Um amigo contava de seu chefe, que não entendia de computação e costumava perguntar: “Quero fazer um relatório… que tecla eu aperto?”

Na visão míope de seu chefe, criar um novo relatório num computador era algo que se fazia apertando apenas uma tecla. Ele nem imaginava que o computador era incapaz de criar, elaborar e digitar um novo relatório. Aquela era a parte humana do processo, como é o pouso do ônibus espacial nos últimos 60 quilômetros: o computador que pilotou em velocidades supersônicas da reentrada na atmosfera deve dar lugar ao ser humano, o único capaz de fazer um pouso criativo.

Porém existe uma tecla na mente que exige apenas um toque para imprimir um relatório latente. Você aperta e o resto é executado sozinho. Essa tecla se chama paixão. Se você conseguir apertá-la com a pressão adequada ficará surpreso com o que ela é capaz de produzir. Foi assim quando escrevi minha última crônica sobre os 100 anos da Harley-Davidson. Recebi manifestações de várias pessoas apaixonadas pela máquina. Como esta, de meu amigo Lúcio Wandeck:

“Linda crônica! Vá escrever bem assim na casa do zapotek! Mexeu com minhas lembranças, dentre as quais uma Harley queixo duro que tive nos idos da década de 50! Cheguei a consultar o relógio para ver se ainda dava tempo de ir até a loja do BarraShopping comprar uma Harley. Felizmente e infelizmente não dá. Felizmente porque faço 70 anos em outubro e o bom senso contra indica que eu ande sobre duas rodas.”

Outra veio de Basilio Martins e acrescenta muito ao que escrevi. Principalmente porque vem de alguém que, ao contrário de mim, vive sua paixão pela Harley:

“Assistimos sua palestra nesta semana na CPFL e gostei bastante. Mas queria mesmo é comentar sua cronica da Harley. Antes, preciso dizer que sou motociclista, motoqueiro há 30 anos, e tenho uma Harley. Qual o motivo? Por que iria querer uma Harley-Davidson sem nunca ter andado numa?

Resposta simples: O mito. Resposta mais elaborada: Além do mito, a moto é muito boa para estrada. Mas ao comprar uma Harley-Davidson você não compra apenas o hardware: ela vem com outras pessoas que também andam de Harley, se encontram na loja da Harley, vestem Harley-Davidson’s stuff, falam de Harley e dos problemas que cada uma delas tem e também de negócios, serviço, cerveja e outras coisas.

Além disso, como você mesmo escreveu, toca no coração: Você cumprimenta outro dono de Harley ao cruzar no trânsito, como nos velhos tempos. É uma volta ao passado, usando somente o Teco direito (o criativo – emprestei o Tico e Teco de sua palestra). O Tico esquerdo (racional) diz sempre: A BMW é fantástica, super-moto, etc… Mas simplesmente não é uma Harley-Davidson.”

Você já pensou na possibilidade de apertar a tecla certa na mente de um cliente e extrair toda a paixão latente que pode existir ali pelo produto ou serviço que você tem para oferecer? Teclas são apertadas com palavras. Pense nisso.