Contar histórias
por Mario Persona



Contar histórias

Amei o que encontrei no site de Tom Peters. Numa lista de tópicos para desenvolver lideranças ele inclui a dica de número 17: Desenvolva sua história. Uma série de citações garimpadas de livros explica exatamente o que ele quer dizer com isso – a importância que contar histórias terá no futuro das pessoas, dos produtos e das empresas. São estas citações que traduzo aqui.


“Uma das chaves – talvez ‘a’ chave – para a liderança é a efetiva comunicação de uma história”Howard Gardner, Leading Minds: An Anatomy of Leadership

“A essência da liderança presidencial norte-americana, e o segredo do sucesso presidencial, está em contar histórias.” – Evan Cornog, The Power and the Story: How the Crafted Presidential Narrative Has Determined Political Success from George Washington to George W. Bush

“Você é o contador de histórias de sua própria vida, e poderá ou não criar sua própria lenda.” – Isabel Allende

“Estamos no crepúsculo de uma sociedade baseada em dados. À medida que a informação e a inteligência vão se tornando o domínio dos computadores, a sociedade irá dar mais valor na única habilidade humana que não pode ser automatizada: a emoção. A imaginação, o mito, o ritual – a linguagem da emoção – irá afetar tudo, de nossas decisões de compra até a maneira como trabalhamos uns com os outros. As empresas competirão com base em suas histórias e mitos. As empresas precisam entender que seus produtos são menos importantes que suas histórias.” – Rolf Jensen, Copenhagen Institute for Future Studies

“As últimas poucas décadas pertenceram a um certo tipo de pessoa com um certo tipo de mente – programadores de computadores que podiam quebrar códigos, advogados que podiam elaborar contratos, MBAs que podiam mastigar números. Mas as chaves do reino estão mudando de mãos. O futuro pertence a um tipo muito diferente de pessoa com um tipo muito diferente de mente – criadores e desenvolvedores de empatia, reconhecedores de padrões e pessoas que dão um significado às coisas. Essas pessoas – artistas, inventores, designers, contadores de histórias, cuidadores, consoladores, pensadores holísticos – serão os que colherão os melhores frutos da sociedade e que compartilharão suas maiores alegrias.” – Dan Pink, A Whole New Mind

“Na Dinamarca, os ovos de galinhas soltas já conquistaram 50% do mercado. Os consumidores não querem que as galinhas vivam confinadas em pequenas gaiolas. Preferem pagar de 15% a 20% mais pela história sobre ética animal. Trata-se de uma lógica clássica da Sociedade de Sonhos. Ambos os ovos são similares em qualidade, mas os consumidores dão preferência aos ovos com a melhor história. Após discutirmos a questão e juntarmos outros 50 exemplos, a conclusão ficou evidente: Histórias e lendas falam direto ao coração e não ao cérebro. Após um século de uma sociedade marcada pela ciência e pelo racionalismo, as histórias e os valores estão voltando à cena.” – Rolf Jensen/The Dream Society: How the Coming Shift from Information to Imagination Will Transform Your Business

“Para explicar isto rapidamente, considere o livro ‘Quem Mexeu no Meu Queijo?’. De acordo com a editora, foram vendidas mais de 14 milhões de cópias em todo o mundo. É uma história. É uma metáfora. E apela diretamente ao coração, às suas emoções. É sobre estar preparado para mudanças nas empresas.

“Não há nada racional neste livro. Ele fala de ratos em um labirinto. Na superfície, é uma burrice pensar que você possa convencer gerentes e funcionários a se prepararem para mudanças pela leitura de uma historinha assim tão tola. Mas funciona. Ela vai além de seu cérebro. Quando você a lê, você diz, ‘Sim, é claro, devemos nos preparar para as mudanças.’

Eu uso isso como exemplo. Então existe o outro lado, um livro da Harvard Business School Press sobre gestão de mudanças. Ele fala ao cérebro. O autor daquele livro escreve que 75% das iniciativas de mudança fracassadas não foram bem-sucedidas porque não existia motivação para mudanças. Os funcionários não estão prontos. Eles não estão suficientemente motivados para aceitar mudanças. E é por isso que não funciona. Por isso creio que isto prova algo: Fale ao coração ao invés de falar ao cérebro.

Temos que redescobrir a arte de contar histórias, pois é uma melhor forma de comunicação. É mais eficaz. E, evidentemente, somos seduzidos por histórias.” – Rolf Jensen, Director of The Copenhagen Institute for Future Studies, em entrevista a Tom Peters.

“Consideramos belo aquilo que é simples; aquilo que não possui partes supérfluas; que atende com precisão seu objetivo; que se relaciona com tudo; que é o meio de muitos extremos… É prova de alta cultura dizer as coisas mais profundas do modo mais simples” – Ralph Waldo Emerson

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Comédia Corporativa
MAX GEHRINGER

Esta é uma coletânea de artigos que retratam a vida corporativa. Inclui textos inéditos e também publicados em revistas como Exame, Você S.A e Revista da Web!. Segundo o autor, o bom humor está sendo esquecido no ambiente de trabalho e é aí que o livro encontra seu lugar, como uma alternativa à abordagem clássica dos problemas do dia-a-dia. Comédia Corporativa não pretende ensinar e sim mostrar que qualquer situação tem também um outro lado, leve, divertido, folclórico, pitoresco, cínico e cáustico ou qualquer coisa que traduza a expressão “ninguém é de ferro”. Num tom sempre bem humorado, Gehringer ironiza as situações em que tudo dá errado para diretores, gerentes e funcionários das empresas. Com formação em Administração de Empresas, Max Gehringer tem longa e bem-sucedida carreira de executivo no Brasil e exterior, é articulista da Exame e palestrante.