Sabe quem inventou o Papai Noel? A Coca-Cola. Bem, o Papai Noel já existia antes, mas ele era magro. Só foi engordar mesmo na década de trinta, quando sua imagem foi contratada pela empresa que ainda não tinha inventado a Coca Light.
A figura do velhinho barrigudo e simpático que hoje vemos nos anúncios foi uma criação do artista Haddon Sundblom que, por sinal, era seu próprio modelo. Nariz e bochechas vermelhas deixavam claro que refrigerante não era exatamente a bebida preferida do modelo-artista.
Por 33 anos os dois velhinhos -- criador e criatura -- mandaram bem e acabaram fixando na mente do público um dos mais marcantes símbolos de todos os tempos. Quer saber o segredo da Coca-Cola? O da fórmula eu não posso contar aqui, mas o do Papai Noel eu conto.
Como fez Walt Disney, ressuscitando Branca de Neve e a Bela Adormecida de empoeiradas fábulas de domínio público, a Coca-Cola recontou uma velha história acrescentando requinte, apelo visual e consistência. O novo Papai Noel pasteurizado substituiu velhos Papais Noéis magros, gordos, altos e baixos e com um guarda-roupa que, além do vermelho, incluía o verde, o azul, o violeta, e até casaco de peles. A nova história prevaleceu.
São as boas histórias que constroem os comportamentos, só alterados por histórias ainda melhores. Quando você tenta vender algo para alguém, o que faz nada mais é do que contar uma história boa o suficiente para substituir aquela que a pessoa tem em mente. Qual? Que seu produto é caro, que não tem qualidade, que o do concorrente é melhor, que não precisa comprar agora, que há coisas mais importantes etc. Somente uma história melhor poderá causar um reset mental, reprogramar o cérebro do cliente e puxar a sardinha para a sua brasa.
O estado da arte da propaganda continua sendo sua capacidade de contar boas histórias, e uma das mais belas é, sem dúvida alguma, a contada por Baz Luhrmann. Protagonizada por Nicole Kidman e Rodrigo Santoro, essa história perfuma nossas mentes com um aroma visual de "Channel No. 5" que permanece.
À semelhança do Papai Noel da Coca-Cola e dos clássicos da Disney, a história de 120 segundos tem como música de fundo, "Claire de Lune", de Claude Debussy, campeã de downloads no século 19 e presença obrigatória em filmes românticos desde os irmãos Lumière. O cenário também é familiar: "Moulin Rouge", filme de 2001 com a mesma Nicole Kidman. A força da nova versão está em substituir a tragédia sombria do filme por um romance de expectativa que deixa para a imaginação a possibilidade de um final feliz.
No cinema o diretor quis ver Nicole Kidman pelas costas, fazendo com que a bela personagem morresse de tuberculose escarrando sangue. Na nova história o público a vê no final, também pelas costas, só que agora perfumada e linda, com um "No. 5" de diamantes pendendo brilhante no decote de trás. Meu HD mental alegremente substituiu a velha história pela nova.
Mulheres sempre foram o tema principal das histórias da propaganda e Haddon Sundblom sabia disso. Ele esteve entre os artistas que pintaram as "pin-up girls" usadas nos anúncios das décadas de 30 em diante. O termo significa literalmente "garotas penduradas", por representarem mulheres sensuais em calendários pendurados nas paredes. Eram as modelos de então, uma profissão hoje muito disputada por quem não sabe que a maioria vive pendurada e só uma minoria não.
Apesar de ter imortalizado o Papai Noel como hoje o conhecemos, não se sabe a razão de Haddon terminar sua carreira desfigurando a história que ajudou a contar. Seu último trabalho, aos 73 anos, foi uma Mamãe Noel para a capa da edição de Natal de 1972 da Playboy. Não pegou. A nova Noel foi rejeitada pelas crianças não lactentes e a história do velhinho rechonchudo continuou líder de audiência. Só não se sabe até quando.
A crescente preocupação da sociedade com a obesidade e a corrida das indústrias de refrigerantes rumo aos sucos, chás e bebidas light acena para uma mudança da história que será contada no futuro. Os meninos de antigamente podiam achar o velho Noel de bom tamanho, mas os do futuro podem não acreditar em alguém que nunca freqüentou uma academia. Além disso, com a consciência ambiental das crianças de agora, quem irá achar legal um cara que explora animais silvestres, gosta de chaminés e instala uma indústria em pleno Pólo Norte?
O autor, comentarista da CNN, traça a história da Coca Cola desde suas origens como medicamento até seu sucesso atual e mostra os contínuos esforços da empresa em preservar sua marca registrada e sua fórmula secreta. O livro dá uma visão clara da guerra das colas e das estratégias de marketing que posicionaram a marca no subconsciente de todo o mundo.
Usando a fórmula de um contador de histórias, ao invés de rechear páginas e mais páginas com fatos e estatísticas, o autor prende a atenção do leitor com uma história fascinante desde o primeiro capítulo. Ele mostra que os executivos da Coca-Cola sempre estiveram conscientes de que o que vendiam poderia se evaporar em um instante se a marca não conquistasse mentes e corações como a marca mais reconhecida do planeta. Apesar de todo o sabor do líquido, o que cada lata contém é magia em seu mais elaborado estágio. Coca-cola não é um produto, é uma cativante e bem contada história que se pode beber.
Respostas: 4 Pessoas comentaram. E você, qual é sua opinião?
Eu tenho um blog (http://controllc.blogspot.com/) e comento sobre notícias da internet, comunicação, marketing e todo assunto considerado interessante com algum foco em nossas áreas. Normalmente, eu copio algumas passagens que acho em matérias em outros bolgs, em portais de noticias ou em qualquer outra fonte e depois comento emcima(por isso o nome do Blog ser Controll C ). Eu estava escrevendo justamente sobre a origem da imagem do Papai Noele, por conta das cores adotadas referente a campanha da Coco-cola e achei o seu blog, com posts bem interessantes. Usei alguns de seus comentários e fazendo referencia ao seu texto. grande abraço e parabéns pelo trabalho realizado.
Tenho observado que as afirmações sobre o sucesso da Coca Cola sempre tem por base a sua publicidade... Mas sempre que acontece de eu ler sobre o assunto, ocorre-me a seguinte pergunta: Porque a Pepsi e outras tubaínas que existem (comparadas com a coca cola), apesar de gastarem milhões em publicidades e Estórias bonitas, tem um crescimento pífio? Porque a coca cola light muda constantemente o sabor e não agrada? Penso que ela vai conseguir manter a sua marca registrada mas a sua formula secreta não manterá sabe porque? Essa formula fantástica e mágica, quem consegue manipulá-la, descobre que pode fazer coisas muito mais rentáveis a curto prazo com ela do que concorrer no mercado de refrigerantes com uma gigante como a Coca Cola Company... então, por enquanto, até quando não aparecer alguém que conheça a formula e que não interesse pelos benefícios extra-refrigerantes que ela pode proporcionar vai acabar com o mito de que está na publicidade o seu sucesso...
Verdade foi muito bom oque ele fez conseguiu "imortaliza" o bom velinho mas por causa dessas e de outras coisas o verdadeiro sentido do natal foi esquecido, tenho 17 anos sou jovem mas quando tinha meus 4 anos meu pai me ensinava que o rei do natal era jesus e não papai noel.
"Ser
alguém é ter uma história para contar."
Isak Dinesen
Curioso para
saber quem sou? Ok, você pediu. Para
poupá-lo, vou começar nos anos 70.
Após a fase mauricinho, virei hippie.
Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em
festivais, vivi 3 anos só de
macrobiótica e vesti bata de algodão de
saco de farinha. Despojamento exterior de
um Gandhi, mas vivendo como a rainha da
Inglaterra, PAItrocinado
no conforto de um apê só meu no
Guarujá e faculdade particular em Santos.
Fim dos anos 70, desenhista, designer de
ambientes e cartunista, recém formado
arquiteto, metido em movimentos de
contracultura e volta à natureza, fui
morar no mato. Comprei um sítio após
uma tentativa frustrada de morar numa
comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram
3 anos cantando "Refazenda",
criando carrapatos, plantando mato e
comendo arroz integral com gersal.
Foi também no fim dos 70 que nasci de
novo, após três anos errando à procura
de um sentido para a vida em filosofias
do extremo oriente. Minha procura
terminou no oriente médio e os anjos
ficaram alegres.
Voltei à civilização para continuar a
carreira de arquiteto. Tive escritório
de arquitetura, fui vendedor de materiais
de acabamento, negociador no Banco Itaú
e Cia do Metrô, editor de publicações
cristãs da Verdades Vivas, tradutor
técnico e diretor de comunicação e
marketing da Widesoft.
Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996
criei meu primeiro site, o bilíngüe True Stories,
seguido do trilíngüe Chapter-A-Day.
Trabalhando na Widesoft, criei a
comunidade Widebiz
e ultimamente mantenho alguns blogs, como
este CAFE,
o biográfico Quero Contar
e o devocional O Pintor em Minha
Janela.
Descobri o ócio criativo e faço que
gosto trabalhando em casa. Meus clientes
nunca iam ao meu escritório nem
eu por isso decidi assumir o
modelo home-office, conectado a um
atendimento profissional, empresas
parceiras, ao meu filho Lucas Persona
e aos meus clientes.
Adotei o modelo futuro no presente.
Ao lado de minha mesa fica a poltrona de
meu filho Pedro, que passa o dia
escutando música. Quem é Pedro? Esta é
uma outra história que você encontra no
livro "Uma Luta
pela Vida",
de minha filha Lia
Persona, ou acompanhando
o blog Quero Contar
.