Troféu Fumagalli
por Mario Persona



Em 1959, Sebastião Fumagalli e Ary Bagnolli decidiram premiar os talentos de Limeira, minha cidade. Desde então, uma comissão independente se reúne várias vezes por ano para escolher os laureados. Foi essa comissão que, num momento de distração, me indicou para o Troféu Fumagalli 2008.


Quando me avisaram, senti o mesmo que sentia na época de garoto, quando levava bronca de minha mãe. Eu nunca sabia por qual das traquinagens era a bronca. A mesma dúvida eu tenho agora, só que, no caso da bronca, eu sabia que era merecida.

Se você quiser que um palestrante profissional perca o rebolado no palco, coloque um troféu na mão dele. Você tem medo de microfone? Eu tenho medo de troféu. Subi ao palco, contei uma história engraçada e sumi dali. Puro instinto de autoproteção. Se agradeci a meus pais como todo mundo fez? Cara, eu sou emotivo ao extremo. Da última vez que falei de meus pais em um palco, até as cortinas ficaram pequenas para usar de lenço.

A entrega do Troféu Fumagalli é organizada pela ONG cultural Aldeia e patrocinada pela ArvinMeritor, que produz mais da metade das rodas de aço usadas pelos veículos nacionais. Provavelmente a roda de seu carro começou a rodar aqui em Limeira.

O prêmio é particularmente importante por chamar a atenção para algo que nem sempre valorizamos: o Brasil é um país tecido com talentos locais. Enquanto as grandes empresas do mundo todo promovem a diversidade, por entenderem que é do caldo cultural que nasce a criatividade, tem gente que se envergonha de suas raízes ou acha que talento só tem quem não toca berimbau.

Veja o Troféu Fumagalli deste ano. Além dos talentos locais, e de um sujeito que ainda não descobriu exatamente o que estava fazendo ali, tinha gente cuja atuação vai muito além das porteiras da minha cidade ou do país. Quem? Vou citar alguns.

Raquel Alves Clemente, atleta paraolímpica nos Jogos Pan-Americanos de 2007. Quer mais? Dionísio Uendro Carlos, geofísico indicado em 2007 para o prêmio “Átomos para a Paz”, do World Council of Nuclear Works. Tem ainda o Guilherme Guido, bi-recordista sul-americano de natação, ganhador do troféu pela segunda vez, e de malas prontas para Pequim.

É de gente assim que é feito o Brasil. Cidadãos locais. Mas, como nas novelas todo mundo tem sotaque carioca, a gente acaba pensando que só faz sucesso quem vive nos grandes centros. Oras, quem é que não conhece gente que tem vergonha do sotaque materno e faz um esforço danado para mudar?

Eu não tenho vergonha de meu sotaque caipira do interior. É claro que, por ter nascido nos anos cinqüenta, ser alto e grisalho, ter voz grossa e usar óculos, depois de cada palestra sou obrigado a responder a uma mesma pergunta. Já pensei até em fazer a palestra vestindo uma camiseta com a frase: “Não sou parente do Milton Neves“. O sotaque é igual.

O mais bonito na entrega do prêmio foram as estudantes que se destacaram. Numa época quando muitos jovens se enganam achando que o crescimento que leva ao sucesso é aquele obtido com esteróides ou silicone, ainda tem uma garotada preocupada em injetar conhecimento em seus neurônios e fazer coisas que realmente importam.

Esta semana vi uma jovem assim no Youtube, uma menina de quinze anos chamada Mallu Magalhães, que compõe e canta em inglês enquanto toca violão, gaita, piano, escaleta e nem sei mais o quê. Um amigo de meu pai costumava dizer que só não tinha nascido em Nova Iorque porque a mãe dele nunca saiu de Limeira. A Mallu só não ganha o Troféu Fumagalli porque não é daqui.

Mas eu sou, ganhei e estou feliz. Agora posso colocá-lo na minha estante de troféus. Pelo menos ela não vai mais ficar vazia.

Troféu Fumagalli

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