As 110 lâmpadas
por Mario Persona



Não, não eram 102 dálmatas, muito embora aquele teto lembrasse a pele do cão. Eram cento e dez pontos negros no teto branco segurando cento e dez lâmpadas econômicas que não faziam economia alguma.


Eu estava na pequena agência dos correios da pequena estância hidromineral onde passava minhas férias quando pequeno. Fiz uma parada rápida ali a caminho de um cliente na cidade seguinte para matar a saudade e postar um sedex.

Aquele exagero de pontos de luz em um ambiente pouco maior que minha sala chamou minha atenção, provavelmente por ser arquiteto de formação e curioso por vocação.

O curso de arquitetura me ensinou a observar os detalhes e a pensar em 3D, coisas que me ajudam até hoje. Disso depende o pensamento estratégico em qualquer atividade que eu exerça e ainda posso ouvir meu professor dizendo:

“Prédios não têm fachada, não têm frente nem fundos, todos os lados precisam ser pensados”.

Vale para qualquer negócio. A arquitetura me ensinou também a tomar o ser humano como ponto de partida e destino de todo projeto. Só faltou uma coisa no curso de arquitetura, algo que todos os cursos ficam devendo a seus alunos: ensinar a vender.

Por não ter aprendido marketing saí da faculdade com uma visão hermética, purista e elitista: só eu seria capaz de saber o que era melhor para meu cliente e pouco me importava se ele entendia ou não o valor e a razão da minha profissão. Caí no mercado com uma visão equivocada do que é ser arquiteto.

Mas se eu, que estava dentro, tinha uma visão equivocada, o que esperar de quem está fora? Pergunte a qualquer pessoa o que um arquiteto faz e, deixando de fora os que ficarão mudos, você terá um rosário de definições, algumas nem um pouco politicamente corretas.

A maioria vai concluir que arquiteto é um luxo desnecessário. Arquiteto? Pra que? Basta levar o esboço feito pela patroa em papel de pão e aquele despachante da esquina passa a limpo e ainda obtém a aprovação da planta. Nada que uma caixa de cerveja não resolva.

Mas, na real, o que é arquitetura e o que faz o arquiteto? Fiz uma busca no Google e fiquei petrificado como a definição de Goethe: “Arquitetura é música petrificada”. Le Corbusier definiu a arquitetura como “o magistral, magnífico e correto jogo de volumes trazidos à luz”. Lá atrás, há 2 mil anos, Marco Vitrúvio Polião, arquiteto romano, escreveu:

“A arquitetura é uma ciência, surgindo de muitas outras, e adornada com muitos e variados ensinamentos: pela ajuda dos quais um julgamento é formado daqueles trabalhos que são o resultado das outras artes.”

Hã? Bem, com definições assim, o que você esperava que o leigo pensasse do arquiteto? O que pouca gente percebe é que há milhares de anos o arquiteto tem deixado sua marca na história humana. Oras, quem você acha que projetava as cidades, edifícios e ambientes dos épicos que você vê no cinema? Exceto pela parte em que o arquiteto era enterrado vivo com o faraó, a profissão era das melhores e mais respeitadas da antiguidade.

E hoje? Falta ao arquiteto saber vender seu peixe; conseguir traduzir para o cliente o valor intrínseco da profissão, descortinar o benefício, o que o cliente vai ganhar com isso. Sem isso não é possível evitar a idéia equivocada que muitos têm da profissão. O homem atrás de mim na fila da agência de correios era um deles.

Depois de contar as lâmpadas para matar o tempo, comentei com ele:

— Será que aqui funcionava uma loja de lustres e aproveitaram os pontos de luz? Ou, talvez, o dono do imóvel seja um fabricante falido de bocais? Ou quem sabe um acionista da indústria de lâmpadas econômicas?

— Nada disso — redargüiu o homem na fila. — Isso aí só pode ser coisa de arquiteto.


POSFÁCIO

Meu livro “Dia de Mudança” já está nas livrarias e minha irmã disse que foi o melhor que ela já leu. Mas se você quiser impressionar o chefe, apareça no trabalho com a edição em inglês, “Moving ON”. Isso mesmo, já está pronta. Se não souber inglês, para não correr o risco de seu chefe perguntar do livro, compre também a edição em Português.

Minha agenda de 2007 lotou e começo a empurrar os compromissos para as páginas de 2008. Na busca por frestas no tempo, esta crônica acabou sendo escrita no intervalo entre duas palestras, com caneta e papel, para depois ser passada a limpo no digital. Já experimentou escrever como nossos avós faziam? O ruim é que caneta não tem tecla DEL; o bom é que papel você não precisa desligar quando termina.

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Lovemarks: o Futuro Além das Marcas
KEVIN ROBERTS


Para sobreviverem, as grandes marcas precisam criar nos consumidores uma “fidelidade além da razão”. Esta é a única forma de se distinguirem dos milhões de marcas insossas. O segredo é usar Mistério, Sensualidade e Intimidade, paradigma que faz parte da construção de Lovemarks, conceito criado por Kevin Roberts, CEO mundial da Saatchi & Saatchi. Roberts prova, em Lovemarks: o Futuro Além das Marcas, ser possível construir um compromisso apaixonado entre cliente e marca, por meio daqueles três conceitos poderosos. Este livro proporciona a profissionais de marketing novas formas de pensar sobre como fixar a marca com base no mistério, sensualidade e intimidade. Roberts proporciona insights práticos sobre as formas de alavancar o poder da emoção, do respeito e do amor. Afinal, o que vem depois das marcas? Lovemarks.