(español) Você já deve conhecer as famosas últimas palavras de anônimos, como as do policial da brigada antibombas ("Vai por mim, pode cortar o fio vermelho..."), do pedreiro ("Pode subir que o andaime agüenta..."), ou do eletricista ("Pode ligar a chave geral que já consertei..."). Pois é, todos afirmaram de pés juntos que não havia perigo. E terminaram de pés juntos.
Sou obcecado por segurança. Uma obsessão conhecida de amigos e parentes que já ouviram todas as histórias horríveis que trago no bolso do colete para qualquer ocasião de risco. Às vezes sou até chato, mas que culpa tenho de ser um contador de histórias? E de conhecer casos como o do rapaz que acendeu um fósforo para ver se havia combustível no tanque, ou do casal de namorados que foi beijando do cinema ao pronto-socorro para desengatar seus aparelhos ortodônticos? Até beijar é risco!
Já ouviu falar nos "Caçadores de Mitos"? Pois é, eu sou um "Caçador de Perigos". Vivo de olho. Li de dois passageiros que teriam visto a porta mal fechada de um avião e nada fizeram. Não acredito. Será verdade?! A porta se abriu durante o vôo e quase matou gente no ar e na terra. Se eu estivesse no vôo, teria corrido lá fechar a porta. Provavelmente seria o primeiro a ser sugado, mas pelo menos teria tentado. Por isso aprendi que ficar de olho no risco também é um risco. Uma vez gritei para a mulher do carro ao lado fechar a porta, mas ela não entendeu e ainda xingou! Não fez o que sugeri que fizesse. Nem eu fiz o que ela me mandou fazer.
Pouca gente sabe, mas segurança dá dinheiro. Tenho feito palestras sobre segurança e qualidade de vida, mas não é de normas, procedimentos ou equipamentos que costumo falar. Disso o pessoal já está careca e de capacete de saber. Há os técnicos de segurança, os engenheiros, os médicos, os treinamentos, as SIPATs, as CIPAs e dúzias de outras siglas cuidando do assunto. Para variar, costumo falar de dinheiro. Dinheiro? Sim, mas não o do cachê da palestra. Falo do quanto uma empresa e seus colaboradores ganham com segurança. Ou perdem com a falta dela.
Além dos danos à vida, à saúde e ao meio-ambiente, acidentes machucam o bolso do patrão e do trabalhador. É fácil entender: qualquer acidente pode parar uma linha de produção, detonar a qualidade e aumentar os custos. Sem falar da unha preta. Moral da história? Produto mais caro, menor qualidade, empresa menos competitiva. Sem falar da unha feia. Empresas menos competitivas não podem investir em promoção e qualificação pessoal, equipamentos modernos e num melhor ambiente de trabalho. Sabe quem vai morrer com o mico? O trabalhador.
Não fui sempre assim preocupado com segurança. Gostava de correr riscos, de viver perigosamente. Mas a vida foi ensinando e as histórias tristes se acumulando. Como a do amigo que perdi depois de seu ultraleve bater asas em pleno vôo. A ironia é que o pára-quedas especial para ultraleves, que ele acabara de trazer dos EUA, estava no porta-malas do carro para ser instalado depois daquele vôo.
Com a chegada dos filhos a gente começa a pensar mais em segurança. Começa a perceber que a segurança pessoal -- ou a falta dela -- tem desdobramentos que podem atingir também outras pessoas. Quando ganhei um terceiro filho, portador de deficiências, passei a levar a coisa ainda mais a sério. Quando você tem nas mãos alguém totalmente dependente e incapaz de se defender de qualquer dano ou perigo a responsabilidade fica ainda maior.
Pilotar uma cadeira de rodas também aguçou meus sentidos de perigo para coisas que antes considerava insignificantes, como degraus, buracos ou até atravessar a rua correndo. As decisões precisam ser planejadas porque tenho outra vida literalmente em minhas mãos. Mas também há vantagens. De tanto ficar de olho no chão, achei uma nota de 50 reais durante um passeio.
Mas nem sempre sou capaz de intervir nas situações de risco, e sofro com isso. Outro dia fui obrigado a assistir a um show de imprudência, enquanto aguardava na sala de espera de uma empresa. Do outro lado do vidro um rapaz fazia malabarismo para esticar uma faixa entre a fachada e um poste de luz.
Com a ponta de um pé no muro, a sola do outro entre duas pontas de lança de uma grade de ferro e os dentes segurando a cordinha, estava quase achando que era uma vantagem ele ter tantos fios elétricos ao alcance da mão, caso perdesse o equilíbrio. Terminou sua performance com um salto e saiu de cena. Foi quando consegui ler os dizeres da faixa:
"BEM-VINDOS À SIPAT - SEMANA INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES DO TRABALHO".
A Saúde e Segurança do Trabalho não apenas tem impacto direto sobre a vida dos trabalhadores e suas famílias no Brasil e no mundo, como também é elemento central no processo de desenvolvimento econômico e social, com conseqüências que vão além daquelas resultantes das doenças e acidentes do trabalho gerados no ambiente laborativo e que se refletem direta ou indiretamente sobre o mercado de trabalho, a produtividade dos trabalhadores, o rendimento familiar e sobre a pobreza, os sistemas de previdência social, o comércio internacional e, até mesmo, sobre o meio ambiente. O trabalhador com qualidade de vida no trabalho tem boas condições de saúde, aumenta a produtividade, exige menos gastos em programas de saúde e assistência médica, trabalha satisfeito, apresenta menos ausência ao trabalho e sofre menos acidentes do trabalho. Estas premissas fazem com que sua saúde biopsicossocial esteja em equilíbrio, existindo uma grande harmonia entre trabalhador e empregador.
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Essa Crônica, é muito boa, não só para quem é Tecnico em Segurança, como para colaboradores de uma empresa, para conscientização e conhecimentos. Muito obrigada Mário Persona, por nos beneficiar com sua Sabedoria!!!
por favor sou esatagiária de tecnico em segurança no trabalho,preciso de informações sobre montagem de andaime pois ,necessito falar sobre o mesmo no DDS.Obrigada.
A crônica Última palavra em segurança de Mario Persona, nos alerta para situações que ocorrem no dia a dia. Gosto muito de absolver suas orientações, elas chegam de maneira clara e num formato inteligente. Mais uma vez, Parabéns.
hable con mi señora y está dispuesta a efectuarle traducciones de notas al español(sin costo) para que usted pruebe y poder luego venderlas por usted en Argentina y Uruguay. Espero que le guste la idea. El mercosur todavía existe ?? Cordialmente Carlos Casciotti
"Ser
alguém é ter uma história para contar."
Isak Dinesen
Curioso para
saber quem sou? Ok, você pediu. Para
poupá-lo, vou começar nos anos 70.
Após a fase mauricinho, virei hippie.
Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em
festivais, vivi 3 anos só de
macrobiótica e vesti bata de algodão de
saco de farinha. Despojamento exterior de
um Gandhi, mas vivendo como a rainha da
Inglaterra, PAItrocinado
no conforto de um apê só meu no
Guarujá e faculdade particular em Santos.
Fim dos anos 70, desenhista, designer de
ambientes e cartunista, recém formado
arquiteto, metido em movimentos de
contracultura e volta à natureza, fui
morar no mato. Comprei um sítio após
uma tentativa frustrada de morar numa
comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram
3 anos cantando "Refazenda",
criando carrapatos, plantando mato e
comendo arroz integral com gersal.
Foi também no fim dos 70 que nasci de
novo, após três anos errando à procura
de um sentido para a vida em filosofias
do extremo oriente. Minha procura
terminou no oriente médio e os anjos
ficaram alegres.
Voltei à civilização para continuar a
carreira de arquiteto. Tive escritório
de arquitetura, fui vendedor de materiais
de acabamento, negociador no Banco Itaú
e Cia do Metrô, editor de publicações
cristãs da Verdades Vivas, tradutor
técnico e diretor de comunicação e
marketing da Widesoft.
Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996
criei meu primeiro site, o bilíngüe True Stories,
seguido do trilíngüe Chapter-A-Day.
Trabalhando na Widesoft, criei a
comunidade Widebiz
e ultimamente mantenho alguns blogs, como
este CAFE,
o biográfico Quero Contar
e o devocional O Pintor em Minha
Janela.
Descobri o ócio criativo e faço que
gosto trabalhando em casa. Meus clientes
nunca iam ao meu escritório nem
eu por isso decidi assumir o
modelo home-office, conectado a um
atendimento profissional, empresas
parceiras, ao meu filho Lucas Persona
e aos meus clientes.
Adotei o modelo futuro no presente.
Ao lado de minha mesa fica a poltrona de
meu filho Pedro, que passa o dia
escutando música. Quem é Pedro? Esta é
uma outra história que você encontra no
livro "Uma Luta
pela Vida",
de minha filha Lia
Persona, ou acompanhando
o blog Quero Contar
.