(Español) Escrevo enquanto viajo. E como viajo! Já pensei em manter um mapa na parede, alfinetando onde já estive, mas preocupei-me com o custo dos alfinetes. Então descobri um serviço na Internet onde finco alfinetes virtuais no mapa do Google. O próximo passo é vestir uma camisa com listras vermelhas e brancas e lançar minha versão de "Onde está Wally": "Por onde anda o Mario Persona?"
Se aprender a dançar posso até lançar uma versão mais dinâmica de minha TV Barbante, como fez o Matt com seu "Where the hell is Matt?", o rapaz que é patrocinado por um fabricante de chicletes para ficar viajando e dançando pelo mundo. Ele já deve estar com o mesmo problema que eu. Fico em tantos hotéis diferentes que já desisti de decorar o número do quarto. Sempre pergunto na recepção quem sou e onde estou.
Para chegar a hotéis assim passo por vôos, estradas e situações das quais só não reclamo porque são elas que me abastecem de histórias. O que seria desta crônica se eu não tivesse viajado de ônibus pelo acostamento de uma estrada no interior de Pernambuco? O motorista não saía do acostamento, tantos eram os buracos no leito asfaltado. Ele dizia que a solução era tapá-los. Eu retrucava que bastava abrir mais alguns para a estrada ficar plana.
Descobri que há buracos também em viagens aéreas. Com uma passagem comprada por um cliente econômico, embarquei num antigo Boeing 727 de uma companhia desconhecida só para descobrir que naquele avião existe um buraco no piso do corredor -- uma espécie de janela sob o carpete -- por onde se enxerga o trem de pouso.
Pelo menos foi o que deduzi durante uma tentativa de pouso, quando a aeromoça ficou verificando se o trem de pouso havia travado corretamente. Deitada de bruços no chão entre passageiros pasmos, por quase uma hora ela ficou berrando para o piloto lá na cabine:
-- Não travou! Tenta outra vez!
Se a infra-estrutura para viajar decepciona, o talento do brasileiro surpreende. Paulo, o motorista que me apanhou no aeroporto de Curitiba para uma viagem de três horas, tinha preparado, no banco de trás do táxi, uma cesta com água, refrigerantes, bombons, jornais e revistas, um atendimento cinco estrelas.
Eu disse cinco estrelas? Bem, existem percalços também nas constelações. O cenário agora é um resort cinco estrelas numa praia paradisíaca, coisa prá lá de primeiro mundo. Encerro a palestra, esgotado de tantas viagens, noites mal dormidas e barrinhas de cereais das companhias aéreas. Tudo o que quero é tirar a tarde inteira para dormir e me recompor.
Meus sonhos são interrompidos pela campainha. Levanto-me de um salto e corro para o olho-mágico da porta. Lá fora, o mensageiro do hotel segura um recado na mão. O que será? Alguma emergência? Cubro a cueca com a primeira calça que encontro, abro a porta com o rosto ainda amassado e os cabelos espetados, só para ouvir um jovem empertigado e com pose de eficiência anunciar:
Com novo projeto gráfico e ilustrações mais modernas, bem-humoradas e criativas, esta nova edição foi completamente reformulada: uma linguagem ainda mais cativante, envolve o leitor e estabelece com ele um diálogo bem informal mas ao mesmo tempo bastante explicativo sobre como fazer uma boa apresentação, falada ou escrita, de forma estruturada, coerente e elegante, com propriedade e segurança. Com a mesma qualidade e profissionalismo de suas outras obras, Reinaldo Polito dá uma nova abordagem ao tema, aliando o prazer da leitura de um texto fluente e bem escrito ao aprendizado de boas técnicas para se expressar bem. Assim é que se Fala inclui ainda um CD de áudio com uma aula ministrada por Reinaldo Polito. Um verdadeiro curso para conquistar platéias e ordenar todos os tipos de apresentação, com proposta de trabalho, exercícios de fixação e questionário de auto-avaliação.
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"Ser
alguém é ter uma história para contar."
Isak Dinesen
Curioso para
saber quem sou? Ok, você pediu. Para
poupá-lo, vou começar nos anos 70.
Após a fase mauricinho, virei hippie.
Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em
festivais, vivi 3 anos só de
macrobiótica e vesti bata de algodão de
saco de farinha. Despojamento exterior de
um Gandhi, mas vivendo como a rainha da
Inglaterra, PAItrocinado
no conforto de um apê só meu no
Guarujá e faculdade particular em Santos.
Fim dos anos 70, desenhista, designer de
ambientes e cartunista, recém formado
arquiteto, metido em movimentos de
contracultura e volta à natureza, fui
morar no mato. Comprei um sítio após
uma tentativa frustrada de morar numa
comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram
3 anos cantando "Refazenda",
criando carrapatos, plantando mato e
comendo arroz integral com gersal.
Foi também no fim dos 70 que nasci de
novo, após três anos errando à procura
de um sentido para a vida em filosofias
do extremo oriente. Minha procura
terminou no oriente médio e os anjos
ficaram alegres.
Voltei à civilização para continuar a
carreira de arquiteto. Tive escritório
de arquitetura, fui vendedor de materiais
de acabamento, negociador no Banco Itaú
e Cia do Metrô, editor de publicações
cristãs da Verdades Vivas, tradutor
técnico e diretor de comunicação e
marketing da Widesoft.
Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996
criei meu primeiro site, o bilíngüe True Stories,
seguido do trilíngüe Chapter-A-Day.
Trabalhando na Widesoft, criei a
comunidade Widebiz
e ultimamente mantenho alguns blogs, como
este CAFE,
o biográfico Quero Contar
e o devocional O Pintor em Minha
Janela.
Descobri o ócio criativo e faço que
gosto trabalhando em casa. Meus clientes
nunca iam ao meu escritório nem
eu por isso decidi assumir o
modelo home-office, conectado a um
atendimento profissional, empresas
parceiras, ao meu filho Lucas Persona
e aos meus clientes.
Adotei o modelo futuro no presente.
Ao lado de minha mesa fica a poltrona de
meu filho Pedro, que passa o dia
escutando música. Quem é Pedro? Esta é
uma outra história que você encontra no
livro "Uma Luta
pela Vida",
de minha filha Lia
Persona, ou acompanhando
o blog Quero Contar
.