Mudar sempre
por Mario Persona



Hoje tem novidade. Novidade velha, porque eu já comecei contando em minha última crônica. Estive às voltas com o lançamento oficial da TV Barbante. É, assim, na lata. Na lata de sardinha, que é o logo da TV.


Quando criança você brincava de casinha, vendinha, jornalzinho e jogava em timinho? Agora já pode brincar de tevezinha. É assim que me sinto transmitindo uma versão enxuta da crônica que você lê aqui.

Mas nem tudo acontece sem críticas. Conversando, via Skype, com minha filha nos EUA, mostrei o programa piloto da TV Barbante. Bronca no ato. Achou barbante demais. Camiseta velha, ombros caídos, olhar cansado, cenário bagunçado no fundo. Censurado, o programa saiu imediatamente do ar.

Refiz, troquei de roupa, alterei a elevação da câmera — pensa que é fácil saber quantos livros colocar debaixo? — e publiquei. Ainda falta acertar muita coisa, mas passei no teste. Via e-mail veio o comentário:

“Agora está ótimo! Bem equilibrado e profissional, sem exageros. Acho que se mantiver o ritmo vai dar certo! Gostei da música de fundo, preenche o silêncio. Duas coisas: mostre as suas mãos se pretende movimentá-las. Aquele vaso de flores no canto está um pouco fora de moda. — Beijos, Lia”

Veja se concorda com a opinião dela em www.tvbarbante.blogspot.com. A versão completa do script você lê logo abaixo.

Boa leitura, bom programa e bom dia.

Mario Persona


Mudar sempre

Gosto de mudar, de acompanhar tendências. Por isso criei a TV Barbante — ou vlog, ou videoblog — uma tendência que veio pra ficar. Além de me fazer sentir menino fazendo arte outra vez — você não é do tempo do cineminha de caixa de sapato? — posso sentir o poder do broadcasting nas mãos do cidadão comum.

Glauber Rocha dizia que basta uma câmera na mão e uma idéia na cabeça pra fazer cinema. Pelo que vi nos talk shows da TV, basta uma câmera na mão e uma caneca na mesa para fazer TV. Como eu tenho a câmera e a caneca, decidi arriscar. Mesmo que seja um talk show onde eu ‘talco’ comigo mesmo.

Além disso, estou inaugurando a TV com cheiro. É que precisei abrir uma lata de sardinhas para criar a logomarca da TV Barbante e o cheiro aqui está insuportável. Você não brincava de telefone de latinha? Eu brinco de TV de lata de sardinha. “Pléim! Pléim!”

Mas por que fazer TV de lata amarrada com barbante? Porque o interesse hoje é pelo informal, pelo comum, pelo rosto sem retoques.

Foi o interesse pelo ser humano como ele é que causou uma revolução até na TV convencional. Veja a enxurrada de programas de reality show. Ainda que artificialmente maquiados, dirigidos e patrocinados, ver pessoas comuns virou sensação. Quer ver?

17 milhões de norte-americanos assistiram a última entrega do Grammy, rebocada por uma constelação de estrelas como Paul McCartney, Madonna e U2. Enquanto isso, mais de 28 milhões assistiam os cantores desconhecidos e trêmulos de American Idol, um show de calouros.

Você se lembra do tempo em que concurso de Miss era show. E hoje? Alguém está interessado em garotas que parecem saídas da fábrica da Barbie, que dizem ter lido “O Pequeno Príncipe” e estão preocupadas com a paz mundial?

É por isso que gostei do novo Jornal da Band — não, isto não é propaganda e a Band não está patrocinando a TV Barbante. Se tivesse que fazer propaganda faria da sardinha da lata que usei no logo. É a light da Coqueiro, uma delícia. Está light — não a sardinha, o jornal — humano, gostoso. O Ricardo Boechat, bem no estilo carioca, dá a notícia sem criar alarme. Pra quê criar, se as notícias já criam, já são alarmantes? Aí vem o Joelmir Betting com seus comentários enxutos, inteligentes e bem-humorados. Ele foi a minha inspiração quando comecei a escrever minhas crônicas.

Pra completar, tem a Mariana Ferrão que só ameaça no nome. Com aquele sorriso, o pior temporal que ela anunciar terá cara de bom tempo. O jornal ficou mais humano, natural, menos estressante.

É claro que o Carlos Nascimento, o âncora anterior, é muito bom, muito certinho, muito incisivo, mas eu acabava o jornal com uma sensação de frustração por nada poder fazer para parar a guerra no Iraque ou mudar a política de araque. Já o jornal da Globo me assusta. Quando vejo aquela entrada de impacto do casal com as notícias sensação da noite, me sinto como se tivesse dado uma trombada em porta de blindex limpinha e sem fitinha. Meu coração já não está pra essas coisas.

Noticiário marrom, então, eu arrepio. Principalmente quando o apresentador não se contenta em dar a notícia e começa a descrever o que gostaria de fazer com o bandido. Geralmente não é diferente do que o bandido gostaria de fazer com o apresentador. Isso é o que chamo de criar clima de cadeia nacional. Minha vontade é que venha logo a TV interativa para eu poder dizer:

— Ô, cara! Pega leve! Já ouviu falar de simbiose? Se não tiver bandido você não tem emprego.

É por isso que gosto de ouvir a CBN. Lá tem o Carlos Sardenberg que não tem nada daquele vozerio de locutor de rádio. Fala até meio rouco, mas fala como a gente fala, sem pompa, sem formalismo. É gostoso de ouvir. Faz menos mal do que ficar escutando notíciários alarmistas tipo piada manjada:

“E ATENÇÃO, MUITA ATENÇÃO: CIENTISTAS DESCOBRIRAM QUE A LEPTOSPIROSE É TRANSMITIDA POR LAPTOPS ATRAVÉS DA URINA DO MOUSE”.

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No Tempo em que a Televisão Mandava no Carlinhos…
RUTH ROCHA

O Carlinhos tinha mania de ir atrás de tudo o que aparecia na televisão: achocolatado da Miúcha, milquecheique do Bubu, biscoito do Xuxu. Tudo o que ele via anunciado pela televisão ele queria… Acho que ele nem sabia se era gostoso ou se era uma porcaria. Era só mania de ir atrás do que a televisão diz. Aí, aconteceu que engordou e ficou parecendo uma bola.

O Carlinhos era chamado de “Bola, Bolinha, Bolão, Bolacha, Gordo, Batata”. Quando viu um anúncio de uma tal de Gororoba Dois Mil para emagrecer, encomendou rapidinho. Emagreceu…só que depois ficou doente e deu um susto na família toda. No final do livro: O Pequeno Dicionário do Consumidor – com termos utilizados na TV, rádio, jornais e revistas. Do livro: “É crime criar propagandas ou anúncios que se aproveitem da falta de experiência da criança, desrespeitem valores ambientais ou que levem o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança.”



E a gorjeta, doutor?


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