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17/09/2003
Quem sabe?
por Mario Persona
Quem sabe? Costumamos reclamar do ensino, e há muito que precisa ser mudado, mas pouco falamos do orgulho acadêmico. Ele existe e fica correndo sob a pele de quem ensina (sim, sob minha pele também, pois ensino).
Esse orgulho é natural ao ser humano e nos coloca numa falsa posição de arautos da verdade. Parece existir uma necessidade (será de auto-afirmação?) do mestre mostrar ao aluno que existe um abismo entre ele e o aluno que o aluno precisará se esforçar muito para transpor (oras, pensaria o mestre, se eu dei duro ele deve dar também!). O problema é que falta no ensino aquilo que já é lugar comum nos negócios: o cliente reina. Se no passado a relação indústria/comércio com o cliente era unilateral -- chamamos a isso de relação "push", onde a indústria empurra o que quer que o cliente consuma -- hoje essa relação é "pull", ou seja, o cliente determina o que ele vai querer e a indústria/comércio se comportam como o gênio da lâmpada para atendê-lo. No ensino é assim? Nem sempre. Ainda prevalece a doutrina do 'calaboca moleque, que você não entende disso'. O problema é que, com a democratização total da informação, o mestre perdeu poder. Ele já não tem a chave dos oráculos do saber, já que esta foi parar nas mãos do Google.com, a maior universidade do mundo. O aluno pergunta ao Google e o Google responde do jeito que o aluno quer ouvir. E o mestre? Bem, ele vai espernear e tentar se impor, mas o mercado acaba com isso em muito pouco tempo. Acabou a época do ensino ('push' ou empurrado pelo mestre goela abaixo). Estamos na época do aprendizado ('pull' ou sorvido pelo aluno na medida e com o tempero que ele quer). Por tabela, é o fim também do ensino a distância que logo, logo ter? que mudar para aprendizado a distância (tema do trabalho que pretendo desenvolver aqui, se conseguir recuperar o tempo perdido). Ninguém mais vai ensinar, mas todos vamos aprender. E o mestre? Ora, o mestre passa a ser um facilitador, porque ele próprio não sabe mais do que o mestre Google, que mora na casa de seu aluno. É por esta razão que está ficando mais importante saber procurar informação do que confiar em quem ensina. Está ficando mais importante saber perguntar do que saber responder, porque a melhor resposta acaba sendo uma composição de respostas (ou outras perguntas) que cria, em associação com o conhecimento que eu já tenho, uma sinapse que resulta em um conhecimento novo e ímpar. Quem conseguirá avaliar isso? O mestre? É difícil, pois na velocidade em que o aluno aprende (será que ainda é aluno?) o mestre não poderá parar de aprender (será que ele ainda é mestre?). É por isso que o aluno está ficando cada vez mais difícil de ser avaliado, já que o que se considera ideal hoje em um profissional é a pluralidade de seu conhecimento, que será única para cada contêiner. Se vai ficando impossível avaliar o quanto o aluno sabe, uma nova forma de avaliação vai tomando lugar. É a que avalia o quanto o aluno duvida (ou tem dúvidas, ou questiona). A avaliação da inquietude do que busca o saber. Isto sim deveria ser avaliado, já que a universidade está perdendo seu papel e lugar de farol do conhecimento, perdida na pluralidade do conhecimento humano acessível na ponta dos dedos. Agora, como efetivamente avaliar isso, eu não sei. Nem o Google.

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GOSTARIA DE SABER O PAPEL DO PROFESSOR, DO ALUNO, DO ENSINO E DA APRENDIZAGEM NA CONCEPÇÃO IMPERISTA E TAMBEM NA CONCEPÇÃO CONSTRUTIVISTA.
Enviado por ZULMIRA em 26/10/2003
Como a época em que estamos vivendo é a era das contestações e das sentenças, parece que nos últimos tempos todo mundo está disposto a dar pitacos sobre o papel dos educadores e anunciar uma "nova era". Ao meu ver, a expressão "eu ensino", é de fato deslocada do foco original do ato de educar.Os grandes educadores que temos e tivemos, jamais gostaram do verbo ensinar. No entanto, quando se coloca o fim do papel dos mestres, parece que se está confundindo mestre com coletânea de dados estatísticos.Educar, nas palavras de Gilberto Dimenstein e eu concordo com ele, é dar exemplo de paixão pelo conhecimento.Neste aspecto, o processo educativo jamais cederá espaço para o Google ou outra fonte qualquer de informação, pois a escola não é órgão para informar, isto quem faz é a imprensa. Os educadores propiciam um ambiente de humanização, reflexão e construção de posturas diante do mundo. Posturas estas que, inclusive, previnem a atitude adesista de que tudo, de agora em diante será definido pelo mercado.Os homens e suas idéias não são mercadorias e um jovem diante da vida não é cliente da escola, mas membro dela e de uma sociedade em constante construção. Os mestres, no sentido que afirma o autor desta página não contribuem em nada para a formação humana.Assim como a possível "aprendizagem à distância também pouco faz.Aprendizagem, quando tomada na sua essência é algo impossível, se deslocada de uma convivência de troca de olhares, de afetividades compartilhadas e impressões sobre o mundo, construídas no sagrado espaço da atividade e do aprender que se chama orgulhosamente escola.
Enviado por Osmar Lottermann em 25/09/2003
Perguntas e respostas Sabemos que não há respostas certas para perguntas erradas. Sabemos que o move as pessoas (e as crianças, principalmente) é a curiosidade. Portanto, o melhor mestre é o curioso que pergunta. Pergunta o qu~e: qual o mistério do mundo. Pergunta pra quem? Para todos ao alcance de sua perspicácia. E a avaliação deve ser proximal: o quanto eu aprendo com as pessoas à minha volta, sejam reais ou virtuais: esse é nosso potencial.
Enviado por Marcos Medeiros de souza em 19/09/2003
Avaliação ?!! As escolas dão notas para depois dar diplomas que atestam que seus portadores estudaram (verbo no passado) coisas para ter diploma e não conseguirem com isso sobreviver num mundo em mutação acelerada. A falência do ensino esta no seu objetivo de fornecer diploma? Deveríamos ter uma sociedade sem diplomas, mas sábia? Ou o diploma deveria atestar que seu portador foi preparado para um mundo de mudanças radicais e portanto tera sucesso na vida pessoal e profissional. Continue com suas provocantes questões!
Enviado por Élio J. B. Camargo em 19/09/2003
Também concordo com o Mário e também com a Alessandra; só gostaria de deixar bem claro para os alunos, mestrandos e doutorandos que o tempo que o professor era "bobo" já passou: agora existe um software que procura na internet pedacinhos do texto que o "autor" apresentou e, com um percentual x de "parecência" se define se foi plágio, se o "autor" é realmente autor da sua obra ou mero delinquente. Cabe a cada um de nós escolher o quer ser, só que hoje em dia com o risco de ser descoberto.
Enviado por Simone em 19/09/2003
Concordo plenamente com você, pois está tão fácil conseguir informação hoje, basta um click na internet e tudo está ali, os professores não sabe, mas, na verdade os alunos fazem competição de quem acha mais artigos e assuntos na internet e montam o trabalho que nem se quer teve que digitar e sim copiar, e colar no edito de texto. Com isso o aluno pode tirar notas altas no trabalho escolar, mas como fica a vida profissional!? Alunos pensem bem!
Enviado por Alessandra em 18/09/2003
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