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06/01/2004
Encarando o novo, sem dor de barriga
por Mario Persona
Encarando o novo, sem dor de barriga Todo ano novo a gente promete mudar. Mas aí vem aquela dor de barriga. Passado o peru e o foguetório, é bom tomar umas colheradas de cautela com caldo de galinha antes de sair montado num rojão. Nunca teste a profundidade da água com os dois pés, disse alguém. Use o tato, seja ponderado. Para não começar o ano desempregado. Como o Michael.
Funcionário da Microsoft nos EUA, ele publicou em seu blog uma foto da chegada de alguns computadores Power Mac G5s à empresa com o comentário: "Até a Microsoft quer o G5". Foi para a rua. Seu chefe achou que não podia publicar o que bem entendesse, mesmo que fosse em seu horário de folga, em seu blog, hospedado em seu servidor. A imagem que estava em jogo ainda era a da empresa. Este caso é interessante pois aponta para uma nova tendência. Interagir em um novo cenário, municiado com novas tecnologias, pode trazer efeitos colaterais nocivos se não existir um pouco de bom senso e ponderação. No início da Internet, funcionários eram demitidos por navegar em sites pornográficos. Depois, por mandarem fotos para os amigos por e-mail. Outros, por usarem o servidor da empresa para disponibilizar músicas para o Napster. Enquanto os mais habilidosos criavam vírus com as digitais do computador do patrão. Agora um funcionário pode ir para a rua por usar mal o poder de comunicação e publicação que antes era reservado aos jornais. Um poder tamanho que nem ele imagina o tamanho. Se não usar de bom senso acaba parando no censo. Do desemprego. Publicar é tornar público, não importa se isso é feito num blog ou no horário nobre da TV. Alguém vai ler, alguém vai comentar, alguém pode se ofender e o autor pode se queimar. Para evitar este e outros problemas, algumas empresas obrigam seus colaboradores a anexar um verdadeiro contrato de isenção de responsabilidade nos e-mails que saem. Outras simplesmente proíbem qualquer acesso ou comunicação com o mundo exterior via Internet. Será correto? Privar seu pessoal de informação pode ser uma boa solução, se você fabrica galochas. Digo isto porque censurar a aquisição de conhecimento pode criar um exército de mentecaptos acéfalos que só saberão cumprir ordens e acatar comandos, se não forem muito complexos. Pode ser que o método acabe com o carrapato, mas vai matar a vaca. Já vimos esse filme quando surgiu o telefone. Hoje um celular equipado com fone de ouvido e microfone sob uma mecha de cabelo coloca o mais recluso funcionário em contato com quem ele bem entender e sem deixar transparecer. É claro que vai parecer louco falando sozinho, mas todos julgarão tratar-se de um efeito colateral do isolamento. Sou mais a favor da política adotada por algumas companhias telefônicas quando surgiu o orelhão. No começo não ficava um inteiro. Aquilo era um elemento estranho na paisagem e exigia que o vândalo tomasse uma providência. Como era impossível vigiar todos os orelhões, o jeito era substituir os quebrados e esperar que os vândalos ficassem mais inteligentes. É claro que isso nem sempre funciona para todo mundo, e aí só a repressão resolve. Na empresa não é diferente. Enquanto para alguns a novidade da Internet acaba virando apenas mais um orelhão sobre mesa, para outros continuará sendo o buraco da fechadura ou a porta de banheiro público, onde consegue publicar a quintessência de sua capacidade de expressão. Cedo ou tarde a seleção natural elimina sem piedade o profissional sem tato, que usa os recursos que a empresa comprou ou o tempo que ele vendeu para desproduzir, neologismo que segue a linha do desfavor. O resultado é demissão. Com exceção, talvez, para os criadores de vírus e invasores de redes, que ganham um período para repensar suas atividades, escrever um ou dois livros, e ser contratado por alguma empresa de segurança ao saírem da detenção. Mas a pergunta que você deve estar fazendo é esta: Como proceder com colaboradores assim? Bem, quando o assunto é gestão de talentos, você nunca sabe se está tratando com um vândalo, um ingênuo ou um gênio em processo de lapidação. Vou recorrer à sabedoria de porta de banheiro para responder. Depois de conseguir entrar com dor de barriga, bagagem, notebook, terno e gravata em um micro-banheiro público, passei a estudar que configuração adotar para evitar qualquer contato com o revestimento úrico do piso. Foi quando a frase rabiscada na porta chamou minha atenção: "É preciso muita calma nessa hora".  |  | Direito Digital - Patrícia Peck Para quem gosta de fazer direito, aqui vai um prato cheio. A autora examina questões que abrangem desde empresas virtuais, provedores, direitos autorais, marcas e domínios, correio eletrônico, conteúdo, segurança, documento eletrônico, assinatura e certificação digital, comércio eletrônico, leilão virtual, finanças virtuais, tributos, e-government, e-learning, crimes virtuais até publicidade on line. Ainda não encontrei um livro que trate exclusivamente da relação ambiente de trabalho X novas tecnologias. Você conhece algum? |

Respostas: 5 Pessoas comentaram. E você, qual é sua opinião?
Parabéns, Mario Persona! Gostei muito do site! Principalmente das crônicas traduzidas Inglês-Português... Continue em frente!
Enviado por Lena em 05/02/2004
Oi, Mario Curso o terceiro ano de Publicidade e Propaganda e comecei este ano a fazer minha monografia, que será sobre a importancia de construir marcas fortes regionais; no que você puder me ajudar, ficarei imensamente grata. Um grande abraço, Márcia Regina Berlandi do Vale
Enviado por Marcia R. Berlandi do Vale em 21/01/2004
Oi Mário, Hoje, pela primeira vez, visitei seu site. Louvo a Deus por ele capacitar alguém como você para expressar com tanta simplicidade assuntos tão importantes como a área de comunicação e em especial o Marketing, assunto pelo qual, aos 40 anos, me vi apaixonada. Sei que aprenderei muito com pessoas como você. Parabéns, e que Deus continue te abençoando. Um abraço, Márcia.
Enviado por Márcia R. B. Vale em 17/01/2004
Oi MÁRIO tenho certeza que não existe coincidência e sim a mão de DEUS em tudo !!!Porque eu ler seu texto e querer comentar alguma coisa eu não saberia!! E quem eu vejo aqui no seu comentário a minha querida PULG@ sábia e modesta!!Então posso dizer assino em baixo tudo o que ela disse, porque nunca saberia me expressar tão bem como ela!!! Beijo em seu coração!!
Enviado por Veridiana em 13/01/2004
Vou ser a primeira a comentar! Legal! Parece caderno novo..risos Mário, vim te agradecer pela visita, sou a pulg@, linkada no Toguzinho, lembra? Gostei deste teu Blog café, muito bonito, e os textos são ótimos, tbém pudera né? Dei uma olhadinha no outro Comunicação e Marketing, vc tá podendo..risos Olha só, *Quero contar* do pedro, eu já havia visitado, mas não comentei por motivos pessoais, depois de te ler, fiquei sem conseguir colocar no papel o que tava sentindo. Só posso dizer que vc é um pai maravilhoso, e um homem incrível! Eu poderia estar vivendo esta sua história hoje,a vida não quis, mas não saberia contá-la de uma forma tão bonita. beijo pra vc , pro Pedro e pra Lia tbém tá?
Enviado por pulg@ em 08/01/2004
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