Os Caçoadores de Mitos
por Mario Persona



Os Caçoadores de Mitos

Mais um! Mais um! Agora é a vez de MARKETING DE GENTE, meu quinto livro que amanhã começa a ser distribuído para as livrarias pela Editora Futura. Veja o comentário que fez José Augusto Minarelli, Presidente da Lens & Minarelli e especialista em Outplacement e Aconselhamento de Carreira:


Marketing de Gente é um livro gostoso, interessante e, principamente, útil para quem quer ingressar e permanecer no mercado de trabalho. Utilizando casos e crônicas, Mario Persona ajuda o leitor a perceber a importância de compreender e utilizar o marketing como um guia para as ações profissionais e pessoais. Com a autoridade de quem pratica o que ensina, Mario mostra de forma simples como um profissinal deve preparar-se e agir para ter sucesso e felicidade na sua vida e carreira.”

O lançamento oficial será no Rio, em 28 de abril de 2005, em evento do OpenNetworking, onde você encontra informações sobre o evento.

Vamos agora à crônica, OS CAÇOADORES DE MITOS, um episódio eletrizante sobre ciência e autoridade da informação. Boa leitura e bons negócios,

Mario Persona


OS CAÇOADORES DE MITOS

A tarde de sábado estava preguiçosa. Após rodar por trocentos canais, a bolinha da roleta remota parou no Discovery Channel: MythBusters — Os Caçadores de Mitos. No programa, dois especialistas em efeitos especiais se empenhavam em criar ou destruir mitos e lendas.

Com muita cola, sucata e inventividade, eles já provaram que o gordo Goldfinger jamais teria sido sugado pela janelinha do avião despressurizando após lutar com James Bond. Mas, segundo eles, foi verdade que Huguinho, Zezinho e Luizinho puderam fazer flutuar um barco naufragado, apenas bombeando bolinhas de pingue-pongue em seu interior, como no gibi.

No episódio daquela tarde eles destruíam o mito de que um carro embrulhado em papel alumínio consegue burlar o radar. Mas quando saiu o som do radar da TV, ouvi um “PLOC” na mesa de centro. Um cinzeiro de vidro fino acabara de quebrar em dois. Teria sido o som? Decidi averiguar.

Você pode até caçoar de mim, mas fotografei a mesa e o cinzeiro e poucos minutos depois as fotos estavam na Internet e o link numa mensagem enviada ao fórum de debates do site do programa. O que teria quebrado meu cinzeiro? A freqüência do som ou a coincidência? Aguardei pela resposta.

No passado eu teria que apelar para o Thesouro da Juventude, mas não encontraria a resposta ali. Talvez aprendesse que existe no Sol um elemento químico chamado “corônio”, que uma viagem a Marte é impossível porque faz muito frio no caminho, mas que podemos nos comunicar com nativos de lá, escrevendo mensagens com letras gigantes no deserto do Saara. Antes que você pergunte, sim, naquela edição a Terra já saiu redonda.

Os que caçoam da Internet como fonte de pesquisa duvidam da veracidade da resposta que posso encontrar ali para a questão do cinzeiro. Mas, se encontrar no Thesouro da Juventude ou de qualquer enciclopédia menos infantil, quem garante que a informação ali não seja mito?

No passado a autoridade da informação esteve nas mãos do clero, que pintava e bordava com ela. Era uma época quando a Terra era plana. Depois foi a vez da universidade, que passou a publicar de cara lavada a verdade absoluta, até prova em contrário, o que costumava acontecer a cada nova edição. E hoje, enquanto caçoamos da falência e falta de atualização das enciclopédias, a quem iremos recorrer? Alguns recorrem à imprensa. De que cor?

Ouvi dizer que um dos critérios do MEC na hora de avaliar uma faculdade é o movimento de retirada de livros de sua biblioteca. Se a taxa for baixa, significa que os alunos não estão pesquisando nas fontes fidedignas do saber. Será que entendi o que ouvi?

Num e-mail uma estudante pedia sugestões de bibliografia para seu trabalho de graduação, com a ressalva de que o professor só aceitaria referências de livros, nada de Internet. Mas, se o papel aceita tudo, que mito faltou que corremos tamanho risco de encontrá-lo na Internet?

Tenho cinco livros publicados e jamais poria minha mão no fogo por tudo que escrevi ali. Um dedinho, talvez. Mas seria insensatez queimar os outros nove por idéias das quais no futuro possa vir a caçoar. Todo escritor escreve só até onde sua mente alcança, provavelmente para editar, completar ou desmentir depois. Há sempre algo de novo nos esperando além do gueto de nossos mitos momentâneos.

Minha pergunta no fórum dos Caçadores de Mitos do Discovery Channel não ficou sem resposta. Quatro especialistas em cinzeiros quebrados já se manifestaram. Um disse que foi coincidência, mas outro aposta que ocorreu um problema de “orgones dissociados”, uma espécie de desarranjo da energia cósmica. Outro concordou, acrescentando que eu deveria analisar a peça em busca de traços de ácido hídrico. Talvez eu faça isso um dia. O último sugeriu uma combinação de ácido hídrico com a influência dos campos eletromagnéticos. Faz sentido.

Mesmo assim, vou aguardar uma resposta oficial, científica e comprovada num próximo episódio dos Caçadores de Mitos. Porque no Discovery eu acredito, e seria melhor ainda se o programa não fosse dublado, já que tudo o que vem em inglês é verdade.

Somente uma explicação oficial de Adam Savage e Jamie Hyneman, os apresentadores do programa, irá me satisfazer. Aí terei certeza absoluta da causa da quebra do cinzeiro. Neles eu confio. E como poderia ser diferente? Foram eles que criaram os efeitos especiais de filmes como Guerra nas Estrelas, Exterminador do Futuro e Matrix! Se não acreditar neles, vou acreditar em quem?

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Marketing de Gente
Mario Persona

Seleção de crônicas de negócios envolvendo conceitos de marketing pessoal, gestão de talentos, criatividade, gestão do conhecimento, publicidade, relações públicas, desenvolvimento humano, atendimento ao cliente e negócios. Em uma época quando as empresas descobrem que o diferencial não está no produto, mas nos serviços, descobrem também que são as pessoas o principal ativo da empresa, já que são elas o elo de serviços para o cliente. A capacidade de relacionamentos de uma empresa é hoje vital para a construção de uma marca forte e uma de suas grandes forças na captação e retenção de clientes.