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28/03/2007
Guerra de Canudos
por Mario Persona
Não sou Antônio, mas vou dar uma de conselheiro. Não tem canudo? É melhor conseguir um. Como? Estudando, oras. Para competir no mercado, primeiro você entra na guerra de canudos. Depois, com o canudo na mão, sai em busca das lentes da experiência para transformá-lo em luneta e garantir sua visão de futuro.
No século dezenove era possível conseguir bons empregos sabendo ler e escrever. No vinte, você precisava aprender datilografia na Escola Remington, se quisesse um emprego decente. Neste século vinte e um o patamar mínimo é um curso superior. Já tem? Bem, continue estudando. Ainda faltam mais de nove décadas para terminar o século. Não há como deixar de estudar e mesmo que você se forme, nunca pode se considerar formado. Você deve continuar vivendo em modo de aprendizado contínuo e reciclagem permanente, porque um diploma de curso superior é condição necessária, mas não suficiente, para se atuar no mercado. Pós-graduação, mestrado, doutorado, especialização disso e daquilo -- hoje é preciso ganhar bem para pagar os cursos que permitirão a você... ganhar bem! Mas o que acontece quando chegamos ao ponto em que todos têm os mesmos cursos que todos têm? A competição vai para a raia da competência. Aí chega a hora de não apenas ter, mas também de colocar em prática aquilo que você tem. Acabou? Não. Você precisa fazer com que as pessoas saibam que você tem a teoria e a prática. Quantas escolas ensinam isso? Uma das coisas que meus alunos mais agradecem é o que ensino nas primeiras aulas: marketing pessoal, postura profissional, relacionamento, uso da Web e coisas assim. Ensino o que aprendi fora da escola, coisas que permitem que eu trabalhe de um modo como jamais poderia ter trabalhado no passado. Embora eu possua também uma formação formal (nossa, que horrível dizer “formação formal”) o diferencial eu busco na informal, em minha senda solitária de cavaleiro autodidata. Espere aí! Não cancele sua matrícula naquele curso de especialização só porque eu disse isso. É preciso primeiro saber se você tem o perfil de um autodidata, de alguém que adora ler, gosta de desmontar, de perguntar e enche a boca de saliva quando precisa pesquisar. O autodidata é movido por algo mais do que apenas uma realização profissional. Ele é movido pelo amor das novas descobertas, pela emoção do saber e pela paixão, não de ser reconhecido como quem sabe, mas de ajudar alguém com o que aprendeu. Não é do destino que ele desfruta, mas da viagem. Uma forma de você atuar no mercado é colocando em prática aquilo que aprende na escola. Isso é como comer croquete feito com picadinho do filé que alguém inventou tempos atrás. O que sobrou dele foi picado e moído pelo escrutínio acadêmico para ser servido em sala de aula. Outra forma de atuar é criando a vaca dos ovos de ouro ou a galinha leiteira. Não errei não; é assim mesmo, de um jeito novo, dum modo que ninguém fez. Os que fazem assim são os líderes, inventores e inovadores. Os outros, meros seguidores. Portanto, ainda que você esteja de canudo até o teto de sua caixa craniana, não se engane: boa parte do que hoje é ensinado nas faculdades em termos de administração, marketing e gestão são coisas que foram colocadas em prática no mercado antes de serem praticadas nas faculdades. Um "estudo de caso" nada mais é do que inovação de ontem, transformada na prática de hoje e apresentada na forma de teoria nas aulas de amanhã. Pode procurar na próxima edição de seu livro acadêmico que vai estar lá. Quando você colocá-la em prática, estará competindo com alguém que está criando o próximo “caso de estudo”. Aí a guerra de canudos é vencida pelo talento, criatividade e inovação, matérias que não se aprende na escola. Por isso, uma vez garantidos os canudos, parta em busca do filé. Meu pai que, quando jovem, morou em pensão econômica, costumava dizer que, quando serviam filé, ele jamais deixava o filé voltar. Ele sabia que, na pensão, o filé de ontem é o picadinho de hoje, que será o croquete de amanhã.

 |  | Know-How RAM CHARAN
Ram Charan teve a rara oportunidade de observar profissionais desde o início da carreira até o auge do sucesso e pôde verificar, em primeira mão, o impacto que estes causaram nas finanças e na saúde das empresas e se deixaram as organizações em melhores condições (em aspectos que os números nem sempre revelam). Esse livro inovador e extremamente prático amplia a capacidade dos leitores para alcançar um bom desempenho, em benefício não apenas de suas carreiras, mas também de suas empresas e da economia. As idéias apresentadas fornecem a base para fazer a coisa certa e tomar sempre as melhores decisões, ajudando a desenvolver a rara habilidade de fazer excelentes avaliações. |

Respostas: 10 Pessoas comentaram. E você, qual é sua opinião?
Olha Mário... Muito bom. Espero que ainda tenham vagas no mercado para palestrantes quando eu me formar, pois a algum tempo tenho me preparado para isto, contar minhas histórias e experiências com o intuito de ajudar alguém de alguma forma. Espero que eu tenha ao menos um pouco do seu talento e sucesso, parabéns!
Enviado por Adilson Bragiato em 27/06/2007
Oi Mário Fantástico! E no que se refere a essa formação continua do profissional, é o que tenho buscado nos últimos dois anos. Tenho ido atrás de novas descobertas. É como sempre digo: Não dá pra ficar na "caducidade" do conhecimento, pois até o que é "novo" fica "velho". Tânia Fenandes
Enviado por Tânia Fernandes em 24/06/2007
Oi Mário, é o primeiro contato que tenho com o seu blog, causando-me forte impacto. Gratíssimo.
Enviado por José Duarte Araújo em 01/05/2007
Olá Mario Persona, Gostei muito do seu artigo Guerra de Canudos. É uma crônica em que você descreve de forma inteligente, didática e super agradável, a obrigatoriedade que tem o ser humano de se reciclar e de atualizar constantemente os seus conhecimentos científicos, teóricos e práticos, na busca de novos horizontes do aprendizado e do saber. A demanda e a competitividade crescente do mercado de trabalho são extremamente seletivas. Não basta somente ter canudos. É preciso ter competência, criatividade e mostrar serviços. Lendo e aprendendo. Obrigado. Abraços. Casemiro.
Enviado por Casemiro Framil Sobrinho em 30/04/2007
Olá, gosto muito de ler os seus textos, são maravilhosos. Sempre que leio um de seus textos, aprendo muito com eles e procuro aplicar em meu dia-dia esse aprendizado. Eu ainda não tenho meu canudo, comecei uma faculdade mais parei no segundo ano, por um lado foi até bom, pois agora já decidi qual canudo quero ter em minhas mãos. Um grande abraço e obrigada pelos textos.
Enviado por kleo em 30/04/2007
Agora só enxergo que estou atrasado, então só me resta correr atrás do meu primeiro canudo, não quero ficar de fora desta guerra... Valeu Mário.
Enviado por Alexandre em 27/04/2007
Esse cara é simplesmente "o cara"!!
Enviado por Sergio em 17/04/2007
É incrível como às vezes a ficha demora para cair. Isto está na nossa cara, todos os dias. Gera ansiedade, medo... e ao mesmo tempo força para tentarmos "jogar para fora" de nós o que há de melhor. Obrigada pelos textos construtivos que dispõe.
Enviado por Shermilla em 09/04/2007
Relmente as palavras acima condiz...no realmente é hoje em dia, a cada dia cresce o numero de formandos no brasil e no mundo então devemos ser especialista em uma assunto que gostamos e que nos faz sentir feliz em estar ali fazendo com amor. Buscando a teoria e a pratica para unir as duas e fazer com que elas andam juntos diante da situações. Muito 10 a materia .... Parabéns Mario Persona
Enviado por Samuel em 08/04/2007
Olá Mário, Os textos que escreves são inspiradores e renovam as minhas energias. Um forte abraço. Sua leitora, Karla Fabiane
Enviado por karla em 02/04/2007
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