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11/11/2006
Blook
por Mario Persona
Fui visitá-la, mesmo sabendo que ela estava em estado terminal. A experiência não seria lá muito agradável e acabou trazendo à tona recordações de dias melhores. Mas se não a visitasse naquela manhã fria, poderia não ter outra chance.
Quando entrei, senti um misto de reverência e tristeza. Era como se entrasse no mausoléu de um faraó. Nas paredes, grandes hieróglifos gritavam sua agonia: "GOING OUT OF BUSINESS!". Eu estava em uma das lojas da rede Towers Records nos EUA. Quando adolescente, ir a uma loja de discos era um acontecimento. E um sofrimento, pois alguns proprietários tinham o sádico costume de fazer de conta que não entendiam o nome da música em inglês errado e pediam para a gente cantar um pedacinho. Eu odiava aquilo, mas gostava de dar uma passadinha lá só para ouvir outro otário cantar. Agora acabou. Se ainda existir uma loja de discos -- hoje chamados CDs -- em sua cidade, corra lá e leve seus filhos. No futuro eles poderão contar que já estiveram numa loja assim, como hoje eu conto que já andei de bonde. As lojas de CDs partem, mas não vão sozinhas. Morrem de mãos dadas com as lojas de fotos. Ficou tudo digital. A foto você tira com o celular e revela na Internet. A música, você baixa e não revela. E o vídeo da locadora? Esse já foi desenganado e só aguarda a chegada da banda para tocar no funeral. A banda larga. Curiosamente aquele que parecia estar com seus dias contados continua firme e forte. Irmão mais velho -- bem mais velho -- das outras mídias de expressão artística, o livro tem driblado o bico do corvo e vai fazendo seus "gols de letra", nome do gol feito com as pernas cruzadas em "X". Uma incógnita, como a data da morte do livro. Quando surgiu o primeiro computador pessoal todo mundo achou que seria a pá de cal do livro. Ninguém pensou no som e na imagem, porque as primeiras máquinas só sabiam cantar "bip!" e imprimir fotos feitas com letras. Mas estas morreram antes, qual marido saudável que prepara o funeral da esposa doente e acaba usando o caixão. Todas as tentativas de divorciar as letras da mídia de papel não receberam o aval do juiz, o mercado. O livro é um fetiche. As pessoas querem apalpar sua capa, deslizar os dedos por suas páginas, deixar marcas e desfilar sua lombada a caminho do trabalho ou expor seu dorso na estante para todo mundo ver. Tem até livraria que vende livro por metro, só para decoração! Até aí tudo bem. O problema é o número de pessoas que escrevem querendo saber como publicar um livro. Pensam que só é escritor quem publica. Não é. Escritor é quem escreve, assim como escultor é quem esculpe e pintor quem pinta. Se a obra será ou não vista pelo mundo, não é a preocupação primeira do escritor. Para ele ou ela, escrever é uma necessidade fisiológica, visceral. Escrever é o vômito de abelha ébria, o mel. O engano está em pensar que publicar é sinônimo de ficar rico e famoso. Quem pensa assim não quer ser escritor, quer ser rico e famoso. A grande maioria dos escritores não passa nem perto disso. Para ser escritor é preciso gostar de ler. Você odeia ler? Então esqueça escrever. Você gosta de escrever? Então comece escrevendo um Blook. Blook? É Blog + Book, livro impresso com uma compilação de textos publicados inicialmente em um blog. Tem uma porção de gente escrevendo assim, inclusive eu. Meus livros são coletâneas de textos que vou publicando na Web à medida que as idéias vão brotando. Depois é só selecionar, compilar, incrementar aqui, expandir ali, atualizar acolá e... Presto! Tenho um livro. Publicar pode ser bom para o ego, mas escrever é bálsamo para a alma do escritor. Sei que isto não é lá um grande estímulo para você que sempre sonhou ser lido por multidões. Não desanime. Encontrei na Internet a história de alguém que chegou lá. Quem sabe amanhã é sua vez? "Havia um jovem que queria ser escritor. Queria escrever coisas que fossem lidas por gente de todo o mundo e em todos os idiomas. Dramático, queria que seus textos levassem as pessoas às lágrimas e as fizessem arrancar os cabelos, gritar, chorar e gemer de desalento e raiva. Hoje ele escreve mensagens de erro".  |  | Blog Corporativo FABIO CIPRIANI
Vivemos em uma nova era. Uma nova era em que o mercado e as pessoas passaram a gostar de interagir, opinar, participar e ajudar. Uma nova era de constante formação de opinião, reforçada pelo lançamento de websites que potencializam ainda mais a voz das pessoas. A era dos Blogs. Nessa nova era, onde se situará a sua empresa ou seus negócios? No grupo das que blogam ou no grupo das que ignoram a blogosfera?O livro explora os ganhos e as armadilhas que o uso de blogs para comunicação interna ou com clientes traz para empresas e negócios. Esta obra discute também como os blogs já existentes podem servir como base para os planejamentos estratégicos de produtos e serviços. O principal objetivo deste livro é ser um guia prático para orientar empresários e gestores de pequenas, médias ou grandes empresas na maneira de planejar e introduzir o uso de blogs na companhia, ativa ou passivamente, com o intuito de aumentar e fortalecer o relacionamento com seus clientes. "Faça barulho" na internet e aumente o valor da sua marca Melhore a comunicação interna da sua companhia e otimize os processos Aproxime-se mais dos clientes e entenda os pontos de vista deles Enriqueça o conhecimento de seus clientes mostrando-se especialista Colha opiniões e teste novas idéias de produtos ou serviços Insira a sua empresa no mercado global Seja transparente e bem valorizado pelo mercado e a imprensa |

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Espetacular sua ideia... até porque eu li varios de seus livros e vi que tu escreve por puro prazer sem se esquecer do profissionalismo e habilidade. Quando criar um Blook te aviso. Abrçs
Enviado por Ailson Barbosa em 26/05/2010
Adorei esse artigo Mario Persona, parabéns pela qualidade de seu site. Você possui uma inteligência magnífica, parabéns. Não conhecia esse site mas agora irei visitá-lo sempre. SapatoNet
Enviado por http://www.sapatonet.com.br em 03/01/2007
Visito assiduamente seus sites. Você é uma pessoa que encanta por muitos motivos, entre eles, sua aguçada inteligência, sua experiência de vida, o dinamismo e tudo de bom que você passa pra gente.Apesar de tudo que você já sofreu, você parece ser a pessoa mais feliz deste mundo. Mario Persona você é um exemplo de vida. Divulgo o seus sites, para que muitos lhe conheçam e aprendam muito como tenho aprendido. PARABÉNS!!!
Enviado por Maria Loussa em 23/11/2006
Saudades... é engraçado como agente sente saudades de coisas que não tivemos... meus filhos ( quando nascerem) não conhecerão uma loja de discos, mas cabe a mim fazer com que eles saibam que no tempo do avô deles isto existiu... resumindo, acredito que ao preservar o passado cuidamos com carinho de nosso próprio futuro... tenho seus textos comigo e um dia os transmitirei a eles... pode ter certeza! sucesso sempre!
Enviado por Mack em 19/11/2006
Acometido por um acaso li um artigo do nobre e momeravel Mario Persona, o qual simpatizei de imediato com tamanha inteligencia,concordancia e habilidade com as palavras tornando textos que seriam comuns e verdadeiras escrituras, pelo conteudo e pelo fato de ser na grande maioria comicos sem perder a seriedade, deixo aqui meus mais sinceros parabéns a tão ilustre escritor o qual irei visitar muitas vez atraves de seu site. Saudações Giancarlo
Enviado por Giancarlo Rotta em 15/11/2006
Talvez eu seja uma dessas pessoas, que chega em casa escreve e depois joga fora.... talvez seja assim porque nao faço rimas bonitas e nao escrevo mensagens de erro. Talvez um dia eu crie um blook. Talvez um dia eu assuma e suma com a timidez do meu protugues ruim. Talvez...
Enviado por Flor de Liz em 14/11/2006
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