(español) Há quase trinta anos conheci um fabricante de aparelhos de rádio durante uma viagem. A marca, segundo ele, era um tributo a Alan Shepard, primeiro astronauta norte-americano, de quem era admirador. Mas ele estava com um problema. Não o astronauta, o empresário.
Seus rádios tinham gabinete de madeira e não eram páreo para a nova onda de gabinetes de plástico injetado, opção cara para sua empresa. Os grandes fabricantes lançavam um modelo novo a cada estação. Não via um futuro promissor para seu negócio.
Perdi o contato com o empresário e não sei o que aconteceu com sua empresa. No Google e só encontrei seus rádios em sites de leilão ou antiguidades, e já tinham sido vendidos. Ironicamente o futuro do seu rádio estava no passado. Não entendeu? Eu explico.
Contei este caso a meus alunos e dei a eles um trabalho de desenvolvimento de novos produtos. Deviam descobrir uma saída para o fabricante permanecer no mercado sem mudar a matéria prima, a mão-de-obra e os equipamentos de sua indústria. Três trabalhos se destacaram.
O terceiro lugar foi mais pela curiosidade do que pela viabilidade: urnas funerárias equipadas com rádio transmissor-receptor. Caso o morto não estivesse morto, ele poderia entrar em contato com os vivos para o tirarem de lá. Ou aproveitar para ficar um tempo ali ouvindo rádio, dependendo de quem o estaria esperando do lado de fora. Só não podia deixar a pilha acabar.
O segundo lugar ficou para as camas com rádio de cabeceira acoplado, uma idéia viável. Mas a melhor idéia foi continuar fabricando rádios de madeira. Sem mudar nada? Não, mudando o conceito e fabricando réplicas de rádios antigos para decoração. Assim o rádio de madeira voltaria a ter um lugar de destaque na sala sem competir com a TV.
Foi ela que tirou o rádio de lá e o mandou para a cozinha, mas não foi capaz de fritá-lo. O transistor veio em seu socorro tornando o rádio portátil. Durante anos esteve no carro e grudado na orelha de todo torcedor fanático. O radinho de pilhas foi o avô dos walkmans, iPods e tudo o que hoje chamamos de "mobile" em termos de música e informação.
Hoje alguns profissionais de comunicação e donos de emissoras se sentem rádios de madeira diante das novas tecnologias e da Internet. Onde está a saída? Bem, o conceito do rádio continua o mesmo. Ao contrário da TV e do jornal, seu grande trunfo sempre esteve em permitir que as pessoas fizessem outras coisas ao mesmo tempo, como dirigir ou trabalhar. O que muda é a plataforma.
Mas a onda do rádio não está na plataforma, e sim na comunicação com as pessoas. Se são ondas eletromagnéticas, fios telefônicos ou toques de tambor que levam a mensagem aos ouvintes, isso não importa. E se o ouvinte usa uma caixa cheia de válvulas, um celular ou transmissão de pensamento para captar a mensagem, a escolha é dele e a emissora vai ter de se adaptar. O rádio vai continuar existindo e quem não se adapta vira sucata. Antiguidade só funciona para rádios de madeira.
Veja a Philips, que também fabricava rádios e hoje atua até no ramo têxtil. Surpreso? Eles inventaram tecido fotônico, com centenas de LEDs flexíveis de luz colorida em sua urdidura, permitindo que roupas ou móveis estofados sejam transformados em painéis luminosos. Já pensou o que um político seria capaz de fazer com uma camiseta assim? Quem vive deitado no sofá vendo a hora passar vai fazer literalmente isso: uma das aplicações sugeridas é um sofá cujo encosto é um grande relógio digital.
Enquanto eles planejam aplicações mais fashion, eu penso naqueles carregadores de placas nas praças das grandes cidades. Vai ser um alívio deixar de lado todo aquele peso e literalmente vestir a camisa para trabalhar. De dia não vai dar para notar muita diferença, mas já pensou à noite, que espetáculo? A praça vai parecer um jardim de pirilampos, com peitos e costas iluminadas e piscando: .
Preguiça de ler? Então assista "Rádios de madeira".
POSFÁCIO
A matéria de capa da VEJA desta semana é o YouTube - A nova era da televisão. Como falei do assunto na semana passada, inclusive incluindo na seção Criado Mudo de meu blog o livro "A Cauda Longa" de Chris Anderson, hoje meu ego vai dormir achando que pautei a VEJA. :)
O feriado foi ótimo para eu brincar de cineminha. Bem melhor que no tempo de criança, quando usava uma caixa de sapatos cortada e dois pedaços de cabo de vassoura com uma tirinha de gibi colada com cola de trigo e enrolada. Era minha TV e não usava pilhas.
De lá para cá muita coisa mudou, está mudando e mudará. Se não correr, o bicho... pegou! E é este o assunto de hoje, com foco no rádio. É que esta semana faço uma palestra para profissionais de rádio e donos de emissoras e já estou pensando no assunto. É um setor que se atualiza, mas nem todos.
As emissoras que continuarem pensando à moda antiga desaparecerão. Quem procurar saber onde seu ouvinte está para entregar a ele programação multimídia, seja ela no formato que for, vai continuar. Mas é bom correr enquanto a audiência ainda está ali. Os ouvintes de rádio à moda antiga estão morrendo e a garotada com tocadores de MP3 veio para ficar. Sabia que a nova geração vê as horas no celular e nos eteceteras e não está nem aí mais para relógios de pulso? Outro segmento que não pode perder tempo.
Ainda tem gente achando que ter uma concessão é suficiente para permanecer no mercado. Engano. Enquanto escrevo ouço uma rádio na Internet que nem sei se tem algum tipo de concessão. Até eu estou me achando radialista! Esta semana foi ao ar o Vida, Carreira & Negócios no PodcastOne.
A propósito, só agora caiu a ficha (pelo menos para mim) de que a a propaganda em podcast ou videocast pode ser perpétua. É que um copia do outro que já copiou do um e a coisa fica rodando por aí indefinidamente.
Voltando à TV Barbante, descobri que posso interagir com bonecos em 3D criados pela www.gizmoz.com originalmente para messengers, mas com planos de expansão (veja exemplo). No último vídeo conversei com o Asdrubal, que queria dicas de marketing pessoal. Agora converso com o Totó, um cãozinho que quer ajudar seu dono que tem uma PetShop. :)
Descobri também um serviço de vídeos patrocinados e estou com a TV Barbante lá também. Se você assistir algo meu lá e no final clicar na propaganda eu ganho um café do patrocinador.
Habla español? Então clique aqui para ler uma crônica anterior "Quer fazer um MCA?" traduzida para o espanhol por Henriette Borbely de Casciotti.
Finalmente, assista aqui o 'making of' (êta nóis!) da gravação em estúdio do primeiro programa em podcast da série Vida, Carreira e Negócios:
Esta é a segunda edição do Manual de Radiojornalismo. Os autores apresentaram mudanças que foram aprendidas com mais leituras, pesquisa e prática cotidiana. O Rádio viveu três momentos cruciais: a sua invenção e propagação pelo mundo, o advento da televisão e o desenvolvimento da internet. Nestas circunstâncias históricas desses acontecimentos o rádio sofreu modificações profundas até chegar ao que é hoje em sua contribuição para a difusão de notícias e do entretenimento.
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É impressionante como de um assunto ou sitação casual ele consegue sempre ter alguma solução milagrosa, textos cada dia mais instrutivos.
>> Mario Câmara, É o que costumo falar em minhas palestras sobre administração do tempo, que o segredo não está em administrar o tempo (que não dá para administrar, porque ele escoa quer a gente administre ou não), mas em administrar as opções que temos diante de nós. Quando acordamos para isto, deixamos de nos encantar com aquele controle remoto com mil botões ou com o eletrodoméstico com mil manuais e passamos a buscar só que é simples e que atende, porque amanhã estará obsoleto de uma forma ou de outra, antes de aprendermos a apertar todos os botões.
Essa sua história de rádio de madeira me fez recordar um outro texto seu, que faz menção, a televisão aberta versus a tv fechada. No texto você fez uma colocação a respeito da demanda do tempo. Na tv aberta havendo a disponibilidade de 4 a 6 canais (que sintonizam com boa imagem), escolhe-se rapidamente o canal e se assiste a programação de 50 min (ou mais). Já na TV fechada, diante dos 60 canais disponíveis, se dispensa um minutinho em cada canal, vendo do que se trata e voilá, foi-se uma hora. Agora, com essa mania de YouTube e assemelhados, vi que há a possibilidade de infinitos filmetes a nossa disposição. Estimado guru, o nosso tempo é finito. E agora? Falta-me tempo, em razão disso, vou humildemente me contentando com a TV Barbante, que já deu um enorme salto de qualidade. O Asdrubal ficou fantástico!
Mário, você é um dos melhores contadores de história que conheço. Eu até me considero um bom professor (não todos os dias, claro), mas não sou páreo pra você. A bênção!
Fui no final de semana na FNAC e vi que uma empresa j[a está produzindo réplicas dos rádios do passado, inclusive com um toca-discos de primeira categoria.
"Ser
alguém é ter uma história para contar."
Isak Dinesen
Curioso para
saber quem sou? Ok, você pediu. Para
poupá-lo, vou começar nos anos 70.
Após a fase mauricinho, virei hippie.
Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em
festivais, vivi 3 anos só de
macrobiótica e vesti bata de algodão de
saco de farinha. Despojamento exterior de
um Gandhi, mas vivendo como a rainha da
Inglaterra, PAItrocinado
no conforto de um apê só meu no
Guarujá e faculdade particular em Santos.
Fim dos anos 70, desenhista, designer de
ambientes e cartunista, recém formado
arquiteto, metido em movimentos de
contracultura e volta à natureza, fui
morar no mato. Comprei um sítio após
uma tentativa frustrada de morar numa
comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram
3 anos cantando "Refazenda",
criando carrapatos, plantando mato e
comendo arroz integral com gersal.
Foi também no fim dos 70 que nasci de
novo, após três anos errando à procura
de um sentido para a vida em filosofias
do extremo oriente. Minha procura
terminou no oriente médio e os anjos
ficaram alegres.
Voltei à civilização para continuar a
carreira de arquiteto. Tive escritório
de arquitetura, fui vendedor de materiais
de acabamento, negociador no Banco Itaú
e Cia do Metrô, editor de publicações
cristãs da Verdades Vivas, tradutor
técnico e diretor de comunicação e
marketing da Widesoft.
Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996
criei meu primeiro site, o bilíngüe True Stories,
seguido do trilíngüe Chapter-A-Day.
Trabalhando na Widesoft, criei a
comunidade Widebiz
e ultimamente mantenho alguns blogs, como
este CAFE,
o biográfico Quero Contar
e o devocional O Pintor em Minha
Janela.
Descobri o ócio criativo e faço que
gosto trabalhando em casa. Meus clientes
nunca iam ao meu escritório nem
eu por isso decidi assumir o
modelo home-office, conectado a um
atendimento profissional, empresas
parceiras, ao meu filho Lucas Persona
e aos meus clientes.
Adotei o modelo futuro no presente.
Ao lado de minha mesa fica a poltrona de
meu filho Pedro, que passa o dia
escutando música. Quem é Pedro? Esta é
uma outra história que você encontra no
livro "Uma Luta
pela Vida",
de minha filha Lia
Persona, ou acompanhando
o blog Quero Contar
.