviou. São pessoas que, uma vez abrigadas num novo emprego, se despem da gratidão e passam a cuspir no chão. Uma coisa eu aprendi com minha mãe: nunca cuspa no prato em que você comeu, e muito menos naquele onde ainda está comendo. Ser grato pela empresa que lhe deu guarida é uma atitude extremamente louvável. Ah, sim, você pode até argumentar que a empresa não lhe fez nenhum favor, que os empresários exploram os empregados, que o capitalismo é vil, e blá-blá-blá. Tudo bem, então deixe a barba crescer e vá morar em Cuba. Ou vire empreendedor se quiser chegar a patrão. Hmmmm.... mas você já deve saber que reclamar de quem empreende é sempre mais fácil do que empreender, não é mesmo? Tive um chefe que sabiamente lembrava os descontentes da equipe que "a porta da rua é a serventia da casa". Mas bem que naquela noite fria e chuvosa do desemprego você estava disposto a qualquer coisa para conseguir comprar o leite das crianças, não é mesmo? Meu pai trabalhou a vida toda em um banco e minha mãe nos ensinava -- a mim e às minhas irmãs -- que devíamos ser gratos por isso. Tínhamos casa para morar, carro para viajar, empréstimos para saldar e muitos outros benefícios. Depois de crescidos, todos nós abrimos conta no mesmo banco como forma de ajudar a empresa. Ok, pode rir à vontade, mas se minha mãe ainda estivesse aqui você ia escutar. Ah, e como! Não gosto de gente que fala mal da empresa onde trabalha, dentro ou fora dela. Um dia um aluno perguntou se eu sabia de um emprego, pois disse que a empresa onde trabalhava estava uma droga. Respondi que não poderia indicá-lo, pois como eu iria saber se a empresa não tinha ficado uma droga depois de ele entrar lá? Ele captou a mensagem. Já passei pela experiência de procurar emprego, de achar emprego e de perder emprego. Hoje já não preciso me preocupar em procurar ou perder, pois trabalho para mim mesmo. Mas -- que isto fique apenas entre eu e você -- já faltou isso aqui para eu colocar a mim mesmo no olho da rua. Sim, e não foi uma vez, foram várias! Não é fácil ter alguém como eu trabalhando para mim. Mas, embora eu não precise de emprego, preciso de clientes, e é por isso que sou grato a Deus por cada um deles. Torço por sua prosperidade, aplaudo seus sucessos e até compro seus produtos. Há anos só compro café solúvel da empresa que um dia contratou meus serviços. Se o café é bom? Oras, é o melhor que existe! Foi minha mãe quem me ensinou a fazer assim. Ela dizia para eu procurar deixar sempre boas lembranças por onde eu passasse. Descobri depois que isso fazia parte da sabedoria militar das antigas guerras: "Nunca destrua as pontes; você pode precisar voltar por elas". Talvez seja por isso que também já senti o gostinho de ser chamado de volta a uma empresa da qual tinha pedido demissão, e não foi por eu ter me esquecido de dar a descarga. Sou grato a todas as empresas por onde passei e aos clientes que atendi e continuo atendendo, e você deve fazer o mesmo. Evite a todo custo um sentimento de ingratidão. Criaturas ingratas deixam atrás de si um rastro de maus fluídos, e não estou falando no sentido esotérico da palavra. Estou simplesmente me referindo ao que encontrei hoje de manhã no parapeito de meu terraço. Pomba ingrata!  |  | Pergunte ao Max MAX GEHRINGER
O livro Pergunte ao Max - Max Gehringer responde a 164 dúvidas sobre carreira, lançado pela Editora Globo, apresenta uma compilação dos melhores textos publicados pelo colunista - no mesmo formato de "pergunta-e-resposta" consagrado em Época e acompanhados de um tão divertido quanto oportuno Dicionário Atualizado de Carreira. Com a objetividade de sempre, e o humor mais afiado do que nunca, Gehringer nos oferece sua visão de observador atento (e por vezes crítico inclemente) do dia-a-dia no lado de dentro dos portões das empresas. Conhecimento de causa não lhe falta: de office-boy a presidente, o autor passou por todos os degraus da escala hierárquica corporativa, vivência da qual freqüentemente extrai casos para ilustrar suas argumentações. Comunicador nato, Gehringer produz textos em que o didatismo, a a graça e o uso de referências inusitadas se completam, ampliando a clareza e a eficiência da mensagem. Por exemplo, ao explicar as diferenças entre os termos coaching, counselling e mentoring (todos em voga no jargão das empresas), o consultor recorre à origem das palavras, cita Homero, Aristóteles, filmes de bangue-bangue e até O Poderoso Chefão - e cumpre sua tarefa com brilho. Impagável é a interpretação de Gehringer para o termo "noções de inglês", tão utilizado por candidatos a um emprego: "Para quem avalia um currículo, ´noções de inglês´ significa ´preciso aprender inglês´", dispara o consultor, na resposta a uma leitora insegura quanto a seus conhecimentos em língua estrangeira. Além de escrever para a imprensa, Gehringer é comentarista da Rádio CBN e, desde abril, apresenta o quadro "Emprego de A a Z", a bordo do programa dominical Fantástico, por meio do qual tem disseminado a consultoria de carreira para todos os públicos, em todo o país. Autor de vários títulos (entre eles, O Melhor de Max Gehringer na CBN, também da Editora Globo), o consultor reúne em sua mais nova obra tudo o que você sempre quis saber sobre emprego e carreira, mas não tinha a quem perguntar. |

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COMO VC FOI INGRATO COM A POMBA, ELA TE TROXE BOAS LEMBRANÇAS,DOS ENSINAMENTOS DE SUA MÃE E COMO PAT ESCREVEU, TE DEIXOU UM POUCO DE ADUBO E DE BOA QUALIDADE. PARABÉNS VC É SHOW.
Enviado por SERGIO RONALDO em 22/01/2008
Tadinha da pombinha. Pense bem, você podia ter aproveitado o "presente" para adubar alguma plantinha que você tenha num vaso. hehehe
Enviado por pat em 26/11/2007
Isto se chama ética, devemos sempre respeitar e falar bem de quem nos deu emprego, as pessoas que falam mal de seus empregos, é porque na verdade, não querem trabalho, disciplina e pontualidade, querem somente receber seu salário. Aí não tem patrão bom mesmo! E a í que entra a Lei da Atração, nos recebemos de volta aquilo que oferemos. Vera
Enviado por Vera em 08/11/2007
Sou eternamente grata àqueles que me ajudaram em minha jornada pessoal ou profissional. Mas não deixo de ser grata também àqueles que duvidaram e que, mesmo podendo, não me ajudaram. Por mais mesquinho que isso possa parecer, o sorriso e o olhar triunfante que damos a estes últimos quando conseguimos vencer, mesmo diante de tantos obstáculos, não tem preço! Gratidão eterna, aos que ajudaram, aos que nada fizeram, e também aos que atrapalharam os meus planos. Deus sabe onde estaria hoje se aqueles planos tivessem dado certo!
Enviado por Jane Glauce em 07/11/2007
Honrar pessoas ou instituições que de alguma forma nos ajudaram seja com trabalho ou indicação, por aquele "quebra-galho" corriqueiro mas providencial, até mesmo por um "simples" telefonema ou email de apoio na hora em que a gente mais precisava, faz parte de uma atitude de quem não apenas vê a gratidão como uma fria manutenção de pontes potencialmente úteis, bajulação condicional que pretende mantê-lo ativo no seu business network ou como uma forma evitar o constrangimento de voltar a utilizar o prato cuspido. Gratidão é acima de tudo um postura de humildade, um hábito que pode sim ser desenvolvido e fazer parte do perfil pessoal ou profissional de qualquer pessoa. Oposto a hábitos negativos como orgulho e o de murmurar, a gratidão sincera é um sentimento agregador que não só fortalece laços, mas que liberta, que motiva, que sossega o espírito e gera de bem-estar. Gratidão é portanto uma poderosa terapia para a saúde física e emocional. É também um gatilho para o exercício diário de fé que reconhece o Criador como o provedor das pequenas e grandes coisas que nos cercam, que produz um coração agradecido por tudo que temos e somos, por nossos talentos e habilidades. Existem muitas formas de exercer essa gratidão. Talvez a mais recompensadora delas seja aquela que transcende às palavras e requer um pouco mais de investimento pessoal na vida de quem está em desvantagem em relação à nós. E sempre haverá alguém a quem podemos abençoar. Graças a Deus!
Enviado por Enio Souza em 07/11/2007
Ingratidão: belo artigo que nos apresenta a mãe sábia que incute na mente dos filhos, desde a mais tenra infancia, as boas atitudes perante a vida. O artigo lembrou-me uma das belas canções que aprendi no colégio: .." oh gratidão, florzinha graciosa, que nasce nos corações gentís..." o resto não me lembro, mas, como lição de vida bastou este pequeno estribilho..Grata pela atenção, Regina
Enviado por Regina Caldas em 06/11/2007
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