Agüeeeenta coração!
por Mario Persona



Agüeeeenta coração!
Porque o Orkut não agüentou…


São 23:28, horário de Brasília, e tento entrar no www.Orkut.com. Não entra. Na tela, um aviso: “Bad, bad server. No donut for you”, que em tupiniquim poderia ser traduzido por “O garçom bebeu. Pode esquecer a rosquinha”.


O que aconteceu mesmo foi que o servidor do site abriu o bico. Nas últimas horas, milhares de Ayrtons verde-amarelos viviam momentos de pura emoção enquanto se preparavam para ultrapassar a supremacia americana do site de comunidades de relacionamento.

Ontem um blog reproduzia as estatísticas do Orkut acompanhadas de um brado: VAI PASSAR! VAI PASSAR!!! Era um torcedor fanático acenando a camisa para os 30,24% de brasileiros que se aproximavam da pole position formada por 30,42% de americanos.

Lá atrás – bem lá atrás – vinham 4,68% do Irã, seguidos de 3,98% da Índia e 3,49% da Estônia. Só depois vinham Japão, Canadá, Reino Unido, Holanda e Alemanha. Finalmente os pobres, em seus carrinhos de rolimãs, mostravam toda a sua capacidade de vencer no Orkut. Pelo menos no Orkut.

Mas o que é Orkut? A pergunta deveria ser quem é Orkut? Porque Orkut é uma comunidade de pessoas e Orkut também é uma pessoa. Ao contrário do que supunham os entendidos de plantão – achavam que Orkut era a gíria finlandesa para orgasmo – o criador do site Orkut também se chama Orkut. E não foi um soluço do pai na hora do registro que deu origem ao seu nome.

Se eu me chamasse Orkut, teria morrido de vergonha. E se tivesse estudado em Mönchengladbach, não colocaria isso em meu currículo, só pelo trabalho de escrever. Mas se você acha que ser batizado de Orkut já é ruim, espere até saber seu sobrenome: Buyukkokten. Orkut Buyukkokten é o engenheiro do Google cujo nome está na boca de meio mundo. Só o nome, porque o resto não cabe.

Orkut – o site – não é o único nem o primeiro. Dentre os mais recentes sites de comunidades, o Friendster.com já estava por aí quando Orkut – o engenheiro – inventou Orkut – o site. E dizem que a Microsoft também quer brincar de comunidade assim. Só que o Orkut – o site e o engenheiro – parece ter criado uma atração a mais, difícil de explicar.

Se o objetivo do site, como dizem alguns, for garimpar dados de participantes para saber tudo de todos, quem já está lá não está nem aí. O que todos querem mesmo é fazer novas amizades e conversar. Até eu entrei, após ter sido convidado por alguém.

Esta é a única maneira de se entrar – convidado – o que injeta na coisa toda uma dose extra de interesse, desejo e prestígio. Além de criar uma rede de amigos – a maioria eu nunca vi, nem mais gordo e nem mais magro – decidi me inscrever em algumas comunidades de debates e criar algumas para eu mesmo moderar. Era isso que eu fazia quando o site saiu do ar.

Agora é meia-noite e o Orkut – o site – ainda não deu sinal de vida. O aviso avisa – e não poderia ser diferente – que o Orkut está se comportando de modo imprevisto. Não diz se é o site, o rapaz ou ambos. Diz ainda que irá se comportar assim de vez em quando pelos próximos meses.

Então acho que esta crônica vai ficar sem uma conclusão. É que com o Orkut fora do ar, não posso acessar as estatísticas para revelar a você se conquistamos o título ou não. Mas algo me diz que nós, brasileiros, já somos maioria ali. O Orkut parou de funcionar.



Há um excelente manual do Orkut em português no blog MeuOrkut. Se quiser um convite para participar do Orkut – o site – envie-me um e-mail e eu apresento você. Tudo bem que você não me conhece e eu não conheço você, mas eu também não conheço o Orkut – o engenheiro – e até já esqueci seu sobrenome.

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Comunidades Virtuais: um Fenômeno na Sociedade do Conhecimento
SANMYA FEITOSA TAJRA

As comunidades virtuais apresentam-se como um dos meios ambientes propícios para a democratização do saber. São constituídas nos ambientes virtuais da Internet e possuem como elementos essenciais na sua constituição e manutenção as relações colaborativas e cooperativas, além dos recursos lógicos, físicos e ideológicos. O livro apresenta o fenômeno social das comunidades virtuais como uma oportunidade na sociedade do conhecimento, tendo como referência o paradigma educacional emergente numa sociedade cada vez mais complexa.