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03/01/2006
Curto circuito
por Mario Persona
Curto circuito :laugh: Se havia algo que me dava prazer na escola era caderno novo. A capa imaculada, as folhas brancas, o cheiro desbolorizado — tudo servia para estimular um novo começo. Passar a mão espalmada sobre a primeira página era como acariciar um bólido reluzente. Sem páginas viradas, tudo trazia aquela adrenalina da hora da largada.
"Desta vez vou caprichar na letra" — prometia. A capa? Revestida de papel impermeável azul, verde, amarelo ou vermelho, parecia cor de escuderia. Era só no quarto ano do grupo escolar que a gente podia correr de Ferrari. Antes da largada examinava os instrumentos — lápis, borracha, régua — no estojo e prometia não rasgar nas retas, não rasurar nas curvas, não zerar nas notas. Que existe boa vontade e potência na largada, isso ninguém pode negar. Todo início é assim: investimos o melhor de nós, alertamos todos os sentidos, damos o máximo. Há um fator psicológico muito forte envolvido em tudo que começa e deve ser aproveitado. É o que pretendo fazer no primeiro dia da próxima semana, do próximo mês, do próximo ano. Não é assim que a gente faz? O primeiro — seja lá o que for — a gente nunca esquece. Ainda que fique só na promessa. Você iniciaria um curso em dezembro? Loucura. Dezembro é hora de terminar, não de começar. É o último mês do ano, a última volta do circuito, todo mundo de olho na bandeirada. E regime, já pensou em começar no sábado? Nem pensar. No domingo? Também não. Apesar de ser o primeiro da semana, o dia está tradicionalmente associado ao descanso, uma espécie de parada nos boxes para encher o tanque. A largada fica mesmo para a segunda-feira. O início da semana é um dia de começo, é ponto de partida, hora de sair da inércia e acelerar. O primeiro do mês também. O mesmo vale para bimestre, trimestre ou semestre. O calendário e suas largadas têm um impacto tremendo sobre nós. É natural acelerarmos em períodos assim e chega a ser uma arte identificar as possíveis linhas de largada nas confusas pistas da vida e dos negócios. É aí que entra minha teoria da largada. Uma linha de partida que seja reconhecida como tal no calendário pode injetar vigor em qualquer processo, projeto ou tarefa. O contrário funciona ao contrário. Começar pelo fim pode exigir começar de novo. Você já pensou nisso? É preciso atenção na hora de escolher princípios. Se não dá certo começar algo no princípio de dezembro, também não vai funcionar marcar algo para depois de um feriado. Dezembro é o fim de um circuito maior no qual o mês está inserido e o primeiro dia após o feriado é o princípio de coisa nenhuma. Partir fora da hora culturalmente demarcada é queimar a largada. Só vai atrasar a corrida. Então, se o ano é o maior circuito do calendário, nada melhor do que escolher a sua largada para acelerar os grandes planos e realizações. Quanto maior o circuito, maior a aceleração obtida numa largada estendida, maiores as chances de sair da inércia, melhores as condições para se criar momento. Não existe um circuito mais longo que o ano no calendário das provas da vida. Era o que eu pensava em voz alta, quando meu filho pôs um fim ao meu princípio: — Pai, não se esqueça do carnaval. É curto o circuito. [>> Envie a um amigo >>] Use o formulário abaixo para comentar.
 |  | Oh, Mundo Cãoporativo! JERONIMO MENDES
Com textos curtos e concisos, Jerônimo Mendes apresenta 40 artigos e crônicas elaborados ao longo de sua carreira profissional. São descrições, recordações e testemunhos do cotidiano profissional vivenciado pelo autor nas empresas onde atuou. Num estilo informal e descontraído, o autor fala da relação de amor e ódio no ambiente de trabalho, onde o leitor é capaz de identificar fatos e ambientes ali mencionados. As relações humanas e a ética no trabalho são colocadas em discussão, fazendo desta obra um apoio nos momentos de frustração, dificuldades e crises de identidade profissional. A dissociação do mundo pessoal e profissional costuma ser uma questão um tanto quanto difícil de ser resolvida. Neste livro, o autor Jerônimo Mendes fala sobre as relações humanas e a ética no trabalho em 40 crônicas e artigos curtos e concisos, que despertam para uma relação de amor e ódio no ambiente corporativo. São descrições, recordações e testemunhos do cotidiano profissional vivenciado pelo autor nas empresas onde atuou, descritas num estilo informal e, ao mesmo tempo, descontraído. Jerônimo Mendes é consultor, palestrante e professor. O site do autor está em www.jeronimos.com.br |

Respostas: 8 Pessoas comentaram. E você, qual é sua opinião?
gostaria q me auxiliasse em alguns temas p/minha monografia de secretariado executivo bilingu,desde ja mto obrigada.
Enviado por Pollianna Marçal em 11/02/2006
Olá Mario, Valeu o texto e parabéns pelo trabalho que realiza mostrando as pessoas que a vida pode oferecer muito mais. Recentemente partipei de um encontro de yoga e o tema foi o tempo. Alguém fez o seguinte comentário baseado em um livro ou artigo que tinha lido. Que cara genial que criou o tempo: com dia, noite, horas, minutos e segundos. Para tocar os nossos projetos não precisamos esperar dezembro terminar. Abraços, Walter Vieira
Enviado por valter vieira em 16/01/2006
Se conseguimos visulizar as oportunidades é porque atingimos o ponto máximo de nossa apreciação do mundo real. Sempre que se inicia um ano delimitamos mudanças e focos estratégicos de atuação. Eis o fato, temos que mudar constantemente para não ficarmos inerte. Começar di zero é maximizar o importuno e não levar em conta as experiencias realizadas.
Enviado por Marcos Vinicius Ribeiro em 12/01/2006
Mario, Esse fenômeno de início e término sempre gera um desconforto nas pessoas. Cria um ambiente de queda de energia, de rádio fora da estação e redução na força dos motores. Nós precisamos pensar em todos os momentos como um recomeço. O gás tem sempre que estar no máximo. Não existe coisa pior que entrar em uma empresa, um casamento, ou em qualquer nova etapa da vida, pensando que o início vai ser seguido pelo término. É com este pensamento que nós temos que levar a nossa vida. É muito legal pensar que o minuto é o início da hora, a hora do dia, o dia da semana, a semana do mês, o mês do ano, e o ano, de cada etapa nova que temos que buscar em nossas vidas. UM ÓTIMO RECOMEÇO!! Fábio Almeida
Enviado por Fábio Almeida em 11/01/2006
Se não dá certo começar algo depois do feriado, então, posso depreender que começar no próprio feriado é uma boa solução, do contrário como poderia ser o início do ano ou do circuito maior, como mencionaste, o começo mais importante, posto que se dá no primeiro feriado? Especialmente nesse 2006 temos a oportunidade de começarmos algo significativamente novo em nossas vidas. Que o sentimento inspirado pelo nosso caderno de capa imaculada, com suas folhas brancas e o cheiro desbolorizado, sirva para estimular um novo comportamento constituído de maior responsabilidade social e sobretudo política. Wal Rezende
Enviado por Wal Rezende em 04/01/2006
Olá é verdade Mario a coisa que mais gosto ainda, apesar de ter 26 anos é ver e ter aqueles cadernos lindos, que desde de novinha sempre adorei. Ter o material tudo bem novinho, parece que dá um incentivo para a gente nunca pensar em desistir de estudar. Adorei o que vc escreveu e percebo que tens toda razão. Sou universitária no quarto de faculdade em secretariado executivo. Se no mundo houvesse mais pessoas como vc, concerteza esse mundo seria bem melhor, eu adoraria de ter um novo amigo como vc Mario ops, não sei como posso lhe chamar. Vou deixar o end. do meu blog, se quizeres dar uma passadinha lá, será muito bem vindo, ah e não esqueça de deixar seu comentário do que achou sou meu mundinho rsrs. Vc tem orkut? Beijinhos De sua nova admiradora Regina
Enviado por Regina em 04/01/2006
Excelente texto ! Me fez lembrar do tempo em que minha mãe encapava meus cadernos, borracha nova e promessas de não morder o lápis !! .. rsssss.... Vou experimentar encapar os documentos em cima da minha mesa !?! .rsss. . Forte Abraço, FM.
Enviado por Felipe Mesquita em 04/01/2006
Eita, e que curto circuito, hein? Mas como ainda tem gente que não veio pro lado de cá, eu já estou na ativa desde - nossa! quão cedo! - 2 de janeiro (ontem). Batalhei em 2005 pelo meu estágio, que é obritgatório só em 2007, mas que já comecei agora em 2006. Confusão? Bah, nem é tanta assim, vai?! Comecei meu estágio ontem e hoje já pude mostrar a mim mesma que é isso mesmo que quero! Trabalhar com o público, trabalhar com o turismo, trabalhar com a história de um local! O estágio na Secretaria de Turismo da minha cidade está sendo de grande valia, mesmo eu estando ali há dois dias. Fazer o que se gosta é bem legal. E enquadrando isso no seu ótimo texto, poderia dizer que eu larguei na frente e pelo jeito, acertei os pneus para dia seco. Mas que eu acertei, por enquanto, pois não se sabe se ainda virá uma chuva pela frente e fará com que eu pare no box para trocar para o pneu de chuva. Ou quem sabe, para minha sorte, seja uma rápida chuva de verão e eu continuarei despontando e sendo assim, serei ainda mais feliz quando derem a bandeirada! Falei demais e falei de mim. Quero agora falar de ti, opa... não seria bem de ti, mas sim de seu texto: excelente obra. Me faz ter ainda mais fome de me alimentar com boas palavras, pois sou suspeita em falar, livros e palavras são duas das minhas grandes paixões, seguidas por inglês e fotografia. Abraços, Pâmela Machado. Obs.: Achei que o site era meu e tomei conta da página. Prometo da próxima vez ser mais breve! :P
Enviado por Pâmela Machado em 03/01/2006
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