Quando criança minha mãe acreditava ter um filho escritor. Meus três livros publicados, um quarto (Marketing Tutti-Frutti – leia o prefácio) em publicação e todas as colunas que publicam minhas crônicas a deixaram feliz. Mas hoje minha mãe virou avó. Da escritora Lia Persona, minha filha.

O filme na TV é policial, de suspense. Começo a ficar arrepiado quando o ex-detento, transformado em isca da polícia, está a ponto de ser surpreendido. Dou um salto da poltrona ao escutar um grito: “GANHEI!”

É minha filha, pulando seus 23 anos de idade pela sala emocionada: “Ganhei! Ganhei!” Não é loteria nem sorteio. Ela ganhou um novo título em sua breve carreira na enfermagem. Agora Lia Persona é escritora.

A notícia acaba de sair no site do COFEN – Conselho Federal de Enfermagem:

“Temos o prazer de anunciar, que após árduo trabalho, sagrou-se como vencedor o romance ‘MEU IRMÃO, MEU CUIDADO’ (título provisório de “Uma luta pela vida”) da autora e Técnica de Enfermagem LIA PERSONA.”

Seu texto com o título provisório de “Meu irmão, meu cuidado” foi escolhido dentre os 651 autores que participaram e será publicado na coleção Anjos de Branco da Editora Mondrian. A escolha foi da comissão composta pelos escritores Antônio Olinto, Arnaldo Niskier e José Louzeiro.

“Uma luta pela vida”, título definitivo do livro de Lia Persona, será o oitavo livro da coleção que inclui os autores Patch Adams e Maureen Mylander (A Terapia do Amor), Antonio Olinto (A Dor de Cada Um), José Louzeiro (Ana Néri – A Brasileira que Venceu a Guerra), Helena Parente Cunha (Claras Manhãs de Barra Clara), Carlos Nejar (Guilhermina – Enfermeira e Tia da República), Arnaldo Niskier (Maria da Paz) e Marcos Santarrita (Os Pecados da Santa). O nono livro da coleção, a ser lançado em 2004, é assinado por Paulo Coelho.

Segundo o site do COFEN, outros escritores estarão assinando os próximos novos títulos da coleção: Arthur da Távola, Carlos Heitor Cony, Demócrito Jonathas Azevedo, Domício Proença, Helena Parente Cunha e Rachel de Queiroz.

A história que Lia Persona escreveu é uma autobiografia romanceada, a ótica de uma enfermeira em seu relacionamento com o irmãozinho adotivo que ela ganhou quando tinha seis anos de idade. Lia teve bonecas, mas foi Pedro – então com 4 anos de idade – seu boneco predileto. Nascido cego e com paralisia cerebral, Pedro foi o principal estímulo que a levaria a abraçar a enfermagem, primeiro em um curso técnico e depois em um curso superior na UNICAMP.

No início deste ano tentei registrar em um blog a história de Pedro, hoje com 21 anos, como forma de não me esquecer dos detalhes e incentivar a adoção de crianças especiais, mas a falta de tempo não permitiu que fosse adiante. Estou tentando recomeçar aqui, só em português. Fico feliz que tenha sido assim, já que Lia assumiu essa tarefa escrevendo com muito mais envolvimento e paixão. Fico feliz e coruja, e agradeço a Deus pela filha escritora. Tem mais informações aqui.

Agora é aguardar o lançamento de “Uma luta pela vida”, de Lia Persona, e sua roteirização para TV, prevista pelo COFEN – Conselho Federal de Enfermagem.