Por ser palestrante, é comum eu receber e-mails de pessoas pedindo dicas de como ser palestrante. É interessante, mas nem eu sei se existe um caminho muito claro para alguém se tornar palestrante. Será que existe escola? A minha escola foi a vida, as lições foram as palestras. Quando menos esperava, já era palestrante.
Fui entrevistado pelo Clube do Palestrante, criado pela palestrante Leila Navarro para reunir um pouco das pessoas e do conhecimento existente na área de palestras. O site reúne entrevistas e artigos de palestrantes como Leila Navarro, Reinaldo Passadori, Antonio Carlos Teixeira da Silva, Ana Elisa Moreira Ferreira, Max Gehringer, Waldez Ludwig, Raul Marinuzzi, Clóvis Tavares, Celso Miranda, Vanusa Santos, Luiz Carlos F. Navarro e Maria Simões.
Alguns artigos e entrevistas de palestrantes, como a minha, já estão publicadas no site; outras devem entrar nos próximo dias. Mas, apesar de minha entrevista estar ali, gostei mais da entrevista do palestrante Waldez Ludwig. Explico: o Waldez foi muito claro ao afirmar: Palestrante é educador!
Pronto, matou a cobra. É isso. A maioria dos palestrantes começa a carreira ensinando, continua ensinando e não pára mais de ensinar. Dar palestras é exatamente isso. Portanto, pessoas que não gostam de ensinar podem esquecer palestrar.
Mesmo correndo o risco de não ter sido tão direto quanto o Waldez Ludwig, vou relacionar alguns pontos que tratei em minha entrevista sobre a atividade do palestrante, na forma de tópicos:
1. Ser palestrante é conseqüência de outra carreira na qual você tenha atuado até ter algo para dizer e ensinar outros. Isto amplia o campo para virtualmente qualquer área do conhecimento.
2. A idade é relevante para quem deseja ser palestrante quando o que pretende ensinar depende de experiência e amadurecimento, coisas que só o tempo pode dar. Porém há áreas em que jovens são mais bem sucedidos como palestrantes do que pessoas mais maduras, pois os temas de suas palestras dependem mais de talento – como música, esportes, artes – do que de experiência acumulada. Quando o público também é jovem, existe uma identificação maior com um palestrante também jovem.
Este palestrante com cara de susto sou eu, em palestra no SAP Forum 2004
3. Homens e mulheres têm igualmente algo a dizer e a ensinar como palestrantes, porém existem áreas em que as mulheres são melhores palestrantes do que os homens em razão de alguns atributos que lhes são naturais. Eu jamais saberia como dar uma palestra a um público feminino sobre a experiência de ser mãe e nem teria atributos tão claros para falar sobre intuição como as mulheres têm. Mulheres também são mais comunicativas, conseguem passar maior credibilidade do que os homens e costumam ser mais honestas naquilo que dizem, além de conseguirem externar com maior facilidade suas emoções. Antes que você decida contratar só palestrantes do sexo feminino, saiba que os homens também possuem muitas qualidades. Pronto. Garanti meu trabalho.
4. É muito importante que ao contratar um palestrante você saiba exatamente o que deseja desse palestrante. Há eventos em que o público sai frustrado, não por incapacidade do palestrante, mas pela escolha errada. Há eventos que pedem alguém de conhecimento, para ensinar, e não apenas para uma palestra descontraída de entretenimento. Outros necessitam de um palestrante para entreter e divertir. Há momentos em que a empresa precisa de um palestrante que dê um tratamento de choque de motivação, alegria e positivismo. É importante que a necessidade da empresa e do momento estejam casados com o perfil e capacidade do palestrante.
Uma empresa buscava por um palestrante e me consultou para uma palestra, informando que havia outro candidato que também estavam consultando. Quando vi que o evento aconteceria em uma boate, que a palestra seria o ponto alto de uma festa noturna em que os convidados estariam bebendo descontraidamente nas mesinhas em frente ao palco, achei melhor visitar o site do outro palestrante. A página principal trazia um rapaz com um terço da minha idade, corpo sarado, camisa brilhante, calça de couro e duas modelos, uma loira e uma morena, no chão agarradas às suas pernas. Era um mágico e palestrante famoso.
Sugeri à empresa que o contratasse. Era a pessoa ideal para o tipo de evento festivo e descontraído que buscavam. Obviamente um palestrante como eu, que trabalho com conhecimento, não seria o mais adequado para interromper aquele momento de descontração com um conteúdo de conhecimento que exige concentração.
Para evitar equívocos e deixar bem claro que, embora eu seja palestrante e faça palestras descontraídas, não sou cômico, mágico ou especialista em motivação, criei um formulário para pedidos de propostas que contém 3 opções impossíveis de serem assinaladas:
O que você espera que Mario Persona faça por seu público? (assinale quantas opções desejar) Ajude a enxergar novas tendências em tecnologias, negócios e carreira; Compartilhe conhecimento e conceitos com profundidade; Inspire e motive a mudança de atitude no trabalho e relacionamentos; Encoraje com bom humor o empreendedorismo e a proatividade; Alerte para a gravidade do momento, convidando à reflexão; Cante, dance, conte piadas, faça mágicas e caretas - (Não disponível); Crie um êxtase com beijos, abraços, risos e choros - (Não disponível); Faça o público gritar, pular e rolar no chão - (Não disponível).
6. Geralmente ser palestrante é apenas uma das atividades do profissional. Palestrantes voltados para o entretenimento, como aqueles que fazem mágicas, teatro ou palestras cômicas, costumam se dedicar em tempo integral a esta atividade, mas palestrantes de conhecimento geralmente são consultores, professores e escritores, além de palestrantes.
7. É preciso que o palestrante esteja continuamente atualizado e estudando sempre para dar palestras, ou você não terá o que oferecer ao seu público. Acredito que esta deveria ser também uma preocupação de qualquer pessoa que ensina.
8. Ser humilde deveria ser a principal preocupação de um palestrante, pois o fato de as pessoas estarem ali ávidas por cada palavra que sai de sua boca pode inflar seu ego e ele achar que é o máximo. É importante entender que uma palestra é uma via de mão dupla onde o palestrante ensina e aprende. Portanto, se palestrante é ser aprendiz.
9. O palestrante cobra pelo valor que seu conhecimento ou habilidade agrega. Mas quem quiser se iniciar na atividade é bom saber que terá e deverá fazer muitas palestras de graça no início, para aprender a conviver com o público, e ao longo da carreira, para manter acesa a chama de educador. Há ainda eventos estratégicos em que a recompensa do palestrante vem na forma de uma divulgação para um determinado público que poderá comprar seus serviços em outra oportunidade.
10. Uma palestra nunca poderá ser igual à outra, a não ser palestras-show em que o objetivo de entreter pode ser igual ou maior que o de ensinar. Nunca há dois públicos iguais e o palestrante deve adequar seu conteúdo e linguagem para cada público que encontra.
11. Aparência física, poder de oratória, falar vários idiomas ou outros atributos podem ajudar na carreira de um palestrante, mas isto depende da área e do assunto abordado. Há grandes sábios que mal sabem falar ou têm uma aparência sofrível, mas que fazem grande sucesso como palestrantes pelo valor que agregam com seu conhecimento.
Finalmente, é preciso ter em mente que você pode melhorar sempre. Crescer sempre. Então, quando crescer, você poderá ser um palestrante. Eu? Ainda não passo de uma criança no assunto. Mas, nem por isso me intimido de atuar como palestrante. Quase me esquecia de dizer que o palestrante deve ser ousado.
Se quiser ler mais uma dica, é muito interessante o que o palestrante Max Gehringer respondeu a alguém que escreveu pedindo dicas de como se tornar palestrante. Você encontra o texto na Revista Época (clique aqui).
FALAR PARA LIDERAR HERÓDOTO BARBEIRO Grande parte das pessoas, que trabalham nas mais diversas áreas, já entendeu a importância e a necessidade de saber falar bem em público. Napoleão Bonaparte, Martin Luther King, Silvio Santos, entre tantos outros grandes líderes, destacaram-se na sociedade pelo uso racional da palavra, arrastando multidões para ouvir o que diziam. E falar em público é algo que se aprende, se conquista. Pensando nisso, Falar para liderar traz inúmeras dicas de oratória, mas, ao contrário de outros livros do gênero, não se resume a isso; nele são abordadas diversas técnicas eficazes, ressaltando a importância de saber trabalhar com a inteligência emocional para obter melhores resultados nas apresentações.
Respostas: 5 Pessoas comentaram. E você, qual é sua opinião?
Caro, Mário, espero que as minhas palavras no ultimo e-mail enviado não o tenha chocado. ponderei muito sobre o que você disse ao me responder. Quer saber? você é fera. Os grandes só são grandes por que olharam para os grandes. Abraço
Caro Mário Persona, Sou sua fã desde muito tempo, recebo seus artigos em meu e-mail e eles são sempre muito esperados. Sempre que os recebo, seleciono os textos e envio para 40 e-mails de colegas meus, via notes da empresa. Eles fazem o maior sucesso. Graças a seu exemplo e ao de Leila Navarro, vou ser palestrante. E não vai ser quando eu crescer já que já tenho 36 aninhos. É para logo, urgente. Tenho lido muito e treinado diante do espelho. Por enquanto minhas palestras têm se resumido às reuniões operacionais do meu setor de trabalho (Navegação Aérea) mas já recebi elogios do meu chefe sobre meu desempenho nas minhas aulas. Isso só me dá mais responsabilidade e vontade de melhorar cada dia mais (elogio é muito bom, né?). Quando o sr. estiver ministrando qualquer palestra em Recife, Aracaju, Maceió ou Salvador farei o possível para estar na disputa da primeira fila com os seus vários fãs. Suas dicas já estão salvas em meu arquivo particular para facilitar o constante uso. Um abraço, Liliani Cartonilho Paulo Afonso-BA
"Ser
alguém é ter uma história para contar."
Isak Dinesen
Curioso para
saber quem sou? Ok, você pediu. Para
poupá-lo, vou começar nos anos 70.
Após a fase mauricinho, virei hippie.
Isso mesmo. Compus, cantei e toquei em
festivais, vivi 3 anos só de
macrobiótica e vesti bata de algodão de
saco de farinha. Despojamento exterior de
um Gandhi, mas vivendo como a rainha da
Inglaterra, PAItrocinado
no conforto de um apê só meu no
Guarujá e faculdade particular em Santos.
Fim dos anos 70, desenhista, designer de
ambientes e cartunista, recém formado
arquiteto, metido em movimentos de
contracultura e volta à natureza, fui
morar no mato. Comprei um sítio após
uma tentativa frustrada de morar numa
comunidade. Onde? Alto Paraiso, GO. Foram
3 anos cantando "Refazenda",
criando carrapatos, plantando mato e
comendo arroz integral com gersal.
Foi também no fim dos 70 que nasci de
novo, após três anos errando à procura
de um sentido para a vida em filosofias
do extremo oriente. Minha procura
terminou no oriente médio e os anjos
ficaram alegres.
Voltei à civilização para continuar a
carreira de arquiteto. Tive escritório
de arquitetura, fui vendedor de materiais
de acabamento, negociador no Banco Itaú
e Cia do Metrô, editor de publicações
cristãs da Verdades Vivas, tradutor
técnico e diretor de comunicação e
marketing da Widesoft.
Dinossauro da Internet no Brasil, em 1996
criei meu primeiro site, o bilíngüe True Stories,
seguido do trilíngüe Chapter-A-Day.
Trabalhando na Widesoft, criei a
comunidade Widebiz
e ultimamente mantenho alguns blogs, como
este CAFE,
o biográfico Quero Contar
e o devocional O Pintor em Minha
Janela.
Descobri o ócio criativo e faço que
gosto trabalhando em casa. Meus clientes
nunca iam ao meu escritório nem
eu por isso decidi assumir o
modelo home-office, conectado a um
atendimento profissional, empresas
parceiras, ao meu filho Lucas Persona
e aos meus clientes.
Adotei o modelo futuro no presente.
Ao lado de minha mesa fica a poltrona de
meu filho Pedro, que passa o dia
escutando música. Quem é Pedro? Esta é
uma outra história que você encontra no
livro "Uma Luta
pela Vida",
de minha filha Lia
Persona, ou acompanhando
o blog Quero Contar
.