Quinze dias de fama
por Mario Persona



No dia 16 de junho de 2006, às 8:14 da manhã, uma garota de vinte e poucos anos enviou um vídeo para o YouTube.com. O videoclip “Say it’s possible” foi gravado no quarto de seu apartamento alugado em Hollywood, usando uma câmera portátil, um computador e um violão. E voz, muita voz.


“And though they say it’s possible to me
I don’t see how it’s probable, I see…”
[veja/ouça aqui]

Quem escuta o nome da cantora — Terra Naomi — acha que ela tem os pés no chão, mas quem a vê cantando acredita que está viajando. “Apesar de dizerem ser possível para mim, não acho que seja provável…”, diz a letra de sua autoria.

Hmmmm… Eu acho provável que logo seu nome apareça bem mais, fora do atual circuito de bares e pequenos shows onde atua. Sua iniciativa de cantar de graça no YouTube, que também hospeda os vídeos de minha TV Barbante, pode render o suficiente para ela mudar-se para um apartamento onde a lavanderia funcione.

Pelo menos foi o que mencionou em um vídeo no qual o telefone toca bem no meio da gravação. Era o senhorio cobrando o aluguel, que ela se propõe a pagar quando ele consertar a máquina de lavar. No YouTube a roupa suja é lavada em casa com audiência em pó nos quatro cantos do mundo.

Enquanto escrevo, “Say it’s possible” já foi visto e ouvido quase meio milhão de vezes em pouco mais de 15 dias. Deixou para trás o recorde que Andy Wharhol previu em 1968 e confirmou em 1979: “…a previsão que fiz nos anos sessenta finalmente aconteceu: No futuro todo mundo terá seus quinze minutos de fama”.

Sem estúdio, gravadora ou CD, milhares de pessoas não apenas ficaram fãs de Terra Naomi, mas se empenharam em divulgar o trabalho da cantora gerando um efeito curioso: ela ganhou mais de uma dezena de “covers” , antigamente um privilégio apenas de grandes cantores e bandas. Àquilo que no passado seria considerado uma onda de plágio, Terra respondeu agradecendo e gravando um vídeo ensinando como tocar sua música no violão.

Nada será como antes nesse mundo interativo e a rede norte-americana NBC sabe disso. Acaba de assinar um contrato com o YouTube para passar seus programas legalmente ali, em meio a milhares de vídeos caseiros como os meus, de Terra Naomi e da dupla Tasha e Dischka.

Quem? As jovens israelenses que dançam fazendo caras e bocas na dublagem “Hey clip”, com o subtítulo “Heya all! dancing stupid is fun!”, vista por quase 7 milhões de pessoas. O estúdio? Seu próprio quarto. O efeito? Meia dúzia de programas de entrevistas na TV israelense.

Uma fama assim pode ser passageira ou o pontapé inicial de uma carreira de muitos gols. A vantagem é que, no mundo da informalidade, não existe uma expectativa prévia, as pessoas não se preocupam com o ridículo e qualquer expressão de talento é bem-vinda. Mas o inverso também pode acontecer graças ao poder de broadcasting que agora o cidadão comum tem nas mãos. Quem hoje tem poder para promover um nome também tem poder para destruí-lo.

Tome, por exemplo, uma marca de grande expectativa: “Brasil”. Se o mundo inteiro achar que “Brasil” é a melhor marca do mundo em, digamos, “futebol”, ocorre um efeito interessante. A imagem, suas expectativas e impressões acabam sendo passadas também para outros produtos que trazem a mesma marca, como cultura, lazer, indústria, tecnologia e até política.

Isto costuma acontecer em marketing. A excelência de uma grande marca em um produto acaba sendo estendida aos outros produtos da mesma marca. Você compra lançamentos daquelas que ocupam o ranking das maiores do mundo, como Coca-Cola, Microsoft, IBM, GE ou Intel, porque na sua percepção a mesma excelência será encontrada em todos os produtos da marca.

Agora, digamos que a grande marca pise literalmente na bola? Será que tudo o que traz a mesma marca será prejudicado?

“And though they say it’s possible to me
I don’t see how it’s probable, I see…”

Em sua canção, Terra Naomi diz que é possível, mas não provável. E você, o que diz?

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FABIO CIPRIANI

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