Superman morreu
por Mario Persona



Superman morreu

Hoje, Dia das Crianças, não vou falar de negócios. Quero fazer uma homenagem principalmente às crianças portadoras de deficiência, milhares de Superboys e Supergirls que conseguem fazer proezas maiores do que muitos que têm o corpo funcionando perfeitamente bem.


Quero também fazer uma homenagem a Christopher Reeve – o Superman – que faleceu em 10 de outubro de 2004 após se transformar num ícone da luta pela vida e dignidade dos portadores de deficiência. Transcrevo abaixo o texto que publiquei no blog “Quero contar…” que criei para meu filho, também portador de deficiência.

Boa leitura.

Mario Persona


Superman morreu.

Não, a notícia não é nova. Isso aconteceu em 1995. Quem morreu no último domingo foi Christopher Reeve, o Superman. Você não está entendendo nada? Então é melhor eu explicar.

Christopher Reeve fez aquele que é considerado o melhor papel de Superman do cinema. Ele está para o Superman assim como Sean Connery está para o James Bond. É difícil separar o ator de seu personagem.

Depois de voar e fazer coisas incríveis como Superman em seus filmes, em 1995 Christopher sofreu uma queda de um cavalo e ficou tetraplégico, isto é, perdeu a capacidade de mover seu corpo do pescoço para baixo. Naquele dia Superman morreu. Naquele dia Superman nasceu. Você continua sem entender? Então contino explicando.

Após ficar tetraplégico, Christopher Reeve se transformou na vida real em um verdadeiro Superman. Quero dizer, em alguém que realmente lutou pelos fracos e oprimidos no real sentido da palavra. Christopher transformou-se num dos principais incentivadores da pesquisa científica para a cura da tetraplegia e de outras deficiências físicas por meio da Christopher Reeve Paralysis Foundation.


Sem a sua capa e os poderes especiais, porém agora imune à ação da Kryptonita, Superman passou a lutar por uma vida mais digna e produtiva para pessoas que ficaram privadas de seus movimentos, enquanto servia de inspiração e ânimo para elas. Isso ele fez em seus dois livros, “Superar o Impossível” e “Ainda Sou Eu”.

Enquanto vemos jovens morrendo com o organismo encharcado de anabolizantes porque querem ficar com um corpo de Superman e um cérebro de ameba, o verdadeiro Superman provou que é possível fazer o impossível com um corpo que não anda, porém voa. E voa mais alto do que muita gente consegue voar com um corpo perfeito. O site da CNN comentou que, embora não fosse mais rápido do que um avião ou mais poderoso do que uma locomotiva, sua coragem e determinação ultrapassaram os feitos do herói do gibi.

No último domingo foi só um Superman que morreu. Há milhões por aí que continuam voando, mesmo que seus corpos permaneçam presos a cadeiras de rodas, camas ou equipamentos para respiração. Isso mesmo, MILHÕES! Segundo Steven Dubner, presidente da Associação Desportiva para Deficientes (ADD), há hoje 25 milhões de deficientes no Brasil. Se cada um deles convive com uma média de cinco pessoas, o problema diz respeito a 125 milhões de brasileiros, ou seja, quase 75% da população nacional. Antigamente a principal causa de paraplegia era a poliomielite, agora são os acidentes de carro e as seqüelas de tiros.

Êpa! Falei tanto do Superman que quase me esqueço de que também existem as Supergirls. Visitei o site de uma delas outro dia. O nome desta Supergirl é Eliana Zagui e vou contar… bem, vou deixar que ela mesma conte sua história. Clique aqui para ler.

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Superar o Impossível
CHRISTOPHER REEVE

Neste livro, Christopher Reeve mostra ao leitor que ninguém precisa aceitar qualquer tipo de limitação – imposta por si mesmo ou por terceiros -, podendo recorrer à força interna que pulsa em cada um e apenas aguarda uma decisão para ser despertada. Superar o Impossível ensina que a vida não deve passar em brancas nuvens, podendo ser vivida em sua plenitude, com entusiasmo, curiosidade e gratidão. Nesta obra de enorme poder inspirador, Reeve demonstra que sempre é possível viver intensamente, contando histórias surpreendentes sobre sua carreira, sua lesão na coluna e sua dedicação a muitas causas. Vida e obra a serviço da superação de obstáculos aparentemente intransponíveis.