“Eu bem que relutei, me debati e cortei meus pulsos, mas não teve como, agora não posso deixar de criar meu blog. Bem no mês do cachorro louco?”

É assim que começa o blog Calango Zoiudo de meu aluno Davi de Oliveira Alves. Vítima da primeira aula de administração mercadológica (marketing) que dei para sua turma no ISCA Faculdades, Davi entrou na dança do blogger. Todos entraram.

É que logo de cara deixei bem claro que ninguém poderia fazer marketing para uma empresa se não soubesse fazer seu próprio marketing para poder estar na empresa. Antes do marketing empresarial vem o marketing pessoal, o que garante o trabalho. Daí a oportunidade de fazer do blog um meio de expressão.

Deixei claro também que no século 21 é preciso saber Internet, como no século 19 foi preciso saber ler e escrever, e no século 20 saber datilografar. Então pedi a meus alunos que criassem cada um seu blog. Todos voluntários, nenhum voluntarioso, porque sempre ajuda na nota. Ali devem publicar dois dedos de prosa do que aprendem em cada uma de minhas aulas. Felizmente ninguém perguntou: “Professor, e se não aprendermos nada?”.

Mas o Davi aprendeu. Ou melhor, ele já sabia escrever naquele estilo gostoso que gosto. E nem leu receita para manjar de escrever! Isso já vai servir para seu marketing pessoal, e é para isso que quero que todos tenham um blog também. Devem ter uma janela que mostre sua competência. Por isso convido você a ir até o Calango Zoiudo (www.calangozoiudo.blogger.com.br)descobrir a impressão que um aluno teve de sua primeira aula de marketing.

E por falar em aluno, recebi um e-mail de um leitor pedindo algo para falar em seu discurso na formatura neste final de semana. Não me pergunte se o discurso será antes ou depois da banda tocar Coração de Estudante, do Milton Nascimento, ou “We are the champions”, do Queens. Não sei dizer, como não sabia o que dizer a ele, mas…

…se tivesse que dizer algo, diria que você está saindo do mundo previsível do aprendizado formal para entrar no mundo imprevisível do aprendizado informal. Você precisa saber que, profissionalmente, acaba de nascer. Mas nunca acabará de crescer. E não apenas crescer, mas também mudar. É provável que descubra, ao sair da faculdade, caminhos que antes nem imaginava trilhar.

Comigo foi assim. Formado em arquitetura e urbanismo, guardei o diploma para morar três anos no mato e ensinar numa escola de povoado. Só depois voltei a ser arquiteto, o que não durou muito. Virei vendedor. Depois comprador, negociador e editor. Vinte anos se passaram até chegar à atual configuração. Escritor, palestrante, professor e consultor de comunicação e marketing.

No antigo comercial de um frigorífico na TV, quando perguntavam ao porquinho o que ele queria ser quando crescer, respondia alegremente: Salsicha! Parecia um absurdo responder com tamanha motivação, já que aquilo significava o sacrifício do porco. Mas há uma lição escondida ali.

Se você não estiver disposto a se sacrificar, jamais será alguém útil, para si, para o próximo ou para Deus. É preciso estar disposto a sacrificar continuamente o que você é, o que sabe e o que faz, antes que consiga transformar seu ser, seu saber e seu fazer em algo de valor.

Só não permita que a vida e as circunstâncias o transformem numa salsicha. Salsichas são todas iguais e vivem amarradas umas às outras. Não se prenda a nada nem a ninguém. Seja diferente, mantenha seu caráter, ouse viver assim. Mas nunca perca o seu lado infantil.

Continue sendo a criança que existe em você, que sonha, que acredita, que vê, mesmo nos momentos quando se sentirá pequeno diante dos desafios. Por esta razão, além da disposição para o sacrifício, há uma outra lição que gostaria que aprendesse com o porquinho do comercial da TV. Bem-humorado, ele sempre acreditava que podia crescer.