Cadê o EAD?
por Mario Persona



Cadê o EAD?

Um problema do EAD ou Ensino a Distância hoje é que ele traz consigo os paradigmas da educação formal e dos cursos por correspondência. A primeira, mesclava o presencial informal com interatividade entre professor e alunos, com o acadêmico formal dos textos rebuscados e herméticos.


Os cursos por correspondência ficaram sem o presencial informal e a interatividade, sobrando os textos. Para facilitar, os textos foram resumidos a um mínimo denominador comum, mas continuaram basicamente leituras solitárias. Qualquer pessoa com um pouco de proatividade poderia fazer um bom curso de EAD em qualquer biblioteca ou livraria da cidade.

Já o EAD usando meios eletrônicos, principalmente Internet, ainda carrega alguns paradigmas. O primeiro é a noção professor-aluno, como pirâmide hierárquica. O segundo é o do academismo dos textos, que não têm muita diferença dos cursos presenciais. O problema é que nesses a sisudez dos textos é quebrada pela interação informal da linguagem humana presencial e integração da classe.

Acredito que seja preciso uma boa reforma, algo do tipo começar de novo, quando falamos em EAD na Internet. Existe o presencial, mas é um presencial diferente, em que as pessoas interagem em um outro patamar, o de uma (possível) maior transparência protegida pela distância e às vezes a sensação de anonimato que o meio dá.

Nessa interatividade, o professor deixa de ser um educador e passa a ser moderador dessa interatividade. Ele está mais para a “tia” do jardim de infância, que fica ali apenas para levantar a bola da discussão e evitar as brigas, do que para o “mestre” acadêmico, que tem um acesso privilegiado à sapiência. Isto porque qualquer ser conectado tem hoje igual acesso ao saber. Só resta saber se ele saberá saber o que convém. Ou saber escolher.

As listas de discussão, na minha opinião, são hoje os melhores cursos na Internet. Pela sua informalidade elas permitem uma interação impossível no mundo real (fiz nelas ótimos amigos que nunca encontrei pessoalmente), estimulam a pesquisa também informal (ninguém está muito preocupado em compartilhar textos com espaçamento duplo ou referências no formato acadêmico), geram novos conhecimentos (a sinapse é muito maior, pois existe um caos semelhante ao processo não-linear que ocorre no cérebro) e permite um alto grau de satisfação do ego, algo que é inerente ao ser humano e existente em qualquer sala de aula.

Assim como acontece com as academias de ginástica ou os lugares específicos para caminhadas, onde o maior estímulo é ser visto, nas escolas ocorre o mesmo. Se um EAD não levar isso em conta, será tão árido que pouco conseguirá fazer em termos de motivação.

Há algum tempo li um livro (The New Pioneers – Tom Petzinger) onde ele incluía, nos créditos, os meses de participação em uma lista de discussão por e-mail, de onde veio a inspiração e informações para boa parte do conhecimento que o livro trazia. O curso de EAD que entender isto saberá como criar interesse, motivação, e, o que é mais importante, gerar conhecimento, ao invés de apenas criar um grupo de leitores de texto e acumuladores de conhecimento explícito, mas com pouco resultado tácito.

Se isso existe? Bem, o embrião está fazendo das suas por aí na forma de debates assíncronos como o que participei promovido pela Aquifolium.




Os Novos Pioneiros – Thomas Petzinger Jr.
O colunista do “Wall Street Journal” Thomas Petzinger relata casos corporativos de companhias norte-americanas pequenas e médias que estão revolucionando o mercado por meio de um trabalho firmado no espírito de colaboração, num mercado de valor agregado e numa economia plena de oportunidades. Mostra como a tecnologia está criando economias de escopo e caráter local, estão sendo criadas estratégias de remuneração e motivação para um novo tipo de trabalho e as empresa familiar pode servir de modelo para todas as empresas.