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06/03/2005
Medroso! Medroso! Medroso!...
por Mario Persona
Medroso! Medroso! Medroso!... Escrevo num domingo e não quero falar de negócios. Na verdade, nem escrever eu vou. Deixo a tarefa para meu filho. Bem... modo de dizer. Para quem não sabe, mantenho um blog, "Quero contar...", voltado para portadores de necessidades especiais. Lá eu escrevo como se fosse meu filho, para dizer o que acho que ele gostaria de contar se pudesse. Tá bom, pode parecer até coisa de alter ego, mas serve de terapia.
Agora, se quiser mesmo ler uma crônica de negócios hoje , então meu convite é para que que visite a "WEG em Revista" e leia "Se Oriente Rapaz". Esta é exclusiva para a revista e não estará em meu site ou blog. Como o site é dinâmico, para chegar lá você vai precisar clicar no link da empresa acima, clicar em "WEG em Revista" na coluna da esquerda do site, escolher a edição 32 e minha crônica com o título "Se Oriente Rapaz". Presto!
Medroso! Medroso! Medroso!... Meu pai é um medroso. Só pode ser. Perder uma oportunidade dessas?! Ah, eu conto, sim, vou contar, quero contar! Sabe o que? Que meu pai foi dar uma palestra em Foz do Iguaçu e encontrou lá o Osmar Santos expondo seus quadros. Encontrou é modo de dizer. Sabe o que aconteceu? Nada. Isso mesmo, nada! Meu pai viu o cara, viu os quadros e ficou nisso. Você sabe, o Osmar Santos, aquele que era um super radialista até um caminhão bêbado atravessar o seu caminho. Ah, se eu pudesse falar! Sabe o que faria agora mesmo? Conversaria com meu pai para saber tim-tim por tim-tim a razão de nem chegar perto do Osmar. Minha conversa com meu pai seria algo assim, tenho certeza: — Pai, não me diga que você foi até lá, viu o Osmar e nem o cumprimentou. — Fui, vi, não... — Chegou perto, pelo menos. — Bem, sim e não. Na volta ele ficou quase ao lado no avião, do outro lado do corredor. — E...? — E o que? — Pelo menos falou um oi, disse que gostava dos quadros, que você também já pintou... — Não. — Eu não acredito! Uma foto, pai, uma foto! Todo mundo quando encontra um famoso corre lá tirar uma foto ao lado dele... Pensou? Botava no seu site, fazia o maior farol... — Também não... sei lá, fiquei sem jeito... — Você, sem jeito?! Sobe num palco, faz gato e sapato, fala pelos cotovelos... com essa cara de sério deixa a turma surpresa ao descobrir que existe um palhaço debaixo do terno... Sem jeito?! — É, Pedro, fico sem jeito quando encontro gente assim. Tem gente que tá com tudo em cima e vive reclamando. Outros, como você, nascem com deficiências e fazem um bocado, se desenvolvem, aprendem, tudo bem, mas nunca souberam o que é ter tudo funcionando... Já um cara como o Osmar... — O que tem um cara como o Osmar? — Oras, ele estava por cima e de repente viu o tapete ser puxado. Perdeu o que tinha de melhor, a voz, a locução. Tipo João do Pulo, o campeão olímpico, que perdeu a perna; tipo João Carlos Martins, o pianista que perdeu o movimento dos dedos... Gente que está no topo, desce no fundo e se supera, entende? Ou pessoas comuns, donas de casa, profissionais, estudantes como meu amigo Cristóvão de Barros, que levou um tiro na coluna, ficou paraplégico e hoje toca seu próprio negócio... Nossa! Tem tantos outros heróis assim por aí... Gente que dá a volta por cima, começa de novo, se reinventa, serve de exemplo... — Só por isso você ficou sem jeito de ir lá falar com ele... — Só por isso. Lá tinha tanta gente achando que eu era alguma coisa só porque sou palestrante, e a grande atração estava bem ali, sentado naquela cadeira de rodas e rodeado de quadros em cores vibrantes. O cara é a cara dos quadros que pinta, sabia? Vibrante, alegre, parece que está o tempo todo dizendo pra gente, “Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha”. E tem gente se lamuriando por aí só porque quebrou a unha, perdeu o cabelo, ganhou umas estrias, engordou... — Já entendi. — Entendeu o que? — Você, não ter dado a mão pra ele, não ter tirado uma palhinha de prosa, não ter ficado ao lado pra uma foto... Você é um medroso, pai! Medroso! Medroso! Medroso! — Pedro, olha o respeito! — Medroso sim, pai! Você tem medo de gigantes. Comentários? Deixe os seus no formulário mais abaixo.  |  | Osmar Santos: o Milagre da Vida PAULO MATTIUSSI
A voz inconfundível de "Osmar Santos" ainda pulsa na memória de milhões de pessoas. Finalmente, uma biografia compreende totalmente este fenômeno da comunicação. A partir de uma ampla pesquisa em arquivos de imprensa, pessoais e familiares, o jornalista Paulo Matttiussi revive em um texto emocionante a trajetória de glória e sucesso do maior nome da comunicação esportiva, interrompida repentinamente por um acidente que silenciaria para sempre as locuções inesquecíveis do "pai da matéria". Esta passagem é narrada com riqueza de detalhes, como uma verdadeira seqüência cinematográfica que prende a atenção do principio ao fim. Imperdível.
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Respostas: 6 Pessoas comentaram. E você, qual é sua opinião?
Muito bacana Mário. As vezes ficamos tristes, deprimidos, de cabeça baixa, de baixo astral, porém, não devemos agir dessa maneira, pois independente da situação que enfrentamos, temos que ter em mente que podemos vencer e que já somos vencedores! Deus sempre está do nosso lado, e não podemos desistir NUNCA!!!! Muito inteligente essa crônica, parabéns!
Enviado por Jefferson em 20/03/2005
Mario, mais uma vez brilhante. Mas bem vindo ao mundo dos humanos, ou seja, pensei ser a única a ter medos de anões, normais ou gigantes. É bom saber que gigante também tem medo de gigante. Abraços.
Enviado por Estér em 09/03/2005
Esta vendo .... esta no gene ... fico impressionado com essa capacidade de vcs ... otima cronica, sincera, honesta e sensata. Teu filho tera uma grande caminhada pela frente, alias ja está correndo ne ? mais uma vez parabens ... torno-me a cada dia seu discipulo... abraços
Enviado por Diogo Lage em 08/03/2005
Somos privilegiados por DEUS, e mesmo assim encontramos pessoas reclamando da vida. Tenho o privilégio de conviver onde trabalho com pessoas "deficientes", pessoas especiais, pois estão sempre felizes e passando uma paz muito grande, a cada dia que chego ao meu trabalho, percebo o quanto devemos ser grato a DEUS por existirmos e termos essas pessoas como amigos.
Enviado por Altamir Quilles em 08/03/2005
É isso ai as vezes nós pensamos que os nossos problemas são sempre maiores do que os dos outros, mais para cada pessoa eles surgem de um geito diferente, mais sempre que estamos crescendo alguém que não está, nos vê com inveja e não quer saber o que fizemos para chegar onde chegamos, não sabem pedir a Deus. Por terem medo de gigantes Na realidade cada um de nós somos a grande atração de nossas vidas saibamos faze-las um Show, para sermos também gigante e não medrosos. Parabéns pela crônica + uma vez.
Enviado por Denise Matos em 07/03/2005
parabéns pela crônica, achei extraordinário e ensina a todos nós que vivemos reclamando por coisas tão pequenas e esquecemos de agradecer a Deus pelo tudo que tem nos dado...abraços!!
Enviado por Mauricio em 07/03/2005
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