Entro em um site de notícias e lá diz que a "Operação Persona" da Polícia Federal prendeu gente de montão. Imagine o susto deste homônimo, que mora em Limeira, ao ler ainda que tinha laranjas envolvidos na história! Eu, hein? Prisão eu prefiro a de ventre.
Não sei no que isso vai dar, mas ao contrário do que acontecia no passado, hoje nem sempre o nome ou a posição livram a cara do cidadão. No meu tempo de menino bastava um "Você sabe com quem está falando?" para o assunto morrer ali. O nome resolvia a parada.
Todavia, em marketing o nome ainda resolve, e as marcas que o digam. O nome de um produto, marca ou até operação precisa ser muito bem pensado para evitar confusão. Minha empresa tem meu nome, mas poderia não ter se eu fosse o fundador da Toyota. É que Sakichi Toyoda achou melhor trocar o "d" pelo "t" antes de virar carro. Sim, uma letra faz a diferença. Uma garçonete nos EUA está processando o bar que prometeu dar um Toyota para quem vendesse mais. Ela vendeu e descobriu que foi enganada. O prêmio era um "toy Yoda", uma miniatura do Mestre Yoda de "Star Wars".
Às vezes pode ser importante manter o nome do fundador, mesmo que isso exija um esforço extra para ensinar aos consumidores a pronúncia correta. O "Café Kühl", tradicional marca que costumo comprar em minha cidade, fez assim. No passado a empresa imprimia, sob o nome da marca, a frase "Diga Kil".
Quando explicar não resolve, a empresa pode até decidir não lançar o produto. Na década de 70 o Ford Pinto, que quer dizer "cavalo malhado" nos EUA, deixou de vir para o Brasil por motivos óbvios. Mandaram para cá o Maverick, o "cavalo rebelde".
Se você quiser uma Mitsubishi "Pajero" em alguns países de língua hispânica, terá de se contentar com uma Mitsubishi "Montero". A empresa achou melhor se livrar da palavra pajero que na gíria de alguns desses países significa masturbador. Pela mesma razão o Buick "Lacrosse" virou "Allure" quando foi para o Canadá.
O Chevrolet "Nova" não ganhou velocidade nos países de língua espanhola onde "No va" significa "Não anda"*, e demorou para alguns motoristas brasileiros pararem de levar a mal quando alguém anunciava que a "Besta" estava chegando. Nomes podem confundir.
Há também marcas que ajudam no sucesso de uma empresa ou produto. Você provavelmente nem olharia para um Walkman da marca "Tokyo Telecommunications Engineering Corporation", mas compraria um da marca "Sony", o nome moderno da empresa.
A marca também pode fazer a empresa decolar ou não. A Kiwi Airlines foi à falência dois anos depois de sair do ovo. Quase não deu tempo de seus aviões levantarem poeira, no máximo um cisco. Alguém poderá dizer que o problema foi de má administração, mas eu não botaria fé em uma companhia aérea com o nome de um pássaro que voa tanto quanto o fruto homônimo. Ou seja, do galho ao chão.
Dependendo da atividade, até pessoas precisam mudar de nome para fazer sucesso. Você se arriscaria na carreira de cantora se fosse uma garota portuguesa chamada Maria Antonia Sampaio Rosa? Se cantasse bem, talvez pudesse emplacar alguns fados numa obscura cantina de Lisboa, mas jamais conquistaria milhões de ouvintes como Mia Rose conquistou.
Isso mesmo, é a própria Maria Antonia, uma garota de 18 anos, dona do segundo canal mais assinado do YouTube e um dos 25 mais vistos: 27 milhões de exposições. A menina nasceu com talento, mas sem um bom nome, o que é fácil de resolver. O contrário é que não. Como fez Maria Antonia, é comum artistas assumirem literalmente uma segunda persona, ainda que seja só no nome.
Você perderia tempo de ir ao cinema para assistir um filme com Allen Konigsberg, Archibald Leech, Cherilyn Shakisian, Tom Mapother, Bernie Schwartz, Margaret Hyra, Frances Gumm, Issur Danielovitch e Maurice Micklewhite? Provavelmente não.
Mas para assistir uma superprodução reunindo Woody Allen, Gary Grant, Cher, Tom Cruise, Tony Curtis, Meg Ryan, Judy Garland, Kirk Douglas e Michael Caine você certamente compraria ingresso antecipado.
* Fui avisado por um leitor de que a história do Chevrolet Nova não passa de lenda urbana, apesar de ter aparecido em livros de marketing. De qualquer modo, a lição permanece: em um mercado multinacional e multicultural é importante estar atento ao nome que será dado a uma empresa ou produto. Se o nome puder causar equívocos, deve ser repensado. E se o nome puder dar margem para o surgimento de uma lenda urbana negativa?
Bem, não sei se alguém deixou de comprar o Nova nos países latinos por causa da lenda, mas já ouvi de gente que deixou de comer McDonald's por acreditar que o hambúrguer era feito de minhocas, embora não tenha encontrado alguém que tenha parado de comer geléia por acreditar que os vidros vazios serão usados para criar gatinhos, os bonsai kitten. Este pode ser um assunto para uma próxima crônica.
Todo mundo tem idéias a transmitir. De CEOs de grande empresas a mães que se dedicam à educação de seus filhos: um novo produto a ser lançado no mercado ou valores que está tentando ensinar a seus filhos. Mas é extremamente difícil influenciar e transformar a forma de agir e pensar das pessoas. Mas o que faz com que algumas idéias "peguem" e outras não? Como aumentar as chances de ter idéias que valem a pena? Neste livro os renomados educadores, Chip e Dan Heath, abordam questões intrigantes sobre o que faz uma idéia repercutir e, além disso, permanecer no imaginário das pessoas. Provocativo, esclarecedor e surpreendentemente engraçado, este livro mostra os princípios essenciais de idéias vencedoras.
"Ser
alguém é ter uma história para contar."
Isak Dinesen
Curioso para
saber quem sou? Ok, você pediu. Para
poupá-lo, vou começar nos anos 70.
Após a fase mauricinho, virei hippie.
Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em
festivais, vivi 3 anos só de
macrobiótica e vesti bata de algodão de
saco de farinha. Despojamento exterior de
um Gandhi, mas vivendo como a rainha da
Inglaterra, PAItrocinado
no conforto de um apê só meu no
Guarujá e faculdade particular em Santos.
Fim dos anos 70, desenhista, designer de
ambientes e cartunista, recém formado
arquiteto, metido em movimentos de
contracultura e volta à natureza, fui
morar no mato. Comprei um sítio após
uma tentativa frustrada de morar numa
comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram
3 anos cantando "Refazenda",
criando carrapatos, plantando mato e
comendo arroz integral com gersal.
Foi também no fim dos 70 que nasci de
novo, após três anos errando à procura
de um sentido para a vida em filosofias
do extremo oriente. Minha procura
terminou no oriente médio e os anjos
ficaram alegres.
Voltei à civilização para continuar a
carreira de arquiteto. Tive escritório
de arquitetura, fui vendedor de materiais
de acabamento, negociador no Banco Itaú
e Cia do Metrô, editor de publicações
cristãs da Verdades Vivas, tradutor
técnico e diretor de comunicação e
marketing da Widesoft.
Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996
criei meu primeiro site, o bilíngüe True Stories,
seguido do trilíngüe Chapter-A-Day.
Trabalhando na Widesoft, criei a
comunidade Widebiz
e ultimamente mantenho alguns blogs, como
este CAFE,
o biográfico Quero Contar
e o devocional O Pintor em Minha
Janela.
Descobri o ócio criativo e faço que
gosto trabalhando em casa. Meus clientes
nunca iam ao meu escritório nem
eu por isso decidi assumir o
modelo home-office, conectado a um
atendimento profissional, empresas
parceiras, ao meu filho Lucas Persona
e aos meus clientes.
Adotei o modelo futuro no presente.
Ao lado de minha mesa fica a poltrona de
meu filho Pedro, que passa o dia
escutando música. Quem é Pedro? Esta é
uma outra história que você encontra no
livro "Uma Luta
pela Vida",
de minha filha Lia
Persona, ou acompanhando
o blog Quero Contar
.